MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
10/02/2005
ENTREVISTA: JEAN CANESQUI
 
 
.
 
 
.
 
 
.
 
 
.
 
 
.
 
 
.
 
 
.
 
 
.
 
Entrevistamos Jean Canesqui, um dos quatro idealizadores da Revista KAOS!. Saiba como foi o surgimento do projeto, a proposta da revista, seus colaboradores, a mudança de editora, as próximas novidades e muito mais. A entrevista também conta com as partipações de Sam Hart e Sandro Castelli.

HQM: Como surgiu a KAOS! ? JEAN CANESQUI: A Kaos! surgiu dentro das fileiras do projeto da revista/livro/álbum "Front", com o encontro de quatro pessoas: eu e meus sócios e amigos, Sam Hart (www.samhart.hpg.ig.com.br), ilustrador, produz arte para a revista Superinteressante, Dragão Brasil e atualmente finalizou um álbum da franquia de ficção científica Tropas Estelares para a Inglaterra; Sandro Castelli (www.sandrocastelli.com), ilustrador, também colaborador da Superinteressante, entre outras revistas; e Anderson Cabral, diretor de arte publicitária. Esse bando de freaks é o grupo editorial da Kaos! A Front é gerida dentro de um sistema que se pretende democrático, com votos e debates por uma lista na internet entre mais de 150 pessoas cadastradas, dirigido por um conselho que se alterna em rodízio conforme a disponibilidade dos membros. Nós quatro e alguns outros, estávamos capitaneando o processo temporariamente, quando surgiu a idéia de se fazer uma “revista Front”, para as bancas. O produto Front é em formato livro e se destina às livrarias. Queríamos uma revista mais barata e competitiva comercialmente. Como a editora, Via Lettera, atua apenas no ramo dos livros, fomos atrás de outro canal, a antiga Pandora Books, atual Planetário. Eles demonstraram interesse e começamos as negociações. Paralelamente, a administração do Front se tornou complicada e desgastante. O processo democrático não estava sendo produtivo, gerando atritos, úlceras e ameaças de morte. Cansamos de debates teóricos, discursos acadêmicos, pretensão artística e bate-boca infrutífero. Nós quatro chegamos à conclusão que a democracia é muito bonita, mas é inapropriada para administrar uma produção artística coletiva. Infelizmente, o caminho pragmático para qualquer produção coletiva de arte de massa passa pela hierarquia empresarial. Afastamos-nos da Front, levamos o projeto da revista conosco e começamos a elaborar uma linha editorial própria. HQM: Qual a proposta da revista Kaos!? JEAN: Trazer riqueza, fama e sexo fácil aos autores... Bom, saindo do delírio: quando começamos a planejar a publicação, já sem ligação com a Front, levantamos umas diretrizes, sendo a principal: fazer uma revista comercial e que gostaríamos de ler. Observamos o passado da HQs no Brasil __eu faço parte do Núcleo de Pesquisa de HQ da USP (http://www.eca.usp.br/gibiusp/), o que facilitou isso__ e humildemente tentamos ver os porquês de umas revistas terem vingado e outras não. Antes de tudo: que fique claro aqui que estamos TENTANDO por em prática uma teoria sobre o mercado de quadrinhos. Não somos melhores que ninguém, nem donos da verdade. A revista teve uma boa recepção, mas ainda podemos quebrar a cara. De volta a Kaos!, definimos, portanto, uma linha editorial. 1 – Séries e personagens fixos, para cativar o leitor. 2 – Séries em episódios e histórias únicas fechadas, e não capítulos. Devido a muitos fatores internos e externos (econômicos e de mercado), é comum uma revista atrasar ou não continuar e o leitor odiosamente ficar sem saber como terminou a história. Queremos que você pegue qualquer número da Kaos! e se satisfaça. 