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09/03/2015
MATÉRIA: BIG HERO 6 - DA MARVEL À DISNEY
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Após a aquisição da Marvel Comics pela Walt Disney Company em 2009, não ficou difícil de imaginar que seria questão de tempo até que a maior empresa de entretenimento infantojuvenil do globo passasse a lançar animações baseadas nas histórias e nos personagens de uma das maiores editoras de quadrinhos do mesmo planeta. Mas dificilmente alguém previu que os personagens em questão seriam de um grupo tão obscuro, praticamente underground, que muitos dos mais ávidos leitores da Casa das Ideias nunca ouviram falar.

A superequipe Big Hero 6 foi concebida pelo roteirista Steven T. Seagle e pelo desenhista Duncan Rouleau, e a intenção inicial era que o grupo tivesse sua primeira aparição nas páginas da revista Alpha Flight (Tropa Alfa) #17, de dezembro de 1998. Porém, a estreia se deu de forma diferente, em uma minissérie própria em três edições com lançamento em setembro de 1998, roteirizada por Scott Lobdell e ilustrada por Gus Vasquez. A revista recebeu o título de Sunfire and Big Hero 6, e obviamente o grupo contou com a participação de Solaris, um herói mais popular, que já havia sido membro dos X-Men. A decisão pareceu acertada, já que o grupo tem origem no Japão, enquanto que a Tropa Alfa é oriunda do Canadá, e isso poderia minimizar bastante a primeira aparição dos Big Hero 6, surgindo como meros coadjuvantes na revista de uma equipe consagrada.

Os membros originais da equipe eram:

• Samurai de Prata, um mutante ronin mercenário que já fez uns trampos para a Hidra;
• Honey Lemon, agente secreta, inventora de uma nanotecnologia com a qual pode acessar qualquer objeto;
• Hiro Takachiho, o pequeno gênio de 13 anos;
• Baymax, o guarda-costas sintético criado por Hiro com base nos engramas do cérebro de seu finado pai. É capaz de adquirir a forma de um dragão hominídeo;
• GoGo Tomago, a durona que foi libertada da prisão sob a condição de servir à equipe. É capaz de transformar seu corpo em energia explosiva de fogo;
• Solaris, um dos principais heróis da Terra do Sol Nascente, é um mutante capaz de soltar rajadas de plasma superaquecido.

Após a primeira formação, outros membros foram adicionados ao Big Hero 6:

• Samurai de Ébano, uma versão dark do Samurai de Prata, assassinado pelo mesmo e que voltou para cumprir sua vingança com uma katana demoníaca;
• Chama Solar, uma versão alternativa da falecida irmã de Solaris vinda de um obscuro planeta do Multiverso chamado Coronar;
• Wasabi-No-Ginger, um sushiman altamente treinado com espadas e que pode materializar seu ki, geralmente utilizado como lâminas energéticas paralisantes;
• Fred, que se transforma numa criatura ao estilo Godzilla.

Ao que parece, as duplas criativas envolvidas apostaram em seu filhote e quiseram valorizá-lo em uma publicação própria. E receberam aval da Marvel para isso. Provavelmente o projeto não teve uma receptividade lá muito grandiosa, já que ficou no limbo por dez anos, quando foi publicada, no mesmo mês de setembro, provavelmente numa tentativa de reviver o grupo em uma data comemorativa, uma nova minissérie, desta vez em cinco partes, desta vez puxando para o estilo mangá, na arte de David Nakayama, e com roteiro de ninguém menos que Chris Claremont.

A justificativa para o estilo mangá era óbvia, já que o grupo atuava na cidade de Tóquio. Em 2012 o grupo participou de um arco do Homem-AranhaConfins da Terra, aproveitando uma deixa que mostrava os efeitos de um ataque do Dr. Octopus e seu Sexteto Sinistro ao redor do globo.

