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21/02/2014
MATÉRIA: ROBOCOP - O HERÓI RECICLADO
 
 
O herói original
 
 
Robocop - O Policial do Futuro
 
 
Robocop 2
 
 
Robocop 3
 
 
Robocop em quadrinhos
 
 
 
 
 
 


1) Servir à população;
2) Proteger os inocentes;
3) Cumprir a lei;
4) Confidencial.

Estas eram as quatro diretivas básicas que limitavam e conduziam as ações de Robocop. A última impedia que ele se voltasse contra o alto escalão de executivos da OCP - Omni Consumer Products, a corporação nada ética que transformou um policial no primeiro ciborgue a serviço da lei.

O primeiro filme, RoboCop - O Policial do Futuro, de 1987, com direção de Paul Verhoeven (cujas obras mais conhecidas são O Vingador do Futuro, 1990; Instinto Selvagem, 1992; Tropas Estelares, 1997; e O Homem sem Sombra, 2000) e roteiro de Edward Neumeier (Tropas Estelares) e Michael Miner (A Arma Proibida e Anaconda 2), apresenta o personagem Alex Murphy (Peter Weller), um policial que atua em uma Detroit extremamente violenta ao lado de sua parceira Anne Lewis (Nancy Allen). Os dois parceiros estão no encalço de uma quadrilha liderada pelo psicopata Clarence J. Boddicker (Kurtwood Smith). Após uma perseguição, Murphy entra em usina abandonada, é pego de surpresa e feito de gato e sapato pelos bandidos, que destroem quase todo o corpo do policial.

Como não sobra quase nada do corpo, Murphy obviamente é dado como morto. Porém, o pouco que restou dele é extraoficialmente levado pela OCP no intuito de utilizá-lo na construção de um ciborgue policial. A nova máquina de combate ao crime, dotada da mais alta tecnologia, é batizada de Robocop.

Robocop é revestido por uma liga de titânio resistente a diversos calibres e a temperaturas entre -80 °C e 3000 °C; as partes pretas (pescoço, mãos, juntas e abdómen) são feitas de kevlar e liga de carbono; o visor em seu capacete permite gravação de vídeo, visão telescópica, visão térmica e mira computadorizada; cada um de seus dedos têm força de 200 quilogramas;  ele tem um dispositivo retrátil em seu punho direito que o permite realizar interface com computadores, além de servir de arma branca; sua arma mais utilizada é a Auto-9, uma pistola automática que usa munição 9 mm, com cadência de 60 tiros por minuto, que fica guardada em um compartimento em sua coxa direita e cuja munição parece nunca ter fim.

Com toda essa parafernália, Robocop toma a frente como defensor da lei e da ordem nas ruas da caótica Detroit, uma cidade decadente consumida pelo crime e pela corrupção e alvo da OCP, cujos interesses são puramente financeiros, bem longe de qualquer preocupação com a população, diferente do que demonstram em suas publicidades televisivas, que sempre aparecem nos filmes como forma de expor as duas caras da corporação.

Além do crime desenfreado nas ruas, Robocop é constantemente atormentado pelas memórias de Alex Murphy, com dolorosas lembranças relacionadas à sua família e ao seu assassinato. Com isso, o ciborgue passa a perseguir Boddicker e seus comparsas incessantemente, e torna a vingança a sua principal diretriz.

A continuação, RoboCop 2 (1990), talvez o melhor da série, foi dirigida por Irvin Kershner (Star Wars - Episódio V: O Império Contra Ataca, 1980; 007 - Nunca Mais Outra Vez, 1983) e roteirizada por Walon Green (Queima de Arquivo, 1996; Terra de Paixões, 1998) e ninguém menos que o até então estreante como roteirista de cinema Frank Miller, autor de diversos clássicos dos quadrinhos, como A Queda de Murdock, Demolidor: O Homem Sem MedoElektra Assassina, O Cavaleiro das Trevas, Batman: Ano Um, Ronin, Sin City, 300, entre muitos outros.

Nesta sequência, a OCP prossegue com seu plano de pacificação de Detroit com a utilização de sua maior arma, o Robocop, que agora tem um abacaxi enorme para descascar, o nuke, uma nova droga levada às ruas por um criminoso chamado Cain. Além de propagar seu discurso filosófico-religioso às avessas baseado no nuke, o criminoso ainda lidera o cartel do entorpecente por toda a cidade. Para controlar o avanço da droga e a investidas de Cain e companhia, a OCP lança um projeto de colocar nas ruas um novo ciborgue, o Robocop 2. Mas todos os protótipos fracassam, o que acaba por despertar a fúria dos altos executivos da empresa devido aos prejuízos.