3 – Escolha de um gênero. Não adianta fazer revista de antologia como a casa da mãe Joana, onde entra qualquer coisa. Talvez tenha sido esse um dos problemas das saudosas Mil perigos, Lúcifer, Monga - A Mulher Gorila. A despeito da sua inegável qualidade artística, de certa forma atiravam para todos os lados. Queriam atender a todo mundo, mas não atendiam a ninguém no final. A Chiclete com Banana e a Animal tinham uma coerência interna, quem comprava sabia que tudo o que encontrasse lá dentro detinha certo parentesco. No nosso caso, logicamente escolhemos um tipo de quadrinho que nos agrada. Não nos atemos a um gênero especifico, mas sim a uma identidade. Comemos do selo de quadrinhos americano Vertigo, da DC Comics, o qual ficou famoso por publicar Sandman, Monstro do Pântano, Hellblazer, Preacher, etc. Ele atende a demanda de um público que quer algo além dos super-heróis. Eu entendo a Vertigo desse modo: Nos anos 50 do séc.XX, o mercado dos quadrinhos dos EUA foi devastado pelo infame comic code e a paranóia conservadora. Praticamente toda vida inteligente dos comics, com exceção da Mad, foi varrida da face da terra da liberdade. As revistas de gêneros do mainstream (terror, ficção científica, suspense, faroeste, romance, humor) foram banidas ou morreram por falta de fôlego. Nesse vazio editorial, a retomada da DC, com a visão do grande editor Julius Schwartz e a ascensão da Marvel Comics, orquestrada pela dupla-maravilha Stan Lee e Jack Kirby, fez com que o gênero de super-heróis ocupasse totalmente o terreno, sufocando outras possibilidades de conteúdo. Não fossem esses fatos, provavelmente os EUA seriam um mercado mais multifacetado, como o Japão, Itália, França, Espanha, Argentina, etc. Porém, o pêndulo da história não é imóvel. A influência das editoras independentes americanas e do quadrinho europeu, a chamada invasão britânica, deu o alicerce para a exploração de um nicho de leitores sem saco para o modo de se ver o mundo e resolver problemas que normalmente é mostrado pelos super-heróis clássicos; surge então a Vertigo. Sob seu sombrio espírito pós-moderno reúne realismo fantástico, ficção cientifica, policial noir e terror sob uma roupagem que todo mundo que lê identifica. É nessa linha que queríamos a revista. 4 – Ideologia. O estilo Vertigo é muito amplo, o risco de tudo parecer solto se faz grande, por isso foi preciso de algo mais para dar unidade. E também para não virar só um xerox! Aí entra a história do nome: Kaos! Eu sugeri bem no início pela sonoridade e pelo seu aspecto coringa. Kaos! é adaptável, encaixa-se em qualquer lugar. Entretanto, nessa época comecei meus estudos sobre dramaturgia e teoria do caos. Borges e seus Jardins Bifurcados. A questão da escolha. Um ruído, uma nova informação invade sua rotina e surge a oportunidade de se escolher um caminho diante de múltiplas realidades possíveis. O nexo Kaos! é esse: liberdade e escolha. O Sam Hart tem outra versão para a origem do nome. Diga ai velhinho... “Olha, pelo que me lembro, estávamos em uma das primeiras reuniões com a Pandora, definindo a linha editorial e tentando criar um nome para a revista, quando o Jean comentou algo do tipo (não me lembro da frase exata) “...no meio do caos do mercado de quadrinhos...”, daí o Renato da Pandora grudou na palavra e comentou: “Pô, taí um nome legal!” Ou seja, como todas as idéias, foi meio ao acaso... Já a “questão da escolha, o ruído” que o Jean cita, foi derivada de uma das outras propostas unificadoras do projeto: a epifania. De modo claro ou não, algo nas histórias deveria apresentar um evento ou uma revelação (não necessariamente religiosa), que possibilitaria uma mudança na vida do personagem (ou personagens) da HQ. Abrir as portas para uma discussão, revisão ou insatisfação latente vir à tona. Quem sabe, incutir uma semente de mudança na vida do leitor...” 