MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
23/07/2014
MATÉRIA: QUANDO OS MACACOS DIZEM "NÃO!"
 
 
O primeiro filme
 
 
Charlton Heston no Planeta dos Macacos
 
 
Seita religiosa e missíl nuclear
 
 
Uma semente na Terra
 
 
A primeira aparição de César
 
 
O capítulo final
 
 
As séries para a TV
 
 
A visão de Tim Burton
 


Na década de 1960, os filmes de ficção científica já haviam virado febre há mais de uma década, provavelmente em razão das pulp magazines, revistas e livros baratos, impressos em papel de baixa qualidade, que, em sua maioria, traziam histórias de aventura, suspense, horror e, é claro, ficção científica.

Quando as histórias de alienígenas, monstros e viagens espaciais chegaram ao cinema, a receptividade foi enorme, e tal popularidade resultou no lançamento de inúmeros filmes, entre clássicos e produções de gosto duvidoso. Fossem bons ou ruins, um constante ar de inocência podia ser notado nas produções dessa época, pelo menos em nossa visão contemporânea. Parte disso era causada pelas restrições técnicas e orçamentárias das produções cinematográficas de então. Mas também havia a ingenuidade herdada pelas revistas pulp, que publicaram muitos contos de puro entretenimento, sem qualquer apuro literário ou narrativo, voltados a jovens ou leitores adultos sem muito senso crítico. Felizmente, dessas revistas também saíram muitos escritores de primeira, que tinham na literatura fantástica o seu carro-chefe. Mas isso é assunto para outro artigo.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a Era Atômica deu origem à primeira grande leva de filmes de ficção científica. Nesta época, no início da década de 1950, os inimigos eram bastante específicos e precisavam ser combatidos a todo custo, geralmente por uma força militar dedicada e detentora de ideais sociais e morais. Na segunda fase, já no auge da Guerra Fria, na década de 1960, o inimigo era a paranoia, praticamente invisível e intangível. A tecnologia e as armas nucleares eram ameaças constantes.

Foi neste período que o francês Pierre Boulle escreveu seu livro La Planète des Singes, publicado originalmente em 1963. O romance trazia uma distopia de crítica social na qual o astronauta Ulysse Mérou faz uma viagem ao futuro e acaba por encontrar um planeta muito semelhante à Terra, mas onde os seres humanos são dominados por primatas inteligentes que se locomovem de forma ereta. No mesmo ano, a obra foi traduzida para o inglês e publicada nos Estados Unidos pela Vanguard Press. O livro teve considerável sucesso e recebeu novas versões mais econômicas e resumidas, até que, apenas cinco anos após sua publicação, foi lançada a adaptação cinematográfica que daria origem a uma franquia de enorme sucesso em diversos países do mundo todo.

O filme O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes) foi lançado em fevereiro de 1968 nos Estados Unidos, com direção de Franklin J. Schaffner e roteiro de Michael Wilson e Rod Serling, e rapidamente fez enorme sucesso, não de maneira gratuita, mas por diversas razões. Primeiro porque o ator principal era Charlton Heston, um norte-americano imortalizado no cinema por papéis em blockbusters da era de ouro de Hollywood. Dentre os heróis vividos por Heston, estavam o gerente de circo Brad Braden, em O Maior Espetáculo da Terra (1952); Moisés, de Os Dez Mandamentos (1956); o policial mexicano Ramon Miguel Vargas, em A Marca da Maldade (1958); Judah Ben-Hur, de Ben-Hur (1959), o cavaleiro espanhol do filme El Cid (1961) e Robert Neville, em A Última Esperança da Terra. Por aí dá pra se ter uma ideia da imensa popularidade do sujeito.

Heston interpretou o astronauta George Taylor, uma versão alternativa do personagem principal do livro, Ulysse. Outra grande mudança em relação à obra literária foi quanto ao grau de desenvolvimento dos macacos, mais primitivos ao invés da sociedade tecnologicamente evoluída. A razão para dispensar os edifícios e automóveis futuristas e a tecnologia avançada foi o corte de custos. Muitas outras alterações ocorreram em relação à história original, como o filho que o protagonista tem com a humana Nova e a ausência total de vestimentas entre os humanos. No caso desta última, a mudança teve boas justificativas para a década de 1960.

