MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
07/09/2005
ENTREVISTA: RODRIGO FONSECA, HÉLIO LOPES E TATIANA CONTREIRAS
 
 
Tatiana, Rodrigo e Hélio
 
 
Rodrigo Fonseca
 
 
Hélio Lopes
 
 
Tatiana Contreiras
 
 
Star Wars #1, da Ediouro
 
 
Star Wars #2 a 5
 
 
Nathan Never #1
 
 
Quark #3
 



“Banca também é um lugar de quadrinhos para aqueles que pensam um pouco mais, e não somente pros quadrinhos de marca”

A Ediouro é uma editora carioca com 60 anos de tradição no mercado editorial. Ela fez fama há algumas décadas com edições de clássicos da literatura em formato de bolso e com uma grande coleção de títulos universitários. Recentemente, reorientou seu foco, revitalizando seus títulos antigos e incorporando novas obras de apelo popular, mas freqüentemente com acabamento primoroso.

Demorou, mas aconteceu. Finalmente, a Ediouro resolveu investir em histórias em quadrinhos. Eles estão nas bancas com uma revista contínua de Star Wars e as mini-séries francesas Aquablue (em 10 edições) e Arthur: Uma Epopéia Celta (7 edições), a italiana Nathan Never (2 edições) e o mangá holandês Quark (3 edições).

Os três mosqueteiros dos quadrinhos da Ediouro receberam a equipe do HQ Maniacs para o que foi mais um bate-papo que uma entrevista. Sobre quadrinhos, obviamente.


HQ Maniacs: Você conhece o site e o fórum HQ Maniacs?
HÉLIO: Conheço, mas não estou nele. Estou em três ou quatro fóruns.

HQM:
Sabemos que você está na lista Bonelli HQ. Vira e mexe, você fala alguma coisa lá.
HÉLIO: São 38 mensagens por dia. Meu Deus do céu. É enlouquecedor, cara.
RODRIGO: Tem que selecionar.
HÉLIO: A gente recebe 500 ligações por dia. Tem gente querendo fazer free-lance, tem de tudo.

HQM: É aquela história: a falta de informação é alienante, mas o excesso também. Nada mais alienante que a sobrecarga de informação.
RODRIGO: E também é paralisante.
TATIANA: Acho que é mais paralisante.
RODRIGO: O Baudrillard, no livro A Transparência do Mal, diz que nada desaparece mais pela ausência, apenas pela excessiva proliferação. Até Deus desaparece quando se fala demais n´Ele. A gente está nesse momento, vivendo a transparência. Eu olho pra Tatiana, por exemplo, e não vejo mais nada, só vejo coisas. Coisas que ela vem me perguntar, e que eu tenho que fazer, que escrever.

HQM: Mas é essa a estratégia de sobrevivência do mundo pop. Você estampa a cara de Che Guevara em milhares de camisetas e vende em qualquer esquina. Aquilo vai ser tudo, menos revolucionário.
HÉLIO: A metáfora pop é essa. A gente está vivendo um momento Gremlins. Joga água e as coisas se proliferam. E acho que já alimentaram ele depois da meia-noite, porque só aparecem monstrinhos agora.


Publicando quadrinhos

RODRIGO: Vocês conhecem esse livro (mostrando o livro de Frank Miller com Will Eisner)? Estou pensando seriamente em publicar. Vamos ver!!

HQM: O que seria muito bom para o mercado brasileiro. É um ótimo livro. Vamos começar?
RODRIGO: Tudo bem! Espero responder tudo ou quase, mas vamos lá. O que vocês querem saber?

HQM: A revista Stars Wars virou mensal, não? Deixou de ser mini-série?
RODRIGO: Mas sempre foi mensal.

HQM: Não, não. No princípio, foi anunciado como mini-série.
RODRIGO: Onde foi anunciado como mini-série? Mentira, sempre foi mensal. Desde o primeiro número.

HQM: Nos releases divulgados, a revista foi anunciada como uma mini-série.
RODRIGO: Não! Sempre foi mensal.
TATIANA: Na época, deram umas notícias. Truncadas.
RODRIGO: Tem notícias que saíram nos jornais, mas tudo truncado.

HQM: Mas esse desencontro de informações é porque, internamente, ela é composta de mini-séries, não? Não lembramos de já ter tido uma revista regular do Star Wars. Já teve?
RODRIGO: Dentro do Brasil, nunca teve.

HQM: E nos Estados Unidos?
RODRIGO: O Republic é um pouco uma revista contínua, mas ela tem um fim. Quando se tem um fim, já é complicado. Pode ser colocada como maxi-série, até porque ela já tem mais de 70 números. Mas é uma série limitada.

HQM: Depois do Sandman, a gente tem revista contínua que um dia chega ao fim. Chega a ser uma categoria meio à parte.
RODRIGO: É uma maxi-série mesmo, como se usava nos anos 90. O termo apareceu em Judas, uma revista que a Record lançou. Era um caubói, lembram? Uma maxi-série em oito edições.

