MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
16/08/2004
MATÉRIA: A VINGANÇA DA ERA DE PRATA
 
 
A armadura esmeralda de Lex Luthor
 
 
O retorno da Supergirl
 
 
Legião da Justiça A, em DC Um Milhão
 
 
Hal Jordan - Lanterna Verde e Espectro
 
 
 
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Grant Morrison e Mark Waid certa vez disseram que o Universo DC estava ficando menor depois da reformulação em 1986/87. Eles estavam certos. Superman, Batman e Mulher-Maravilha, eram agora (em 1986-87) personagens muito "realistas" e estavam limitados às possibilidades de uma geração que não via com muitos bons olhos todo o brilho pseudo-científico da Era de Prata. Quando Morrison assumiu a Liga, ele aproximou a equipe para aquilo que ele acreditava ser bom. As histórias eram histórias da década de 1990, porém lastradas nos bons conceitos das décadas de 1950-1960-1970. Depois, ele fez a saga DC Um Milhão, que nada mais era do que a ficção exagerada das décadas de 1950/1960 em roupagem 1990. Foi aí que a vingança começou, ficou evidente e alguns títulos foram resgatados. SJA, a primeira equipe de heróis, ressurgiu graças ao sucesso da LJA em sua atual versão, e Geoff Johns soube construir uma trama que unia o melhor da Era de Ouro com conceitos bem "1990". O sucesso foi tão agradável que Johns ocupou em seguida a série The Flash, e com o artista Scott Kolins criou tramas excepcionalmente boas, mas profundamente marcadas pelo estilo presente na Era de Prata. Os fãs do Flash de Carmine Infantino devem ter sentido um certo prazer especial quando leram as aventuras do velocista escarlate. A Liga teve também sua dose de histórias estranhas, nas mãos de Mark Waid, e no seu último trabalho para a equipe, Morrison aproveitou o recém criado Hipertempo para brindar-nos com a boa "Terra 2". Nada mais 1960 do que o Hipertempo, já que ele nada mais é do que o Multiverso disfarçado. Jeph Loeb, um escritor ao meu ver apenas mediano, assume o Superman com uma boa equipe e produz cerca de 18 meses de boas histórias. Primeiro joga o homem de aço em uma longa saga que irá concluir em uma guerra, onde será questionado o papel do kryptoniano e suas decisões. A série foi apenas razoável mas reafirmou que o Superman não mata. Como tramas adicionais, tivemos "O Retorno a Krypton", que por si só é o resgate da Era de Prata. Na trama, o Homem de Aço retorna a um Krypton idílico, pondo em dúvida a visão atual que temos do planeta. Infelizmente a equipe decidiu facilitar as coisas e não alterar nada, mas ainda assim tivemos um contato com tramas de pseudoficção-científica bem semelhantes àquelas que tínhamos na Era de Prata. Vale lembrar que isto gerou no mínimo dois filhotes, já que Loeb ganhou forças: o atual cão Krypto e (ninguém me tira da cabeça apesar de não poder afirmar) a atual Supergirl. Também colocou Loeb em projeção ao ponto dos executivos do Warner Channel o contratarem como consultor da série de TV Smallville, que por sua vez é um produto que une conceitos da Era de Prata, tirados de aventuras do Superboy, com o visual do adolescente de TV americano. Por sua vez, a série influencia o produto, e Superman - O Legado das Estrelas é uma tentativa de aproximar o atual Superman dos quadrinhos destes conceitos que 6,5 milhões de espectadores estão vendo durante a temporada da série de TV. Quando Morrison e Waid foram para a Marvel e CrossGen respectivamente, Geoff Johns, e ao seu modo, Jeph Loeb, continuaram seus papéis de resgatarem o melhor. Tivemos também colaboradores ocasionais como Kevin Smith, que ressuscitou Oliver Queen e assim deu chances de meses depois Meltzer escrever o arco "A Busca" na série Arqueiro Verde. Mas as coisas não terminam por aí não. Tivemos a realocação do Gavião Negro, que agora era a soma de tudo que já havia sido, um produto genuinamente da década de 2000 com características mais do que palpáveis das Eras de Ouro e de Prata. Isto foi um brinde de Geoff Johns, que também nos presenteou com LJA/SJA - Vícios & Virtudes, uma das melhores graphic novels de super-heróis que já li, e que (novamente, perdão) por si só era uma homenagem à Era de Prata e aos seus encontros. E veja que SJA sempre esteve em boas posições junto à crítica. Uma grande colaboração veio da série Detective Comics com o arco "Evolução", com um visual semi-monocromático e bastante detetivesco. Outra mais bem lembrada foi o "retorno" de Kara Zor-El na última saga da série Supergirl de Peter David, que infelizmente não logrou sucesso. Tanto que já há um novo "retorno" na atual série Superman/Batman, que por sinal resgata também a armadura de Lex Luthor - aquela verde e roxo, que de Era de Prata nada tem, mas que dá um visual saudosista quando