Além de acelerar os corações das jovens da época por causa do protagonista, o filme também foi aclamado por sua história imaginativa e diferente dos padrões da ficção científica de então. Além disso, possuía maquiagem sofisticada para a época, foi filmado em belas e convincentes locações na Califórnia, em Utah e no Arizona e trazia uma trilha sonora instigante, com inovador uso de percussão. Não é à toa que foi indicado a três prêmios na entrega do Oscar de 1969, por Figurino (Morton Haack), Trilha Sonora (Jerry Goldsmith) e Maquiagem (John Chambers), saindo vencedor neste último.

O Planeta dos Macacos foi muito bem recebido por crítica e audiência, o que deu origem à franquia, sendo um dos primeiros filmes de ficção científica a ter uma continuação. A série ajudou a pavimentar o caminho para outro tremendo sucesso que iria surgir na década seguinte: Star Wars. Em 2001, Planet of the Apes foi selecionado pela Biblioteca do Congresso norte-americano para preservação no National Film Registry como sendo “culturalmente, historicamente ou esteticamente significante”.

Dois anos depois do filme original, veio a aguardada continuação. De Volta ao Planeta dos Macacos (Beneath the Planet of the Apes) veio com novos diretor e roteirista, Ted Post e Paul Dehn, respectivamente. Charlton Heston reaparece no filme, mas não mais como o protagonista, que agora é o astronauta Brent (James Franciscus), que é enviado em missão de busca de Taylor (Heston) e seus companheiros. Ele conhece Nova (Linda Harrison), a companheira de Taylor no primeiro filme, e juntos encontram uma sociedade de humanos mutantes com poderes psíquicos que vive no subterrâneo da civilização devastada. Eles se organizam como uma seita religiosa que cultua um grande míssil nuclear, que eles encaram como a grande salvação que trará paz entre humanos e macacos, mesmo que, para isso, seja necessária a destruição de todo o planeta. Era a paranoia nuclear tão presente nesta fase da ficção científica, como já mencionado.

De acordo com o roteirista Paul Dehn, a ideia para De Volta ao Planeta dos Macacos surgiu a partir do final do primeiro filme, que sugeriu que a cidade de Nova York ficou enterrada no subsolo. De qualquer forma, o segundo filme não obteve a mesma aceitação do primeiro, tanto por parte de crítica quanto de público. Mesmo assim, a série estava longe de ter seu fim decretado.

Em 1971, foi lançado Fuga do Planeta dos Macacos (Escape from the Planet of the Apes), terceiro filme da franquia, com o mesmo roteirista do filme anterior, que permaneceria nas sequências, mas com novo diretor, Don Taylor. Desta vez a história deu uma reviravolta, e já não era mais ambientada na Terra no final do quarto milênio. Os chimpanzés Cornelius (Roddy McDowall), Zira (Kim Hunter) e Milo (Mineo) – que também tiveram importantes papéis nos dois primeiros filmes –,  consertam a nave de Taylor e fogem da Terra momentos antes de sua destruição. A imensa explosão causou pane nos sistemas da nave e fez com que ela voltasse no tempo, para o ano de 1973.

Ao chegarem à Terra, os humanos acreditam que se trata do retorno de Taylor e seus companheiros, e a surpresa é grande quando os três macacos retiram seus trajes. A revelação causa enorme rebuliço, o os três visitantes são levados a um zoológico, onde o Dr. Milo é assassinado. Apesar do ocorrido, Zira e Cornelius aos poucos passam a ser aceitos pela sociedade humana e são levados para viver num hotel. Eles começam a levar uma vida badalada, sendo constantemente acompanhados pela alta sociedade, e também pela imprensa e pelo governo. Principalmente quando descobrem que Zira está grávida. O governo estadunidense arranca algumas informações de Zira e descobre sobre os conflitos futuros entre humanos e macacos, que levaram à destruição da Terra. Assim, Cornelius e Zira passam a ser perseguidos como ameaça, numa nítida alusão à perseguição racial entre humanos, o que manteve a crítica social existente nos filmes anteriores.

O terceiro filme foi muito melhor recebido por crítica e audiência do que o segundo, já que trouxe novo fôlego à série, com enredo criativo, nova ambientação e personagens cativantes. E, como não se mexe em time que está ganhando, obviamente haveria uma nova continuação.

A Conquista do Planeta dos Macacos (Conquest of the Planet of the Apes) é o quarto filme da série, dirigido por J. Lee Thompson (que havia sido indicado ao Oscar pelo clássico Os Canhões de Navarone). A história acontece dezoito anos após o filme anterior, e desta vez o protagonista é César (Roddy McDowall, o mesmo que havia interpretado Cornelius nos filmes anteriores), filho do Dr. Cornelius e da Dra. Zira.