HQM: Também teve Moonshadow pela Globo, que saiu como maxi-série, mas com 12 números. E sinceramente, Moonshadow foi difícil de aturar até o final.
RODRIGO: Nem de Blood eu gosto, que é do J.M. DeMatteis também.

HQM: Gostávamos dele na Liga da Justiça fazendo piadinhas, na fase cômica com Keith Giffen. Agora, quando ele pretende ser sério, ele é um porre.
RODRIGO: Ele agora está fazendo os Defensores. É bom e divertido. Em mini-série ele é um porre, mas aqui você vê o Dr. Estranho sendo ridicularizado. É divertido. E tem o Namor. Ele usa o Namor muito bem.

HQM: Vocês vão entrar no mercado de super-heróis também?
RODRIGO: A gente tem uns planos, sim. Mas não tem nada fechado ainda. Já tem coisas em contrato, mas não podemos revelar ainda, porque é preciso primeiro fechar o contrato. É super-herói, mas não é nada típico não. Não sei se é melhor ou pior, mas é algo diferente. É super-herói, mas não é Marvel nem DC. Até é DC, mas é uma coisa alternativa. Eu queria muito publicar o Homem-Borracha, essa nova série do Kyle Baker que foi premiada aí fora. É muito bom. É pra crianças? Mas é maravilhoso.

HQM: Mas dentro desse rótulo de infantil também tem coisa bacana. Quando começou a sair o Batman da TV em quadrinhos, toda aquela primeira fase era muito bacana. Tinha um timing absoluto, perfeito.
RODRIGO: E era muito bem sincronizada com o desenho.
HÉLIO: Essas revistas pequenas que estão saindo agora, com o traço em mangá, estão tendo uma repercussão boa. São bem interessantes. Meu filho, de 13 anos, comprou a primeira dos Jovens Titãs, e o traço está saindo bem mangá.

HQM: Esse traço lembra o da banda Gorillaz. O desenhista chupou bem a banda ali.
HÉLIO: Exatamente.

HQM: E o bacana nisso, também, foi a constatação de que o formatinho faz parte da cultura brasileira.
HÉLIO: Isso. E, pela primeira vez, o formatinho está indo para as crianças. Porque o formatinho existe dentro de um histórico, mas mais para adultos.
RODRIGO: No começo, eu não me adaptei bem ao formato americano. Eu cresci lendo formatinho.
ARISTIDES: Na época, a discussão da necessidade do formato americano era conflituosa, e a maneira como o formatinho foi eliminado também foi conflituosa. Não houve uma migração natural.

HQM: Quando decidiram colocar tudo no formato americano, foi por questão de custo, pra não precisar refazer todo o layout pra formatinho. Você cortava os custos trazendo logo os fotolitos nas mídias digitais e mandando em formato americano, sem problema algum. Então essa era a grande desculpa. E também a tonelada de cartas que, na época, a Abril recebia. Quando trouxeram a Image pro Brasil, tanto na Globo quanto na Abril, os próprios contratos com os autores não permitiam lançar no formato que não fosse americano. Tinha que ser mantido o formato padrão. Então eles viram que não tinha fundamento lançar aquilo.
RODRIGO: A Image, mesmo falida, soterrada, continua com essa marra.

HQM: Sim, mas a revista do Sandman foi lançada aqui no formato original, com uma história por revista, e foi publicada inteira.

HQM: Eles estão falidos? A Image sempre foi estúdios dentro da editora. Como falir assim?
RODRIGO: Eles perderam a grande marca que eles tinham.

HQM: Eles perderam a Wildstorm.
RODRIGO: Eles perderam a Top Cow também.

HQM: A Top Cow continua publicando por eles.
RODRIGO: Eu tive como o Marc Silvestri lá. Eles têm distribuição própria, é um estúdio à parte.

HQM: Mas eles saem com o selo da Image abaixo do nome Top Cow.
RODRIGO: A Top Cow a gente está tentando trazer pra cá.

HQM: A Top Cow fechou com a Mythos, parece. Ela tem exclusividade.
RODRIGO: Eles falaram pra gente que nem todos os produtos. Alguns ainda estão disponíveis. Só não dá pra dizer que a gente vai pegar a nata.

HQM: Mas a praia de vocês é o quadrinho europeu, que é o que vocês estão publicando.
RODRIGO: Não apenas.

