MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
27/12/2004
MATÉRIA: ILUSTRES DESCONHECIDOS OU ILUSTRES ESQUECIDOS
 
 
Shadowhawk, de Jim Valentino
 
 
Wetworks, de Whilce Portaccio
 
 
The Avengers: The Korvac Saga
 
 
Nick Fury, de Jim Steranko
 
 
The New Warriors
 
 
Starman, de Roger Stern e Tom Lyle
 


Era o final da década de 1980, iniciozinho da década de 1990 e a Marvel produzia vários artistas que em breve iriam deixar a editora para fundar a Image em 1992. Jim Valentino estava fazendo The Guardians of Galaxy, que teve uma saga completa publicada por aqui na revista Marvel Force (Globo) – eu particularmente simpatizo muito com a saga -; Todd McFarlane estava com Spider-Man; Jim Lee com X-Men, 2º volume; Whilce Portaccio com The Uncanny X-Men; Rob Liefeld com X-Force – que depois passaria para as mãos de Greg Capullo que também iria para a Image; Erik Larsen fez alguns números de The Amazing Spider-Man, entre outros. A lista é realmente longa... Destes, no entanto, Jim Valentino e Whilce Portaccio são ilustres desconhecidos. Valentino fez para a Image o personagem (de autor) Shadowhawk, que aparentemente seria o segundo herói que os leitores não conheciam a identidade secreta. Não é preciso dizer que o personagem não foi absorvido pelo público ainda que tenha ganho dezenas de séries, mini-séries e especiais, muitas no oba, oba de capas múltiplas e especiais. Portaccio, que injustamente é muito comparado com Jim Lee (Lee é muito superior à ele, e Travis Charest é anos-luz superior à ambos) ficou na vala comum das super-equipes e criou os Wetworks, cuja única história publicada no Brasil foi na mini-série “WildCATS – Tempestade de Fogo”. Valentino assumiu cargos administrativos na Image, sendo recentemente substituído por Erik Larsen (The Savage Dragon) e Portaccio continua na Wildstorm-Homage mesmo depois da aquisição pelo conglomerado Aol-Time-Warner, através da DC Comics. Já foi anunciado que vem por aí uma nova série Wetworks. Jim Shooter foi carrasco na Marvel... digo, editor-chefe da Marvel no final da década de 1970. Sob sua orientação, direta ou indireta, Claremont e Byrne produziram boas histórias, ainda que Byrne fale muito mal dele (pensando bem, de quem Byrne não fala mal?). Mas não é sobre sua gestão como editor-chefe que quero falar, mas sim como escritor, trabalhando em conjunto com Mark Gruenwald, George Pérez e John Byrne, produzindo uma longa seqüência de aventuras para a série The Avengers, 1º volume, em especial a minha preferida, A Saga de Korvac. Na década de 1990, depois de ter saído da Marvel, Shooter trabalhou na Valiant, quando esta lançou uma linha de quadrinhos que tinha entre outros Barry Windsor-Smith (Conan, the Barbarian; Weapon X) como colaborador. Atingida pelo fenômeno Image, a Valiant não teve grande sobrevida. Recentemente li em algum lugar que Joe Quesada, o atual editor-chefe da Marvel, estaria desenvolvendo um trabalho com Shooter. Existem outras dezenas de autores e artistas que ao folhear revistas de um período mais simples, lembro com saudades. Às vezes lembro de séries como a do Pantera Negra em Jungle Action, publicada em Superaventuras Marvel, do Mestre do Kung Fu, quando era mais voltada para espionagem, Nick Fury de Steranko e sinto saudades... bons tempos. Dos mais novos lembro de um rapaz em especial: Fabian Nicieza. Um verdadeiro pau-para-toda-obra, Nicieza começou timidamente com a mini-série do Nômade (Nomad) e logo estava escrevendo os diálogos para Rob Liefeld em X-Force, certamente seu maior sucesso. Mas para mim, sua melhor obra foi em Os Novos Guerreiros, feita a oito mãos com Tom DeFalco, Ron Frenz e Mark Bagley. DeFalco e Frenz criaram o grupo para uma aventura do Thor ligada a Atos de Vingança; mas foi nas mãos de Nicieza e do já competente Mark Bagley, que tudo ganhou forma. Vale lembrar que Bagley hoje é muito conhecido por desenhar Ultimate Spider-Man. Os Novos Guerreiros foram uma tentativa de tornar grupos adolescentes interessantes novamente (Os Novos Titãs na DC Comics já tinham perdido muito de sua magia) e suas histórias tinham bons níveis, chegando até a apresentar uma realidade alternativa, onde os principais heróis tinham versões egípcias. Kurt Busiek e Carlos Pacheco chegaram