MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
29/07/2014
MATÉRIA: GUARDIÕES DA GALÁXIA - PARTE 2
 
 
Marvel Super Heroes #18: Estreia dos Guardiões. Arte de Colan.
 
 
Marvel Two-In-One #5: Coisa ao lado dos Guardiões. Arte de Sal Buscema.
 
 
Guardiões junto com os Defensores. Arte de Buscema.
 
 
Marvel Presents #3: Guardiões ganham série própria. Arte de Milgrom.
 
 
Avengers #167: inicio da Saga de Korvac. Arte de George Pérez.
 
 
Guardians of the Galaxy #1: série mensal dos personagens. Arte de Jim Valentino.
 
 
Vance Astro adquire o escudo do Capitão América. Arte de Valentino.
 
 
Guardians of the Galaxy #9: os heróis enfrentam Rancor. Arte de Valentino.
 


Pois é... Sejam bem-vindos de volta! Recentemente, publicamos a primeira parte de uma série artigos sobre os Guardiões da Galáxia, os próximos heróis da Marvel que terão as suas aventuras adaptadas para o Cinema. Ora, no primeiro artigo (clique aqui para acessá-lo) através da descrição de vários personagens, povos e sagas da Marvel esmiuçamos o “lado cósmico” da editora desde os anos sessenta, até chegarmos ao instante em que o Senhor das Estrelas propôs a criação de um grupo de combate que enfrentasse grandes ameaças cósmicas. O grupo foi batizado com o singelo nome de Guardiões da Galáxia, porém havia algo que talvez muitos fãs não soubessem: já havia existido na Marvel uma equipe com este nome! Querem saber mais sobre esses Guardiões da Galáxia? Então venham conosco em uma viagem que nos levará para o século XXXI... Por favor, nos acompanhem rumo ao futuro do Universo Marvel!

:: A Origem dos Guardiões
A primeira aparição dos Guardiões da Galáxia ocorreu em 1969, no gibi Marvel Super-Heroes #18, uma publicação da Marvel Comics destinada ao lançamento e teste de novos conceitos junto ao público leitor.

Escrita pelo recém-chegado na Marvel Arnold Drake (que nos vintes anos anteriores trabalhou na DC Comics, onde criou personagens como Desafiador e a Patrulha do Destino) e desenhada por Gene Colan, nesta aventura os leitores foram apresentados ao major da Força Aérea Americana e astronauta Vance Astrovik – mais conhecido como Vance Astro –, que no ano de 1988 (lembrem-se: esta era uma data futurista em 1969!) participa de um projeto espacial que pretende levar o primeiro terrestre para Alpha Centauri, o sistema solar mais próximo do nosso. Dada a tecnologia da época, Astro sabia que levariam centenas de anos para ele chegar ao seu destino final, porém ele topou a empreitada, mesmo porque durante boa parte da viagem sua vida seria preservada através de técnicas criogênicas e do uso de um traje especial que envolvia toda a sua pele. Astro só não contava com três coisas: com o tempo o seu corpo ficou tão adaptado ao traje especial que a sua remoção causava a rápida degeneração de sua pele; a longa viagem fez com os suas habilidades telecinéticas latentes aflorassem (ele era um mutante e não sabia!); e por fim, ao chegar em Alpha Centauri no ano de 3006 ele soube que duzentos anos após a sua partida a Humanidade desenvolveu tecnologias que permitiam viagens espaciais em velocidades superiores a da luz, e fez uso delas para colonizar todo o nosso Sistema Solar e cercanias. Resumindo: a longa viagem de Vance Astro redundou em um sacrifício inútil!

Rapidamente, Astro se deparou com outra grande surpresa: quase todas as colônias terrestres foram atacadas e dominadas pelos Badoons, uma raça alienígena de características reptilianas que objetivava a dominação universal e que tinha aparecido pela primeira vez no Universo Marvel em 1968 no gibi Silver Surfer #2 (no Brasil, Biblioteca Histórica Marvel – Surfista Prateado, 2008, Panini). Neste processo, as populações das colônias foram quase totalmente extintas e, de peripécia em peripécia Astro acabou reunindo-se com três sobreviventes: Yondu, um caçador oriundo de Alpha Centauri e especialista no uso de arco e flecha, além de ser dotado de poderes empáticos e místicos; Charlie-27, um militar nascido em Júpiter que possuía um corpo completamente adaptado para suportar a enorme força gravitacional do seu planeta natal; e Martinex, que era dotado de uma epiderme cristalina que permitia a sobrevivência nas temperaturas extremas de Plutão (seu planeta de origem), além de dotá-lo da capacidade de emitir ondas de calor e de frio. Reunidos, estes quatro indivíduos entenderam que deveriam unir suas forças e talentos para enfrentar os Badoons e libertar a Via-Láctea do seu jugo. E assim nasceram os Guardiões da Galáxia...

