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02/04/2015
REVIEW - CINEMA: SNIPER AMERICANO
 
 
Sniper Americano
 
 
 
 
 
 
 
 


Sniper Americano (American Sniper) foi indicado em diversas categorias do Oscar 2015, que foram Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição e Melhor Edição de Som. Mas só levou esta última, e não sem razão: o longa é brutalmente ideológico, quase propagandista, e enquanto filme, possui diversas ressalvas que o distanciaram de ser laureado com mais prêmios.

Baseado na autobiografia de Chris Kyle, American Sniper: The Autobiography of the Most Lethal Sniper in U.S. Military History (2012), logo de início, o filme diz a que veio: justificar as inúmeras atrocidades cometidas no Afeganistão após os ataques de 11 de Setembro. E, para isto, vemos uma muçulmana entregando uma granada a uma criança para que ela a atirasse em um comboio do exército norte-americano. Isso tudo através do telescópio do rifle de precisão de Kyle (Bradley Cooper), um membro dos SEALs (Sea, Air, Land Teams) da marinha do EUA, considerado o maior sniper da história do país, com mais de 160 mortes confirmadas, o que lhe rendeu a alcunha de “Lenda”.

Daí em diante, é a mesma história de sempre: vemos os soldados americanos como nobres heróis em busca de justiça – pra não dizer vingança –, enquanto os afegãos são retratados como fanáticos homicidas loucos por sangue americano, que não respeitam nem sequer a vida de seus conterrâneos. A mesma desgastada fórmula usada desde os filmes de faroeste, gênero, aliás, com o qual o diretor Clint Eastwood (Gran Torino, 2008, Invictus, 2009, Além da Vida, 2010, J. Edgar, 2012, Jersey Boys: Em Busca da Música, 2014) teve bastante proximidade. Sendo membro do Partido Republicano, era de se esperar do diretor esta postura de demonização dos afegãos, já que, após os atentados terroristas sofridos pelos Estados Unidos em 2001, todo muçulmano passou a ser tachado como doidos homicidas e suicidas.

Desde os minutos iniciais do filme, o roteiro de Jason Hall (Conexão Perigosa, 2013) apresenta Kyle como um caubói com tendências militares – em decorrência de sua criação paterna – cheio de heroísmo. É sempre justo, ponderado, obstinado. Até que decide deixar a vida de montador de touros no interior dos EUA para se alistar na marinha. E como aprendeu a atirar desde pequeno, com seu pai, optou por se especializar como sniper. Depois disso, conheceu Taya (Sienna Miller), de tendência democrata e com os dois pés atrás em relação às forças militares. Eles se casaram, tiveram dois filhos e foram felizes até que Kyle passou a ser um marido e pai ausente devido à sua obsessão com a guerra.

Sniper Americano é bem executado, principalmente nas cenas do Oriente Médio, onde imperam os escombros e o tom amarelado, tão quente quanto melancólico. Os exageros ficam por conta da forma como os personagens são retratados e a relação entre eles, com excesso de perfeição. E o pior problema fica por conta da unilateralidade, já que apenas os motivos americanos é que são expostos. Ele tiveram um motivo imenso para lançar uma ofensiva contra o Afeganistão, porém, sabemos que nem todos naquele país eram ou são fanáticos prontos para matar. E tampouco sabemos quais são os motivos para tanto ódio com o tal país da liberdade. Tudo é enviesado para que os EUA sejam vistos como a pobre vítima que precisa sair em busca de justiça e de lavar a própria honra, e nesta jornada, muitos inocentes, incluindo mulheres, crianças e velhos, tombam entre tiros e articulações de espionagem.

Um bom filme para ser visto com olhos críticos, sem a massiva propaganda de autodefesa norte-americana.

Elenco: Bradley Cooper, Sienna Miller. Direção: Clint Eastwood

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