MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
07/02/2005
MATÉRIA: KISS - OS SUPER-HERÓIS DO ROCK’ N’ ROLL!
 
 
1 - Página da primeira história do Kiss
 
 
2 - Arte de Sal Buscema
 
 
9 - Capa da HQ do Kiss pela Marvel
 
 
10 - Kiss: Psycho Circus pela Image
 
 
3 - Arte de Sal Buscema
 
 
4 - Arte de Alan Weiss
 
 
5 - Gene Simmons versus Doutor Destino
 
 
6 - Arte de John Romita Jr.
 


"Os anos 1970 foram determinantes na consagração da Marvel como editora maior do mercado de quadrinhos americano. Atacando em todas as frentes: em revistas de super-heróis, terror, artes marciais, em formatos magazine e gigantes tablóides, ninguém podia com os comandados de Stan Lee. Mas em meio a heróis de aluguel, vampiros e mutantes, faltava ainda alguma coisa. Uma figura, ou melhor, quatro caras fantasiados que representassem – nos quadrinhos – aqueles maravilhosos tempos de calças boca-de-sino, fliperamas e Glitter Rock..." Eu nem vou entrar no mérito se o KISS é, ou foi, a maior banda de Rock de todos os tempos! É um tipo de assunto que não se chega a conclusão alguma, pois cada um de nós possui um gosto e opinião diferente. Mas acho que podemos concordar numa coisa: esses caras maquiados fizeram um sucesso danado na década de 1970! Rock and Roll all Nite era o hino de dez em cada dez roqueiros e o álbum Destroyer, uma espécie de bíblia sonora da moçada cabeluda que se reunia em bailes de garagens, mundo afora. Em 1976, no auge do sucesso da banda, o editor e roteirista Steve Gerber, fã confesso do KISS, maluco convicto e criador-mor de Howard the Duck – o mais estranho personagem dos quadrinhos deste lado de Patópolis – recebeu a incumbência do próprio Stan Lee para negociar a “transformação” dos heróis do palco em super-heróis da Marvel! Na verdade, o KISS já havia estrelado uma paródia nas páginas da Crazy – resposta da Marvel para a revista MAD. Não foi difícil convencer os rapazes, afinal, um de seus líderes, Gene Simmons, era um “marvete” de carteirinha. O próprio visual espalhafatoso da banda fora idealizado por ele, devido ao seu gosto pelos gibis de super-heróis. Judeu de nascimento, Gene chegou aos Estados Unidos em 1958 e os gibis de Super-Homem e Batman o ajudaram a dominar a língua inglesa. Mas foi ao ler as histórias do Homem-Aranha de Stan Lee e Steve Ditko e as do Quarteto Fantástico, de Lee e Jack Kirby, que Simmons literalmente pirou: “Eu sonhava em ver o Hulk dando um pau no Super-Homem!” – lembrou certa vez. Logo, Simmons se filiaria ao Merry Marvel Marching Society, o fã-clube oficial da Marvel, e que o influenciaria um dia, na sua receptiva relação com o KISS Army. Gene até tinha um cartão assinado pelo próprio Lee, com os dizeres “Stan Lee e a gangue”. Nesse período, o jovem Gene chegou a editar alguns números de seu fanzine, o Cosmos Stiletto, antes de enveredar de vez pelo mundo da música. Após aparecerem como “personagens convidados” em Howard the Duck nºs 12 e 13 (março e junho de 1977, respectivamente), os rapazes do KISS inaugurariam o magazine A Marvel Comics Super Special em setembro do mesmo ano. Uma superaventura escrita, claro, por Steve Gerber. Gene pensava em Jack Kirby para desenhá-la, mas o “Rei dos Quadrinhos” estava prestes a ir para a televisão, onde cuidaria da nova versão animada do Quarteto Fantástico. Mesmo assim, não teve do que reclamar, pois a equipe artística escalada era, na verdade, um time de primeira categoria: Alan Weiss, Al Milgrom, Rich Buckler e os irmãos John e Sal Buscema. A trama de Gerber contava a “origem” e transformação dos jovens Paul Stanley, Ace Frehley, Peter Criss e Gene Simmons em criaturas de incrível poder, graças a uma estranha caixa mística. O barato é que esses novos super-heróis interagiam dentro do Universo Marvel, e por isso, a trama contou com a participação de boa parte dos heróis da casa. Além disso, o grupo teve de enfrentar o maligno Dr. Destino, num combate digno de nota. A revista bateu todos os recordes de vendas e só foi superada, quase quinze anos depois, em 1990, quando do lançamento de Spider-Man nº 1, de Todd McFarlane. Um dos apelos promocionais para o magazine, foi o fato dos músicos terem misturado um pouco do sangue deles na tinta de impressão da revista. Por mais que Stan Lee fosse um homem “antenado” com o gosto dos jovens e