HQM: Esse material tinha um espaço vazio no Brasil. O Brasil está publicando muito material americano, muito japonês. E na Europa tem coisas boas. Já se publicaram muitas coisas boas aqui no Brasil. E tem material interessante esperando uma brecha. O material de vocês, visto de fora, parece corresponder a uma etapa inicial de estabelecimento de terreno, tanto dentro da empresa quanto no mercado. Em termos de estratégia, quais seriam as etapas? Porque parece que vocês já estão cumprindo essa primeira etapa, que é marcar o terreno dentro da empresa e se estabelecer no mercado. Então, o que vem depois?
RODRIGO: Nosso objetivo inicial é abrir esse mercado e achar esse público. Esse público precisa ser encontrado. Esse é um quadrinho que não é de marca, mas é, sobretudo, formador de opinião. Por isso, não é tão aberto como o Star Wars, por exemplo. Em primeiro lugar, é preciso colocar esses quadrinhos na banca, pois a banca também é um lugar de quadrinhos para aqueles que pensam um pouco mais, e não somente pros quadrinhos de marca.

HQM: Vocês têm intenção de lançar mais algum título Bonelli?
HÉLIO: Estamos estudando, mas já está sendo publicado muita coisa da Bonelli por aqui. Por enquanto só o Nathan Never. E de momento, só a mini-série que lançamos mesmo.


Questão de Marketing

HQM: Vocês seguiram uma estratégia bem interessante, que é o aproveitamento da infra-estrutura da própria Ediouro. Vocês têm um parque gráfico próprio e uma rede de distribuição em banca, o que é uma grande vantagem para vocês. Mas a empresa também tem uma rede de distribuição em livrarias. Ou seja, até nos recursos pré-existentes na empresa, vocês ainda têm outros caminhos possíveis.
RODRIGO: E tem coisas que a gente pretende fazer só pra livrarias.
HÉLIO: O perfil de determinados produtos vai ser basicamente de livrarias.
RODRIGO: A gente está estudando um produto que é mais ou menos equivalente ao Proust da Zaar. É um produto pra livraria, pra leitor mais velho e com acabamento melhor.

HQM: Muitas revistas de palavras cruzadas da Ediouro têm saído recentemente com capas de super-heróis. Até o lançamento das palavras cruzadas pra celular foi com o Batman. Isso tem sido uma atitude coordenada, ligada a vocês, ou é uma coincidência? Como está a relação dentro da empresa?
HÉLIO: A gente tem uma área de marketing que trabalha na revista Coquetel da qual eu já fazia parte. Antes de ter quadrinhos eu trabalhava com a parte de comunicação. Com a chegada dos quadrinhos comecei a ajudar o Rodrigo por já ter bastante conhecimento desse universo. Então fui para trabalhar só com a área de marketing dos quadrinhos. Eu trabalho junto com a equipe de marketing, formada por cinco pessoas, e não somente com o Rodrigo, e o tempo todo estamos dialogando. Eu fico sabendo o que o marketing da revista Coquetel está bolando e eles ficam sabendo do que eu estou criando também. Desta forma, conseguimos uma estratégia coordenada. Quando temos o lançamento das palavras cruzadas em celular, que é uma estratégia da empresa e eu acho uma grande sacada, são formas de utilizar todas as estratégias de marketing que temos para poder obter um resultado melhor. Não só em vendas, mas em divulgação também.
RODRIGO: A primeira palavra é vendas.
HÉLIO: O primeiro objetivo são vendas, porque toda empresa...

HQM: Então não é um risco apostar no material europeu, já que o primeiro objetivo são as vendas?
HÉLIO: Todo produto novo é um risco. De qualquer forma trazer um Frank Miller no atual estado do mercado editorial brasileiro como um todo, não deixa de ser um risco também. Agora que estamos aprendendo a fazer essa exploração, isso é um fato. O que pode ocorrer é uma modificação na escolha dos títulos que a gente está vendo. O mercado é muito cruel com o produto estrangeiro. Contudo, com o parque que temos à disposição, toda estrutura da assessoria de imprensa, um departamento de marketing e um campo de editoração, nos é permitido arriscar. É ousando nesse sentido que vamos criar um filão, que não é de um retorno imediato. E nem pensamos nisso, mas sim em influenciar direto na forma que os leitores apreciam ou depreciam o quadrinho. O mercado brasileiro está acostumado a ler Batman, Superman, X-Men. A gente (o leitor) está acostumado a ler isso.

HQM: Talvez o maior nome, o Superman, é a revista da Panini que menos vende no Brasil. Com a entrada de Jim Lee & Cia é bem provável (diria quase certo) que a revista venda bem mais. O personagem hoje não vende tanto quanto a equipe criativa da revista.
RODRIGO: Às vezes é uma questão muito mais de você badalar um autor do que badalar um personagem. Tem gente hoje que já compra o Powers, não porque é Powers, mas porque é o Brian Michael Bendis.

