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23/01/2015
REVIEW - CINEMA: O APOCALIPSE
 
 
O Apocalipse
 
 
 
 
 
 
 
 


Nicolas Cage é o rei dos altos e baixos. Coleciona excelentes filmes em seu currículo, como Arizona Nunca Mais (1987), Despedida em Las Vegas (1995, pelo qual recebeu o Oscar de Melhor Ator), O Senhor das Armas (2005) e Kick-Ass - Quebrando Tudo (2010). Porém, também atuou em diversas bombas, principalmente em tempos recentes. E como a lista é vasta, não vamos elencar aqui os maiores fracassos do ator norte-americano. Mesmo porque, o filme aqui em questão serve como uma espécie de estandarte para o lado negro da carreira de Cage, servindo como símbolo para tudo o que ele fez de pior na vida.

O Apocalipse (Left Behind) é um filme que pretende ser um suspense apocalíptico, mas que, no máximo, esbarra num drama água com açúcar de propaganda religiosa que deve funcionar de forma semelhante aos audiolivros do Cid Moreira. É dirigido por Vic Armstrong e escrito por Paul Lalonde e John Patus, os três sem nada de relevante na carreira. A história é baseada na série de livros Deixados para Trás, romances best-seller de quinta categoria escritos por Tim LaHaye e Jerry B. Jenkins. Como se não bastasse o amontoado de imperativos ao fracasso, O Apocalipse é, ainda, um remake de Deixados para Trás (2000), a primeira tentativa mais do que fracassada de adaptar os livros para o cinema.

Chega a ser difícil apontar todas as falhas pelo fato de que elas estão por toda a parte, a cada minuto do filme. A princípio, parece que estamos diante de uma produção medíocre da década de 1950, devido à constante sensação de ingenuidade transmitida à revelia. Porém, ao contrário do que ocorre com filmes de mais de meio século atrás, aqui a inocência dá lugar ao constrangimento, justamente porque o filme se leva a sério sem se dar conta de que se afunda cada vez mais na mais pura mediocridade.

Nenhum ator se salva, inclusive Cage, com suas costumeiras caras e bocas de quem tomou bronca da mãe ou viu a namorada de amasso com o fortão de baixo intelecto da escola. Porém, ele quase passa despercebido quando nos damos conta de que sua atuação é a menos intragável do filme. A exemplo de Cassi Thomson, que faz o papel de Chloe Steele, filha de Rayford Steele (Cage), o piloto do avião onde se passa metade da história. Com amadorismo dramático típico de uma Malhação da vida, Chloe ocupa a outra metade da trama, que acontece em terra firme enquanto o pai se descabela lá em cima para tentar descobrir o que está acontecendo. E é aí que reside mais um problema, talvez o mais grave.

Resumo do enredo: assim, do nada, milhares de pessoas de todo o mundo desaparecem, restando apenas suas roupas no local em que estavam. A situação é vista pela ótica de Rayford e de Chloe, um tentando apaziguar os ânimos dentro do avião, que também teve sua cota de desaparecidos, e a outra na busca desesperada por seu irmão, que também sumiu quando passeavam num shopping. A partir do ocorrido, tudo descamba para o discurso infundido de dogmatismo religioso, com direito a diversos preconceitos religiosos e sociais para revelar os motivos pelos quais os não escolhidos ficaram para trás à beira do apocalipse bíblico.

De resto, o longa carrega muito pouco do gênero filme apocalíptico e esbanja os mais descarados clichês de filmes de avião, como Aeroporto (1970), Apertem os Cintos... o Piloto Sumiu! (1980) e Con Air (1997), do próprio Nicolas Cage, só que cheio de pregação. Um decreto da plena decadência da atual vida cinematográfica do ator.

Elenco: Nicolas Cage, Cassi Thomson, Lea Thompson, Chad Michael Murray. Direção: Vic Armstrong.

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