5 – Brasil. Evitar colocar na capa ou se vender como “HQ nacional“. Calma, não estou renegando a terrinha. Explico: Procure um filme de suspense americano numa locadora, você obviamente vai achá-lo na sessão de suspense. Procure um filme de suspense nacional na mesma locadora. Você vai achá-lo na sessão de cinema brasileiro. Como se cinema brasileiro fosse um gênero que ninguém sabe aonde enfiar. Para os quadrinhos a mesma coisa. Chega desse olhar, ora de piedade ora de desprezo. Nós somos brasileiros fazendo quadrinhos que possam ser lidos em qualquer lugar do mundo. Não leia ou deixe de ler Kaos! porque somos brasileiros coitados; leia ou não por causa de sua qualidade. Queremos que algum incauto nos consuma e só descubra que somos daqui quando for tarde demais para qualquer preconceito. A partir daí começamos a escrever e desenhar as histórias e recrutar colaboradores. Tivemos que deixar a Pandora Books e encontramos nossa casa derradeira na Editora Mantícora (www.manticora.com.br) de quem somos o segundo título publicado, ao lado de um suplemento para RPG chamado D20 saga. O que fazemos é algo meio raro nos quadrinhos do Brasil. Em lugares com indústria de HQ desenvolvida é comum a figura do Editor de Quadrinhos. A maioria dos editores no Brasil são apenas tradutores e publicadores de material estrangeiro. O editor de quadrinhos mesmo, atua como os grandes produtores executivos de Hollywood até meados do século XX (quando gradualmente o controle dos filmes foi passando para os grandes astros, seus agentes e advogados). Esses profissionais encomendavam um filme, acompanhavam o roteiro, a produção, a filmagem e a pós–produção. Eram os responsáveis e aptos a resolver quaisquer enroscos dentro dessas etapas. O editor de quadrinhos faz a mesma tarefa. Aprova o roteiro, acompanha o desenho, a colorização e a formatação final da revista. É o que nós quatro fazemos, entre nós e com os demais parceiros. Cada um se centraliza mais em sua área de atuação. No meu caso, avalio os roteiros e ameaço de morte os colaboradores folgados, além de tratar de assuntos diversos, como publicidade. Todos têm responsabilidades próprias, mas podem interferir nos outros setores. HQM: A distribuição da Kaos! foi muita boa, pois no dia de seu lançamento, encontramos a revista em diversas bancas, diferentemente de vários títulos de outras editoras independentes. Como foi feita a distribuição? JEAN: O mérito é da Editora Manticora e da distribuidora Chinaglia, que também distribui os gibis da Mythos, Brainstore, Panini, e portanto sabe onde se vende melhor cada tipo de quadrinhos. Ambos fizeram um trabalho muito bem feito. HQM: A Kaos! tinha sido anunciada anteriormente pela Pandora Books. Por que a mudança para a editora Manticora? JEAN: Passo a bola para o tio Sam responder: “A Pandora foi deixando de investir no mercado de banca e de quadrinhos em geral, ao longo do ano em que desenvolvemos o projeto da Kaos! Quando nos falaram que nem a Kaos! eles poderiam publicar, a primeira alternativa foi justamente a Mantícora, com quem eu já tinha um contato por causa de uma história em quadrinhos que publiquei na D20Saga # 4. O contato tinha sido bom e eles estavam justamente procurando mais produtos para colocar na banca.” HQM: Existiu algum acordo para a publicação da entrevista do Alan Moore na Kaos!? Ela foi produzida pelos editores da Pandora, não? Não é a mesma que foi anunciada para ser publicada na GRX, uma revista que seria lançada nos mesmos moldes da Wizard? JEAN: Essa fica com o carcamano Sandro Castelli: “Sim, a entrevista é a mesma