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17/01/2014
REVIEW - CINEMA: MINHOCAS
 
 
Minhocas
 
 
 
 
 
 
 
 


Minhocas é o primeiro longa-metragem brasileiro de animação em stop motion, dirigido por Paolo Conti e Arthur Nunes, escrito por Thomas Lapierre e produzido pela Animaking. A produção foi inspirada no curta homônimo, vencedor de 11 Prêmios no Brasil, incluindo o Anima Mundi e o Festival de Gramado.

A história gira em torno de Júnior, um menino, ou melhor, uma minhoca que se junta a dois amigos, Linda e Neco, para enfrentar o vilanesco Big Wig, um tatu-bola megalomaníaco com a intenção de dominar todas as minhocas utilizando um caracol com a capacidade de hipnotizar (!?) os anelídeos. Ele conta com a ajuda dos vermes da Gangue da Lama para construir um império onde os tatus-bola serão os maiorais, em vez de apenas servirem como bola para os jogos esportivos das minhocas. Júnior inicia a aventura como uma minhoca mimada e insegura, mas aos poucos descobre o valor da amizade e vai adquirindo coragem e autoconfiança.

Já de cara o filme começa com um grande problema: a total falta de carisma de seu personagem principal, um garoto antipático, egoísta e sem graça que não melhora muito no decorrer do filme. Fica difícil sentir qualquer aproximação com um personagem desses, ainda mais sabendo que ele não passa de um filhinho de mamãe que não tem lá grandes razões para ser tão intragável.

E o problema não se atenua quando vão surgindo novos personagens, já que carisma passa longe de praticamente todos eles. São excessivamente estereotipados, muitos sem qualquer função dentro da narrativa e humanizados a ponto de nos perguntarmos qual a razão de se fazer um filme sobre minhocas, já que todas são retratadas como seres humanos, só que em ambientes próximos aos de uma minhoca. Por que não fazer um filme sobre humanos, então? Pelo menos assim algumas situações não seriam tão absurdas. Minhocas com seios, entre outras bizarrices, são difíceis de engolir, por maior que seja a boa vontade. Parece que essa humanização desmedida tomou conta da indústria de animação. Um ranço difícil de ser posto de lado.

Além disso, há os diálogos. Monótonos, clichês e abundantes em piadinhas incapazes de gerar sequer um sorriso amarelo. Mas o mais incômodo em Minhocas são as motivações dos personagens. Tudo muito raso e totalmente imerso na fórmula batida das animações hollywoodianas, principalmente da Pixar e da Blue Sky, mas sem o mesmo charme das produções desses estúdios. A razão pela qual o vilão Big Wig pretende dominar as minhocas é simplória até para uma criancinha. E o motivo que leva seus aliados da tal Gangue da Lama a apoiá-lo é quase constrangedor.

Uma animação sem originalidade, sem nenhuma referência à cultura brasileira (tudo com cara de cultura norte-americana) e que se arrasta até o tão aguardado final. Aguardado não pela empolgação da conclusão, mas pela impaciência.

O Brasil possui um grande potencial para a animação e vem provando isso em diversas premiações, como é o caso do Anima Mundi, e em produções de sucesso, como a série A Era do Gelo. Mas esse não é o caso deste primeiro longa em stop motion totalmente produzido no Brasil. Uma pena.

Vozes: Cadu Paschoal, Daniel Boaventura, Anderson Silva, Rita Lee, Jullie (Juliana Vasconcelos Póvoas), Yago Machado, Duda Espinoza, Manolo Rey, Luiz Sérgio Navarro, Waldir Fiori, Isabella Fiorentino, Sérgio Stern. Roteiro: Marcos Bernstein, Melanie Dimantas, Thomas LaPierre e Romeu di Sessa. Direção: Paolo Conti e Arthur Nunes.

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