MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
04/01/2005
ENTREVISTA: FERNANDO LOPES
 
 
X-Men #1: o início da nova era Marvel no Brasil
 
 
Homem-Aranha #1, da Panini Comics
 
 
Madrox, pelo selo Marvel Knights
 
 
Marvel Age Spider-Girl
 
 
Wolverine: nova revista mensal
 
 
Marvel MAX: um dos melhores títulos Marvel/Panini
 
 
Marvel Millennium: uma das mais vendidas
 
 
Elektra Assassina, de Miller e Sienckiewicz
 
FERNANDO LOPES, o editor Marvel da Panini Comics no Brasil, concedeu uma entrevista exclusiva ao HQM, onde fala de seu início nos quadrinhos, sobre seu trabalho como editor, sobre reajuste de preços, o contato com os fãs, a influência da internet, as novidades que estão a caminho, e muito mais. HQM: O que você fazia antes de ser editor dos títulos Marvel na Panini? FERNANDO LOPES: Na minha cidade natal (São Vicente – SP), eu trabalhava como jornalista. Editava um pequeno jornal semanal. Quando me mudei pra São Paulo, em 1994, acabei indo parar numa agência de publicidade. Peguei uma boa experiência com programas de editoração eletrônica e migrei pra área de pré-impressão (que, na época, estava pagando melhor do que muitos jornais por aí...). Fiquei nisso uns sete anos, até que deixei a empresa onde trabalhava. Resolvi tirar umas férias, coisa que não fazia havia quatro anos. Tinha acabado de voltar e ainda estava decidindo o que fazer da vida quando surgiu a oportunidade de me tornar editor de quadrinhos. HQM: Como foi o seu início no mercado editorial de quadrinhos? LOPES: Curioso. Embora lesse quadrinhos há quase vinte anos e tivesse alguma experiência como editor, jamais havia trabalhado especificamente nessa área. Foi uma coisa meio esquisita, tudo aconteceu muito rápido. Tinha acabado de voltar de férias e fui conversar com o Jotapê, que na época era um dos sócios da Via Lettera. Ele sabia que o Helcio (de Carvalho, um dos proprietários da Mythos Editora) estava procurando um editor pra nova linha de quadrinhos da Marvel, que passaria a ser publicada pela Panini, e indicou meu nome. O Helcio me chamou pra uma entrevista, gostou dos meus textos e acabei ficando com a vaga. HQM: Você elaborou uma tese sobre o Batman e parece que ela agora irá se tornar um livro pela Via Lettera. O que você pode nos adiantar sobre o livro SOB OS CÉUS DE GOTHAM CITY? LOPES: Que ele continua parado, pra minha eterna vergonha. Tenho trabalhado demais, o que me deixa absolutamente sem tempo pra escrever. Já disseram que minha filha vai acabar concluindo o livro... HQM: Você não ouve piadinhas por ter escrito um livro de um personagem da DC, sendo que você hoje é editor dos títulos da Marvel Comics no Brasil? LOPES: Dos meus amigos mais próximos, sim, mas não é tão freqüente quanto se imagina. Até porque isso não influencia em nada no meu trabalho, especificamente. O gosto pessoal do editor não deve interferir em suas decisões. Afinal, não edito revistas pra mim, mas pros outros. Quem tem que gostar são os leitores, não eu. HQM: Como funciona a escolha das histórias para publicação nos títulos Panini Comics? Existe influência da Panini Itália? LOPES: A palavra final sobre absolutamente tudo que é publicado no Brasil é da Panini Itália. Nós, da Mythos (responsável pela produção editorial das revistas Panini), funcionamos como consultores, oferecendo sugestões com base em nosso contato com os leitores, números de vendas e na experiência editorial da equipe em relação ao mercado brasileiro. Implementar ou não essas sugestões, entretanto, é uma prerrogativa exclusiva da Panini. Afinal, ela é a editora. Somos apenas prestadores de serviço. HQM: E a escolha das histórias publicadas na WIZARD BRASIL? Como é feita a seleção das histórias e personagens? LOPES: Do mesmo modo. A escolha é feita pela Panini e conta com