Segundo depoimento concedido pelo escritor e editor Roy Thomas para a revista Back Issue (especializada em quadrinhos americanos dos anos setenta e oitenta) a premissa original que norteou a criação dos Guardiões foi ideia dele: “’Guardiões’ inicialmente era uma ideia minha. Era sobre super-guerrilheiros que lutavam contra russos e chineses comunistas que se apossavam dos EUA. Creio que tive a aprovação de Stan Lee (na época editor-chefe da Marvel) e então dei a ideia para Arnold Drake, pois eu não tinha tempo para escrevê-la ou pesquisá-la. Arnold se reuniu com Stan, e Stan (e talvez Arnold, também) decidiram mudar a ideia para um contexto interplanetário. E todos os personagens e situações em ‘Guardiões’ foram criados por Arnold e/ou Stan.”.

Muito simpático tudo isso, não acham? Apesar da boa recepção dos fãs, os Guardiões ganharam uma passagem para o Limbo dos Quadrinhos e somente voltariam a dar o ar da sua graça cinco anos depois...

:: A Volta
Em 1974, atendendo a uma sugestão do escritor e amigo Tony Isabella, o roteirista Stever Gerber (um dos sujeitos mais subversivos que já trabalharam Marvel, e criador de Howard, o Pato) junto com o desenhista Sal Buscema trouxe os Guardiões da Galáxia de volta na quarta e quinta edição do gibi Marvel Two-in-One, que usualmente trazia encontros do Coisa (o mais popular membro do Quarteto Fantástico) com outros heróis da Marvel. Nesta aventura, atendendo ao apelo de uma viajante do Tempo ao lado do Capitão América, o nosso herói rochoso vai para o ano de 3014, e ao chegar lá ele se alia aos Guardiões da Galáxia na luta pela libertação da cidade de Nova York do domínio Badoon. Ah, antes que nos esqueçamos: esta história foi publicada nas terras tupiniquins em novembro de 1979 no gibi Super-Heróis Marvel #5, da RGE (atual Editora Globo).

Nesta aparição os Guardiões ganharam novos e mais vistosos uniformes – cortesia do artista Dave Cockrum –, e pelo visto Gerber tomou gosto pelos personagens, e novamente ao lado de Buscema em 1975 ele fez uso deles em uma história dividida em cinco partes (inédita no Brasil) que começou em Giant-Size Defenders #5 (desenhada por Don Heck) e continuou entre a vigésima-sexta e vigésima-nona edição da revista The Defenders, onde com o apoio dos Defensores (uma super-equipe da Marvel dos anos setenta que na época contava com o Hulk, Doutor Estranho e outros heróis) os nossos guerrilheiros interplanetários desferiram um poderoso golpe contra a dominação Badoon na galáxia. De lambuja, nessa aventura os Guardiões ganharam um novo membro: Águia Estelar (StarHawk), um misterioso indivíduo vindo do planeta Arcturus IV e dotado de vastos poderes cósmicos, que incluíam geração e manipulação de energia, precognição, invulnerabilidade, capacidade de voo e de sobrevivência aos rigores do espaço sideral.

Provavelmente os fãs gostaram do que viram, já que em 1976 a partir da terceira edição do gibi Marvel Presents os Guardiões ganharam a sua primeira série regular de aventuras, inicialmente escritas por Gerber e desenhadas por Al Milgrom. Logo na sua primeira história os Guardiões finalmente conseguiram expulsar os Badoons da Terra e de suas colônias, porém no processo eles literalmente ficaram sem nenhuma função ou objetivo na vida. Sem nada melhor para fazer, eles por fim atenderam ao chamado do Águia Estelar, e embarcando na nave espacial “Capitão América” (batizada com esse nome por Vance Astro em homenagem ao seu ídolo de infância) decidiram explorar a Via-Láctea, em busca de novas aventuras.

