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23/01/2015
REVIEW - HQ: ETERNOS
 
 
Eternos
 
 
 
 
 
 
 
 


Jack Kirby realmente estava um passo à frente em se tratando de histórias em quadrinhos. Não bastava ter sido um dos responsáveis pela criação da Marvel Comics, que disputa o topo entre as mais emblemáticas editoras de super-heróis de todos os tempos. Ele ainda ajudou a consolidar o gênero e colaborou ativamente em encontrar novos rumos para que o segmento não caísse em estagnação. Criou personagens emblemáticos e imortais – sem trocadilhos – que estão entre os mais apreciados por leitores do mundo todo. E mostrou a este mundo que os super-heróis poderiam evoluir para além da pancadaria, raios, capas e cuecas por cima das calças.

Mas tudo isso não bastava. Kirby queria, ainda, criar uma mitologia contemporânea. Não como Tolkien fizera, com histórias ambientadas num passado distante, mas com personagens surgidos em tempos imemoriais e que percorreram todas as eras, inclusive a que vivemos hoje em dia. Seres elevadíssimos que viram a humanidade nascer e que hoje ainda caminham entre nós, sempre com o propósito de ajudar em nossa evolução. Eles sempre estiveram entre nós, e foram recebidos e descritos como deuses pelas mais diversas civilizações. Por isso as variadas semelhanças entre divindades de culturas totalmente distintas. Quem já leu o livro Eram os Deuses Astronautas? ou costuma assistir ao History Channel sabe do que estou falando.

Ao retornar à Casa das Ideias em 1975, após um hiato de cinco anos longe da editora que ajudara a criar, Kirby estava cheio de novas ideias, e algumas delas fugiam do habitual. A que mais destoava do Universo Marvel era Os Eternos, um grupo com cerca de cem seres criados por entidades cósmicas de atributos inimagináveis chamadas Celestiais.

Os Eternos sempre tiveram a função de orientar os seres humanos a evoluírem da melhor maneira possível, daí a nossa escrita, arquitetura, cultos religiosos e demais saberes. Nem tudo é fruto de nossas habilidades, mas da ajuda dos nossos “padrinhos”. Como é de se imaginar, muitas sociedades os chamaram de deuses, e assim eles foram lembrados durante séculos, com seus nomes adaptados às culturas locais. E quando a humanidade dava seus primeiros passos, existiam também os Deviantes, a contraparte dos humanos e, consequentemente, dos Eternos. Batalhas épicas foram travadas, mas o resultados sempre foi desfavorável aos Deviantes, tanto que a humanidade permanece soberana no planeta Terra.

Porém, esse conceito todo era inovador demais e se distanciava do habitual realizado pela Marvel. Assim, a revista The Eternals foi cancelada na edição 19, com algumas tentativas não muito bem-sucedidas de retorno nas décadas seguintes.

Para trazer os Eternos de volta às páginas, ninguém melhor do que Neil Gaiman, o escritor contemporâneo que ficou famoso por suas histórias mitológicas recheadas de panteões originais ou provindos de culturas variadas. Neste arco habilmente desenhado por John Romita Jr., Gaiman ampliou os conceitos criados por Kirby e tornou tudo ainda mais grandioso.

Os Deviantes resolveram dar as caras novamente, de forma anônima, disfarçada, em um período em que os Eternos estão adormecidos, ou ao menos esquecidos de seu verdadeiro papel no cosmos. Somente um deles permanece com parte de sua lembrança, Ikaris, e é ele quem detém a responsabilidade de botar tudo nos eixos novamente.

Os diálogos de Gaiman são o ponto forte, como é de se esperar. E a mitologia de Kirby foi modernizada e adquiriu contornos ainda mais filosóficos e existenciais. Destaque para a conversa entre os Eternos e a dupla Homem de Ferro e o Jaqueta Amarela com seu discurso pós Guerra Civil. Interessante ver como os dois ficam pequenininhos diante dos... “deuses”?

Eternos (Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel Vol. 54) - 224 páginas - formato 17 x 26 cm - R$ 32,90 - lançado em dezembro de 2014 – Editora Salvat do Brasil (coleção prevista para ter 60 volumes).

Veja também:
- Notícias diversas sobre Neil Gaiman
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