MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
18/02/2005
MATÉRIA: PROFUSÃO (OU CONFUSÃO) DE SELOS
 
 
Epic #6, com Marada, a Mulher-Lobo
 
 
Dreadstar pelo selo Epic da Marvel
 
 
Spider-Man 2099
 
 
Next Men, de John Byrne, pelo selo Legends
 
 
Marshall Law, de Pat Mills e Kevin O´Neill
 
 
Trouble: a volta do selo Epic
 
 
Star Brand (Estigma), do Novo Universo
 
 
Animal Man, pelo selo Vertigo
 
Os selos são divisões das editoras criadas para dar atenção especial a uma linha de produtos, segmentando o mercado. Assim quem quer terror “moderno” ou “psicológico” compra títulos da “Vertigo”, quem quer heróis “B com tratamento A” compra “Marvel Knights” e quem deseja heróis falando palavrões e vivendo no dia-a-dia violento das grandes cidades compra “Marvel MAX”. Mas existem outros selos que estiveram em evidência no mercado na última década. Na década de 1990 vimos uma grande quantidade de selos das editoras em quadrinhos surgirem, brilharem e morrerem; engana-se, no entanto, quem pensa que a festa começou nesta década. No início da década de 1980 a Marvel já tinha seu selo “adulto”, era o selo “Epic” que começou com uma antologia de quadrinhos adultos que tentava um misto entre “The Savage Sword of Conan, the Barbarian” e “Heavy Metal”. Certamente quem leu, lembra-se de “Marada, She-Wolf” de Chris Claremont & John Bolton. Neste período também tivemos a saga original de Dreadstar, semi-inédita no Brasil, além das duas graphic novels seguintes “O Preço” e “Odisséia Cósmica” (não confundir com a série da DC Comics também feita por Jim Starlin). Sempre é bom lembrar que as primeiras graphic novels da Marvel vinham do selo Epic, mesmo que fossem com os personagens normais. A característica do selo era que os personagens pertenciam ao autor, e nestas graphic novels a participação nos royalties era maior. Certamente este período é bem lembrado pelos fãs de boas histórias. Além das boas graphic novels, também tivemos as primeiras séries mensais do selo, sendo que a mais famosa foi exatamente Dreadstar de Jim Starlin. Infelizmente o impacto inicial do selo perdeu-se quando Starlin foi para a recém lançada First e levou seu personagem. Ainda que tivesse outros personagens, nenhum se sobressaiu tanto quanto o guerreiro cósmico, e suas séries foram relativamente bem curtas. No final da década de 1980 (1987, 1988) a linha teve outro momento de brilho. Primeiro lançou uma linha de super-heróis meio que, no “oba-oba” de obras “realistas” tratando de super-heróis. “A Saga das Sombras” como ficou conhecida, teve gente talentosa como Archie Goodwin, Bill Sienkiewicz, Dennis Cowan, mas isto não garantiu uma vida longa. Parte desta saga foi publicada no Brasil pela Editora Globo em “Gibi – Marvel Force”. Surgiram outras mini-séries de autor como “Marshal Law”, “O Último Americano”, “O Príncipe de Aliors” e a excelente “Moonshadow” de J.M. DeMatteis e Jon J. Muth, que depois seria republicada no selo Vertigo da DC Comics, e reedições americanas da “Garagem Hermética” de Moebius. É mais ou menos neste período que “Groo, o Errante” de Sergio Aragonés inicia sua saga de 120 números pelo selo (depois ele iria para a Image e em seguida para a Dark Horse onde seria publicado apenas em mini-séries esporádicas), e também temos “Wolverine & Destrutor – Fusão”, que apesar de ter mutantes foi publicada pelo selo. Surge também a linha de terror dentro do selo Epic, composta pelas séries baseadas nas obras do autor Clive Barker: “Hellraiser” e “Raça das Trevas”. A primeira mini-série de Raça das Trevas foi publicada por aqui pela Abril, que também publicou a série trimestral (e depois bimestral) Hellraiser, uma antologia de contos de terror sofisticadíssima e que realmente não aconselho a ser lida em alguns lugares escuros e solitários... Recentemente a Brainstore publicou uma coletânea das melhores histórias. Quando o pessoal