Mas, fica uma pequena pergunta no ar: o que motivou Gerber a escrever roteiros para esses personagens? Ele mesmo explicou a sua motivação na vigésima-primeira edição da revista FOOM, uma espécie de fanzine oficial da Marvel publicado nos anos setenta: “A maioria das séries que escrevi até então eram ambientadas no presente. Eu queria fazer algo que combinasse os elementos típicos do gênero ‘super-herói’ com alguma coisa um pouquinho diferente, que pudesse deixar a minha imaginação um pouco mais solta. [...] Eu sentia que os personagens em sua história original não tinham a sua caracterização bem definida. Eu queria fazer Vance Astro um pouco mais ‘insano’ do que ele era antes, depois de ficar trancado em uma capsula espacial por mais de duzentos anos – e eu queria fazer Charlie um pouco mais militar, Yondu mais espiritualizado e Martinex mais dotado de talentos científicos. E Nikki foi jogada lá como um elemento-surpresa”.

Um momento: quem é essa tal de Nikki, que Gerber acabou de citar? Última sobrevivente do planeta Mercúrio, a jovem Nicholette “Nikki” Gold fugiu de seu planeta natal durante a invasão Badoon e nos anos subsequentes vagou sozinha pelo espaço, até ser encontrada pelos Guardiões no gibi Marvel Presents #4. Perita em combate corpo-a-corpo e no uso de armas de fogo, como todo mercuriano ela exibia uma cabeleira flamejante e era apta a sobreviver em ambientes extremamente quentes ou radioativos. Naturalmente, ela se tornou membro da equipe e o seu jeito “espevitado” adicionou um leve toque de tensão sexual as aventuras dos Guardiões.

Mas existia outro elemento muito mais importante nas histórias dos Guardiões concebidas por Gerber: “Eu realmente não queria me aprofundar na continuidade do Universo Marvel – eu não queria falar sobre o Homem de Ferro, que morreu em 1998, ou colocar os Guardiões se encontrando com os Krees, Skrulls ou o Vigia, ou qualquer outro personagem conhecido – basicamente porque não queria colocar ninguém em uma posição onde fosse necessário explicar toda essa bagunça. Por isso, me pareceu melhor criar novos inimigos e novas raças para eles encontrarem”.

:: A História do Águia Estelar
Sem nenhum compromisso com a cronologia da Casa das Ideias, Gerber (junto o roteirista Roger Stern) nas nona e décima edição de Marvel Presents decidiu contar a origem do Águia Estelar. Tudo começou no início do século XXI, quando o planeta Vésper (habitado por estranhas criaturas mutantes) foi atacado por tropas oriundas de Arcturus IV. Após o fim da batalha – que terminou com a vitória dos arcturianos – um militar chamado Ogord encontrou em meio as ruínas de Vésper um recém-nascido de aparência humana. Orgod adotou o bebê, que batizou com o nome de Stakar, e o criou ao lado de Aleta, a sua filha biológica.

O menino cresceu, e ao lado da sua irmã adotiva ele descobriu em um sitio arqueológico um enorme e inativo robô que personificava o Deus-Águia (HawkGod), uma antiga e belicosa divindade arcturiana. O que os dois jovens não sabiam é que dentro de si este robô guardava de fato a essência do Deus-Águia, e acidentalmente a energia vital de Aleta o reativou. Um rastro de destruição tomou conta de Arcturus IV, e após muito esforço Stakar conseguiu contatar o espírito de Aleta dentro do ser mecânico, e nesse processo o impensável aconteceu: o robô se autodestruiu, e todos os poderes e conhecimentos do Deus-Águia foram absorvidos por Stakar e por Aleta. Mas essa vitória teve um preço: Stakar e Aleta passaram a dividir o mesmo corpo!

Com a personalidade de Stakar dominando o novo corpo, ele passou a se chamar Águia Estelar, e abandonou Arcturus IV, vagando por centenas de anos pelo universo em busca de aventuras. Eventualmente, Aleta (cuja consciência ainda vivia dentro do corpo do herói) se apaixonou pelo seu irmão adotivo, e em alguns momentos eles conseguiram se separar temporariamente e consumar o seu amor. O que foi o suficiente para eles terem três filhos: Tara, Sita e John, que foram deixados sozinhos em um asteroide escondido, quando Stakar decidiu se unir aos Guardiões para libertar a Terra dos Badoons.

