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01/08/2014
REVIEW - CINEMA: SOB A PELE
 
 
Sob a Pele
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Sob a Pele
(Under the Skin) foi bastante comentado antes mesmo de chegar aos cinemas por um motivo menos, digamos, cinematográfico e mais carnal: as cenas de nudez total de Scarlett Johansson, a Viúva Negra do filme Os Vingadores (2012), a única atriz conhecida da produção. Isto, por si só, já chamou a atenção de muita gente, talvez até da maioria. Jogada de marketing para promoção do filme? Bem, vejamos...

A nudez é constante no longa do londrino Jonathan Glazer (Reencarnação, 2014), diretor conhecido por seus clipes musicais criativos e diferentes, mas ela é mais perturbadora do que sexy, e não se resume apenas às partes de Johansson, mas também às dos homens que ela seduz e mata. Laura é uma alienígena que sai à caça pelas ruas e meandros da Escócia, sempre em busca de um homem que esteja disposto a pegar uma carona com a morena (que já foi loira e ruiva em seus outros filmes) e ir com ela a um lugar mais reservado para uma festinha a dois. Só que essas informações são dadas em doses homeopáticas, e leva um bom tempo até que você se situe aos acontecimentos.

O filme é uma adaptação livre do romance de mesmo nome do holandês Michel Faber, publicado em 2000. A versão cinematográfica é um suspense psicológico altamente sensorial, que é eficaz em causar desconforto no telespectador pelo incômodo, pela angústia e pela tensão que provoca. E, ao contrário do que se possa supor para um filme de uma alienígena assassina transvestida de mulher, nada disso é feito com cenas de violência, sangue jorrando, gritos de desespero e situações de sustos. Aqui tudo é mais sutil e alegórico. Nada do realismo tim-tim por tim-tim do cinema convencional, nos quais a entrega chega prontinha para o espectador.

Sob a Pele requer reflexão, interpretação e bastante paciência. Isso porque a trama é minimalista e se desenrola com bastante vagar, além de muitas repetições. As cenas de assassinato, que na verdade não mostram o assassinato em si, mas só os sugerem de maneira metafórica, ocupam boa parte do filme, sempre antecedidas pelas cenas em que Laura seduz suas vítimas, geralmente quando ela está dentro de um carro perambulando pelas ruas escocesas, nos raros e breves momentos em que há diálogos.

No momento em que Laura chega ao seu covil com algum homem entusiasmado pela situação, o filme deixa de lado a abordagem mais realista e passa para a configuração surrealista e intensamente imagética, com uso de fundo infinito, alto contraste, contraluz, trilha sonora inquietante e cenas de nudez, tudo para explicitar a fragilidade dos homens diante da situação, numa nítida alusão às diferenças comportamentais entre homens e mulheres quando se trata de sexo. Quase uma crítica à sexualidade masculina.

Porém, o que fica difícil de digerir é a mesmice, já que grande parte das cenas não sai do jogo de sedução e morte de Laura, ainda que o processo seja tratado de maneira esteticamente atraente e arrojada. E isso certamente há de afastar àqueles que geralmente rejeitam ideias fora do padrão, principalmente porque há muitas cenas bizarras, como a do bebê abandonado na beira da praia, o homem deformado, o cadáver que chora, a formiga em close...

Sob a Pele é intrigante e diferenciado em sua forma, mas o mesmo não se pode dizer sobre o seu conteúdo, entediante e pouco ou nada surpreendente. Ainda assim, vale pela ousadia e pela diferenciação no tratamento de um filme de ficção científica, ainda que o gênero fique oculto durante a maior parte da narrativa.

Ah! E em meio à enorme preocupação estética, a nudez de Scarlett Johansson não soa apelativa ou marqueteira, ao contrário, fica bem inserida no contexto.

Elenco: Scarlett Johansson, Jeremy McWilliams, Joe Szula, Kryštof Hádek, Paul Brannigan, Adam Pearson, Michael Moreland, Dave Acton, Jessica Mance. Roteiro: Jonathan Glazer, Walter Campbell e Michel Faber. Direção: Jonathan Glazer.

Veja também:
- Galeria de imagens do filme
- Notícias, vídeos e notas de produção de Sob a Pele
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