da Image ainda estava na Marvel, existia uma possibilidade de que as primeiras séries fossem lançadas pelo selo Epic, porém como não haveria publicidade os autores preferiram, acertadamente, pularem fora. Quando surgiu a Image a Marvel deu espaço para alguns autores produzirem material de autor para o selo, sem que, no entanto, nenhuma série tivesse repercussão. Recentemente, em 2003, a Marvel fez grande publicidade na reativação do selo, que resultou em uma grande frustração para quem chegou a produzir material, já que em seguida o projeto foi cancelado. Quase duas décadas atrás, a Marvel também contribuiu para uma tentativa de renovação dos quadrinhos criando o malfadado projeto “Novo Universo”, onde todos os oito títulos tinham relação com um misterioso acontecimento chamado “Evento Branco”. O grande problema era que os personagens eram bem pobres em concepção e lembravam demais o próprio Universo Marvel. Chegou ao ponto de todo mundo que comenta o projeto, dizer que o Novo Universo era uma versão para a tevê dos heróis Marvel. No Brasil este projeto teve duas séries mensais, Justice e Força Psi, além de algumas histórias de Estigma publicadas em Superaventuras Marvel. Na década de 1980, Alan Moore e Rick Veitch cimentaram na DC Comics a base de um grande selo de quadrinhos, o selo Vertigo da DC Comics, que foi consolidado com gente do naipe de Grant Morrison (Animal-Man) e Neil Gaiman (Sandman). Claro que por trás estava a inteligente Karen Berger, que simplesmente “tirou” algumas séries da cronologia normal da DC Comics e as colocou em um canto mais sombrio. Séries como “Monstro do Pântano”, “Hellblazer”, “Sandman” e “Homem-Animal”, passaram a ter um discreto aviso de “suggested for mature readers” e continuavam chocando alguns leitores. Não houve mudanças significativas nas séries mensais, já que eram autores de ponta que cuidavam delas (exceção feita a Swamp Thing, que acompanhei durante um ano e não vi nada interessante), mas com o surgimento do selo dezenas ou centenas de séries de grande qualidade chegaram às bancas, grande parte como material de “autor” onde os direitos pertencem aos autores como a famosa “Preacher” de Garth Ennis e Steve Dillon. Infelizmente passado o impacto do primeiro ano e meio o selo começou a produzir séries policiais insossas, e sub-selos como o “Vertigo-Verité” para autores europeus. Já nesta época a salvação da lavoura era “Preacher” e as dezenas de séries que exploravam os personagens criados por Neil Gaiman em “Sandman”. Sorte teria o selo “Vertigo”, já que com o fracasso do selo de ficção científica “Helix” a excepcional série “Transmetropolitan” de Warren Ellis seria transferida para o selo Vertigo e continuaria sua jornada. Do selo Helix só foi publicado no Brasil, além de “Transmetropolitan” a mini-série “Bloody Mary” que não parece um momento tão inspirado de Garth Ennis. Várias das séries iniciais foram canceladas em poucos meses e hoje o grande título do selo Vertigo é “100 Balas”, além, é claro, das reedições da série “Sandman”, há também “Fables” e “Y: The Last Man”. Recentemente foi editado o álbum “Noites Sem Fim” (Endless Nights) que traz histórias de Neil Gaiman para os Perpétuos (Endless em inglês), os irmãos e irmãs de Sandman. A DC tem ainda a Piranha Press, que publica de forma mainstream títulos um tanto quanto underground, como a longa série de livros chamada de “The Big Book of...” cada edição com um tema diferente. Temos também a Mad, que atualmente é publicada pela DC Comics e que tem várias edições especiais, e que ainda que não tenha um selo próprio indubitavelmente é uma linha separada do restante do DCU, assim como a linha “Animated” baseada em programas de TV como Batman Adventures, Batman & Robin Adventures, Batman Beyond, Superman Adventures, Justice League Adventures e mais recentemente Justice League Unlimited. Esta linha sofre