MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
29/08/2014
MATÉRIA: COWABUNGA! - AS TARTARUGAS NINJA
 
 
A estreia na TV na década de 1980
 
 
A primeira HQ, de Eastman e Laird
 
 
Encontro com Savage Dragon
 
 
Os quadrinhos da Archie Comics
 
 
Estreia na Image Comics
 
 
A nova série animada
 
 
Nova chance nos cinemas
 
 
 


Praticamente todo adulto que hoje tem mais de 25 anos já saiu por aí gritando “cowabunga!” e vivia enchendo o saco da mãe pra comer pizza na hora do almoço. Pizzas são maravilhas de outro planeta, mas não era apenas o paladar que motivava o desejo pelos deliciosos discos de massa cobertos de molho, queijo e outros ingredientes. Acima de tudo, a molecada queria se deliciar com pizzas fora de hora por causa de seus companheiros matutinos do dia a dia: quatro tartarugas bípedes superdesenvolvidas que receberam treinamento ninja para combater o crime nas ruas. Ah! E as quatro apaixonadas por pizza.

Sim. A ideia de tartarugas justiceiras peritas em ninjutsu que adoram pizza soa como um grande absurdo. E, como se não bastasse, as quatro ainda levam nomes de ilustres artistas renascentistas: Leonardo, Raphael, Donatello e Michelangelo. O que poderia existir de mais absurdo do que isso?

Bom, os quatro quelônios artistas marciais foram treinados por um rato chamado Mestre Splinter. Todos eles moram nos esgotos de Nova York, em uma “casa” com camas, sofás, televisão, videogame. A melhor amiga do grupo é a repórter April O´Neil, que não sabe lutar e gosta de pizza como qualquer ser humano normal. E o principal inimigo das tartarugas é o Destruidor, um humano japonês com visual e habilidades vagamente inspirados nos antigos samurais, que eram os grandes inimigos dos ninjas. E ele comandava a gangue de meliantes chamada Clã do Pé, uma paródia do Tentáculo da Marvel Comics, cujo nome original em inglês é The Hand (A Mão). Ao lado do Destruidor estavam os punks Bebop e Rocksteady, dois brutamontes apalermados que também eram zoomorfos, respectivamente um javali e um rinoceronte. O porquê dos nomes de estilos musicais (‘bebop’ é um subgênero do jazz e ‘rocksteady’ é um estilo de música jamaicana antecessor ao reggae)? Boa pergunta. Faz parte de toda a maluquice.

Apesar de ter marcado gerações de jovens, o desenho animado não foi a origem das Tartarugas Ninja. Elas nasceram nas páginas de uma revista em quadrinhos publicada pela editora independente norte-americana Mirage Studios, fundada por Kevin Eastman e Peter Laird, a mesma dupla que criou os personagens. A edição número 1 de Teenage Mutant Ninja Turtles saiu em maio de 1984, três anos e meio antes da estreia do primeiro episódio do desenho que fazia a alegria da garotada, e foi publicada até 2010. Esta primeira edição surgiu a partir da influência de quatro famosos títulos da década de 1980: os Novos Mutantes da Marvel, o Cerebus de Dave Sim, com diversos animais antropomórficos, e dois clássicos de Frank Miller, Ronin e Daredevil. Mas a revista em quadrinhos possuía outra orientação, mais madura e violenta, e obviamente era voltada ao público adulto.

Muitas eram as diferenças entre a HQ e a série animada, a começar pela utilização das cores. No desenho clássico, cada uma das tartarugas utilizava uma máscara de tecido de cor diferente para ajudar na identificação dos personagens, mas nos quadrinhos, a única cor utilizada era o vermelho, que enfatizava o caráter sanguinário das tartarugas, afinal, antes de qualquer coisa, elas eram ninjas treinadas para matar. E o que não faltava na revista era sangue e violência, o que é mais do que normal para uma história sobre ninjas, sejam eles tartarugas ou não. Mas é claro que essa sanguinolência toda foi excluída no desenho para adequá-lo ao público infantil e, consequentemente, render alguns bons trocados à dupla criativa Eastman & Laird.

A revista também contou com algumas participações especiais, com personagens malucos de outros artistas, todos, é claro, amigos dos criadores das tartarugas: o javali viking Cerebus, de Dave Sim (infelizmente, e sabe-se lá porquê, ainda inédito no Brasil); Savage Dragon, o policial que parece uma mistura de humano com lagarto punk, de Erik Larsen, publicado no Brasil na segunda metade da década de 1990, com alguns especiais e minisséries lançado nos anos 2000; o absurdo Flaming Carrot, que, como o nome já diz, é uma cenoura de “cabelo” flamejante (!!), criação doidona de Bob Burden; e o carismático coelho samurai Usagi Yojimbo, criação de Stan Sakai que já teve alguns encadernados publicados no Brasil e que também fez algumas aparições no desenho animado dos pupilos do Mestre Splinter.