a usar estes personagens nos números finais de “Vingadores Eternamente”. Assim como os autores citados, Os Novos Guerreiros também se tornaram ilustres desconhecidos perdidos nas centenas de séries que povoaram a década de 1990 (Radical e Nova, personagens da equipe, tiveram mini-séries e séries regulares), mas se você quer diversão sem nenhum compromisso leia as edições de Homem-Aranha, Grandes Heróis Marvel e Superaventuras Marvel que tinham aventuras da equipe. Aproveite também para ver o Aranha de Bagley em The Amazing Spider-Man e descobrir que este é bem superior à McFarlane – e consegue cumprir prazos. Teve um sujeito chamado Tom Lyle que começou na DC Comics criando um Starman com Roger Stern. Este Starman foi obscurecido pelo Starman seguinte de James Robinson, e chegou a aparecer na série. A arte de Lyle não ajudava, mas meses depois ele desenhou a série “Robin” do Chuck Dixon e vendeu muito bem, talvez pelas capas múltiplas, talvez pelo texto, talvez pelo interessante gerado pelo Batman com sua série cinematográfica. Sinceramente eu não sei o “porquê”, eu “sei” que vendeu. Pelo mesmo caminho seguiram as duas outras minisséries. Logo estava trabalhando em Detective Comics, onde produziu um de seus piores trabalhos. Quando o “pessoal da Image” saiu da Marvel, ele foi um dos substitutos de Todd McFarlane e assumiu o título Spider-Man, que na época estava na Saga do Clone. Sua arte foi tão boa e oportuna que ele aposentou-se (acho) em 2000, depois de dar uma declaração em que concordava com Joe Quesada, que havia dito que alguns artistas simplesmente “vencem seu prazo de validade”, sua arte torna-se deselegante, antiquada. Engraçado que Sal Buscema produz arte do mesmíssimo jeito que fazia na década de 1960 e só fica melhor, principalmente se tiver Bill Sienkiewicz como finalista. A grande questão é que o mercado de quadrinhos exige muito de seus autores e personagens. Um diretor de cinema, produz quando muito um filme a cada 18 meses, mas na verdade, fica na média de um filme a cada 36-40 meses. Já o autor de quadrinhos tem que produzir uma revista todo o mês. Para piorar a situação, há dezenas de fãs no mundo que acham que o sujeito perdeu a mão quando não produz uma obra-prima. Vide os recentes casos de Frank Miller (Batman – O Cavaleiro das Trevas 2) e Neil Gaiman (1602), criticados por estarem abaixo das expectativas. Isto sem contar autores apenas medianos como Mike Grell, John Byrne, James Robinson, Peter Milligan, Kurt Busiek que sempre são lembrados pelas obras-primas que produziram enquanto os leitores torcem o nariz para o material atual. Já os ilustres desconhecidos, sejam personagens ou autores, às vezes têm apenas uma idéia genial, uma única colaboração para a indústria, uma única história, uma única saga, uma única edição... Infelizmente com o sucesso, a editora resolve explorar mais e mais, tirar leite de pedra. Veja o exemplo de Lúcifer do selo Vertigo. Era um personagem secundário muito interessante em Sandman; já em sua própria série... hum.... Seja pelo formato ou pelo tipo de idéia apresentada, ela esgota-se rapidamente, principalmente quando surgem dezenas de projetos semelhantes. Logo o mercado está saturado de séries que exploram o universo Star Wars, séries de humor como Groo, séries cerebrais como Alias, série de terror, séries policiais; e então, aquele primeiro projeto, daquele autor que não terá muitas chances fica perdido. Isso sem contar quando um autor mais talentoso cria sua imitação de um ícone, e a imitação é superior ao original, como no caso do Supremo de Alan Moore, que é uma imitação do Superman “criado” por Rob Liefeld. No fundo o problema somos nós leitores que consumimos em massa algo que deveria ser feito em conta-gotas... Jamerson Albuquerque Tiossi – que jura que The Guardians of Galaxy era muito divertido, apesar das opiniões contra. jamersontiossi@yahoo.com.br
  facebook


Lucifer, em revista própria
Groo, de Sergio Aragonés
 
Tags :



 

Seções
HQ Maniacs
Redes Sociais
HQ Maniacs - Todas as marcas e denominações comerciais apresentadas neste site são registradas e/ou de propriedade de seus respectivos titulares e estão sendo usadas somente para divulgação. :: HQ Maniacs - fundado em 19.08.2001 :: Brasil