MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
14/05/2015
MATÉRIA: TRILOGIA MAD MAX
 
 
A trilogia Mad Max
 
 
Mad Max
 
 
Mad Max 2: A Caçada Continua
 
 
Mad Max 3: Além da Cúpula do Trovão
 
 
 
 
 
 
 


Mad Max está de volta aos cinemas, pela primeira vez interpretado por outro ator (Tom Hardy substitui Mel Gibson), mas mantendo direção, produção e roteiro de seu criador, George Miller, que comandou cada um dos filmes. Então, chega a hora de relembrarmos a trilogia original de uma das mais marcantes franquias das telonas.

- Mad Max
Desenvolvido por George Miller e o produtor Byron Kennedy, o primeiro Mad Max teve roteiro de Miller e de James McCausland (seu único até hoje). Embora a saga apresente um dos futuros distópicos mais famosos da cultura pop, as coisas ainda não estavam tão ruins neste ponto. Este primeiro longa, de 1979, na verdade, guarda mais similaridades com filmes policiais sobre vingança, daqueles estrelados por Charles Bronson, do que com tramas pós-apocalípticas.

A ideia inicial de Miller era realmente apresentar um futuro nada animador, pois considerava que esse ambiente tornaria mais fácil para o público digerir a violência. Embora se passe no futuro, o filme não entra em detalhes sobre a situação mundial. Logo entendemos que as estradas da Austrália se tornaram um cenário de quase guerra, onde gangues de motoqueiros aterrorizam pessoas de pequenas cidades. Uma polícia patrulheira cuida dessas estradas, mas, como sempre, estão atados às regras e em minoria.

Max Rockatansky (Mel Gibson) é um destes policiais, o melhor em perseguições, mas sempre preocupado com o quanto está se viciando na adrenalina de seu serviço, com medo de se tornar uma fera como as que persegue. Com uma gangue liderada por Toecutter (Hugh Keays-Byrne, presente em outro papel também no quarto filme) dominando os arredores e matando seu melhor amigo na força, Max anda pensando em se aposentar, acabando por sair de férias com a família, ignorando até mesmo a oferta de um novo carro modificado com o potente motor V8.

Mas a tragédia bate à porta. Por pura coincidência, a mesma gangue ataca a família de Max, matando seu filho e deixando sua esposa às portas da morte. Sem comunicar sua decisão a ninguém, Max pega o carrão com V8 e sai à caça de Toecutter e sua gangue, torturando e matando, sem parar por nada até eliminar a todos.

O primeiro Mad Max é o mais diferente dos demais. Mais seco, sem esperança, até mesmo sádico. O "Mad" do título sempre fez mais sentido aqui, pois a impressão que temos é exatamente essa, de que Max enlouqueceu com tudo. O final abrupto, bem comum aos filmes da época, só aumenta essa sensação.

Algumas curiosidades sobre o início da saga: reza a lenda que Gibson só conquistou seu papel porque apareceu para a entrevista todo detonado, pois tinha se machucado numa briga de bar no dia anterior. A equipe de produção, pelo visto já bem adaptada à ideia do filme, bateu os olhos no ainda desconhecido ator e pensou: "é esse tipo de cara esquisito que precisamos!".

Boa parte dos figurantes entre os motoqueiros eram de fato motoqueiros fora da lei australianos, no comando de suas próprias motos. Nunca ficamos sabendo o destino final da esposa de Max. Embora ela esteja muito mal, existia a possibilidade de recuperação, mas seu marido parte em sua cruzada vingativa e ela nunca mais é citada na franquia.

Considerado até hoje como o grande marco do cinema australiano, o longa sofreu modificações no mercado internacional, sendo censurado em vários países. Mas a alteração mais interessante foi a dublagem. Embora falado em inglês, pouca gente fora do país entendia o que ouvia, então o filme foi dublado por americanos. Ao assisti-lo hoje em dia em DVD ou Blu-ray é possível conferir o áudio original e comprovar que realmente mal se entende o que sai da boca de Mel Gibson.

- Mad Max 2: A Caçada Continua (Mad Max 2 ou The Road Warrior)
Com um título alternativo (The Road Warrior) que combina mais com o longa original, o segundo Mad Max chegou aos cinemas em 1981 e, em seus primeiros minutos, um rápido resumo define o mundo pós-apocalíptico que foi tão copiado no período. Após uma guerra abalar o planeta, água e combustível se tornaram raros.

Nos desertos agora ainda mais inóspitos da Austrália, Max continua em seu V8, simplesmente tentando sobreviver em meio à desesperança e gangues com visuais punks. Mas ele encontra uma pequena comunidade vivendo um cerco por uma gangue que quer tomar o grande estoque de gasolina daquelas pessoas inocentes.