Eis que surge Juliette Faxx, uma cientista de menor escalão da OCP que não mede esforços para ter a atenção do presidente da companhia. Após utilizar seus atributos físicos, a doutora Faxx consegue firmar seu projeto de transformar psicóticos dependentes em máquinas programadas, e sua primeira tentativa é com o cérebro de Cain, após o bandidão se acidentar numa fuga durante confronto com Robocop.

Mas já na apresentação do Robocop 2 à imprensa, tudo começa a dar errado. O ciborgue viciado em nuke se recusa a seguir as diretrizes da OCP e dá um jeitinho da se tornar independente. Daí o pau come solto entre os dois Robocops.

No último episódio da “trilogia clássica”, RoboCop 3, de 1993, dirigido por Fred Dekker (A Noite dos Arrepios, 1986; Deu a Louca nos Monstros, 1987) e roteirizado por Dekker e Frank Miller, a OCP é vendida para a empresa japonesa Kanemitsu Corporation, que pretende transformar a região Cadillac Heights de Detroit numa espécie de bairro-empresa, ou seja, pretende privatizar toda a área – plano que a própria OCP já tentava botar em prática desde o primeiro filme. E é nesta região que mora Nikko (Remy Ryan), uma garota prodígio expert em informática e robótica e fã do Robocop (desta vez interpretado por Robert John Burke).

Porém, para que o empreendimento batizado de Delta City se torne realidade, toda a população local deve ser expulsa para que haja uma “limpeza socioeconômica” e se iniciem as construções. Para dar cabo da tarefa, a nova OCP cria a Reabilitação Urbana, uma força policial que entra em confronto direto com os moradores, agora considerados “rebeldes”, que se revoltam para manter a integridade de seus lares.

Quando Robocop tenta ajudar os moradores contra a opressão policial, sua parceira de longa data Anne Lewis é morta pelo comandante da Reabilitação Urbana Paul McDaggett (John Castle), e Robocop fica bastante danificado por não conseguir se voltar contra a Reabilitação em decorrência da quarta diretiva, que o impede de se voltar contra a OCP. Assim, ele pede aos rebeldes que procurem a doutora Marie Lazarus, uma das responsáveis pela sua criação, para que ela apague a quarta diretiva.

Com o policial do futuro devidamente ajustado, consertado e reprogramado – e com um upgrade que lhe confere considerável vantagem, um propulsor a jato que o permite voar –, há o início da guerra entre os rebeldes, a polícia de Detroit e o policial do futuro de um lado, e do outro, a Reabilitação e os androides ninjas Otomo (Bruce Locke), verdadeiras máquinas de matar que agem a serviço da nova OCP.

Numa época em que trilogias custavam caro e só eram produzidas quando havia certa certeza no sucesso comercial para longas franquias, a série Robocop ousou em fazer da violência a sua marca registrada, enfatizando o clima de decadência e niilismo pré-cyberpunk, com a opressão de uma corporação corrupta e predatória confrontada por uma de suas próprias criações, o policial do futuro. E a escolha de Frank Miller como roteirista das duas continuações só poderia gerar resultados satisfatórios, já que o estilo do autor cairia como uma luva para a série. Mas não foi bem o caso. Não por incompetência de Miller, mas pela falta de sintonia com os propósitos dos produtores.

No segundo filme, até que a parceria foi razoável, mas ainda assim com diversos problemas, como equívocos de direção e algumas atuações infelizes. Além disso, o roteiro de Miller foi considerado como “infilmável” pelos produtores e executivos do estúdio, e sofreu diversas alterações. No entanto, a maior aberração foi no terceiro filme, no qual os produtores se esforçaram muito em reduzir a faixa etária indicativa. Para isso, retiraram a violência explícita, incluíram uma heroína mirim e tentaram até conferir um ar de “amigão da vizinhança” ao ciborgue protagonista.

Nem é preciso dizer o quanto isso irritou Miller, que dali em diante, jurou nunca mais se envolver com Hollywood. Mas, como já sabemos, a promessa foi quebrada com Sin City, de 2005, dirigido, produzido e roteirizado por Miller e baseado em obra de sua própria autoria. O autor voltou aos cinemas como diretor em The Spirit: O Filme (2008) e em Sin City 2: A Dama Fatal, que está em fase de pós-produção, com lançamento previsto para este ano. Além disso, houve a adaptação da graphic novel 300, lançada em 2007 com direção de Zack Snyder, mas não houve a participação de Miller na produção.