Armando, o diretor de circo que havia abrigado Cornelius e Zira no terceiro filme, revela ao jovem César que os macacos são escravizados pelos humanos para que cumpram serviços corriqueiros. Tudo começou quando uma epidemia causou a morte de todos os cães e gatos do planeta. Carentes de animais de estimação, os humanos passaram a conviver proximamente com os macacos, até que começaram a usar a inteligência dos novos companheiros em benefício próprio.

Ao ver um macaco sendo tratado de forma violenta por policiais, César não contém sua indignação e brada o famoso “Não!” citado nos demais filmes. Como nenhum dos macacos falava, os policiais desconfiam que César poderia ser o filho perdido de Cornelius e Zira. Armando assume a culpa e se entrega como responsável pelo ato, com a intenção de proteger o seu estimado César. Enquanto Armando é levado para interrogatório, César é vendido para um novo dono e passa a viver como um macaco comum. Ele passa a ver de perto como seus semelhantes são brutalmente maltratados, e assim passa a utilizar sua inteligência para incentivá-los a se rebelarem contra os seus opressores. Os embates ocorridos no filme foram inspirados nos conflitos raciais ocorridos nos Estados Unidos no início da década de 1970, mantendo inalterado o caráter de crítica social da série.

A última sequência da série original, o quinto filme, Batalha do Planeta dos Macacos (Battle for the Planet of the Apes), inicia-se doze anos após a liderança de César (Roddy McDowall) frente à revolta dos macacos, que resultou em uma sociedade rural pacífica, regida pela lei primária que “macaco jamais matará macaco”. Primatas viviam em certa harmonia com os poucos humanos sobreviventes da Guerra Nuclear que devastou a sociedade. Porém, Aldo (Claude Akins), um gorila beligerante, inicia um movimento que pretende aniquilar os humanos remanescentes e retirar César do poder, já que ele defende a coexistência pacífica entre as espécies.

César fica sabendo que existem fitas de vídeo com relatos de seus pais, gravados durantes os interrogatórios do terceiro filme. Nelas, Cornelius e Zira teriam falado sobre os acontecimentos ocorridos no futuro em que viviam, por volta de 3978. César, acompanhado de MacDonald (Austin Stoker), o seu novo “dono” no filme anterior, e do orangotango Virgil (Paul Williams), vai ao subterrâneo de uma grande cidade devastada por uma bomba nuclear. Chegando lá, eles descobrem que a cidade não estava desabitada e que havia humanos sobreviventes, mas com mutações decorrentes da radiação. Um novo conflito entre macacos e humanos se inicia. Mas César cumpre seu papel de pacificador e põe fim ao conflito, declarando que, dali em diante, humanos e macacos viverão harmoniosamente.

Batalha do Planeta dos Macacos foi o filme com menor lucro dentre todos os da franquia, e também o que obteve as críticas mais negativas. Isso provavelmente foi o estopim que levou à descontinuação da série.

Porém, os ardorosos fãs não ficaram órfãos por muito tempo. Em 1974, foi ao ar pela CBS norte-americana a série televisiva Planeta dos Macacos (Planet of the Apes), com novos episódios todas as sextas-feiras à noite. A série foi estrelada por Roddy McDowall, o mesmo que havia interpretado Cornelius e César, e que agora vivia o personagem Galen, um jovem chimpanzé enviado por Zaius para garantir a segurança de dois humanos que sobreviveram a um pouso forçado na Terra. A série teve apenas catorze episódios e foi baseada no filme original de 1968 e suas sequências.

No ano seguinte, em 1975, houve mais uma tentativa de revitalização da franquia na tevê com De Volta ao Planeta dos Macacos (Return to the Planet of the Apes), uma série de animação criada pelos estúdios DePatie-Freleng Enterprises, com estreia em 6 de setembro de 1975 nos Estados Unidos. O criador foi Doug Wildey, o mesmo de Jonny Quest, da Hanna-Barbera. A história era uma nova adaptação do romance La Planète Des Singes, de Pierre Boulle, mais fiel ao livro do que o primeiro filme, já que a sociedade dos macacos era mais avançada tecnologicamente. O desenho animado teve somente treze episódios, e a franquia teve um grande hiato de 26 anos de ausência de novas produções cinematográficas.