HQM: Isso é uma coisa que já aconteceu anteriormente. Antigamente a gente
ia ao cinema mais pelo ator do que pelo diretor. Hoje em dia já se vai também até pelo roteirista.
RODRIGO: Acontece que o mercado americano de quadrinhos passou por uma reestruturação de personagens não só por causa de vendas – como vimos em A Queda do Norcego e em A Morte do Super-Homem –, mas passou a ter também roteiristas que trabalham mais a parte humana dos personagens, que trabalham com mais estrutura por trás da imagem. A gente pegou isso por tabela, mas continuamos com essa estrutura de leitura que melhorou um pouco. O personagem do Batman é muito mais humano, também o Super-Homem. Porém, só analisamos isso sob o aspecto da venda. Quando você entra num quadrinho europeu, por exemplo, existe todo esse trabalho de humanização dos personagens, uma outra ótica, outra forma de desenhar. Está permitindo ao público brasileiro que tenha essa outra ótica e possa fazer essa comparação. São mais condições ao público para que o próprio possa avaliar. E aí, sim, ele vai pegar um quadrinho do Super-Homem, notar que está mais humano e sentir que podia ser melhor.

HQM: Hoje em dia com essa humanização do mercado americano, que tem sido em grande parte por influência européia sobre os autores, eles estão consumindo e passando isso aos leitores. É por isso que há essa diferença no público que procura mais os quadrinhos de diretores. E o que nos preocupa no lançamento do quadrinho europeu no Brasil é a demora pela assimilação.
RODRIGO: Mas já criamos a série confrontando essa mentalidade.
HÉLIO: E as ações de marketing que estão sendo criadas são exatamente para que enfrentemos essa resistência cultural. Estamos indo de encontro ao público, tentando atingi-los o mais rápido possível para que caia no gosto mais rapidamente e ai, sim, tenhamos o retorno nas vendas. Se não houver esse tipo de ação, sem trabalhar o marketing de uma forma agressiva, focada, localizada, buscando o público-alvo, com certeza, demoraríamos muito mais. E a nossa movimentação não é com mídia de massa, por entendermos que não é a escolha correta para atingirmos o objetivo o mais rápido possível.
RODRIGO: A resistência, que tanto preocupa nesse caso da aceitação do quadrinho europeu no mercado nacional, é a mesma que vimos com o cinema brasileiro. Ou seja, era só ter um seio aparecendo que as pessoas logo diziam que cinema brasileiro era só sacanagem. O Aquablue não é o nosso Carandiru. O Babenco não é um mágico, apesar dele ter tido todo apoio da novela das oito com os personagens falando toda hora que iam assistir o Carandiru. O filme do Casseta & Planeta teve o mesmo padrão de estrutura e não deu certo. Teve tudo que o brasileiro gosta: futebol, sacanagem, comédia e foi um grande fracasso, é um caso em que talhou toda estrutura da Globo Filmes. Desta forma, a gente cai no erro das reduções, e cá entre nós, Carandiru é o filme mais esburacado que você possa imaginar. A crítica meteu o pau. Não foi de forma alguma unânime a consagração dele. Contudo, teve uma série de coisas que o conduziram para o sucesso. A gente não pode querer que todo filme nosso seja um Central do Brasil, da mesma forma que a gente não pode querer que todo quadrinho nosso seja um Central do Brasil. O Aquablue, para alguns que leram, é tratado como um Central do Brasil porque se trata de um quadrinho importante, com uma nova abordagem no aspecto visual. Agora, vejam a média de público do Central do Brasil e a de Os Normais. Não dá para comparar.

HQM: Por mais que gostemos dos quadrinhos bem desenhados e bem escritos, o mais importante é o estabelecimento do mercado. Não adianta nada publicar uma obra-prima no meio do deserto, porque na média cai a qualidade. Na literatura, por exemplo, para cada livro bom tem mais 50 ruins. Isso sendo otimista.
HÉLIO: Por isso que começamos com coisas que tivessem ocupações de banca.
RODRIGO: A gente supõe que essas coisas podem não dar certo. Mas queríamos deixar o mercado de banca talhado para receber o quadrinho europeu.

HQM: Mas junto com isso veio o blockbuster de vocês que é o Star Wars, não?
HÉLIO: Claro. Mas falar de Star Wars comercialmente é o mesmo que chover no molhado.

HQM: Mas Star Wars, quando foi vendido para a Abril, não deu certo.
RODRIGO: Mas olha a qualidade daquilo. Desta forma, não adianta lançar o Batman, como esse que foi lançado, o Absolvição, que você não consegue entender visualmente se o cara está socando ou dando chute. Essa é a questão. Porque estamos falando na questão da qualidade. A marca boa não é nada se não tiver um produto de qualidade.
HÉLIO: O produto bom o marketing potencializa, o ruim o marketing mascara.

HQM: E o formato de Star Wars? Por que foi lançado assim? Os leitores andam estranhando?
HÉLIO: É uma forma de manter o custo da produção barato, onde aproveitamos o formato da linha Coquetel para fazer a revista. Apenas custo, além de ter um formato diferenciado. Os leitores vão se acostumar. É um formato diferente, mas com tempo vai haver o costume.

HQM: O tradutor de francês de vocês comete algumas barbaridades. Por exemplo, ninguém diz em português “espécie de idiota”, como ele traduz. A gente diz “seu idiota”, que é o nosso correspondente ao “espèce de idiot” deles. Têm falhas no coloquial da tradução dele. E eu acho um pouco pomposo.
RODRIGO: Mas é o tom do Aquablue original.