com a popularidade da série e geralmente não tem sobrevida após o término, ainda que Batman tenha conseguido manter durante meses sua série regular e ainda ganhar encadernações. A linha “Animated” tem sido muito referida ultimamente como “Johnny DC”, mas ainda não é um selo “oficial”. Não podemos deixar de citar os selos Milestone, Impact Comics, Tangent e Elseworlds. O Milestone é dedicado a apresentar personagens negros, nem sempre versões dos heróis tradicionais da DC Comics, ainda que Ícone seja em síntese uma versão do Superman. No Brasil, além de uma revista de número único pela Magnum Force, na época em que esta estava lançando material da DC Comics, os personagens do selo Milestone apareceram em uma extensa saga chamada “Quando Mundos Colidem!” que nada mais era do que uma versão do encontro Marvel versus DC, Série I, porém interna entre selos da DC. O selo teve vida curta não chegando ao 4º ano e o único personagem que teve alguma sobrevida foi o “Static” que tem uma série de desenhos animados exibida no Cartoon Network que é uma adaptação bem light do conteúdo de sua própria série. Já o Impact Comics, assim como o Tangent, foi mais uma tentativa de criação de algo novo. Ambos não foram publicados no Brasil. O Impact cria uma série de personagens novos ambientados em um novo universo sem maior expressividade, já o Tangent apresentava versões bem distintas dos personagens da DC Comics em um universo próprio. Diferente do Impact que chegou a durar mais que um ano, a Tangent limitou-se às edições especiais de estréia dos diversos personagens. O “Elseworlds” é uma série de especiais e mini-séries onde os personagens DC são retirados de seus contextos e transportados para outras situações, outros mundos, outras épocas. Gerou diversos trabalhos interessantíssimos como o recente “Superman: Entre a Foice e o Martelo”. A Marvel continuaria a atacar com selos para o seu Universo de 2099, que logicamente passava no ano de 2099 e apresentava versões dos personagens Marvel naquele ano. Depois de um grande sucesso inicial, o selo passou por decisões editoriais confusas e terminou. Curiosamente, uma nova versão do Universo 2099 surgiu recentemente, agora sob a chancela do selo Marvel Knights. Ainda que não sejam selos, na década de 1990, a Marvel dividiu-se em “sub-universos” mantendo sagas entre títulos irmãos. Assim o sub-universo do Aranha (formado por The Amazing Spider-Man, The Spetacular Spider-Man, Spider-Man, The Web of Spider-Man, The Sensational Spider-Man entre outros) apresentava histórias fechadas entre os títulos. O mesmo aconteceu com X-Men (The Uncanny X-Men, X-men, 2º Volume, Wolverine, X-Factor, X-Force, Cable, X-Man); Vingadores (The Avengers, The West Coast Avengers, Thor, Iron Man, Force Works, Quicksilver, Wonder Man, Captain America), e em menor grau com Quarteto Fantástico e Justiceiro. Houve os selos Midnight Sons para os títulos de terror (Motoqueiro Fantasma, Blaze, etc.) e o selo Marvel Edge que tirava “um pouco” os personagens Hulk, Justiceiro e Motoqueiro Fantasma (pós Midnight Sons) da cronologia, um verdadeiro precursor do Marvel Knights. Ambos tiveram vida curta e hoje raramente são lembrados. Selo de impacto mesmo a Marvel só voltaria a ter em 1998/1999 quando Joe Quesada e Jimmy Palmiotti, da Event Comics, foram contratados pela Marvel para ajeitar a casa. Surge o selo “Marvel Knights” cujo personagem mais emblemático, é, logicamente o Demolidor onde ambos trabalharam como artistas para o argumento de Kevin Smith. Depois que Smith saiu houve vários atrasos no título (que também já haviam acontecido durante o período do autor-cineasta), mas com a chegada de Brian Michael Bendis, tudo se normalizou e sempre temos uma edição de Demolidor nas bancas. Surgiram outras séries como a excelente “Inumanos” de Paul Jenkins e Jae Lee, e os arcos de Garth Ennis em Justiceiro com a