sugestões da equipe brasileira. HQM: As revistas Panini terão mais um aumento de preços agora em janeiro. Qual o motivo deste reajuste? LOPES: O de sempre: os custos de produção aumentaram. E, por mais que a gente odeie, chega um determinado momento em que isso tem que ser repassado para o preço final ou inviabiliza o produto. É ruim pra todo mundo, inclusive pra nós, mas é inevitável. Tudo aumenta, menos o meu salário. (risos) HQM: Qual a melhor e a pior parte de trabalhar tão diretamente com os leitores de quadrinhos? LOPES: A melhor é o “feedback” que se tem sobre o trabalho. Ele é muito importante para nós, e serve pra ajudar a orientar nossas decisões. A pior é ter de lidar com pessoas que, às vezes, se esquecem de que há um ser humano do outro lado. Alguns leitores dizem que não aceitamos críticas ou que não damos ouvidos aos leitores. Isso não poderia estar mais longe da verdade. O problema é que tem gente que acha que as coisas têm de ser feitas do jeito delas, com base unicamente em seus gostos pessoais. Não é assim que funciona. O pior é que, quando tentamos explicar isso, elas fazem questão absoluta de não entender, e muitas vezes passam até pra ofensas pessoais. Aí não tem santo que resista... HQM: Existe influência do público da Internet nas decisões editoriais? LOPES: Depende do que se considera “influência”. A Internet tem o dom de aglutinar pessoas em torno de seus gostos em comum, e de disseminar informações e opiniões ampla e rapidamente. Em todo grupo, existem os chamados formadores de opinião, indivíduos que, pela retórica ou mesmo pela quantidade de vezes que repetem uma mesma idéia, acabam influenciando as opiniões dos outros. O problema é que, na maioria das vezes, esses formadores de opinião não passam de fãs radicais, que querem nortear decisões editoriais com base em seus próprios gostos. Fã de quadrinhos é igual a torcedor de futebol: sempre acha que entende mais do que o técnico. O problema é que só existe um técnico, da mesma forma que só existe um editor. Paralelamente, por sua própria característica democrática e seu largo alcance, a rede gera um tipo muito peculiar de distorção na comunicação: o eco. Se uma única pessoa gritar em uma caverna ou num desfiladeiro, será capaz de produzir um som equivalente ao de muitas. Com a Internet é a mesma coisa. Você tem uma maioria silenciosa – que não está nem aí pras questões que o fanático crê como primordiais da vida – e, do outro lado, uma minoria muito, muito barulhenta. Basta tomar como exemplo o próprio fórum da Panini. Temos mais de 3.300 usuários cadastrados. Desse total, pouco mais de uma centena já postou uma mensagem, e umas poucas dezenas participam ativamente. Quem visita o fórum acha que são muitos, mas são sempre os mesmos, e geralmente dizendo a mesma coisa... Dito tudo isso, não dá pra dizer que haja uma grande influência do público da Internet em nossas decisões. HQM: Na sua opinião, qual é a melhor revista que você publica? E a pior? Da DC, dos títulos publicados pela Panini, você tem algum predileto? LOPES: Não dá pra falar em termos de “melhor” ou “pior”. Todas as nossas revistas são ótimas! (risos) Se eu tivesse de escolher uma, entretanto, escolheria MARVEL MAX. Tenho um carinho especial por ela, pois foi um título que nasceu, basicamente, de uma sugestão nossa. Da DC, a que eu mais gosto atualmente é LIGA DA JUSTIÇA. Curto heróis tradicionais. HQM: Hoje, após três anos de Panini no Brasil, as vendas de quadrinhos melhoraram? Qual o título que tem maiores vendas? Você acha que os números impressos aumentaram em relação à editora anterior? LOPES: Não tenho dados sobre as vendas da editora anterior, e mesmo que tivesse não comentaria. Não seria ético. Também não tenho autorização para comentar números, pois são dados