HQM: É... mas parece que foi traduzido nos anos 50.
RODRIGO: No Arthur a gente não recebeu muita reclamação. Algumas coisas do Aquablue eu mesmo peguei e mudei.
HÉLIO: Mas com tudo isso, não é porque a editora tem mais de 50 anos, que não podemos arriscar. Erramos, arriscando mesmo. Tem coisas que você não pega de primeira.


Origens secretas

HQM: Como vocês chegaram aqui. Vocês já trabalhavam aqui na Ediouro? Se
conheciam antes?
RODRIGO: Eu não sou jornalista de formação, sou produtor editorial. Então fui trabalhar na editora Record como estagiário em 2000. Estava no último ano, indo para o sétimo período. Conheci um cara, que trabalhava comigo, que conhecia o Edmundo Barreto. Esse Edmundo chegou a escrever também, mas cumpriu o quadro do JB antes de mim e era editor. Ele sempre me via com essas camisas de super-heróis e um dia me parou e pediu para eu escrever sobre uns quadrinhos que ele tinha me dado. Acho que ele gostou e me chamou para fazer parte do novo projeto do JB em cima de quadrinhos. E também, como ganhava melhor do que na Record, eu fui. Eu tenho uma mãe que, na época, me cobrava um tratamento dentário e, como morávamos de aluguel, precisava do dinheiro. Pedi demissão na Record e, no dia que eu cheguei no JB, a página onde eu ia trabalhar tinha acabado, não ia existir mais. Então eu pensei que ia ser demitido e me avisaram que eu ia ser repórter. Perguntaram-me sobre o que eu gostava e eu falei: cinema. Mas o que você entende de cinema? Aí, eu lembro que olhei a página que estava sendo editada e vi que a legenda estava errada. Era uma matéria sobre cinema, e então me colocaram como estagiário. Mas o editor que fez a entrevista achou que eu entendia de cinema e queria que eu fosse profissional mesmo. O problema é que eu era produtor de quadrinhos. Então comecei a escrever umas matérias sobre quadrinhos. Fazia outras coisas que me pediam, notinhas sobre música e sobre concerto pascal, que me deixava revoltado. Como eu havia feito um curso de literatura, fiz algumas matérias polêmicas que me deram alguma visibilidade. Na época estava com 20 anos e escrever sobre o tema nessa idade é meio problemático. Mas os acadêmicos começaram a escrever para o jornal elogiando as matérias e isso resultou num certo espaço para eu escrever e acabei emplacando capas, capas e capas do Caderno B. Quando entrou a gestão do Mário César Pontes, ele demitiu a editora do Caderno B, que não gostava de mim, porque me achava muito novo. O Mario gostava de mim e me deu mais espaço. Trabalhei mais, fiz algumas críticas e, quando ele saiu, comecei a fazer matéria maiores com página dupla. Em 2004, quando surgiu o Caderno da Barra, que era muito ruim, me pediram para dar uma melhorada ainda que só visualmente. Então um cara que era editor de arte, e um grande amigo, sugeriu aquele projeto (sobre quadrinhos). Mas no início, comecei mesmo fazendo a tal página e eles achavam que era muito legal e me mandaram fazer no Caderno B. Em 1º de dezembro comecei a fazê-la oficialmente no B.

HQM: Quanto tempo ficou no Caderno da Barra?
RODRIGO: De 17 julho a 1º de dezembro de 2004. A primeira página em 17 de julho foi sobre o Justiceiro, a segunda foi sobre Sin City que depois até foi indicada para prêmios. Era uma página bem light. A produção gráfica era minha e alguém diagramava, limpava os balões. E os textos da matéria entravam naqueles balões. Foi o que eu mais gostei de fazer.

HQM: Depois ficou decidido que você ia voltar para o Caderno B?
RODRIGO: É, acharam mais prudente e todo mundo sabe que era o que eu queria mesmo. A página da Barra só circulava na Barra.

HQM:
Há quanto tempo que você saiu do JB e foi para O Globo?
RODRIGO: Eu ainda estou entrando no Globo. Agora é que eu começo mais firme.