que teria sido publicada na GRX; o projeto não decolou, e mais tarde a Pandora Books editou um único número da Wizard, antes da atual fase Panini. Mas a entrevista (obtida através do colaborador Ricardo Bizzaro, na Inglaterra à época) continuou engavetada; quando apresentamos à Pandora o projeto da Kaos!, ela encontrou um veículo ideal. Quando conversamos sobre levar o projeto a outras editoras, o editor Maurício Muniz gentilmente cedeu-nos a entrevista, permitindo que ela permanecesse na Kaos! como uma compensação pela impossibilidade da Pandora de seguir no projeto. A entrevista, que estava em fita, foi transcrita, traduzida e editada pelos editores da Kaos!” HQM: A Kaos! está programada para ter somente três edições bimestrais? JEAN: Sim. O problema é fazer quadrinho e viver no Brasil. Fazemos por paixão. Gastamos nosso tempo, dinheiro e energia pelo prazer de botar aquele treco na mão do leitor. No meu entendimento, história em quadrinho só existe quando um leitor a lê. Antes disso, é desenho com texto dentro de gaveta. Planejamos três edições para medir a viabilidade de se manter uma revista em banca. Depois, avaliaremos se compensa economicamente para a editora e para nós. Leia-se “compensar“ como não ficar no vermelho absoluto, mas pelo menos com o investimento empatado ou com lucro, pois comumente as revistas penam uns números até chegar a uma boa saúde em caixa. Convém explicar aqui nossa relação com a Manticora: Nós, grupo Kaos!, somos os editores da revista. Produzimos conteúdo, arte e a diagramamos. A Mantícora é o publisher, o publicador. Ela oferece estrutura física e comercial para que a revista exista como produto final e seja distribuída. Se houver lucro após os custos de gráfica serem cobertos, ele será distribuído entre a Mantícora e nós. HQM: As histórias publicadas no primeiro número terão continuidade? JEAN: Quase todas. O “Homem que tudo vê” estará em todas. A série do Sam Hart iniciada com “Arma de Aluguel” também será encontrada nos três números, mas terá uma continuidade diferente, não centrada no personagem. “Belasco” voltará no terceiro. “Os Meninos Perdidos” está no segundo número (e na capa também). O Roger Cruz está atolado de trabalho e, infelizmente, não poderá fazer outra “Guti Gutiz”, mas teremos outros convidados especiais. HQM: Há intenção de publicar novas séries na revista? JEAN: Sempre há. No segundo número estréia uma série de aventuras urbanas que se cruzará com o fantástico, com monstros que habitam multidões, quarteirões que desaparecem dessa dimensão e demônios que vêm para jantar. Seu eixo é uma mulher moderna e seu sarcástico gato fantasma. Os três números já estão praticamente fechados, mas se dermos continuidade em uma segunda fase essa possibilidade continuará aberta. HQM: Como foi a seleção do material para publicação? JEAN: Preferencialmente optamos pelo nosso material. O projeto é nosso, o suor é nosso, lógico que fazemos isso para sermos publicados e não porque somos bonzinhos (eu não sou bonzinho: já trabalhei no Ratinho e sei que não vou para o céu...). Juntamos o que tínhamos em mãos, vimos o que se encaixava na linha editorial e, como ainda havia espaço, chamamos os colaboradores e convidados. Com este material em mãos, vimos o que tinha a cara da revista e pedimos ajustes. HQM: E o contato com os colaboradores, como Roger Cruz? JEAN: O mercado de quadrinhos é pequeno. Quase todo mundo que está área acaba se conhecendo (ou seja, não se pode nem sair de Carmem Miranda no carnaval que todo mundo fica sabendo), porém, o único da trupe que poderíamos dizer que está no meio mesmo há um tempo relevante é o Sam Hart. Ele convidou o Roger, Cariello, Pavanelli