MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
06/02/2014
MATÉRIA: HEROCLIX - ESTRATÉGIA, MINIATURAS E PAIXÃO
 
 
O Ciclope, digamos, pouco convincente da coleção Infinity Challenge.
 
 
Gandalf and Shadowfax, peça da coleção The Two Towers, lançada em junho de 2013.
 
 
Team bases da DC Comics.
 
 
Um conjunto (conhecido como brick) com um super booster e oito boosters da coleção Teen Titans.
 
 
Os dois starter sets da coleção Avengers vs. X-Men.
 
 
 
 
 
 


Todo nerd que se preze é fã de quadrinhos, jogos (board games, cards, videogames, RPGs, etc.), miniaturas e colecionismo, em maior ou menor escala e cada um dando sua ênfase pessoal a esses segmentos. Agora, imagine um jogo que misture tudo isso num balaio só... É pra fazer a nerdaiada pirar a cabeça lógico-analítica, não é? Ainda mais se o jogo for divertido, sociável e viciante (sim, nerds são verdadeiros adictos pelos muitos elementos de sua cultura).

Pois a norte-americana Wizkids soube enxergar esta oportunidade e inovou ao lançar um jogo que mistura vários elementos da cultura nerd. O HeroClix chegou às lojas em 2002, com a coleção Infinity Challenge, que trazia personagens variados da Marvel Comics, como X-Men, Irmandade de Mutantes, Vingadores, S.H.I.E.L.D., Hidra, entre outros. Após três outras coleções com peças da Casa das Ideias, veio a primeira coleção da DC Comics, Hypertime, com peças da Liga da Justiça, Sociedade da Justiça, Novos Titãs, Legião dos Super-Heróis e diversos vilões. E na sequência veio a coleção Indy, que trazia figuras de editoras independentes, como a Dark Horse, 2000 AD, Top Cow,  Crusade, Crossgen. Dentre os personagens mais conhecidos, estavam Hellboy, Juiz Dredd, Witchblade, Darkness, Danger Girl e Shi.

De início, as peças eram bem feinhas, algumas chegando a ser horríveis, com personagens quase irreconhecíveis. Mesmo assim, o HeroClix recebeu três prêmios do Origins Awards (premiação norte-americana para a indústria de jogos oferecida anualmente pela Academy of Adventure Gaming Arts and Design na Origins Game Fair) de 2002, incluindo Melhor Boardgame de Ficção Científica ou Fantasia pela série Infinity Challenge, Melhor Expansão ou Suplemento para Boardgame e Melhor Miniatura de Ficção Científica ou Fantasia para a peça do Sentinela. Com isso, a Wizkids criou um sistema de suporte para torneios regionais e nacionais, que eram realizados em comic shops e lojas de jogos, além de lançamentos de peças variantes ou edições especiais, sempre limitadas e oferecidas aos vencedores dos campeonatos como premiação. A prática permanece até hoje.

Outra novidade foram as séries fora do universo dos super-heróis, como Gears of War, Halo, O Senhor dos Anéis, Star Trek, Assassin´s Creed, Círculo de Fogo, Bioshock, Dota e até uma série do Iron Maiden apenas com figuras de Eddie, o inconfundível mascote da banda.

O HeroClix foi inspirado em um antigo wargame de miniaturas chamado Mage Knight, que era, e ainda é, de propriedade da mesma empresa. Ambos utilizam o sistema de cliques no dial de combate na base das peças. Lá estão os atributos dos heróis e vilões (movimento, ataque, defesa, dano e alcance), e quando um personagem recebe um dano ou ganha pontos de vida, a base deve ser girada (clicks = clix = cliques, daí o nome do jogo), revelando novos valores de atributos e novos poderes.

E por falar em poderes... Eles são muitos! De início havia “apenas” uma lista fixa de 12 diferentes poderes para cada atributo, totalizando 48 standard powers (indicados por quadrados coloridos em torno do valor do atributo). Com a chegada da coleção Legion of Super Heroes, que trazia personagens do grupo homônimo da DC, o jogo recebeu uma novidade que fez toda a diferença, os chamados special powers (quadrados brancos no valor do atributo), que são os poderes específicos dos personagens, descritos nas cartas que agora acompanhavam cada peça, já que seria impossível detalhar esses poderes na base das peças. E geralmente são esses poderes que tornam determinados personagens tão superpoderosos e cobiçados, com possibilidade de combos matadores.