HQM:
E como você chegou a Ediouro?
RODRIGO: O diretor comercial foi quem leu as minhas páginas e queria fazer primeiro contato com os quadrinhos. Tinha pedido para o nosso editor sondar algumas coisas, mas eles queriam alguém que entendesse mais de conteúdo. Aí, ele leu a minha página e pediu para que eu viesse aqui. Logo quando cheguei, ele perguntou se quadrinhos vendia na banca, ou seja, onde se vende isso? No açougue? Aí, foi isso. O cara achou que eu entendia e perguntou se eu podia ajudar a montar aquilo. Eu disse que tudo bem. Isso foi na segunda e na terça eu fui pro festival de Brasília. Foi onde arrumei aquela polêmica com o filme do Coutinho, era o Peões. E  foi ótimo. Em relação ao Coutinho, acho que faz coisas equivocadas e as pessoas ficam atrás dele. E disso eu discordo, ele tem que ser admirado pelo o que faz e não pelo nome dele. Essa foi uma matéria polêmica e quando eu voltei, o diretor comercial me ligou e disse para eu voltar para conversar e, no fim da reunião, disse que eu estava contratado. Chamaram-me para trabalhar aqui e eu aceitei por todos os motivos. Porque eu queria fazer história em quadrinhos e a situação do JB é periclitante, além de ser uma coisa que eu estava muito afim de fazer. É uma etapa muito importante.

HQM: O interessante é que, no site, continua Rodrigo Fonseca, colunista do JB (risos).
RODRIGO: É mesmo? Sensacional, não? (gargalhadas)

HQM: Isso é porque a internet é uma coisa pouco ágil e demora para mudar uma página em html... (e mais risos)
RODRIGO: É mais fácil alterar uma página de jornal...

HQM: E você, Hélio, já imaginava trabalhar com quadrinhos? Já tinha essa vontade ou era só consumidor?
HÉLIO: Eu era consumidor, um dos fãs dos quadrinhos do Batman, mesmo antes de eu aprender a ler. Tinha aquela série que passava na tevê. Eu sou um pouco mais velho que o Rodrigo, tenho 33. Então, ainda peguei a série com o Batman barrigudo. Eu ficava vendo e comprava os quadrinhos na banca sem saber sequer ler. E uma das coisas que eu sempre ouvi muito da minha mãe e da minha avó é que isso nunca me daria dinheiro. E com 13 anos, quando eu fui fazer teatro, descobri que meu negócio era a palavra. Quando eu fui fazer faculdade, meu filho nasceu e deu toda aquela mudada na vida e tive que aprender a comprar fralda. A escolha da faculdade de comunicação foi certeira. Já sabia que era aquilo que eu queria e fiz o curso de publicidade e marketing. Eu trabalhava no Banco do Brasil durante o período em que estive na faculdade. Era quase uma forma de suicídio. Saí direto do banco para vir pra cá. Fiz uma entrevista, o pessoal gostou e fui para uma house [departamento de publicidade dentro de uma empresa] aqui dentro. Foi uma opção da empresa de não querer uma agência de publicidade fora, porque os custos eram muito caros, e eu vim pra cá como redator publicitário dessa house. Ajudei a montar a house e teve um momento em que fiquei com toda parte de comunicação das revistas. Não da Ediouro, mas das revistas Coquetel. E ainda auxiliava outras empresas quando o Rodrigo chegou. Ele estava perdido naquele monte de quadrinhos e foi aí que eu comecei a ajudar e vi que dava para trabalhar juntos em função dos gostos pessoais e afinidades. E então virou essa relação de cumplicidade, entre a amizade e profissionalismo. Uma das coisas que temos em comum é a curiosidade. Então, o que eu não sei, pergunto a ele. Muito de quadrinhos, eu vim a aprender com o Rodrigo. Com ele, eu aprendi a parte de conteúdo de quadrinhos. E com ele, a parte de marketing é o inverso. Quando a gente vai ver eu já estou dando pitaco na parte editorial e ele na parte de marketing. O que acontece é que algumas palavras têm o peso muito forte. Por exemplo, editor. Logo as pessoas supõem que você é um cara que sabe de todas as coisas, e não é assim. Você está eternamente aprendendo, até porque as linhas editoriais, algumas editoras se delineiam para você. Desta forma, você tem que se adaptar ao que o mercado pede e o mercado não cede muito a como você quer que ele se comporte. A Tati, por exemplo, era crítica do O Dia, e a gente era colega profissional indiretamente. Ela é a maior especialista em pop que conheço.

HQM: Cultura pop?
RODRIGO: É verdade!
TATIANA: Nós estudamos juntos na faculdade, mais precisamente duas matérias. Quando eu estava na faculdade comecei a estagiar no Jornal O Dia. Aí depois, fiquei no Caderno D. Era o que eu queria e fui contratada para escrever sobre cinema. Comecei a escrever crítica e tudo mais. Eu era a mais nova da equipe e por isso surgiu mais afinidade às coisas ligadas aos quadrinhos. E foi desta forma que a gente acabou se conhecendo e tudo mais.

HQM: Você já lia quadrinhos?
TATIANA: Eu lia desde pequena, mas é como eu dizia, quase todas as meninas na minha idade compravam quadrinhos ou revista Capricho. Então você começa ler sobre cabelo, maquiagem e menino...