Sem demonstrar muito sentimento, defendendo apenas a seus interesses, Max vai pouco a pouco assumindo o papel de herói, mesmo que relutantemente, se aliando à comunidade e ao transloucado Capitão Gyro (Bruce Spence) — que aliás nunca é chamado assim.

Este é o filme que realmente definiu o mundo de Mad Max. Toda o clima distópico desta vez fica bem claro. Os visuais selvagens e punks dos vilões se tornam a regra e Max assume seu verdadeiro papel: o de um pária perambulando sem destino, um homem solitário, traumatizado e aparentemente sem sentimento, mas que sempre acaba praticamente forçado a assumir o posto de salvador.

O clímax do filme, com Max novamente sozinho na estrada, satisfeito por ter ajudado, mesmo que tenha sido usado, acabou sendo a definição do personagem. Não por acaso, todo o clima lembra um faroeste, daqueles em que um estranho sem nome se torna o improvável herói. A cena final, com uma narração do futuro líder do povo que Max ajudou, acrescenta outra camada à mitologia da saga, transformando Max numa lenda.

Essa segunda aventura teve roteiro de Miller ao lado de Terry Hayes e Brian Hannant.

- Mad Max: Além da Cúpula do Trovão (Mad Max Beyond Thunderdome)
Em 1985 estreou o mais famoso capítulo da franquia. Nesta época Gibson já era mundialmente famoso e ajudou bastante ter como vilã a cantora Tina Turner, acompanhada por uma extensa divulgação que sequer era sonhada nos filmes anteriores, e uma trilha sonora marcante da própria Turner. O roteiro foi de Miller e Terry Hayes. George Ogilvie dividiu a direção com Miller.

Ainda mais no futuro (teoricamente 15 anos depois do segundo filme, embora isso não seja confirmado em momento algum), as coisas estão muito piores. O deserto australiano parece totalmente sem esperança. Max ainda utiliza os restos de seu carrão e seu uniforme policial, mas mal reconhecemos essas peças dadas as péssimas condições em que se encontram.

Depois de ter seus parcos pertences tomados pelo piloto Jedediah (Bruce Spence) e seu filho, Max acha uma comunidade chamada Bartertown, onde acredita que poderá recuperar suas coisas. Porém, para entrar ele precisa negociar algo. Sem nada, ele só pode negociar a si mesmo, por isso aceita a proposta da Titia (Turner), líder do local, para dar um golpe e controlar a produção de gás metano, único combustível viável neste mundo devastado.

Depois de uma perigosa luta na Cúpula do Trovão, as coisas não saem exatamente como o esperado e Max acaba exilado no deserto. Às portas da morte, encontra um grupo de jovens e crianças que idolatram a figura do Capitão Walker, um antigo piloto de avião. E aí novamente a trajetória de Max se confunde com uma lenda, ainda mais do que antes. Esse povo acredita que Max é Walker, e segundo a profecia, os levará para as cidades de outrora.

Max imediatamente acaba com as esperanças de seus salvadores, mas logo depois é forçado a auxiliá-los, quando parte deles vai até Bartertown. Assim, contando com aliados tentando fugir da Titia e com Jedediah e seu filho, Max mais uma vez se torna o herói relutante, ajudando mais um grupo de pessoas a encontrar seu destino, apenas para acabar como sempre, sozinho no deserto.

Mad Max: Além da Cúpula do Trovão exemplifica tudo que a franquia é: distópica, sem grandes esperanças (mesmo salvando os coadjuvantes, Max sempre acaba sozinho e a cada filme o mundo só piora) e com visuais absurdos que funcionam muito bem.

Os pulos de tempo e a falta de ligação entre cada filme fica mais clara na presença de Jedediah. Para o espectador, parece óbvio que se trata do Capitão Gyro do filme anterior. Mas em nenhuma cena isso é confirmado. Os personagens não dão grandes sinais de se conhecerem.

Existem alegações de que esse terceiro filme é bastante inspirado no livro Riddley Walker, de Russell Hoban, lançado em 1980, apresentando outro futuro pós-apocalíptico, 2.000 anos depois de uma guerra nuclear. Mas outra influência, essa sim inegável, é Peter Pan. O grupo de jovens que Max auxilia não deve nada aos Garotos Perdidos das aventuras de Pan.

Leonardo Vicente Di Sessa é jornalista e crítico de tudo relacionado à cultura pop. Além de colaborar com o HQ Maniacs, mantém também o Fala Animal! - http://fala-animal.blogspot.com.br -, blog sobre quadrinhos, cinema e seriados.

Veja também:
- Review de Mad Max – Estrada da Fúria
- Notícias diversas sobre Mad Max
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