MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
06/10/2004
MATÉRIA: CLICHÊS NAS HQS
 
 
Batman - Silêncio
 
 
Superman - O Legado das Estrelas
 
 
JLA - A Era Obsidiana
 
 
Alias #10 em Marvel MAX
 
 
John Jonah Jameson
 
 
 
Dizem que os quadrinhos estão da maneira como estão por explorarem em demasia clichês padronizados e enlatados. O maior clichê da atualidade é a série “Batman – Silêncio” (Batman – Hush), publicada em longos 12 meses na série mensal do personagem Batman. Ainda que seu final, que eu não li, seja apoteótico e emocionante, temos que admitir que ela durou 12 meses explorando clichês e revisitando os inimigos e amigos de Batman. Em certo ponto fiquei com a impressão de estar lendo “Marvel Team-Up” da fase de Chris Claremont e John Byrne, quando uma história do Aranha começava com um vilão e um herói convidado, e ia mudando de vilão e convidado à medida que a trama desenvolvia-se. Não quero tirar o mérito de Jim Lee. Sua arte é impressionante – ainda que eu prefira Travis Charest – e fiquei realmente estupefato por não haver atrasos. Quero lembrar somente que quando o primeiro número de Hush chegou às comic shops americanas, Lee estava desenhando o oitavo número. Já com a saga “Superman – Pelo Amanhã” (Superman – For Tomorrow) o avanço do cronograma é de apenas quatro edições. Torço pelo Lee, é claro. O grande problema da série foi o roteiro de Jeph Loeb cuja única habilidade foi mostrar dezenas de rostos conhecidos com a arte de Jim Lee. Não há novidade real, a trama é uma história detetivesca feita em formato blockbuster para entreter as massas, por sinal, o mesmo formato que a Marvel admite estar dando para sua linha Ultimate. Então, se “Superman – O Legado das Estrelas” é uma versão “Marvel Ultimate” para a origem do Superman, “Batman – Silêncio” é uma versão “Marvel Ultimate” para uma aventura do homem-morcego que usa toda a cronologia do personagem, algo abolido nas versões “Ultimate”. E antes que eu troque de editora, gostaria de dizer que não existe nada mais clichê do que a saga “LJA – A Era Obsidiana, Em Busca de Aquaman” (JLA – The Obsidian Age). Até a última gota. Incluindo a revelação de que Batman realmente simpatizava com o Homem-Borracha e a prisão de Aquaman. Não quero dizer que a história foi ruim (e não foi), apenas que não será uma história para entrar nos anais da Liga, aquilo que intimamente todo leitor quer, ou seja, que numa indústria de entretenimento em massa como os quadrinhos, cada edição seja uma obra de arte eterna. No entanto, encontrei recentemente uma história que é puro clichê, mas que me levou a analisar tudo isto. Foi a história de Alias #10, publicada em Marvel Max #10 de junho de 2004 (Panini Comics). A história narra a contratação de Jessica Jones, a personagem principal da série, para descobrir a identidade do Homem-Aranha. Pô, bizarro de tão clichê!! Será? Não, não é! Brian Michael Bendis consegue fazer uma história reveladora, impressionante. Além de Jessica, estão presentes na história Betty Brant, Robbie Robertson e Ben Urich, mas nenhum deles, nem mesmo Jessica, são os personagens principais desta trama. O personagem principal é John Jonah Jameson, o dono do Clarim Diário, que é descrito em todos os seus famosos clichês. Exatamente! Jameson vira o puro e simples clichê, e não é despido com sentimentos a la J.M. De Matteis ou Kurt Busiek. O Jameson da aventura é aquele sujeito que deseja pela enésima vez descobrir a identidade do Aranha e quer aproveitar-se do fato e lucrar. Não há na trama espaço para ódios antigos que remontam a The Amazing Spider-Man #02, quarenta anos atrás... No entanto, eu que leio o Aranha desde quando aprendi a ler, nunca vi Jonah descrito de maneira tão fiel e interessante, tão reduzido a um clichê e tão universal, tão personagem secundário barato e tão personagem primário que merecia uma série (que não fosse feita por J.M. De Matteis, porque, senão, eu perderia o impacto e acreditaria que Jonah é humano, falho e merece respeito). Que mais posso dizer, hum... a história não tem balões, os diálogos são impressos como falas em um script e as cenas são estáticas, pintadas, lembrando o trabalho de Jon John Muth em Drácula, Uma Sinfonia à Luz do Luar. Leiam, seja comprado ou emprestado, mas leiam. Novamente a série nacional Marvel Max continua sendo uma das melhores coisas publicadas por aqui apesar de coisas como Master of Kung Fu e Cage. Torço para que todos os 28 números de Alias sejam publicados e que haja espaço para a série “The Pulse”, a seqüência sem a palavra “f@d@-se” e sem cenas de sexo anal. Jamerson Albuquerque Tiossi (que jura que sua mãe escolheu Jamerson por causa do sobrenome de John Jonah Jameson – sem o “r”). jamersontiossi@yahoo.com.br
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