HQM: A gente pode colocar que um dos membros da equipe dos quadrinhos da Ediouro é uma garota Capricho?
TATIANA: É...
RODRIGO: A gente já se conhece há algum tempo, desde 2003. Pessoalmente, eu já lia as coisas dela e não queria trazer uma pessoa que fosse integral de quadrinhos. Eu queria uma pessoa que, pra editar, tivesse essa visão do pop, porque essa visão é mais uma possibilidade de uso do marketing da revista. Tornar o mais obscuro criador iugoslavo numa figura que pode parar no centro da mídia. Se a gente for parar para pensar que, em 1954, o ator mais popular do mundo era um ucraniano, que ganhou o Oscar e tudo, eu não duvido que um filme iugoslavo com uma pegada heróica e maluca pode dar muito certo.


Mangá made in Holland

HQM: Como um mangá holandês?
RODRIGO: É exatamente o que eu ia falar. Vocês já leram?

HQM: Já sim. Ele quase não tem diferença pro mangá japonês. O traço, o ritmo narrativo, os dois policiais que ficam falando besteira e destruindo tudo, o começo com uma cena de ação para só depois apresentar os personagens, tudo é igual ao mangá japonês. Na verdade, mais que um mangá holandês, aquilo é um mangá japonês feito na Holanda. Ele não tem hibridismo, não tem mistura de culturas. Então, a primeira pergunta pra mim foi: por que não lançar logo um mangá japonês? Óbvio que há questões de mercado para serem respondidas. O produto japonês está muito valorizado, e uma série de outras questões podem estar no caminho dessa discussão. Agora, internamente, ele é até gostoso de ler.
RODRIGO: Ele é uma piada com comédia...

HQM:
A primeira coisa que me perguntei foi: se é tão parecido com Ghost in the Shell, por que não lançaram esse?
RODRIGO: Mas não era da Conrad?

HQM:
Não! Mas é um bom mangá com os direitos sem dono no Brasil. Os japoneses são um pouco chatos com direitos, mas seria uma boa vocês tentarem esse mesmo sabendo que a aprovação de material demora quatro meses fácil ou mais. Você leva a capa e o japonês olha e diz que está ruim e volta. Ele te manda outro desenho e você faz e então muda o logo, manda, e ele diz novamente que está ruim. Então, você manda novamente a primeira capa que já tinha mandado e eles aceitam.
RODRIGO: Eles são maus negociantes. Tratam-te feito palhaço.

HQM:
E, se é com brasileiro, parece que eles fazem de propósito. Porque o tratamento que eles têm com a gente e o tratamento com as editoras americanas são coisas completamente diferentes. Os americanos mandam qualquer capa e eles aceitam.
RODRIGO: O que eu acho é que essa hegemonia deles vai durar muito pouco. Eles vão cair, é uma coisa cíclica mesmo.

HQM:
Você não acha que o brasileiro já assimilou o mangá?
RODRIGO: Já assimilou, mas depende da qualidade. Se você vir a quantidade de lixo que eles produzem anualmente... E aí é que tá, eles gastam muito mesmo.

HQM:
Por que mangá holandês? Por ser barato?
RODRIGO: O mangá, a gente pegou o produto porque achamos que tem um lugar no mercado. Eu acho que é um produto de qualidade. Ele ajuda quem nunca ouviu falar em mangá e está a fim de descobrir. Ele apresenta bem o que é aquilo ali. Agora, quando você vai ver, ele não se leva a sério. Ele é anárquico. Bom, no primeiro ele não se leva a sério. O mangá é baseado no  filme “Selvagem” (com Marlon Brando), e a coisa mais importante dos quadrinhos não é a mulher e sim aqueles motoqueiros que caem. A coisa mais importante que eles vão trabalhar em cima da série são aqueles caras e isso foi uma coisa que me atraiu. Ele descarta um pouco a coisa dos heróis. Os motoqueiros são muito mais interessantes que a coisa nipônica, entende?

HQM:
Quanto ao conteúdo na história, não temos nada contra não. O importante é você ter produtos eminentemente comerciais. É isso que forma o mercado.
RODRIGO: Ele não é um Lobo Solitário que tem a pretensão de ser uma narrativa trágica, que contenha alguma explicação do ponto de vista do heroísmo. Ele é uma coisa rala, pra você jogar fora no metrô mesmo. Mas ele é para ser lido com esse espírito.

HQM:
Mudando de assunto, gostaríamos de saber a respeito dos releases que vocês enviaram para imprensa sobre a Ediouro estar entrando no mercado de quadrinhos. Vocês ignoram aquela época do Ota?
RODRIGO: É que aquilo era de um projeto que não era feito pela editora.

HQM:
Mas tinha o selo da Ediouro.
RODRIGO: Mas aquilo era outra coisa. É como por exemplo, a O2 na Globo, a gente distribuía o negócio pra eles. É o tipo de acordo que a gente fez. Nem tocamos nesse assunto, porque é uma coisa de velha empresa, entende? É uma questão jurídica... Agora, é diferente. Esse projeto a gente encampou mesmo.

HQM: E quadrinho nacional, vocês têm idéias?
RODRIGO: Deve sair um esse ano mesmo, mas é segredo de estado.