e outros artistas para colaborar. O Roger topou abrilhantar a revista com seu traço e arrumou tempo em seu trabalho para a indústria gringa de HQ. Existe uma máxima sobre desenhistas no Brasil que o Roger corrobora. “Geralmente, no Brasil, os melhores desenhistas são os sujeitos mais bacanas”. Ok, é mito (e eu sei lá quem disse, quando ouvi estava bêbado, acho). Mas o Roger é um dos melhores desenhistas do Brasil na atualidade e não detém a mínima arrogância que tal posição poderia causar. Grande desenhista, grande sujeito (e grande chamariz de público, certamente). “Os Meninos Perdidos” vieram através de um dos seus sócios, o Freitas, nosso webdesigner, que também faz parte do Front. Quando começamos a produzir a revista com a Pandora, ele trouxe o resto da galera e o projeto dos Meninos. Gostamos e convidamos. HQM: Já existem entrevistas programadas para os próximos números? JEAN: As vítimas dessa vez são David Lloyd e Lourenço Mutarelli. O David é um desenhista recorrente da Vertigo e ilustrou um dos maiores clássicos dos quadrinhos de todos os tempos, “V de Vingança”, e é dono de um humor suavemente ácido. Já o Lourenço é outro fenomenal quadrinista em atividade no Brasil, nem precisa de apresentação. Basta olhar (e ler!) seus álbuns “O Rei do Ponto” e “O Dobro de Cinco”. HQM: O que poderemos esperar para as próximas edições? JEAN: Evolução. Avaliamos a revista, ouvimos os leitores, estamos apontando o que não ficou tão bom e corrigindo. Em termos de conteúdo: no segundo, você encontrará gatos fantasmas, um desenho sumido, um dia que leva dois dias para passar e franquias antropofágicas. No terceiro, terrorismo atlante, negociações infernais e Deus. HQM: Para finalizar... antes da Kaos!, você já havia trabalhado com quadrinhos? JEAN: Apesar de ter sido praticamente alfabetizado pelas HQs (aprendi a ler antes de meus colegas de escola graças aos quadrinhos e adquiri um forte amor pela leitura graças a eles também. Tem gente que agradece à Deus por ter entrado na USP. Eu, por ser um quadrinhófilo doente e me considerar um ateu com certa simpatia pelo demônio, dou esse crédito aos quadrinhos), comecei tarde a fuçar nesse ramo. Minha iniciação de fato se deu com a revista Front. Devo esse debute a dois grandes amigos meus, o roteirista Daniel Esteves (http://www.hqemfoco.com.br/), e o quadrinista Marcelo Desalete (http://www.dsalete.rg3.net/), que me botaram na parada. Acabei me envolvendo com o projeto; postei textos (meu primeiro roteiro era uma pasmaceira psicodélica tão ruim, que no futuro meus inimigos vão usá-lo para me chantagear) e passei a ajudar na edição. Atuei em três números. Publiquei na edição 14, minha primeira história, Bruxedo, sobre uma menina que mata o filho da vizinha como vingança pela mulher ter matado seu gato. É baseado num fato da minha juventude... Uma vizinha cretina que eu tive, encanou de matar meus animais e eu me divertia em imaginar maneiras divertidas de tornar sua vida beeeeemmmmm miserável... Minha segunda HQ na Front foi Lobisomem, com o desenhista André Leal, cujo tema é a intolerância; esta foi publicada recentemente na edição 15. Há alguns outros projetos em gestação. Atualmente, estou me metendo com contos, mas quem lê diz: Pô, parece uma história em quadrinhos... Obrigado ao Jean e toda a galera da revista Kaos! por nos conceder esta ótima entrevista.
  facebook


.
.
 
Tags :



 

Seções
HQ Maniacs
Redes Sociais
HQ Maniacs - Todas as marcas e denominações comerciais apresentadas neste site são registradas e/ou de propriedade de seus respectivos titulares e estão sendo usadas somente para divulgação. :: HQ Maniacs - fundado em 19.08.2001 :: Brasil