Posteriormente, em Marvel Presents #10 os filhos de Stakar e Aleta foram sequestrados pelo “vovô” Ogord, que pretendia usar as crianças como um instrumento de vingança contra os pais. Infelizmente, no transcorrer desses eventos as crianças morreram, e a relação entre as duas pessoas que constituíam o Águia Estelar se tornou mais complicada, pois Aleta passou a culpar Stakar pela morte dos filhos. No futuro, isso teve importantes desdobramentos tanto para Stakar e Aleta quanto para os Guardiões, mas sobre esse assunto falaremos mais daqui a pouco.

:: A Saga de Korvac
A primeira série contínua dos Guardiões encontrou o seu fim em Marvel Presents #12, e todas essas histórias permanecem inéditas no Brasil. Porém, ao contrário de 1969 os nossos heróis espaciais não ficaram afastados por um longo período: em 1977 na revista Thor Annual #6 o escritor Len Wein e o desenhista Sal Buscema fizeram com que os Guardiões se aliassem ao Deus do Trovão para enfrentarem Michael Korvac, um terrestre que durante a ocupação Badoon na Terra foi transformado em um perigoso ciborgue pelos alienígenas reptilianos.

Korvac pretendia tomar para si toda a Via-Láctea, e naturalmente Thor e seus aliados conseguiram frustrar seus planos. Mas, o que parecia ser apenas uma aventura corriqueira do Filho de Odin acabou se transformando no “pontapé inicial” para uma das mais famosas e importantes sagas dos Vingadores.

Em 1978 os Guardiões da Galáxia viajaram novamente para o Século XX e se encontraram os Vingadores em The Avengers #167. Rapidamente, eles explicaram para os Maiores Heróis da Terra o motivo da sua vinda: aparentemente, Korvac havia viajado para nossa época com o propósito de assassinar o ainda pré-adolescente Vance Astro e assim impedir a fundação dos Guardiões no Século XXXI. Sem muitas delongas, os Vingadores se colocaram a disposição para ajudar os seus colegas do futuro, que secretamente passaram a vigiar e proteger o jovem Vance Astro.

De fato, Korvac estava no Século XX e procurava meios de se desforrar dos Guardiões, e essa busca o levou a base estelar de Galactus, uma entidade cósmica temida em todo o Cosmo por se alimentar da energia vital de planetas. Ao tentar acessar os computadores da base, a sobrecarga de informações transfigurou Korvac, que repentinamente passou a reter os poderes quase absolutos de um deus! Com a sua recém-adquirida divindade, Korvac abandonou seus planos de vingança contra os Guardiões, e passou a vislumbrar uma nova e ambiciosa meta: a imposição de uma benigna ordem universal, onde a injustiça e o caos seriam coisas do passado. Obviamente, essa ordem seria comandada por ele...

Com o tempo os Guardiões e os Vingadores tomaram conhecimento dos objetivos de Korvac, e em The Avengers #177 eles o combateram, em uma das mais sangrentas batalhas já ocorridas em um gibi da Marvel, batalha essa que redundou na morte da maioria dos heróis! Mas, como assim, a ”morte da maioria dos heróis”? Bem, alguns meses antes dessa luta Korvac tomou como esposa Carina, uma bela mulher oriunda dos Anciões do Universo, um dos mais antigos e poderosos agrupamentos alienígenas do Universo Marvel. Ao ver a carnificina executada por seu marido, Carina abandonou-o e, tomado pelo remorso por suas ações, Korvac fez uso de seus vastos poderes para ressuscitar os heróis, falecendo no processo.

Escrita por Jim Shooter, Bill Mantlo e David Micheline e desenhada por vários artistas, como falamos anteriormente esse conjunto de aventuras se iniciou em The Avengers #167 e foi finalizado em The Avengers #177, e hoje é conhecido pelos fãs como a Saga de Korvac. Aqui no Brasil, a maioria das histórias que constituem essa saga foi publicada pela Editora Abril no segundo semestre de 1986 na revista Heróis da TV, e posteriormente finalizada no final do mesmo ano em Grandes Heróis Marvel #14.

:: Mais Aparições Especiais
Findada a Saga de Korvac, os Guardiões ganharam o status de membros honorários dos Vingadores e pelo visto, eles tomaram gosto pelo Século XX, já que eles novamente voltaram a se encontrar com outros heróis do Universo Marvel.