HQM:
Mas a idéia do quadrinho nacional é autoral focado no Comics ou é algo mais “manganizado”?
RODRIGO: Não. Posso até vir a publicar se aparecer algum traço genial, mas mangá, não...

HQM:
Não, tipo o Cássaro & Awano, como em Holy Avenger, por exemplo?
RODRIGO: Não, eles tem o nicho deles e não precisam da gente pra sub-existir. Ele já tem a estrutura dele e eu não quero me meter, entende? Até porque, eu, Hélio e Tatiana somos uma coisa, a empresa Ediouro é outra. A gente pode ter uma mentalidade mais aberta, mas a empresa não. Ela tem 60 anos. Já abriu pra gente trabalhar em cima do europeu, mas não vão ficar abrindo uma coisa assim toda hora.


Encalhar ou não encalhar, eis a questão

HQM: Já está com quatro meses de lançamento?
RODRIGO: Desde abril.

HQM: Então são cinco meses. E já teve retorno?
RODRIGO: Star Wars sim, mas os outros não.

HQMStar Wars #1 no Rio de Janeiro voltaram 300 exemplares de encalhe. Das outras praças, não ficamos sabendo.
HÉLIO: O Star Wars a gente sabe...

HQM: O filme ajudou também, não?
RODRIGO: O que foi ótimo.

HQM:
As revistas têm atrasado um pouco, não?
HÉLIO: É, quatro a cinco dias em média.
TATIANA: Star Wars sai por volta do dia 20.
HÉLIO: É, 20 ou 22.

HQM:
Os números 1 e 2 foram lançados praticamente juntos, não? Depois vocês arrumaram. Lançaram o 1 e o 2 na Bienal, aí deu aquela grudada.
HÉLIO: Sim, mas a estratégia de lançar dois números foi pra dar maior visibilidade. Por isso a gente antecipou a edição 2. Mas a base de lançamento é dia 20. Tanto que ela não estava na banca durante a Bienal. E a venda dela foi um sucesso absoluto na Bienal. Foram mais de 100 revistas vendidas por dia.

HQM:
Era de se esperar também.
HÉLIO: Mas mesmo sendo de se esperar, as vendas foram muito acima do que esperávamos. Superou a expectativa do que a própria empresa esperava. Na feira de quadrinhos em São Paulo, por exemplo, nos preparamos para ter, todos os dias, pelo menos três pessoas caminhando com roupas de Star Wars pelos estandes.

HQM:
O que tem de vantagem no mercado europeu em relação ao americano é a questão da permanência. Como são feitos para livrarias e freqüentemente levam meses pra serem produzidos, já são cheios daquela serenidade do próprio livro. Então, você encontra material desde a década de 60 que ainda é publicável. E não como material antigo, mas como atemporal.
HÉLIO: Você vai numa [livraria] Leonardo Da Vinci e encontra livros de quadrinhos que foram impressos há mais de 10 anos.


O papel do papel

HÉLIO:
Vocês já viram a nova Aquablue e Arthur que está indo para as bancas?

HQM:
Ficou muito bom com o papel novo. O Arthur tem um peso. Vocês até falaram naquele debate sobre uma preocupação com a perda de peso do Arthur. O que incomoda um pouco na leitura foi a maneira como a narrativa vai. Ela se aproxima muito do livro ilustrado. Boa parte da narrativa é estabelecida pelo texto, aos saltos. Então, muitas vezes a imagem é uma preocupação do texto e não uma narrativa que é feita pela imagem. É legal quando tem o texto e a imagem se complementando. Então, quando você diz assim que o cara viveu pela floresta e a ilustração é o cara andando pela floresta...
HÉLIO: Entendi. O texto redundante em relação à imagem.

HQM:
É mais complicado. A imagem é que é redundante em relação ao texto. No quadrinho isso pode ser um tiro no próprio pé. Tem gente que lida com a coisa diferente, ou você tem liberdade em relação ao texto ou tem uma história paralela. Então tem uma coisa acontecendo no texto, da viagem do cara, e outra acontecendo no quadrinho que complementa aquela informação pra jogar na narrativa de imagem.
HÉLIO: Isso funcionaria, na realidade, como um referencial.

HQM:
Para finalizar, só mais uma dúvida. Vocês vão lançar Corto Maltese em que formato? Porque um caminho é lançar as coisas novas e outro é lançar a revista de uma forma de papel diferente.
RODRIGO: Bem… não está certo ainda. A gente tem duas possibilidades. Encadernar ou... A gente já tomou uma decisão.
HÉLIO: É, estamos em fase de negociação e ainda temos que acertar algumas coisas. Mas já temos 99,9% de certeza. Aguardem!!!

HQM:
Bem, nós agradecemos em nome do HQ Maniacs pela entrevista.
RODRIGO: Que é isso, foi um prazer.

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Arthur: Uma Epopéia Celta #3
Aquablue #4
 


 

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