Nesse meio tempo foram publicados diversos quadrinhos inspirados na série. Os primeiros foram dois mangás, ambos intitulados Saru no Wakusei (Planeta dos Macacos), um escrito e desenhado por Jôji Enami e publicado em abril de 1968 pela revista Bessatsu Bôken´Ô, e o outro de autoria de Minoru Kuroda e publicado na Tengoku Zôkan em junho de 1971.

A Marvel Comics publicou uma série de títulos, sendo Planet of the Apes o de vida mais longa, com 29 edições em preto e branco publicadas pelo selo Curtis Magazines entre 1974 e 1977. Além de adaptações de todos os cinco filmes, a revista trouxe histórias originais, com roteiros de Doug Moench e Gerry Conway e arte de Mike Esposito, Mike Ploog, George Tuska, entre outros. Em 1975, veio a revista colorida Adventures on the Planet of the Apes, com adaptações dos primeiros dois filmes em cinco e seis edições, todas com roteiro de Doug Moench.

Diversos outros quadrinhos de menor expressão foram publicados por editoras menores, não só nos EUA, mas também no Japão, Inglaterra, Argentina e Hungria.

2001 foi o ano de lançamento da versão do famoso cineasta Tim Burton, que dirigiu um remake do filme original, quase uma livre adaptação do livro francês. Estrelado por Mark Wahlberg (Transformers: A Era da Extinção), Tim Roth (o Carl Lightman da série Engana-me se Puder), Helena Bonham Carter (a mulher do diretor Tim Burton, presente em O Cavaleiro Solitário), Paul Giamatti (do ótimo Ganhar ou Ganhar: A Vida É um Jogo) e Michael Clarke Duncan (o gigante de À Espera de um Milagre), o filme tem pouco a ver com o livro e com o primeiro filme, mas foi um grande sucesso de bilheteria e responsável pela revitalização da franquia, dando origem a diversos brinquedos, videogames, novos quadrinhos pela Dark Horse Comics e uma nova aposta da Fox, que não pretendia mais dar uma sequência ao filme, e sim levar a cabo um projeto mais ambicioso: lançar um reboot da série original e recontar o início de toda a saga.

Eis que, em 5 de agosto de 2011, chegou às telas norte-americanas o filme Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes), dirigido por Rupert Wyatt (O Escapista) com roteiro de Amanda Silver e Rick Jaffa. O enredo possui algumas semelhanças com o quarto filme, A Conquista do Planeta dos Macacos, de 1972, já que reconta como surgiu o primeiro macaco inteligente, a primeira fala de um macaco com o famoso “Não!” e como foi iniciada a rebelião dos primatas, que aqui ocorre em nossa sociedade contemporânea, e não no futuro, como no quarto filme.

O chimpanzé César (Andy Serkis, o Gollum de O Senhor dos Anéis) reaparece aqui, mas desta vez não é órfão de macacos inteligentes, mas um filhote de uma chimpanzé de laboratório que servia como cobaia para uma nova droga contra o Alzheimer, o ALZ-112. O efeito deste novo vírus nos macacos causa uma neurogênese que aumenta o seu QI. A macaca é abatida após um surto de agressividade, e em seguida o cientista Will Rodman (James Franco), responsável pelas pesquisas com o ALZ-112, descobre que a chimpanzé havia acabado de dar a luz a um filhote e estava tentando protegê-lo. Como havia sido exposto à ação do vírus durante a gravidez de sua mãe, o macaquinho desde cedo começa a desenvolver grande inteligência e capacidade de raciocínio. A ele é dado o nome de... César! E é aqui que começa a grande revolução dos macacos.

O filme foi muito elogiado pelo público e pelos fãs da série antiga, e bem recebido pela crítica, tanto que foi indicado ao Oscar de Melhores Efeitos Visuais e a cinco Saturn Awards, incluindo Melhor Diretor e Melhor Roteiro, sagrando-se vencedor das categorias Melhor Filme de Ficção Científica, Melhor Ator Coadjuvante (Andy Serkis) e Melhores Efeitos Especiais.

Essa renovação da franquia levou também a novos quadrinhos pelo BOOM! Studios, com histórias tanto na nova cronologia como na cronologia dos filmes originais.

E agora estamos aqui, ansiosos pelo lançamento do mais novo filme da franquia, dirigido por Matt Reeves (Cloverfield e Deixe Ela Entrar), que irá nos dar uma nova versão para a grande derrocada da humanidade frente aos primatas.

A história dos macacos, felizmente, não acaba aqui.

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Um novo começo nos cinemas
 
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