No final de 1979 os Guardiões se aliaram ao Homem-Aranha em uma aventura publicada na revista Marvel Team-Up #86, (e inédita no Brasil) com o propósito de impedir que uma corporação da nossa época tomasse posse de segredos científicos do século XXXI. No início de 1980, o Coisa, Águia Estelar e a heroína conhecida como Serpente da Lua se encontraram com Parágona (anteriormente conhecida como Ela, e mais tarde autodenominada Kismet), uma super-humana criada artificialmente na Terra por um grupo de cientistas malignos conhecidos como Enclave. O propósito de Parágona era reviver o recém-falecido herói Adam Warlock (também criado pelo Enclave) e tomá-lo como esposo, porém ela falha em seus objetivos. Lançada entre as sexagésima-primeira e sexagésima-terceira edições de Marvel Two-In-One, no Brasil essa história foi publicada no comecinho de 1985 no número #19 e 20 do gibi O Incrível Hulk, da Editora Abril.

Na revista Marvel Two-In-One #69, em um surto de insensatez Vance Astro parte em busca de seu jovem “alter ego” do Século XX, na tentativa de convencê-lo a não seguir carreira como astronauta, e consequentemente não passar pelo sofrimento de vagar sozinho durante mil anos pelo espaço sideral. Tal atitude de Astro poderia causar danos irreparáveis no tecido do Espaço e do Tempo, e o Coisa aliado aos Guardiões tentou evitar tal encontro. Eles falharam nesta missão, e o encontro de Vance Astro com o seu “jovem eu” fez com que o pré-adolescente Vance Astrovik tivesse os seus poderes telecinéticos de origem mutante despertados de maneira precoce.

O “tecido do Espaço e do Tempo” não foi “esgarçado”, porém essa pequena aventura concebida por Mark Gruenwald e Ralph Macchio e desenhada por Ron Wilson teve outras consequências mais interessantes: tempos depois Gruenwald (um escritor/editor fanático pela sistematização da cronologia do Universo Marvel) definiu que os heróis futuristas eram oriundos da Terra-691, uma realidade alternativa que surgiu justamente por causa de todas as idas e vindas dos Guardiões da Galáxia pelo Tempo; o jovem Vance Astrovik não virou astronauta, porém ao ficar mais velho decidiu seguir carreira super-heróica, adotando inicialmente a alcunha de Marvel Boy (mudando-a mais tarde para Justiça) e posteriormente se tornando membro dos Novos Guerreiros (um supergrupo constituído de heróis adolescentes) e dos Vingadores e, por fim, os Guardiões foram mandados para o Limbo dos Quadrinhos e ficaram durante todos os anos oitenta sem dar as caras em nenhum gibi da Marvel.

:: Mil Anos no Futuro
Em 1990, o seriado televisivo Jornada nas Estrelas – A Nova Geração (Star Trek – The Next Generation) arrebanhava uma enorme quantidade de fãs, e tal fato fez com que o então editor-chefe da Marvel Tom DeFalco se perguntasse se não seria interessante colocar no mercado uma serie futurista estrelada por heróis da editora, e o fez também perceber que os Guardiões da Galáxia eram os personagens perfeitos para esta nova empreitada da Casa das Ideias.

DeFalco esboçou uma proposta para a nova série, porém mesmo assim pediu para que os colaboradores da Marvel trouxessem ideias para o projeto. Pouco tempo depois, ele recebeu outra proposta, elaborada pelo escritor e desenhista Jim Valentino, conforme ele relatou para o site especializado em quadrinhos Newsarama: “Eu decidi criar uma proposta para uma nova série dos Guardiões da Galáxia que envolvesse uma grande organização chamada ‘Os Guardiões’ e fosse focada em uma equipe específica. [...] Eu li as ideias de Jim, que foram colocadas em uma ‘bíblia’ básica, e ele me mostrou como elas poderiam funcionar como uma minissérie fechada ou como uma série sem término previsto. Eu comparei a proposta de Jim com a minha e entendi que a dele era melhor, e o resto é história”.

Mas, no que consistia a proposta de Valentino? Basicamente, ele tomou uma direção oposta a de Steve Gerber nos anos setenta, de acordo com o depoimento dele para o Newsarama: “Meu conceito para os Guardiões da Galáxia era a exploração do Universo Marvel mil anos no futuro. Para isso, eu não queria apenas ter imortais, descendentes de antigos heróis ou novos personagens que carregassem algum tipo de legado. Eu também queria fazer algumas coisas diferentes”.