com novidades em geral, ele achou aquilo tudo um tanto quanto bizarro, lembrando inclusive que: “Creio que não há limite para a criatividade dos agentes publicitários! Porém, algo nunca mais saiu de minha cabeça. O grupo pegou um avião para a gráfica em Buffalo, onde nossas revistas eram impressas e eu fui com eles. Ao aterrissarmos, dá para acreditar que havia policiais nos esperando? Claro, tudo arranjado por um ‘gênio’ das relações públicas. Entramos numa limosine e fomos escoltados por vários policiais em motocicletas, enquanto outros bloqueavam os cruzamentos como se fossemos parte de um desfile presidencial. Eu só pensava nos médicos que deveriam estar querendo atender seus pacientes, nas mães que estavam a caminho da escola para pegar suas crianças e de pessoas em geral, querendo ir para o trabalho. Mas todos tiveram que esperar, enquanto aqueles quatro caras do KISS iam jogar umas gotinhas de sangue numa tinta vermelha para que, então, alguns garotos tivessem a sensação de ter o sangue de seus ídolos num gibi. Afinal, que sociedade é essa em que a gente vive?...” E essa não foi a única chateação do velho “The Man”, pois de acordo com Gene, enquanto o pessoal tirava seu sangue, ele ia enchendo o editor de perguntas: “Eu lembro de um erro seu na história tal...” ou “Por que você e o Ditko não continuaram juntos? É verdade que o cara é maluco?” (Ha ha ha! Essa foi boa...) No ano seguinte, houve o lançamento de outro magazine, desta vez batizado de Marvel Super Special nº 5 (os nºs 2, 3 e 4 foram dedicados ao Conan, ao filme Contatos Imediatos do Terceiro Grau e aos Beatles, respectivamente). Desta vez, porém, a equipe criativa se constituiu assim: Alan Weiss e Ralph Macchio (co-planejamento) e John Romita Jr. e Tony De Zuniga (arte). Gerber havia saído da Marvel após um arranca-rabo sobre os direitos do pato Howard. Nesta edição, nossos heróis enfrentaram o poder arcano do temível Dark Lord (Senhor das Trevas). Mais uma vez, a revista vendeu bem, embora, não tanto quanto a primeira edição. Outros números foram planejados, mas por uma série de contratempos, nunca chegaram a ser realizados (não deve ser fácil fazer turnê por aí e “salvar o mundo” nas horas vagas!). Na década seguinte, o grupo mudaria sua formação, largaria as máscaras e enveredaria cada vez mais por um “Rock de Arena” – nada heróico, diga-se de passagem. Em meados dos anos 1990, Criss, Frehley e as máscaras voltariam ao KISS, e com o lançamento do CD Psycho Circus – que acabou “batizando” uma série em quadrinhos regular pela Image – retomaram o caminho do sucesso. Inclusive, algumas dessas histórias (desenhadas por Angel Medina) foram publicadas no Brasil pela Editora Abril. Estranhamente, Simmons andou falando “cobras e lagartos” da Marvel, o que causou um certo furor entre os true believers mais engajados. Atualmente, a Dark Horse edita uma nova série de quadrinhos dos roqueiros mascarados mas, cá entre nós – e mais uma vez, sem querer entrar no mérito da qualidade dessas novas histórias – será que elas possuem o mesmo charme daquelas duas edições dos anos 1970? * Roberto Guedes tem todos os CDs do Kiss da fase “mascarada”, mas prefere os Rolling Stones e o Status Quo. Diz que um dia, ainda vai lançar um livro chamado “Quando Surge o Rock’n’roll”... :: Imagens e legendas: 1 – Página splash da primeira história solo do KISS - página de abertura 2/3 – Os principais heróis Marvel da época foram mobilizados para a surpreendente aparição do Kiss. Arte de Sal Buscema 4 – O estilo desengonçado de Alan Weiss captou perfeitamente a atmosfera “setentista” que o magazine exigia 5 – Quantos heróis tiveram a ousadia de encarar o Dr. Destino? Dá-lhe Gene! 6 – O poder do Filho das Estrelas! Arte de um jovem – e talentoso – John Romita Jr. 7 – A famosa “capa-gibi” do álbum Unmasked, de 1980 – resquícios da boa fase na Marvel... 8 – Ingresso do show do KISS realizado no Morumbi, em 1983. Repare que, na ocasião, o guitarrista era Vinnie Vicent, e não Ace Frehley 9 – A capa “rocker” de A Marvel Comics Super Special 10 – Kiss: The Psyco Circus, pela Image. Arte de Angel Medina.
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7 - Capa do álbum Unmasked de 1980
8 - Ingresso do show do KISS realizado no Morumbi
 
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