MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
03/11/2004
MATÉRIA: ENCADERNAÇÕES
 
 
X-Men Edição Histórica #1, por Claremont e Byrne
 
 
Crise nas Infinitas Terras, pela Panini
 
 
O Reino do Amanhã, pela Panini
 
 
Os Maiores Clássicos do Demolidor - Volume 1
 
 
Batman: As Dez Noites da Besta, pela Abril
 
 
Marvel Masterworks Fantastic Four - Volume 1
 
Ainda que eu não tenha conhecimento suficiente sobre a origem etimológica da palavra “encadernação”, creio que ela veio de “cadernos”, já que os livros são compostos de porções de páginas chamadas “cadernos” – cerca de 30 a 50 páginas, bastante visíveis em livros de capa dura, em especial os da antiga editora “Círculo do Livro”. Estes cadernos são costurados individualmente, e depois são colados uns ao lado dos outros, seja simplesmente por cola, ou ainda por cola e pano. Depois vem a capa. Nos quadrinhos, há colecionadores que compram as revistas mês a mês, e depois tiram os grampos e ensacam, para, assim que for possível, enviarem para uma gráfica para “encadernar”, permitindo assim um melhor estado de conservação das revistas, ainda que este processo “mate” em parte a capa, e, para o colecionar que compra muitas revistas, fica impossível encadernar todas. Acima de tudo, ainda há a confiança no trabalho da gráfica, que nem sempre entende que está trabalhando com obras de arte. No mercado de quadrinhos, as encadernações (ou “tradepaper back”, ou ainda “tpb”) são coleções de histórias que originalmente foram apresentadas em fascículos (números soltos) e que agora a editora está relançando em uma edição que pode ser apresentada em capa dura (“hard cover”) ou capa mole (“soft cover”). Dependendo do tamanho original da história esta encadernação pode ser dividida em um ou vários volumes (com tamanho máximo de até 240 páginas, em média, quando colorida e até 500 páginas em preto & branco) ou ainda uma das histórias que compõem a saga podem ter as páginas cortadas a apenas as páginas que tem relação com a história principal (na saga “Batman – Bruce Wayne: Fugitivo”, publicada ano passado pela Panini em dois volumes de capas moles, a história da Batgirl foi cortada e usaram somente as páginas que tinham relação com a saga do Batman). Entendido o quê são as encadernações, agora teremos que entender para que servem. Nos EUA, este recurso é usado para relançar um material que por ventura já esgotou (ou não), e assim ganhar mais dinheiro com um novo formato para a história. Não raro as encadernações vêm com uma nova capa – o quê aumenta o interesse dos colecionadores de determinado artista -, páginas inéditas (a encadernação de “O Reino do Amanhã”, DC Comics, é o exemplo mais conhecido no momento), histórias extras (encadernações da Image vinham com o número “0” de suas séries e as encadernações da DC Comics sempre vêm com histórias curtas tiradas de algum número de “Secret Files & Origins”), além de artes de capas, making of, editorial, texto de escritor convidado, etc e tal. Ou seja, às vezes a obra encadernada ganha uma nova dimensão em uma nova apresentação e fica melhor. No Brasil não há um grande histórico em encadernações. Não me recordo delas na EBAL, Bloch ou RGE, ainda que lembre que estas lançavam edições especiais com várias histórias do título original em série, mas nesta época o conceito de saga quase inexistia. Na Editora Abril foi um pouco diferente. Mesmo no formatinho a editora explorou um pouco a encadernação, já que em suas revistas trimestrais “Grandes Heróis Marvel” e “Superpowers”, ela apresentava o final de uma saga, ou mesmo uma aventura completa. Mais próximo da encadernação é impossível para a época. Houve ainda relançamentos de várias séries em edições especiais, entre elas: Justiceiro (a primeira mini-série), Longshot, O Melhor de Batman, O Melhor