lembramos de Superamigos e confundimos tudo numa grande salada. Mas certamente a grande colaboração para a vingança da Era de Prata é o retorno de Hal Jordan. Jordan, é o Lanterna Verde do setor 2814. Os Lanternas Verdes são uma polícia espacial que protege o universo com anéis de superciência que realizam os desejos dos usuários. Jordan é um mito muito maior que ele próprio! A série do Lanterna Verde começou com histórias de ficção-científica próprias das décadas de 1950-1960, com a arte do excelente e falecido Gil Kane, e roteiros de Gardner Fox. Este período foi publicado no Brasil pela EBAL e não é reeditado aqui há décadas (com raríssimas exceções de poucas histórias na série Coleção Invictus). Ainda assim os fãs de Jordan amam este período. Sua fase posterior, no entanto, é mais famosa e aumenta o número de fãs. Nas mãos de ONeil & Adams, o personagem tratado às vezes de forma mais do que pueril vê os defeitos da América ao lado do amigo Arqueiro Verde. Em seguida não há muito a acrescentar. Quando Adams sai, a série Lanterna & Arqueiro vira um título de ficção tolo nas mãos de artistas como Mike Grell e Alex Saviuk. Logo ONeil sai também, mas aí já é o final da década de 1970, e Marv Wolfman e Joe Staton assumem, dispostos a criarem histórias de super-heróis. Steve Englehart continua em seguida e leva o título até o final, quando a Tropa é destruída e restam apenas poucos anéis no Universo. Seria este o início do fracasso de Jordan. A Liga da Justiça de então já tinha seu Lanterna, o irascível Guy Gardner, e então Jordan tornou-se coadjuvante da antologia semanal Action Comics Weekly em histórias boas de início, mas logo sem atrativos. Disposta a recuperar o herói, a DC providenciou suas séries que "reformulavam" o personagem e uma nova série mensal. Logo estava criado um "sub-universo" na DC Comics em 1990-91. Havia o novo título Green Lantern, o novíssimo Green Lantern - Mosaic para o Lanterna Verde John Stewart - hoje muito famoso por participar da versão animated da Liga da Justiça - e a série de Guy Gardner, além de um título trimestral em que a Tropa era reconstruída. Tudo muito bom. Mas o sucesso da "morte pelo choque de valores" matou o Superman e levou junto Jordan. Durante o processo da morte do Superman, a cidade de Jordan é destruída e ele enlouquece. Ele destrói os Guardiões do Universo e a Tropa e torna-se um vilão. Surge um novo Lanterna que não tem ligação com a honra e a tradição da Tropa, Kyle Rayner. Jordan logo morre e ressuscita, assumindo o papel de Espectro no Universo DC (ele morre em 1996 na Noite Final e ressuscita em 1998 em O Dia do Julgamento, no Brasil rebatizada de O Retorno do Herói, ambas séries semanais de crossover da DC Comics, sendo a última de autoria de Geoff Johns). Os fãs de Jordan jamais gostaram de Kyle Rayner e sempre aguardaram o retorno do verdadeiro Lanterna Verde - com menor efeito os fãs de Flash também aguardam isto. Isto acontecerá em breve quando Hal Jordan retornar na série Rebirth de... Geoff Johns (estão percebendo um padrão?). A DC Comics já anunciou que irá cancelar a atual série do Lanterna Verde e após a mini-série haverá uma nova, sob circunstâncias que só saberemos em alguns meses. Sou contra a ressurreição, mas acredito que Johns é capacitado e está criando um roteiro que irá amarrar as pontas e fazer as pessoas esquecerem dos dez anos em que Jordan passou "morto" (ou como vilão). Talento ele tem, basta saber se a DC vai permitir. Também temos o retorno de Adam Strange, personagem ícone da Era de Prata, hoje de imagem bastante apagada. Por fim nada é mais Era de Prata do quê uma trama policial - bem... talvez ficção-científica seja mais, mas eu acho que policial também o é... Recentemente, Brad Meltzer criou uma trama em que um personagem coadjuvante da LJA é assassinado de forma cruel. O mistério que é quebrado na primeira edição é quem será assassinado. Em seguida teremos duas questões: Quem? E por quê? Seria, por acaso, vingança? Uma vingança da Era de Prata? A esta altura, os fãs da DC Comics já sabem de quem se trata. E eu digo, foi uma idéia boa. A pessoa sempre esteve ali. Sempre presente. Irá fazer falta, mas ninguém irá tentar ressuscitar daqui 10 anos, nem sequer fundi-la à um personagem espectral. No entanto, quando vermos suas participações em histórias da LJA, iremos pensar na morte horrenda que teve e em que condições estava quando isso aconteceu... É... A vingança está aí, basta somarmos os pontos. A Era de Prata está voltando com força total, porque não traz de volta somente os conceitos, mas sim porque se amalgama com o que há de melhor hoje em dia. jamersontiossi@yahoo.com.br
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