MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
12/04/2005
MATÉRIA: DARKNESS - TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Com um início discreto no Brasil, The Darkness dividia a revista com o outro carro-chefe da TopCow: Witchblade, numa época em que os títulos da Image pipocavam nas bancas. A revista, que tinha uma linha editorial diferenciada dos outros títulos da Editora Abril não durou mais que 25 números. Com 48 páginas, formato americano colorido e papel LWC, a revista custava R$ 3,90, bem acima dos R$ 2,50 dos formatinhos mensais. O roteiro de The Darkness, a princípio, ficou a cargo do seu co-criador Garth Ennis e a arte do veterano (e dono da TopCow) Marc Silvestri (Wolverine). O personagem principal do titulo é o hitman da máfia italiana Jackie Estacado, jovem de 21 anos, mulherengo, engraçado e assassino frio: um paradoxo ambulante. Herdeiro de um poder tremendo, a Escuridão, que se manifesta assim que o cara completa 21 anos, muda sua vida completamente. O poder e a maldição que a entidade lhe confere logo se apresentam de diversas formas. Podendo invocar criaturas de todo e qualquer tipo das sombras e revestido por uma armadura sinistra, Jackie aprimora e reinventa o termo “assassinar”. Por outro lado, o mafioso só pode manifestar seus poderes na ausência de luz e seu bem-estar está diretamente relacionado com a abstinência sexual, já que não existem métodos anti-consepcionais 100% seguros, e a fecundação de um novo herdeiro da Escuridão significa sua morte no momento da concepção. O primeiro arco do título (edições #1-6) estabelece o circulo de contatos de Jackie e apresenta os interessados no hospedeiro da Escuridão: - Frank Franchetti: “Tio” de Jackie e chefe da Máfia Italiana em NY, que tirou Jackie do orfanato quando ainda era garoto. - Jenny: Agora garçonete, Jenny cresceu com Jackie no orfanato e mesmo depois de ser adotado, ele nunca a abandonou. Jenny é apaixonada por Jackie, mas em meio a tanta farra, o cara nem percebe. - Lorde Sonatine: Grão-Mestre de uma seita que venera e tenta controlar o hospedeiro da Escuridão a fim de cumprir seus objetivos próprios. - Wenders: O patético discípulo de Sonatine. - Angelus: A inimiga natural da Escuridão. Seus poderes são semelhantes aos de Jackie, porém, tudo é de origem luminosa e, ao contrário da Escuridão, Angelus não se limita à presença ou ausência de luz. No final desse primeiro arco, Jackie derrota Angelus e se desliga de Sonatine. Além de perder Jenny, que vai embora de NY após os recentes eventos. The Darkness também perde Garth Ennis que deixa o roteiro. O arco seguinte (edições #7-8) de David Wohl e Cristina Z coloca Jackie descobrindo e lapidando seus poderes de forma descontraída. O primeiro grande evento do título começa na edição #9 e se estende até a edição #11. Trata-se do arco “Laços de Família”, que engloba a revista nacional por inteiro, já que os tais laços são entre The Darkness e Witchblade. A equipe criativa é composta por David Wohl e Cristina Z (que roteirizam ambos os títulos) e Marc Silvestri e Michael Turner alternando nos desenhos. A história mostra a tentativa de Lorde Sonatine (The Darkness) de recrutar o assassino Ian Nottinghan (Witchblade) e treiná-lo para suportar a absorção da Escuridão. Envolvendo o universo dos dois personagens principais, a NYPD e a Máfia também estão presentes nos eventos que se desenrolam no Museu de História Natural de NY. Na tentativa de absorver a Escuridão, Nottingham leva a Witchblade de brinde (uma manopla mística, “irmã” da Escuridão) e desencadeia um massacre. Na primeira oportunidade, Jackie retoma a Escuridão e Sara Pezzini (a hospedeira da Witchblade) hesita e rejeita a manopla que permanece com Ian. O arco que envolve as edições de #11 a 14 tem a volta de Ennis no roteiro e a despedida de Silvestri da arte, dando lugar a Joe Bennitez. As edições marcam também outra volta, a de Angelus. A filha de Franchetti, que odeia Estacado por roubar a atenção de seu pai desde que foi adotado, seqüestra e tortura Wenders que diz tudo sobre a Escuridão e Angelus. Com a ajuda de Sonatine, a garota tenta invocar a entidade a fim de ser a hospedeira. Porém, não é bem o que acontece. A entidade é incorporada pela esposa de Franchetti (que ficou catatônica depois de ver o marido queimar o amante dela vivo com um maçarico). Diferente da Escuridão, Angelus acumula experiência de hospedeiro para hospedeiro e agora quer vingança contra Jackie. Depois de um arranca-rabo inicial, Estacado usa a cabeça e evita a batalha criando um sósia com o poder da Escuridão. Acreditando ter derrotado o original, Angelus sossega e não volta a incomodar por um tempo. Garth Ennis abandona de vez o roteiro e Malachy Coney assume da edição #15 a 22 com três arcos. O primeiro, da edição #15 a 18, apresenta uma nova personagem, que ganharia muito mais importância para a editora nos anos seguintes: Magdalena. Agente especialmente treinada pela Igreja Católica, a ultima mulher da linhagem real de Maria Magdalena, de porte da Lança de Longinus, agora tem a missão de destruir o homem conhecido como Jackie Estacado. A personagem de 1998, viria a ganhar nos anos seguintes duas mini-séries e participações especiais nos títulos Witchblade e Tomb Raider, alem de dois crossovers com Vampirella, entre outros. Vale destacar que os argumentos por trás da personagem são os mesmos por trás da pesquisa de Dan Brown (O