MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
07/04/2003
MATÉRIA: BIRDS OF PREY
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UM FIM PREMATURO
 
Após o sucesso de Smallville todos sabíamos que seria inevitável o surgimento de uma nova série baseada em personagens da DC Comics. O que ninguém esperava, era que a Warner escolhesse o título Birds of Prey como o próximo a ser transportado para as telas.

Nos quadrinhos, Birds of Prey apresenta as aventuras de Oráculo e Canário Negro (aliás a segunda Canário Negro, já que a original era a sua mãe durante a Era de Ouro da DC Comics) em Gotham City. Com apoio de vários outros personagens, com maior destaque para Poderosa, mas incluindo vários outros como Salteadora, Caçadora, Besouro Azul e Asa Noturna. O título, embora apresente boas histórias, nunca foi um grande sucesso nem de público, nem de crítica. É daí que vem a surpresa por essa escolha.

A SÉRIE DE TV
Na série, muita coisa é diferente, a começar pelas protagonistas. Ao invés de termos a dupla Oráculo e Canário Negro, temos um trio formado pelas duas mais a Caçadora.

Oráculo é a mais fiel ao conceito dos quadrinhos. Até mesmo fisicamente ela é parecida com a original. Inclusive, a cena do ataque do Coringa, que a deixou paraplégica, é idêntica ao mostrado em A Piada Mortal, embora aconteça por motivos diferentes. A única diferença pesada é o fato dela ser uma professora, profissão exercida nos quadrinhos pela Caçadora.

Já a Caçadora é uma mistura da Caçadora atual dos quadrinhos e sua antiga versão da Terra Paralela. Como na Terra Paralela, ela é filha de Batman e Mulher Gato, mas tem a personalidade baseada na sua versão atual, convencida e revoltada. Além disso, duas diferenças aos quadrinhos: aqui ele é meta-humana e não usa uniforme.

A Canário Negro é a personagem que mais sofreu alterações. É apresentada como uma adolescente - ao invés de poderes sônicos, tem poderes mentais, não usa uniforme e inicialmente não possui habilidade de luta alguma, já que é uma iniciante no combate ao crime. Seus poderes sônicos acabaram sendo transferidos para sua mãe, que participa de um episódio e que nos quadrinhos não tem poder algum.

A própria cidade está mudada. Nem mesmo é chamada de Gotham City, mas de New Gotham. Batman e Coringa desapareceram há anos, e a proteção da cidade agora está nas mãos do trio de heroínas com base na Torre do Relógio, que também é muito diferente da apresentada nos quadrinhos.

Quem manda no crime de New Gotham é a vilã Arlequina, em uma representação um tanto exagerada da atriz Mia Sara, que sempre faz muitas caretas que não se encaixam no contexto das cenas. Ao invés de sua personalidade meio maluca, a Arlequina da série está mais para gênio do crime. Não usa uniforme e ainda exerce o papel de psicóloga, inclusive tratando da Caçadora, que desconhece sua verdadeira identidade.

Outros elementos são mostrados no decorrer dos episódios, como Alfred, o Asilo Arkham e o Detetive Reese, personagem que irá sempre ajudar a Caçadora. Sem contar citações aos três Robins: Dick Grayson, Jason Todd e Tim Drake. Esse é um ponto interessante, porque poderia abrir caminho para a participação de outros heróis no futuro, e não somente os de Gotham, afinal, em certo momento da abertura é dito que Oráculo ajuda vários heróis, como a Canário Negro original.

Infelizmente, os produtores não souberam aproveitar a ideia das participações especiais. A exemplo de Smallville, Birds of Prey começou num ritmo um tanto morno, mas já desenvolve suas tramas, embora muito lentamente, o que prejudica a série: a ameaça da Arlequina, o mistério do paradeiro de Batman e o relacionamento entre os personagens. 

A série tem uma desvantagem com relação a Smallville: os efeitos especiais, que são bem fracos. Talvez, com o tempo e o aumento da audiência, isso viesse a mudar, mas a Warner resolveu cancelar o seriado com somente 13 episódios gravados, nem dando uma chance de tentarem alguma mudança que poderia alavancar a audiência. Pelo menos as coreografias das lutas são acima da média da maioria das séries atuais.

Infelizmente, de resto, a série realmente é um fracasso. As histórias são simples demais, as tramas principais muitas vezes são esquecidas no meio do caminho e por aí vai. Outro ponto negativo é a legenda, com muitos erros. Gotham é quase sempre chamada de New Gothan, e uma piada sobre o Homem-Aranha no primeiro episódio nem sequer apareceu na legenda. Aliás, piadinhas deste tipo parecem ser comuns por parte da Caçadora que já tirou uma de Smallville, do desenho Superamigos e da Supermoça. Fica agora a decepção pelo cancelamento prematuro, decidido antes mesmo da série ter a chance de consertar suas falhas para melhorar e agradar ao público.

O mais estranho é que na época de sua estreia nos EUA, sempre era comentado seu bom desempenho com a audiência, e no fim ela foi cancelada justamente por baixa audiência - meio contraditório isso. No entanto, mais estranho que isso, só mesmo a Warner, logo após cancelar a série, já querer desenvolver mais uma baseada em quadrinhos: Starman. Tomara que Jack Knight tenha um destino melhor do que as garotas de Gotham.


Veja também:
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