dos X-Men, O Melhor do Homem-Aranha, O Melhor de Wolverine, Crise nas Infinitas Terras, além de encadernados de várias mini-séries de luxo como Elektra Assassina, Watchmen, O Cavaleiro das Trevas, etc. A situação melhorou um pouco nos últimos meses. A Mythos já traduz a algum tempo as séries “Essential” da Marvel Comics, que reproduzem histórias das séries dos personagens em formato preto & branco. Infelizmente a Mythos não conseguiu adotar o preço da Marvel. Lá 400 a 500 páginas em preto & branco ficam por meros US $ 14,90 (o preço de um encadernado colorido de 120-150 páginas), enquanto por aqui não chega a 200 páginas e fica em volta de R$ 19,90 (veja os exemplos recentes de O Surfista Prateado e Homem-Aranha, embalados com o nome “Edição Histórica”). O chato é comparar com a Panini, que produz um “O Melhor do Demolidor – Frank Miller” com 140 páginas em média, colorida e com papel bom, por “apenas” R$ 15,00. A Panini já publicou os seguintes encadernados: O Melhor do Homem-Aranha – John Romita Senior; O Melhor do Homem-Aranha – A Última Caçada de Kraven; Homem-Aranha – Poder & Responsabilidade; O Melhor do Demolidor – Frank Miller Volumes 1, 2, 3 e 4; Crise nas Infinitas Terras (em dois volumes); Arma X (com nova tradução e pela primeira vez formato americano, ainda que não tenha vindo com as páginas inéditas que houve em uma edição americana); Batman – Bruce Wayne: Fugitivo (em dois volumes); Origem (em versão mini-série, versão encadernada em capa mole e em capa dura!) e O Reino do Amanhã com as páginas inéditas. Claro que estou desconsiderando que o DC Especial # 01 do Arqueiro Verde é uma tradução exata do encadernado americano, e várias edições de Marvel Apresenta que segue em parte o mesmo caminho de “Grandes Heróis Marvel” da Editora Abril. Considerando o tempo em que a Panini está no mercado, não há editora que tenha dado tanta atenção aos encadernados, mas ainda assim é pouco. Vários personagens merecem uma reedição em formato encadernado entre eles: Os Supremos – 1º volume; todos os arcos de Homem-Aranha e X-Men versão Ultimate, Hulk de Bruce Jones, Demolidor de Kevin Smith e os arcos de Brian Michael Bendis, Batman de Jeph Loeb e Jim Lee, Novos X-Men de Grant Morrison, isto sem contar o quê para mim é mais caro: o material clássico! A Marvel e a DC Comics têm séries para reedição de material clássico em formato de luxo. A Marvel tem a série Masterworks (além da série Visionnaries dedicada a um artista e Essential em preto & branco), a DC tem a série Archives (além de dezenas de especiais encadernados). Assim fica fácil um leitor ter sua cópia de “Batman #01”, de “Fantastic Four #01” ou ainda produtos bem específicos como “Crisis in Multiple Earths” onde são reunidas todas as histórias da DC Comics com os famosos encontros entre Liga e Sociedade da Justiça salvando seus planetas – muitas nunca reimpressas nos EUA! Claro que a Panini deveria investir em publicar estes clássicos e alguns materiais diretamente em encadernados, como está fazendo atualmente a Devir Livraria que entre outros, publicou recentemente “Aria – O Mercado das Almas” e “A Liga Extraordinária” volumes 1 e 2, de Alan Moore (o volume 1 tem inclusive uma história inédita), e está para lançar Planetary. Excelentes pedidas, que valorizam o formato, ainda que o preço médio de R$ 40,00 fique um pouco salgado. Um detalhe para quem tem cartão de crédito: O Mile High Comics, loja que vende quadrinhos pela Internet, vende encadernados com desconto de até 30%, basta esperar a promoção, que geralmente ocorre a cada 15-21 dias. Jamerson Albuquerque Tiossi (que jura que irá comprar “Crisis in Multiple Earths”, volumes 1, 2 e 3, mas lembra que custam R$ 70,00 cada e fica triste) jamersontiossi@yahoo.com.br
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