Depois da história em quadrinhos e o sucesso provocado entre os leitores, veio o desenho animado. A ideia surgiu a partir da proposta da Playmates Toys de lançar uma linha de bonecos das Tartarugas, pois a empresa sabia que havia crianças e jovens entre os leitores da revista. Como o conteúdo dos quadrinhos não era adequado a este público, o estúdio norte-americano de animação Murakami-Wolf-Swenson, que hoje leva o nome Fred Wolf Films, optou por lançar uma série animada mais familiar e humorada, inicialmente com cinco episódios-piloto (com roteiros de David Wise e Patti Howeth, supervisionados por Eastman & Laird) que estrearam em 14 de dezembro de 1987 nos Estados Unidos. Com o posterior sucesso alcançado pelo desenho e a confirmação da continuidade da série, a linha de brinquedos teve seu lançamento programado para o verão de 1988.

E os games, é claro, não poderiam ficar de fora. O primeiro título foi lançado em 1989 pela Konami, para o console Nintendo. Neste mesmo ano, veio o jogo que reunia dezenas de jovens em torno do arcade em shopping centers, mais tarde lançado para o Nintendo como TMNT 2: The Arcade Game. A mesma empresa lançou depois Teenage Mutant Ninja Turtles 3: The Manhattan Project, e mais tarde veio talvez aquele que seja o mais clássico de todos, Teenage Mutant Ninja Turtles: Turtles in Time (1991), mais tarde convertido para o Super Nintendo e com uma versão para o Mega Drive denominada Teenage Mutant Ninja Turtles: The Hyperstone Heist. Semelhante aos anteriores, mas com melhor resolução e novas fases, mais desafiadoras, nem é preciso dizer o quanto a molecada ficava maluca nas áreas de jogos de shoppings ou em casas de fliperamas. Porém, com a popularização e barateamento dos consoles, a garotada podia passar horas se divertindo em casa.

Mas voltando ao desenho... A série regular foi exibida aos sábados de manhã, de 1º de outubro de 1988 a 23 de setembro de 1989. Com o imenso sucesso, o desenho passou a ser exibido de segunda à sexta, e ficou assim de 25 de setembro de 1989 até 17 de setembro de 1993. Em 8 de setembro de 1990, a série passou a ser exibida aos sábados de manhã na CBS, inicialmente com blocos de uma hora em 1990, depois com blocos de meia hora em 1994, até ser cancelada em 2 de novembro de 1996. Mas, obviamente, a história das Tartarugas não terminaria por aí. Muita água ainda tinha pra rolar.

As Tartarugas Ninja foi uma das séries de animação mais bem-sucedidas de todos os tempos, exibida em mais de 125 emissoras de tevê ao redor do globo. Durante a década de 1990, todos os tipos de produtos foram lançados com o nome da franquia, de cereais matinais a material escolar, de brinquedos a roupas. Gerou, inclusive, uma popular série em quadrinhos lançada pela Archie Comics, menos violenta que os quadrinhos originais e baseada no desenho animado.

Ainda na época em quem o desenho era exibido, foram lançados três longas-metragens com atores reais. As Tartarugas Ninja (direção de Steve Barron), de 1990, contava a origem das tartarugas conforme os quadrinhos e foi o filme independente mais lucrativo até 1999, com faturamento superior a 100 milhões de doletas. Depois veio As Tartarugas Ninja 2: O Segredo de Ooze (dirigido por Michael Pressman), em 1991, em que as Tartarugas e o Mestre Splinter buscam descobrir sua verdadeira origem e precisam se preparar para a volta do Destruidor, que todos pensavam estar morto, mas que agora ressurge para recompor o Clã do Pé e roubar o Ooze, o líquido radioativo mutagênico criado pela empresa Tecno Global que mudou radicalmente a vida de um rato e quatro tartarugas. Dois anos depois, em 1993, foi lançado As Tartarugas Ninja 3 (de Stuart Gillard), em que April compra um cetro com poderes mágicos que a leva a uma viagem no tempo, indo parar no Japão feudal, o que obriga Leonardo, Raphael, Donatello e Michelangelo a também voltarem no tempo para ajudar a amiga.

Nos quadrinhos, entre 1996 e 1997, as Tartarugas ganharam uma nova revista mensal pela Image Comics, retomando o ritmo violento, mas com mudanças que desagradaram aos fãs: Leonardo perde uma mão, Donatello se torna um ciborgue, Splinter se transforma num morcego e Raphael, além de ficar deformado, toma o lugar do Destruidor. Posteriormente, ganharam mais quadrinhos pela editora original, a Mirage Studios, e desde 2011 estão na IDW Publishing, com diversas publicações e encontros com outros personagens. Desse material mais recente, as Tartarugas ganharam 12 edições no Brasil pela Panini Comics. Antes disso, ganharam uma graphic novel em cores pela Nova Sampa na década de 1990 com a história original, alguns números da série infantil da Archie pela Xangri-Lá (uma divisão da Multi Editores), e nos anos 2000 uma edição encadernada em preto e branco pela Devir Livraria. Ainda nos anos 90 chegaram a ser anunciadas pela Best News, porém, a editora foi pega de surpresa pelo plano Collor, levando a empresa a cancelar toda sua linha de quadrinhos na época.  