Os fãs conheceram as ideias de Valentino em junho de 1990, quando chegou nas comics shops a primeira edição da nova série mensal Guardians of the Galaxy. Após uma rápida recapitulação da origem da equipe e dos personagens, logo de cara os nossos heróis são obrigados a enfrentar uma desconhecida e perigosa raça alienígena: os Starks! Ora, eles tinham algum tipo de relação com Tony Stark, mais conhecido como Homem de Ferro? A resposta é... Sim!

A maneira como Valentino concebeu os Starks era uma demonstração de como ele pretendia retratar o futuro do Universo Marvel: durante uma invasão extraterrestre empreendida por marcianos (relatada na série setentista da Marvel chamada Killraven, que por sua vez foi claramente inspirada no romance sci-fi Guerra dos Mundos, de H.G. Wells) ocorrida no final do Século XX, Tony Stark bota toda a sua tecnologia em um foguete e a envia para fora da Terra, já que ele temia que ela pudesse ser roubada pelo inimigo. O que Stark não sabia é que o seu foguete iria pousar em um planeta habitado por um uma população primitiva, porém inteligente o bastante para, após algumas gerações, obter pleno domínio dos seus projetos e, graças a eles, se tornar uma belicosa civilização.

Mas não pensem que as citações ao Universo Marvel do Presente ficaram restritas aos Starks: além de enfrentar os “herdeiros” do Homem de Ferro logo no seu primeiro arco de histórias os Guardiões partiram em busca do escudo do Capitão América, que estava perdido há centenas de anos e era pretendido por um grupo de malfeitores. Após algumas peripécias, Vance Astro tomou posse do escudo, e no transcorrer da série em homenagem ao seu ídolo ele mudou o nome para Major Vitória (Major Victory).

Este primeiro arco de histórias (batizado com o nome de “Quest for the Shield” A Busca pelo Escudo) foi publicado no Brasil entre o final de 1991 e o começo de 1992 entre as edições #6 e 9 da revista Marvel Force da Editora Globo, e infelizmente foram as únicas aventuras desta série dos Guardiões lançadas por aqui. De um jeito ou de outro, a série continuou a ser publicada nos EUA, e algumas pequenas surpresas foram reservadas para os leitores.

Nas edições seguintes novos membros passaram integrar a equipe, como Talon, um humanoide de características felinas descendente dos Inumanos, uma dos mais antigos povos do Universo Marvel; Réplica, uma skrull dotada de poderes transmórficos inerentes ao seu povo; Jaqueta Amarela, uma redimida ex-vilã do Século XX que havia roubado o equipamento e a fórmula redutora de tamanho de Henry Pym (o Jaqueta Amarela original) e que após uma viagem temporal buscou a autorredenção no futuro; e Hollywood, o ex-membro dos Vingadores mais conhecido como Magnum e que sobreviveu a passagem do Tempo graças aos seus poderes iônicos. Mas que graça teria a aparição de novos integrantes se eles não viessem acompanhados de novos e interessantes vilões?

O gibi Guardians of the Galaxy #7 marcou a estreia de Malevolence, a maligna e poderosa filha de Mefisto, o arquidemônio do Universo Marvel, e na edição seguinte os leitores conheceram Rancor, a sanguinária rainha de uma colônia mutante que alegava ser descendente direta de Wolverine e, como perigo pouco é bobagem em Guardians of the Galaxy #25 os nossos heróis enfrentaram Galactus ao lado do Surfista Prateado e do Senhor do Fogo, ex-servos do Devorador de Mundos que também chegaram vivos até o Século XXXI.

Jim Valentino abandonou a série após Guardians of the Galaxy #29 e foi trabalhar na Image Comics, onde hoje exerce o cargo de Vice-Presidente, e antes de sua partida ele recontou novamente a origem dos Guardiões da Galáxia na vigésima-sexta edição da série, revelando um pequeno segredo: os eventos que levaram os membros originais a se reunirem em Marvel Super-Heroes #18 apenas ocorreram graças a sutis – e secretas – manipulações do Águia Estelar, que viu nos indivíduos envolvidos o potencial para formarem uma força de resistência contra os Badoons. Mas, como a Vida segue, Valentino foi substituído nos roteiros por Michael Gallagher.