A Disney optou por se aprofundar ainda mais no estilo nipônico de se fazer quadrinhos, e lançou, em setembro de 2014, nas edições semanais 36 e 37 da Shonen Magazine da Kodansha, o episódio 0 que serviu como prólogo para a animação do estúdio, porém com o título Baymax, o mesmo nome do robô gordinho com cara de marshmallow. Criada por Haruki Ueno, a série já teve seu primeiro (de dois) volumes lançados aqui no Brasil pela Editora Abril, e seu segundo número deve chegar às bancas em breve.

E aí veio o longa-metragem de animação que trouxe o grupo adolescente de volta à ação e também o lançou à popularidade. Porém, como era de se esperar, a Disney alterou bastante o conceito original de Seagle e Rouleau para adaptá-lo ao seu público e torná-lo mais comercial. Assim, a história não se passa em Tóquio, mas em San Fransokyo, uma mistura das metrópoles norte-americana e japonesa. A equipe teve seus membros reconfigurados, ficando assim:

• Hiro Hamada, que teve seu sobrenome alterado (antes era Takachiho) provavelmente para facilitar a pronúncia e agora vestindo um uniforme descolado;
• Baymax, que deixou de ser um bichão verde para se tornar um robô inflável rechonchudo, branco e fofo;
• Honey Lemon, agora uma nerd especialista em química que usa esferas com misturas com efeitos diversos;
• Go Go Tomago, que ainda continua durona, mas que agora usa um traje que a torna uma velocista extremamente ágil;
• Wasabi, que deixou de ser um cozinheiro japonês para se tornar um afrodescendente grandão com TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) que utiliza duas lâminas de plasma;
• Fred, que no desenho é uma espécie de grunge largadão, fanático por quadrinhos de monstros e super-heróis, filho de pais milionários e que usa um traje de monstro que o permite dar supersaltos, tornando-se o Fredzilla.

Todos eles se conheceram numa universidade, que é a premissa para o primeiro terço do filme. Hiro cria pequenos robôs para competir em lutas clandestinas, até que seu irmão mais velho, Tadashi, passa a incentivá-lo a direcionar melhor seu potencial. Ele apresenta a Hiro o campus no qual estuda e desenvolve suas pesquisas em robótica, e também mostra seu projeto mais grandioso e recente, Baymax, um robô médico-enfermeiro criado para ajudar as pessoas com quaisquer ferimentos ou problemas de saúde. Depois Hiro conhece os amigos de Tadashi, que virão a ser os demais integrantes do Big Hero 6, e também é apresentado ao professor Robert Callaghan, que mais tarde acaba lhe oferecendo uma bolsa de estudos na universidade.

Tudo é muito bem orientado e cativante, numa explícita intenção de mostrar aos jovens atuais a importância dos estudos e o quanto eles podem ser divertidos e estimulantes, até mais do que as formas de entretenimento com as quais a rapaziada de hoje está habituada.

O vilão é visualmente muito interessante, com uma máscara kabuki misteriosa, como uma espécie de Mister M (“Oh, paladino alado dos sortiléééégios...”) nipônico, que rouba um dos experimentos de Hiro, ligado à nanotecnologia, e passa a usá-lo sem que ninguém saiba qual é seu propósito. E é por causa do vilão kabuki que os jovens universitários – a exceção de Fred, que não é estudante – se reúnem para formar o Big Hero 6, junto com Baymax, que acaba sendo tunado por Hiro para virar um poderoso robô de combate.

Mesmo bem distante da versão original dos quadrinhos da Marvel, Big Hero 6 é uma animação que, apesar de cair de qualidade em sua segunda metade, quando cai na obviedade do velho modelo Disney de contar histórias, provoca diversos risos (a cena de Hiro fazendo o boletim de ocorrência na delegacia é hilária), possui personagens carismáticos, antagonistas com motivações verossímeis e alta carga dramática sem ser piegas (tá, com algumas exceções). E os bonecos que começaram a surgir são demais!

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