Em uma partida de HeroClix, seja em duelos ou em jogos de grupos (os chamados “mesões”), as peças são dispostas em mapas que possuem diferentes tipos de terrenos, e alguns possuem características específicas. Os combates podem acontecer entre dois jogadores, entre dois grupos ou com diversas pessoas jogando cada uma por si. Para realizar um ataque, o jogador rola dois dados de seis lados (D6) e soma o resultado ao valor de ataque de seu personagem atacante, e depois compara o valor total à defesa do personagem-alvo. Se o resultado for maior que a defesa do personagem-alvo, este toma a quantidade de dano descrita no dial do atacante mais os possíveis modificadores. Mas a graça está no uso dos poderes e habilidades dos personagens, além dos combos com outras peças. O time de um jogador geralmente reúne duas ou mais peças, sem um número limitado, e as peças podem ou não formar uma equipe tradicional dos quadrinhos, como X-Men ou Liga da Justiça, ou equipes “genéricas”, como robôs, monstros, cósmicos, místicos, etc. Nestes casos, o jogador ganha alguns bônus por jogar com um time temático, o que também deixa o jogo mais divertido.

O HeroClix continua em constante evolução e sempre surgem novidades, que vão tornando o jogo mais complexo e cheio de possibilidades estratégicas. A mais relevante delas ocorreu em 2008, quando a Topps, empresa proprietária da Wizkids na época, decidiu descontinuar o HeroClix, dando fim à produção e comercialização do jogo. Para a sorte dos jogadores, a NECA - National Entertainment Collectibles Association comprou a maior parte dos direitos de produção da Wizkids, incluindo o nosso amado HeroClix. E aí a coisa toda mudou radicalmente. E para melhor! A inovação mais visível foi na qualidade das peças. Em 28 de julho de 2009, a NECA começou a vender a peça gigante Thor´s Mighty Chariot em convenções da América do Norte. O relançamento de HeroClix ocorreu em novembro de 2009, com a coleção Hammer of Thor, a primeira série sob a gestão da NECA, que investiu para melhorar a qualidade das peças, assim como se prontificou a revisar as regras, eliminando alguns pontos desnecessários e trazendo inovações que mexeram radicalmente na estrutura do jogo e no bolso dos jogadores.

Dentre as novidades que surgiram para deixar o jogo mais dinâmico e estratégico, estavam os feats, habilidades que podem ser conferidas aos personagens; as battlefield conditions, que alteram as regras gerais do jogo; as ATAs - additional tem abilities, semelhantes aos feats, mas que conferem habilidades adicionais a personagens de determinadas equipes; os resources, “equipamentos” que deixam os personagens mais poderosos; as relics, objetos que conferem algumas habilidades; os vehicles, que são utilizados para carregar outras peças e também para atacar; e as lindas team bases, pequenos cenários nos quais se encaixam algumas peças e que funcionam como uma equipe que ataca e se defende em grupo.

As peças de HeroClix são vendidas em boosters de cinco peças ou em pacotinhos (gravity feeds) que contêm apenas uma peça. Em ambos os casos, o comprador não sabe quais peças virão, como ocorre nos pacotinhos dos álbuns de figurinhas. Além disso, há também os super boosters, que trazem uma team base aleatória, os starter sets, que são lançados como uma espécie de preview para as novas coleções e que trazem sempre as mesmas peças de um determinado time em um blister, ou seja, é possível ver quais peças vêm.

Hoje a Wizkids/NECA confere uma grande atenção ao jogo, com novas coleções sendo lançadas mês a mês, e não de maneira genérica como ocorria no início do jogo, mas de forma mais temática, como é o caso das coleções inspiradas em sagas das histórias em quadrinhos, como a recente Vingadores vs. X-Men ou X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, que será lançada em meados de março deste ano.

Porém, infelizmente para nós brasileiros, o jogo quase não é comercializado normalmente em lojas, sendo praticamente exclusivo do “mercado negro”, com jogadores que importam as peças e as vendem avulsas, ou por algumas lojas de cards e boardgames que importam os boosters e os vendem a um preço bem salgado, bem diferente do que ocorre nos EUA, onde as peças possuem preços justos e acessíveis, na maioria dos casos (as exceções ficam por conta das peças muito raras, muito poderosas ou de edições limitadas). E além do problema de comercialização do jogo aqui no Brasil, também não há uma versão traduzida para o português, a não ser alguns materiais que são traduzidos pelos próprios jogadores, como é o caso do manual de regras (que está desatualizado, já que somente a versão 2011 foi traduzida) e da tabela de poderes e habilidades. Além disso, não existem traduções das cartas, o que certamente acaba afastando novos jogadores. Aliás, os poucos que acabam tendo algum contato com o jogo, já que não é possível encontrá-lo em lojas.

Veja também:
- Notícias diversas sobre Heroclix
- Outras matérias e reviews

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A bela Thor´ Mighty Chariot, a primeira peça lançada pela Wizkids após sua aquisição pela NECA.
 


 

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