estratégicos da Panini, mas nossa revista de super-heróis mais vendida, na esmagadora maioria das vezes, é MARVEL MILLENNIUM: HOMEM-ARANHA. HQM: Em relação a materiais clássicos, como WOLVERINE: ARMA X, DÍVIDA DE HONRA e as edições dos MAIORES CLÁSSICOS, as vendas estão boas? Existem mais algumas surpresas preparadas? LOPES: As vendas têm sido satisfatórias, tanto é que planejamos novos lançamentos do gênero também para a DC. Para o próximo ano, já temos programado ELEKTRA ASSASSINA, de Frank Miller e Bill Sienckiewicz; MARVELS, de Kurt Busiek e Alex Ross; e dois volumes da DC, reunindo as primeiras histórias dos NOVOS TITÃS de Marv Wolfman e George Pérez, e o primeiro arco de Pérez à frente da MULHER-MARAVILHA. Outras novidades virão no decorrer do ano. HQM: Como está sendo a reapresentação do material clássico da Marvel aos novos leitores? Está sendo positiva? LOPES: Creio que muito positiva. Há muito material antigo que nunca havia sido publicado aqui em seu formato original, e outros que são completamente desconhecidos das novas gerações de leitores. Acho esse tipo de resgate importante. HQM: Você poderia nos revelar algumas surpresas programadas para 2005? LOPES: Boa parte dos novos lançamentos já foi revelada na revista WIZARD de dezembro. Vamos ver algo que ainda não tenha saído... Ah, sim: a nova série do HOMEM-ARANHA da linha MARVEL KNIGHTS estréia em maio, na própria revista do herói. Que tal? HQM: RUNAWAYS, o novo título da MULHER-HULK ou a mini-série MADROX estão nos planos da Panini? Esses títulos estão sendo muito elogiados pelos leitores. LOPES: Foram considerados, mas ainda não dá pra adiantar nada de concreto. Todos, porém, têm chances. HQM: Com o cancelamento dos títulos MYSTIQUE, EMMA FROST e WEAPON X nos EUA, qual será o futuro da nova revista mensal do WOLVERINE? LOPES: Cancelamentos são extremamente comuns nos EUA. Não há motivo pra preocupação. Temos material de sobra para a revista. MADROX, DISTRICT X, X-23, SABRETOOTH e CABLE & DEADPOOL, por exemplo, se encaixariam perfeitamente no título. HQM: A Panini tem interesse em publicar a linha MARVEL AGE, que reconta os primórdios do Universo Marvel para novos leitores? Não seria interessante a publicação dessa linha no Brasil? LOPES: Não só temos como vamos! Ainda não posso revelar detalhes, mas adianto que teremos novidades a esse respeito ainda no primeiro semestre de 2005. É um material com ótimo potencial pra atrair novos leitores, principalmente os mais jovens. HQM: Há algum tempo ouvimos falar que a Panini poderia distribuir revistas em quadrinhos em jornais. Esse interesse ainda existe? Ou é só especulação? LOPES: O interesse existe, mas as negociações são complexas. Não posso dar maiores detalhes, pois isso está além da minha alçada e tenho poucas informações sobre o assunto. HQM: Fora da Marvel (vamos arriscar a pergunta pois talvez você saiba), por que alguns dos novos títulos Panini estão sem divulgação mensal, como ISA e BIA – AS BRUXINHAS e os quadrinhos da WARNER? Para novas revistas emplacarem no mercado, não seria interessante uma maior divulgação? LOPES: Isso também está fora da minha alçada. Meu negócio é produzir as revistas Marvel, e já tenho trabalho mais do que suficiente com isso... (risos) HQM: É verdade que você gosta mais da DC do que da Marvel? E que o herói preferido do Oggh é o Homem-Aranha?? LOPES: Gosto dos personagens de ambas editoras. Pra que se restringir aos de apenas uma se dá pra se divertir com os das duas? Restringir seus horizontes é coisa de gente tacanha. Quanto ao herói preferido do Oggh... é melhor perguntar a ele. (risos)
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Marvels, de Kurt Busiek e Alex Ross
Marvel Knights Spider-Man, de Mark Millar
 
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