Gallagher continuou seguindo a premissas estabelecidas por Valentino para a série, e uma delas foi a separação física de Águia Estelar e de sua esposa Aleta. Ressentida com o seu marido por causa da morte dos filhos, Aleta rompeu os laços com ele, passou a atuar de forma mais ativa junto aos Guardiões e iniciou um romance com Vance Astro. Outros pequenos “easter eggs” e homenagens ao Presente do Universo Marvel continuaram a aparecer no gibi, porém as maiores surpresas estavam reservadas justamente para o Águia Estelar.

Vocês se lembram de Parágona, também conhecida como Kismet, que foi citada no meio deste artigo? Pois bem, em Guardians of the Galaxy #59 o mais poderoso membro dos Guardiões descobriu que ela era a sua verdadeira mãe, e que seu pai era ninguém mais ninguém menos que Quasar, um herói terrestre portador de poderosos braceletes quânticos e que durante um tempo foi guindado a posição de “Protetor do Universo” pela entidade conhecida como Eon. O Águia Estelar nasceu em Vésper porque durante as invasões marcianas (também já citadas aqui!) temendo pelo bem-estar da sua amada o herói levou-a para este distante planeta, e por lá o seu filho recém-nascido foi encontrado por Ogord.

Já que falamos da invasão marciana, a série mensal Guardians of the Galaxy se encerrou em meados de 1995 na sexagésima-segunda edição, tendo justamente elas como tema, uma vez que em uma missão suicida no melhor estilo “Exterminador do Futuro” os Guardiões retornam novamente no Tempo para tentar impedir que a Terra seja invadida pelas forças de Marte. Para azar dos nossos heróis, eles perdem a sua nave espacial e ficam impossibilitados de voltar para o Século XXXI, deixando em aberto o destino final dos heróis.

:: De volta ao Século XXXI
Após o término da sua revista mensal, nos anos subsequentes os Guardiões da Galáxia se restringiram a poucas e ligeiras participações especiais em outras séries ou minisséries, como Paraíso X e Vingadores Eternamente, e aparentemente os nossos heróis futuristas estavam condenados a ser uma mera nota de rodapé na História do Universo Marvel, porém ambiciosos planos da Casa das Ideias fizeram com que eles voltassem para a ordem do dia. E por fim, em outubro de 2014 eles ganharão uma nova série mensal, entitulada Guardians 3000!

Concebida pelo roteirista britânico Dan Abnett e desenhada por Gerardo Sandoval, a nova série tentará resgatar os conceitos básicos dos personagens, segundo depoimento dado ao site Newsarama pelo autor: “Fiel as histórias originais, nessas aventuras eles estão tentando salvar o futuro da ameaça dos Badoon. [...] Eu quero manter este elemento, e tentarei não contradizer nenhuma continuidade. E, por fim, e acima de tudo, eles são guerrilheiros, encarando uma imensa e hostil cultura. Entretanto, eles logo descobrirão que os Badoons são apenas a ponta do iceberg, uma ameaça oportunista tirando vantagem de uma crise desconhecida e muito mais profunda”.

Legal, não acham? Porém, provavelmente a maior parte da nossa mui amada audiência deve ter constatado que os heróis celebrados nesta matéria aparentemente não tem nada a ver com aqueles que apareceram no material de divulgação do filme Guardiões da Galáxia liberado até o momento pelo Marvel Studios. Ora, para saber mais sobre os personagens que de fato irão aparecer nas telonas brasileiras no dia 31 de julho, convidamos você a continuar acessando o HQ Maniacs, onde publicaremos a terceira e última parte desta série de artigos. Até lá!

Cláudio Roberto Basilio, ou Brodie Bruce como também é conhecido, é pesquisador de histórias em quadrinhos e membro do comitê organizador da Santos Comic Con, feira de quadrinhos que será realizada na cidade de Santos-SP no dia 22 de novembro de 2014. Para saber mais, acesse a página no Facebook: https://www.facebook.com/santoscomiccon

Veja também:
- Notícias diversas sobre os Guardiões da Galáxia
- Outras matérias e reviews

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Guardians of the Galaxy #62: fim da série mensal. Arte de Kevin West.
Guardians 3000: nova série dos Guardiões. Arte de Gerardo Sandoval.
 


 

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