MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
19/09/2005
COLUNA - AS RENEGADAS: AS HQS INÉDITAS NO BRASIL
 
 
Lions, Tigers and Bears
 
 
Arte interna de Lions, Tigers and Bears
 
 
Girls
 
 
Arte interna de Girls
 
 
Solo #1: Tim Sale
 
 
Arte interna de Solo #1
 
 
The Dead Boy Detectives
 
 
 



As Renegadas
é a nova coluna do HQ Maniacs. Periodicamente, nosso colunista Artur Billy Batson mostrará para os nossos leitores algumas boas e recomendadas HQs que ainda estão inéditas no Brasil.


Lions, Tigers and Bears
Um dos carros chefes da Alias, a minissérie Lions, Tigers and Bears, em quatro edições, é um conto sobre um garoto medroso que muda de casa com a mãe, ficando perdido, sem amigos e sem sua avó, sua protetora.

Quando se muda, sua avó lhe dá um conjunto de brinquedos, um leão, dois tigres e uma pantera, que postos em cada uma das quatro quinas da cama, protegem o garotinho de monstros, sejam eles do armário, de debaixo da cama, fantasmas ou qualquer medo infantil. Os animaizinhos, porém, criam vida e transportam Joey para seu mundo.

É bonitinho, colorido, um conto de fantasia sobre bravura e sobre a infância. A história flui bem, mas não é muito impressionante. Se eu tivesse um filho eu compraria para ele. É um comentário preconceituoso, porque a revista é como Peter Pan, quer mostrar aos adultos como a infância era boa e que não devemos perdê-la. Talvez com você funcione, eu ainda prefiro fadinhas, garotos voando e um crocodilo com um relógio no estômago.


Girls
Só quem já morou em uma cidade pequena, como eu, consegue captar a essência de Girls. Ethan trabalha no mercadinho da cidade e nunca se deu bem com mulheres. Nos fins de semana aproveita para tomar uma cerveja com seu amigo idiota no bar local.

Em um desses dias, ele surta por não ter uma namorada, briga com uma garota que tem má fama na cidade e, nessa cidade pequena de nome sugestivo, Pennysville, todos que não assistiram a briga ficam sabendo, a famosa fofoca.

Esse, porém, não é o principal problema de Ethan. Uma garota nua aparece na frente do seu carro quando ele voltava para casa, ao mesmo tempo que algo na cidade explode. Essa garota parece estar dopada, não fala nada, come muito, toma um banho e dorme. As pessoas da cidade, no outro dia, vão a casa de Ethan, culpando-o pela explosão (claro, um garoto descontrolado em uma cidade de bons costumes, é o jeito mais fácil de se culpar alguém).

Só que a garota pôs ovos enormes, que geram outras garotas, que atacam mulheres. E elas ficam descontroladas, saindo pela cidade.

Girls tem duas grandes sacadas. Ser o segundo trabalho dos irmãos Luna, contratados pela Marvel para desenhar a origem da Mulher-Aranha, e mostrar como mulheres descontroladas são perigosas. Eles usam essas garotas, talvez alienígenas, mas é tudo uma grande metáfora, porque uma garota nervosa é muito perigosa, e nós homens sabemos muito bem como isso é.

E garotas que estão lendo, não neguem que vocês são assim e não digam que eu sou machista, vocês são realmente assim.


Solo
A DC veio com tudo esse ano. Reformulação interna, nos personagens, no modo de se contar histórias, agora mais sérias. Mas a grande editora também criou espaço para os quadrinhos autorais, e chamou grandes nomes do underground para sua nova revista, Solo.

A premissa é simples. Um criador por edição, com participações especiais, mas não necessariamente. Entre os nomes estão Tim Sale, que estréia a revista, Paul Pope, Howard Chaykin, Richard Corben, Darwyn Cooke, Mike Allred, Jordi Bernet, entre outros.

Eles têm total liberdade para contar o que quiserem, e se usarem algum personagem da editora, a história não afeta a cronologia. Assim, Sale usa o Batman e Pope usa o Omac, para citar alguns exemplos.

São contos curtos com grande profundidade, boas histórias, uma reunião de escritores e desenhistas que o mercado de super-heróis não dá muito valor.


The Dead Boy Detectives
Sandman em mangá. Poderia parar de escrever na primeira frase, que já ia ficar explícito que é muito legal.

Mas há um porém. Os personagens clássicos não aparecem, é uma revista para meninas que estão começando nos quadrinhos. Mesmo assim, a revista é do selo Vertigo, o que mostra que os quadrinhos cada vez mais não são feitos para homens.

Na verdade, Morpheus aparece em uma cena pequena, e a Morte em algumas, pois se trata daqueles dois moleques que morreram e viraram fantasmas, que vivem fugindo da irmã mais velha do Sonho, se tornando detetives.

Eles vão parar em uma escola só de meninas para investigar o sumiço de uma delas a pedido de sua melhor amiga.

Tem tudo que um mangá feminino precisa: expressões faciais exageradas, muito humor, uma trama que envolve amor, texto fácil. A escola feminina lembra em alguns pontos a escola de magia de Hogwarts; todos os professores são suspeitos do sumiço, há horários rígidos como jantar, e até penalizações.

Os roteiros e desenhos são de Jill Thompson, a mesma de Morte: A Festa, edição já lançada no Brasil pela Conrad em janeiro de 2004. Recomendo a história, mas mais uma vez faço a ressalva, é para garotas. Se você é um daqueles preconceituosos quanto a isso, não leia.

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Arte interna de The Dead Boy Detectives
Arte interna de The Dead Boy Detectives
 


 

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