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23/04/2015
REVIEW - CINEMA: VINGADORES - ERA DE ULTRON
 
 
Vingadores: Era de Ultron
 
 
 
 
 
 
 
 
 


A Fase 1 dos filmes do Marvel Studios culminou no estrondoso sucesso Os Vingadores. Já a Fase 2 terá fim com Homem-Formiga. Mas antes dele temos Vingadores: Era de Ultron. Fora isso, durante toda a Fase 2 ficou claro que desta vez não parecia que algo estava sendo realmente construído. Pelo contrário, as tramas interligadas serviram mais à série Agents of S.H.I.E.L.D. e à Fase 3. Seria isso um sinal? Parece que sim.

Vingadores: Era de Ultron é cheio de ação, novos personagens e tudo o mais, mas falta algo. Ao contrário do primeiro longa, esse parece sem propósito, sem alma. Reunidos para deter os remanescentes da Hidra e encontrar o cetro de Loki, os Vingadores parecem ter cumprido sua nova missão ao atacar uma base da organização. Isso até que Bruce Banner (Mark Ruffalo) e Tony Stark (Robert Downey Jr.) criam a inteligência artificial Ultron (James Spader). Como boa parte das inteligências artificiais do mundo ficcional, Ultron chega à conclusão de que para salvar o planeta será necessário se livrar dos humanos.

Ainda assim o vilão tem dois aliados humanos. Os irmãos Wanda (Elizabeth Olsen) e Pietro Maximoff (Aaron Taylor-Johnson) que, como todo bom fã dos quadrinhos deduz, acabam se aliando aos Vingadores na hora H.

Muitos críticos andam reclamando da trama simplista e das motivações de Ultron, mas esse não é o grande problema da produção, afinal Ultron sempre foi assim simplista nos quadrinhos. O que talvez faça falta é sua ligação mais direta com a equipe. Aqui, mesmo sendo criado por Banner e Stark, o vilão não apresenta o mesmo elo direto que tem nos quadrinhos com Hank Pym.

O grande problema de Era de Ultron é que o filme parece vir de lugar nenhum. Passamos os últimos anos vendo séries e filmes da Marvel e em nenhum momento ficamos sabendo que os Vingadores foram reunidos. E de repente vemos uma equipe que enfim trabalha bem em conjunto fazendo comentários de lutas recentes, como se estivessem entrosados faz tempo. Funciona por um lado, mas é estranho para o espectador comum, que se sente boiando. Novas mudanças e situações introduzidas durante o longa provavelmente sofrerão a mesma sina, não sendo desenvolvidas pra valer em outras produções.

Pior: os personagens são menos desenvolvidos do que no primeiro filme. A Viúva Negra (Scarlett Johansson) ainda tem seu espaço, mas a real exceção é o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), este sim muito desenvolvido e importante na trama. Mas, de resto, a maioria dos personagens só apresenta suas características básicas. Stark só serve para criar atrito e parecer arrogante, Thor (Chris Hemsworth) para bater e jogar o lado místico da coisa, e o Hulk, mesmo tendo um drama pessoal, só brilha mesmo na ótima luta que tem com o Homem de Ferro.

Os novos personagens também carecem de profundidade, principalmente os irmãos Mercúrio e Feiticeira Escarlate, que em nada lembram qualquer versão anterior, seja nos quadrinhos ou fora deles. Mercúrio soa até bobo, enquanto a Feiticeira - que teve até seus poderes modificados sem grandes explicações - basicamente não tem personalidade. O Visão (Paul Bettany), mesmo aparecendo pouco, surge mais definido como personagem, além de contar com um visual impressionante.

A ação é realmente o ponto forte, com ótimas cenas espalhadas por todo o filme, mas nem todas tão caprichadas. A cena de abertura, uma ótima ideia para demonstrar a unidade da equipe, decepciona com seus efeitos especiais bem abaixo da média, com tudo parecendo artificial demais. O humor ainda funciona bem, ainda mais agora que os personagens já são amigos mais íntimos, o que ajuda nos diálogos.

As participações especiais abundam e não vamos entrar em detalhes para não estragar as surpresas, mas existem ligações com o futuro do universo cinematográfico da Marvel, ainda que uma delas, fruto dos poderes da Feiticeira Escarlate, não faça muito sentido. Nesta versão, a personagem é uma telepata e telecinética, conseguindo criar visões em suas vítimas. O que não justifica uma destas visões ser basicamente uma profecia, com informações que nem a vítima e nem a Feiticeira deveriam ter em detalhes. Ou seja, faltou lógica na hora de encaixar essa ponta no enredo.

Reza a lenda que o diretor e roteirista Joss Whedon queria um filme bem mais longo. O fato dele ter largado a franquia e criticado a Marvel em algumas ocasiões, demonstra que talvez o trabalho dele tenha sofrido interferências com as quais não concordou.

Vingadores: Era de Ultron de modo algum é um filme ruim, continua sendo muito empolgante e tem sim grandes momentos. Mas deixa no ar a sensação de que deveria e poderia ter sido melhor. Ou talvez tenhamos nos desacostumados com o padrão Marvel mais tradicional depois da espionagem de Capitão América 2: O Soldado Invernal e a diversão interplanetária de Guardiões da Galáxia.

Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Samuel L. Jackson, Mark Ruffalo, Elizabeth Olsen, Aaron Taylor-Johnson, Paul Bettany, James Spader, Thomas Kretschmann, Don Cheadle, Cobie Smulders. Direção: Joss Whedon.

Veja também:
- Galeria com 150 imagens do filme
- Notícias, vídeos e notas de produção de Vingadores: Era de Ultron
- Notícias diversas sobre os Vingadores
- Outros reviews e matérias
 

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