Apesar dos pesares, os filmes do personagem Robocop fizeram bastante sucesso em suas épocas e tiveram grandes arrecadações nas bilheterias. O sucesso dos filmes gerou uma grande franquia, incluindo uma série de televisão em 1994, com 22 episódios, e uma minissérie, em 2000, com apenas quatro episódios, intitulada RoboCop: Prime Directives; duas séries animadas para TV, uma de 1988, produzida pela Marvel Productions, com doze episódios, e uma de 1998, com 41 episódios, chamada RoboCop: Alpha Commando; e jogos de videogame.

E é claro que os quadrinhos não ficariam de fora. A primeira HQ foi uma adaptação do primeiro filme pela Marvel Comics, publicada em 1987, escrita por Bob Harras e desenhada por Alan Kupperberg e Javier Saltares, licenciada pela Orion Pictures e publicada no Brasil pela Editora Abril em 1991. Depois veio a série com 23 edições publicada pela Marvel de 1990 a 1992, em que a grande maioria das edições foi escrita por Alan Grant ou Simon Furman e ilustrada por Lee Sullivan. Ainda em 1990, veio a adaptação do segundo filme, também lançada pela Marvel, em versão preto e branco e colorida, escrita por Alan Grant com arte de Mark Bagley, também publicada no Brasil pela Abril.

Em 1992 a Dark Horse adquiriu os direitos de publicação do personagem, aí surgiu o crossover RoboCop vs. the Terminator, com roteiro de Frank Miller e desenhos de Walt Simonson, em quatro partes lançadas no mesmo ano; RoboCop: Prime Suspect (John Arcudi, John Paul Leon), em quatro partes, de 1992; a adaptação para o terceiro filme, de Steven Grant e Hoang Nguyen, com três partes lançadas em 1993; a mini em quatro partes RoboCop: Mortal Coils, de Steven Grant e Nick Gazzo, também de 1993; RoboCop: Roulette, de John Arcudi e Mitch Byrd, em quatro partes lançades entre 1993 e 1994. Destas, apenas Robocop vs. O Exterminador do Futuro foi publicada no Brasil, pela Abril em 1999.

Em 2003 veio a fase da Avatar Press, que adquiriu os direitos do título e publicou uma série em nove partes, de 2003 a 2006, com roteiro de Steven Grant e arte de Juan Jose Ryp – adaptando o roteiro original de Miller para RoboCop 2; e duas edições especiais, RoboCop: Killing Machine (2004), de Steven Grant e Anderson Ricardo, e RoboCop: Wild Child (2005), de Steven Grant e Carlos Ferreira.

A Dynamite Entertainment publicou o personagem entre 2010 e 2012, com uma série de seis edições pelo roteirista Rob Williams e o artista Fabiano Neves. A mesma dupla produziu a minissérie em quatro edições Revolution. Williams escreveu mais uma mini em quatro partes, Road Trip, desta vez com arte por Unai Dezarate. Por fim, a editora produziu um segundo crossover com O Exterminador do Futuro, Terminator/RoboCop: Kill Human, minissérie em quatro edições também escrita por Williams, mas desenhada por P.J. Holden.

Desde 2012 Robocop é publicado pelo BOOM! Studios, que vem publicando a minissérie em oito edições The Last Stand, escrita por Steven Grant e desenhada por Korkut Öztekin, adaptando o roteiro de Frank Miller para o terceiro filme do herói. Alcançando os dias atuais, o BOOM! também está publicando uma série de quatro especiais com a nova versão do personagem, servindo de “aperitivo” para o reboot cinematográfico.

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- Notícias diversas sobre Robocop
- Outras matérias e reviews

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O novo Robocop, com direção do brasileiro José Padilha
 
Tags : Robocop, OCP, Omni Consumer Products, RoboCop - O Policial do Futuro, Paul Verhoeven, O Vingador do Futuro, Instinto Selvagem, Tropas Estelares, O Homem sem Sombra, Edward Neumeier, Michael Miner, A Arma Proibida, Anaconda 2, Alex Murphy, Peter Weller, Anne Lewis, Nancy Allen, Clarence J. Boddicker, Kurtwood Smith, RoboCop 2, Irvin Kershner, Star Wars - Episódio V: O Império Contra Ataca, 007 - Nunca Mais Outra Vez, Walon Green, Queima de Arquivo, Terra de Paixões, Frank Miller, A Queda de Murdock, Demolidor: O Homem Sem Medo, Elektra Assassina, O Cavaleiro das Trevas, Batman: Ano Um, Ronin, Sin City, 300, Cain, Juliette Faxx, RoboCop 3, Fred Dekker, A Noite dos Arrepios, Deu a Louca nos Monstros, Kanemitsu Corporation, Nikko, Remy Ryan, Robert John Burke, Reabilitação Urbana, Paul McDaggett, John Castle, Marie Lazarus, Otomo, Bruce Locke,




 

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