Em 12 de setembro de 1997, uma nova versão das Tartarugas foi ao ar, desta vez como uma série live action produzida pela Saban Entertainment, a mesma de Power Rangers. O grupo agora tinha o reforço de uma nova tartaruga, uma garota chamada Vênus de Milo, e eles também tinham um novo vilão para enfrentar após a morte do Destruidor, o terrível Dragonlord, que não pensa em outra coisa a não ser acabar com o Mestre Splinter para invadir Nova York. O seriado possuía estilo semelhante ao dos “Changeman norte-americanos”, e houve até um crossover com Power Rangers: In Space. Mas, com tantas alterações de gosto duvidoso, não é à toa que o seriado teve baixa audiência, com duração de apenas uma temporada com 26 episódios. Mas nem tudo estava perdido...

Como a franquia ainda tinha muita lenha pra queimar, a Mirage Studios, dos criadores Eastman & Laird, decidiu arregaçar as mangas e se uniu à 4Kids Entertainment e ao canal Fox para lançar, em 7 de fevereiro de 2003, uma nova série animada das Tartarugas Ninja, com o mesmo título da série anterior, mas mais sombria, com tramas mais complexas e fiéis aos quadrinhos originais. Com mais critério no desenvolvimento do enredo e da produção, a série obteve grande sucesso, com sete temporadas que totalizaram 155 episódios, que foram exibidos até 28 de fevereiro de 2009, durante seis gloriosos anos para os fãs das répteis artistas marciais.

Este período renovou o interesse do público pela franquia, ou, ao menos, despertou o interesse das novas gerações, o que levou à produção de um novo longa. Tartarugas Ninja: O Retorno (TMNT no original em inglês, dirigido por Kevin Munroe) foi um filme de animação 3D, totalmente produzido em CGI (computer-generated imagery, ou imagens geradas por computador), lançado em março de 2007, que trazia uma história em que Leonardo havia sido enviado pelo Mestre Splinter para treinamento na América Central, e como o grupo estava rachado, as demais tartarugas tiveram que arrumar empregos normais. Mas tudo muda quando o Clã do Pé aparece juntamente com uma nova ameaça vinda do período asteca de três mil anos antes.

Cinco anos depois do quarto filme, veio uma nova série de animação para a televisão, desta vez produzida pela Nickelodeon Animation Studio, que comprou as personagens em 2009. A série estreou em 29 de setembro de 2012 e já está a caminho de sua terceira temporada. Como o canal possui orientação bem infantil, é natural que este novo desenho apresentasse alterações na caracterização dos personagens, como o novo bordão de Michelangelo, que agora é “Booyakasha” ao invés de “Cowabunga” e a tartaruguinha de estimação de Raphael, chamada Spike. Em junho deste ano de 2014, a Nickelodeon anunciou uma quarta temporada. Ou seja, ainda teremos mais Tartarugas animadas por aí.

E para provar que as Tartarugas estão firmes e fortes, todo mundo sabe que já está nos cinemas o novo filme As Tartarugas Ninja, dirigido por Jonathan Liebesman (Fúria de Titãs 2, Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles) e estrelado por Megan Fox, Will Arnett e Whoopi Goldberg. Este novo filme possui tratamento mais sombrio, semelhante ao dos quadrinhos originais, mas com forte carga de humor, como o desenho animado clássico de 1987. Desta vez podemos ver um novo Destruidor, agora parecendo um robô enorme cheio de armas high-tech, em cenas modernas de combate com as Tartarugas à la Transformers e G.I. Joe. Todos estão com a esperança de que seja possível reconhecer Leonardo, Raphael, Donatello, Michelangelo e Mestre Splinter com essa insuportável moda de manter as câmeras em movimento frenético que quase provoca convulsões e impossibilita identificar qualquer coisa na tela, tudo em nome da ação desmedida.

Veja também:
- Notícias diversas sobre as Tartarugas Ninja
- Review do filme

- Outras matérias e reviews

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As Tartarugas em ação nos quadrinhos da IDW
 
Tags : Leonardo, Raphael, Donatello, Michelangelo, Mestre Splinter, April O´Neil, Destruidor, Clã do Pé, Tentáculo, Marvel Comics, The Hand, Bebop, Rocksteady, Tartarugas Ninja, Mirage Studios, Kevin Eastman, Peter Laird, Teenage Mutant Ninja Turtles, Novos Mutantes, Cerebus, Dave Sim, Frank Miller, Ronin, Daredevil, Savage Dragon, Erik Larsen, Flaming Carrot, Bob Burden, Usagi Yojimbo, Stan Sakai, Playmates Toys, Murakami-Wolf-Swenson, Fred Wolf Films, David Wise, Patti Howeth, Konami, TMNT 2: The Arcade Game, Teenage Mutant Ninja Turtles 3: The Manhattan Project, Teenage Mutant Ninja Turtles: Turtles in Time, Teenage Mutant Ninja Turtles: The Hyperstone Heist, CBS, As Tartarugas Ninja, Archie Comics, Steve Barron, As Tartarugas Ninja 2: O Segredo de Ooze, Michael Pressman, Ooze, As Tartarugas Ninja 3, Stuart Gillard, Image Comics,




 

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