Código Da Vinci), só que anteriores ao best-seller. No final, Jackie dá uma surra federal na moça, deixando-a semi-nua e crucificada no pátio de uma igreja. O arco seguinte (edições #19-20), um tanto sem graça, começa com uma jovem estranha aparecendo pra Cristo Franchetti, primo de Frank Franchetti, exigindo a morte de Estacado. Na noite seguinte, o apartamento do gangster é invadido por assassinos em busca da recompensa pela cabeça do garoto. Como se não bastasse, Jackie ainda tem que buscar a filha de Cristo, Nicoletta, no aeroporto a mando de Frank. No final, a jovem estranha revela-se como discípula de Adrienne Estacado, avó de Jackie (??) que tem uma fração do poder da Escuridão e quer ele todo, podendo retomá-lo apenas num certo dia do ano. Visto que o tal dia acabou, a velha simplesmente vai embora, prometendo voltar no ano seguinte. Se esse arco foi estranho, o próximo não sai por menos. Pois ele começa com Jenny ligando pra Jackie de uma cidade que não existe. Aliás, a cidade existe, mas é móvel. A palhaçada dura duas edições (#21-22) e deixa claro que o roteirista foi contratado pra tapar buraco entre acontecimentos importantes. Na edição #23, uma novidade quanto ao roteiro, que agora é assumido por Scott Lobdell (X-Men). Com argumentos bem fracos, o roteirista traz a noiva do cara assassinado na primeira edição de The Darkness (é preciso algumas páginas esclarecedoras pros leitores lembrarem de uma cena tão sem importância ), que contrata os serviços de uma raça humanóide que se alimenta de prazer, para se vingar de Jackie... o arco é interrompido com o reaparecimento de Angelus, que descobriu ter sido enganada. A edição #25, a derradeira edição nacional, narra o último (e definitivo) confronto entre esses dois personagens. A curiosidade deixada pela interrupção do arco em Darkness me fez comprar as edições seguintes importadas. A edição #26 deu segmento ao arco interrompido pela aparição de Angelus, e mostrou a história por trás do assassinato na primeira edição. Em meio aos acontecimentos nesse arco, na edição #27, uma das mais importantes para os arcos seguintes, Jackie trai a confiança da Máfia e leva provas que condenariam seu tio para a polícia. A perversão sexual desse arco e o vilão extrapolam os limites do título, e novamente arrebatam Witchblade pra mais um arco conjunto, com direito a edições especiais e tudo o mais. Os arcos subseqüentes narram alguns detalhes para o que seria o final do título como eu o conhecia. É quando Paul Jenkins (Origem) assume o roteiro que as coisas melhoram de vez. Retomando o fato de Jack ter negado a “família”, seu tio Frank, num ato de vingança, seqüestra e mata Jannie (cada vez mais presente na vida de Jackie até então) e envia a fita de vídeo ao sobrinho. Péssima idéia! Depois de passar dias estirado ao chão, agonizando a morte do que ele descobrira edições atrás ser o amor de sua vida, ele delira, e vê seu pai, dizendo que a morte não é o limite da existência, e que com o poder da Escuridão ele é capaz de trazer a guria de volta. Nessa edição #40, Jackie marca um encontro com seu tio e os capangas da máfia em um galpão, secretamente imbuído em gasolina. Após um breve dialogo e uma troca de ameaças, Jackie acende um cigarro, e jogando o isqueiro no chão, manda tudo pelos ares. Esse é o fim de The Darkness Volume 1. Um período de um ano sem edições do personagem, fazia parte de um grande projeto da Top Cow de reabastecer a editora de personagens, numa mega saga que envolvia a volta do titulo como Volume 2. Uma breve aparição em Universe #3, mostrando a frustração e insanidade de Jackie no inferno e o seu misterioso desaparecimento de lá, é suficiente pra abastecer as esperanças de que o “morre-não-morre” (característicos na Marvel e na DC) não vão tomar conta do titulo. De fato, Jackie fracassa na busca por Jennie no inferno, e seu retorno, sem memórias recentes e com um medo inexplicável do escuro, dá inicio à nova fase do personagem em The Darkness Volume 2. Com roteiros mais sérios, mais pesados e mais consistentes, Jenkins reforma o personagem com a ajuda do novo desenhista regular Dale Keown. A reinvenção do personagem conta com abordagem psicológica, melhor exploração da relação que Jackie tem com algumas pessoas e as conseqüências do último ato de sua vida, antes de ser ressuscitado pela Escuridão. O título pega mais leve na abordagem da questão sobrenatural e tem trabalhado mais com os aspectos humanos de Jackie, que se tornou mais amargo nesse Volume 2. No primeiro arco (edições #1-6), Jackie se preocupa em banir o novo chefe da máfia, Paulie Franchetti, do comando, de reorganizar a “família” e de resgatar seus princípios. Conseguindo isso, Keown deixa o título na edição #6 e Jenkins na edição 9. Agora que Jackie assumiu o controle de máfia em NY, as histórias se baseiam nos esforços de Jackie para manter esse status. Além dessas preocupações, quando David Lapham (Stray Bullets – Balas Perdidas) assume o roteiro, Jackie tem que confrontar a própria Escuridão, que tem sede de sangue e entende que ele tem uma dívida a pagar, depois de a Escuridão tê-lo ressuscitado. Neste mês (abril/2005), o título se encontra na edição #19 do volume 2, e acaba de ser lançado um crossover em duas edições entre Jackie e Superman, depois de já ter se encontrado com Batman e Hulk. Bruno “Broo Parker” Nucci. Abril 2005
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