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01/07/2014
REVIEW - HQ: DEMOLIDOR - DIABO DA GUARDA
 
 
Demolidor - Diabo da Guarda
 
 
 
 
 
 
 
 


Como já dito no review de Demolidor - A Queda de Murdock, na década de 1980, com as quase esquecidas revistas do Demolidor, Frank Miller causou uma verdadeira revolução nos quadrinhos de super-heróis. E consequentemente, na vida de Matt Murdock, o advogado cego que, num traje vermelho que remete a um diabo, dedica sua vida noturna a impedir que vilões comuns ou dotados de grande poder prejudiquem a vida de inocentes.

Como é de se esperar, tal representatividade por parte da inovação de Miller gerou enorme influência em muito artistas dos quadrinhos, que passaram a inserir elementos mais maduros e realistas em suas histórias, que agora almejavam um público mais adulto, ao contrário do que era usual nos quadrinhos de super-heróis. Até a rival DC abraçou a ideia com Batman: O Cavaleiro das Trevas, de autoria do próprio Miller.

Quase vinte anos após a entrada de Frank Miller à frente do título Daredevil, o cineasta Kevin Smith (diretor e roteirista de O Balconista 1 e 2, Barrados no Shopping, Procura-se Amy, Dogma, O Império do Besteirol Contra-Ataca, entre outros) também resolveu fazer uso do legado deixado por Miller e criou uma ótima saga recheada de referências ao maior responsável pela grande reviravolta na vida de Murdock. A começar pelo retorno de Karen Page, o grande amor da vida de Murdock, agora uma ex-viciada em heroína, ex-atriz pornô e atual locutora consagrada de rádio, que utiliza a mídia para combater uma indústria pornô opressora e aproveitadora.

Outro elemento bastante presente é a religiosidade, que Miller explorou eficazmente para dar profundidade e sentido à vida de Murdock como herói mascarado e também como órfão abandonado por uma mãe que virou freira. Um ótimo contraponto para um personagem que sai por aí vestido de demônio para espancar bandidos.

E outra característica “milleriana” utilizada por Smith é a presença de uma conspiração arquitetada por um vilão inicialmente oculto para desgraçar a vida de Matt Murdock. Até que o Homem Sem Medo se dê conta de quem está em seu encalço, muita desgraça é provocada, a ponto do herói ficar completamente desestabilizado e quase desistir de seu ofício secreto – que deixa de ser tão secreto assim como parte do plano para sua derrocada.

Sendo assim, Demolidor: Diabo da Guarda tem muitos elementos que remetem ao clássico de Miller, em um resultado competente que, à época, alegrou a muito fãs, ainda mais porque a revista do grande herói da Cozinha do Inferno novamente estava passando por uma fase de pouca criatividade. A experiência de Kevin Smith como roteirista de cinema é perceptível na estrutura da narrativa, nos diálogos e na profundidade dos personagens, o que, por si só, é mais do que os leitores estavam acostumados nas fases proximamente anteriores a esta saga. Ou seja, não seria exagero dizer que Smith também revitalizou a vida do Demolidor. Ponto positivo para ele.

No entanto, quinze anos após a conclusão da saga e da empolgação que ela causou, podemos notar que também seria um tremendo exagero compará-la aos clássicos de Frank Miller como roteirista do Demolidor. Primeiro porque não há a mesma aura de decadência, de paranoia e de tensão. Não há aquela mesma força sombria que permeava os textos de Miller. O roteiro de Smith é mais pop, mais exagerado e menos tapa na cara. As motivações do vilão são questionáveis. As reações de Murdock são excessivas. Seu diálogo com a mãe dentro da igreja é forçadamente pungente, o que denota uma superficialidade retórica. Os conflitos são dramáticos até demais, quase uma novela das oito. A aparição do Mercenário só reforça esta comparação. Fica difícil se desprender da constante sensação de história reciclada.

Apesar de ainda ser uma boa história do Demolidor, fica difícil vê-la com os mesmo olhos de quando éramos adolescentes – ou, pelo menos, quinze anos mais novos. Ao contrário do que acontece com as histórias de Miller, tão atuais quanto foram três décadas e meia atrás.

Demolidor – Diabo da Guarda (Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel Vol. 17) - 200 páginas - formato 17 x 26 cm - R$ 29,90 - lançado em abril de 2014 – Editora Salvat do Brasil (coleção prevista para ter 60 volumes).

Veja também:
- Notícias diversas sobre o Demolidor
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