arte de Steve Dillon. Houve também Elektra, mas logo a série da ninja iria para o universo Marvel comum. Certamente o selo produziu excelentes séries, entre elas, as da Viúva Negra (três até o momento, embora uma tenha saído pelo selo Max, mas enquanto eu escrevia o artigo foi anunciada uma quarta série) e o início da série do Pantera Negra que foi muito elogiado até que as vendas fraquejaram e o título foi recentemente cancelado. Realmente é muito interessante que todas as histórias de Bruce Jones para o selo não passem no selo “Marvel Knights”, já que o personagem só foi transferido para ele há pouco tempo, e (parece brincadeira) somente após transferido é que o “Hulk de Bruce Jones” encontrou com um personagem Marvel, que por sinal não faz parte do Marvel Knights, o Homem de Ferro. Em 2002 a Marvel criou um novo selo, quando o Marvel Knights já mostrava claros sinais de cansaço, exceção feita à série “Demolidor” que continua excepcional. A Marvel cria o Marvel Max – também grafado como Marvel MAX – que seria tudo que o selo Vertigo pós era de terror foi na DC. Inventivo e inovador surge de imediato a fenomenal “Alias” de Brian Michael Bendis, apresentando as aventuras da ex-superheróina Jessica Jones, que mudou para a cronologia padrão da Marvel, porém alterando o nome para “The Pulse” e reiniciando a numeração. Neste selo há um “sub-selo” chamado “Starling Stories” onde alguns personagens são reinterpretados. São frutos desta linha as séries “Banner!” e “Cage” – ouvi dizer que Shang Chi, Master of Kung Fu também era, mas o resultado foi tão pífio que prefiro nem comentar. De um modo geral a linha Max fez as mesmas coisas que Marvel Knights fez, inclusive uma série com os Inumanos – esta não tão boa – e explorar o talento de Garth Ennis. Chama a atenção que, no Brasil, tenha ganhado um título mensal com Alias como fixo e outras séries, em especial a também excepcional Poder Supremo de Michael J. Straczynski e Gary Frank. Curiosamente Justiceiro teve sua série trocada de selo do “Marvel Knights” para “Marvel MAX” e reiniciada a numeração. Houve também outros selos menores. Na Dark Horse houve “Greatest World of Comics” uma espécie de linha de heróis da editora, já que em geral ela só publica séries adaptadas de cinema, mas não foi para frente. Logo surgiu o selo “Legends” que incorporou alguns títulos de John Byrne, em especial “Next-Men”, Mike Mignola (Hellboy) e Frank Miller (Sin City). O selo acabou, mas Hellboy e Sin City sobreviveram. Havia uma editora menor, chamada Malibu Comics, que foi adquirida pela Marvel. Antes da aquisição ela tinha uma linha de super-heróis chamada “Ultraverse” e o selo “Bravura”, que publicou material de Jim Starlin e Howard Chaykin. Quando a Marvel adquiriu a empresa, somente o selo “Ultraverse” teve uma (curta) sobrevida, tentando se mesclar a personagens da Marvel, sem sucesso. A Image, no início, era dividida em dezenas de estúdios, que na verdade seriam selos. Marc Silvestri teve o selo “Top Cow”, que logo virou sua editora que agora usa o selo da empresa intermediadora na distribuição Image. Mais de uma vez, Silvestri deu a entender que poderia unir-se à Marvel. Houve também o selo Wildstorm do Jim Lee, vendido em 1998 para a DC Comics, junto com seus “sub-selos” Clifhanger e Homage; além do “selo” Extreme Studios do Rob Liefeld, que foi expulso logo da Image. Ainda que seus estúdios tenham nomes, Erik Larsen, Jim Valentino e Todd McFarlane publicam revistas apenas com o selo Image na capa. Jamerson Albuquerque Tiossi – que adoraria saber a diferença entre o Justiceiro do Marvel Knights e do Marvel MAX, pois para ele o personagem continua muuuuuuiiiiiito pobre. jamersontiossi@yahoo.com.br
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100 Balas, de Azzarello e Risso
Wonder Woman, do selo Tangent Comics
 
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