MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
09/11/2005
COLUNA - FALA ANIMAL!: É DURO SER INIMIGO DO ARANHA
 
 
O aracnídeo nas garras do Doutor Octopus
 
 
Venom
 
 
Abutre
 
 
Homem-Aranha versus Duende Verde
 
 
Camaleão
 
 
Kraven
 
 
Duende Macabro
 
 
O novo visual do Dr. Ock
 



Nos quadrinhos podemos ler as aventuras dos mais variados tipos de personagens, mas sabemos que tais personagens só ficam completos com seus coadjuvantes e, no caso de heróis, sejam super ou não, com seus inimigos.

É fácil perceber que, no mesmo momento em que um personagem tem inimigos fracos ou cansativos, suas histórias têm uma notável decaída na qualidade. É assim mesmo com grandes ícones, como Superman, X-Men e o Homem-Aranha. O motivo? Superexposição, normalmente causada justamente pelo sucesso. Sim, é um paradoxo, mas é verdade.

Quanto maior o sucesso, mais histórias o personagem tem, mais escritores, mais títulos, mais desenhos, mais filmes e, claro, menos controle dos editores, menos qualidade. Afinal de contas, com um sucesso estrondoso o personagem aparece em inúmeros títulos todo mês, assim como seus inimigos.

Analisemos os inimigos do Homem-Aranha, que compõem uma das melhores e maiores galerias de vilões dos quadrinhos, só comparável com as de heróis como Batman, Dick Tracy e Flash. Os anos 60 e 70 nos apresentaram malfeitores memoráveis, entre os quais podemos destacar Dr. Octopus, Duende Verde, Abutre, Electro, Homem-Areia, Kraven, Lagarto, Rei do Crime, Mysterio, Escorpião e até mesmo o Chacal, entre muitos outros.

Os anos 80 conseguiram manter uma galeria de vilões bem interessantes, aproveitando muito bem os antigos vilões e apresentando o Devorador de Pecados, que, mesmo tendo uma curta participação, fez desta algo digno de ser sempre lembrado. Neste período, o destaque foi, é claro, o Duende Macabro, que resgatou o mito do Duende Verde, ao mesmo tempo que deu um novo ar às tramas.

Depois disso tivemos vilões cada vez piores. O maior destaque foi Venom. Com uma idéia inicial até interessante, logo caiu na mesmice e a coisa piorou muito mais quando o personagem ficou popular demais e a Marvel, graças a essa popularidade, decidiu o transformar num anti-herói, o que, é óbvio, foi incrivelmente forçado e sem muito nexo. Mas a coisa não acabou por aí: para substituir a vaga de simbionte vilão foi criado outro personagem, o Carnificina, ainda menos interessante.

Nos últimos anos foi pior ainda. Surgiram vários personagens ridículos e/ou sem nenhum atrativo, como Alfabeto, Lula-Lelé, Stunner, Scorpia e Milhar. Mesmo outros mais promissores, como Morlun, não se encaixaram bem no universo aracnídeo.

Porém, não foram só os novos personagens que decepcionaram. Os vilões clássicos, que sempre estão vivos na memória dos fãs foram praticamente destruídos. O Dr. Octopus, que no final das contas é o inimigo mais presente na vida do Homem-Aranha, deixou o status de gênio do crime para “passear” pelas facetas de maluco, vilão cansado de sua vida, alguém que queria somente duelar eternamente com seu inimigo e até mesmo alguém traumatizado pelas derrotas nas mãos do herói aracnídeo.

Sua origem foi recontada incontáveis vezes, cada vez destruindo mais passado e presente do personagem, até que restou somente um vilão com personalidade mutável, bem como seu uniforme, afinal cada vez que aparece está trajando uma roupa diferente e também uma forma de agir nova. Isso sem esquecer da sua lamentável versão feminina apresentada na Saga do Clone. J. Michael Straczynski pode ter decepcionado muitos leitores, mas quando usou Otto Octavius ele ao menos foi fiel ao personagem que os fãs conhecem.

Outro dos maiores inimigos do Aranha, Norman Osborn, o primeiro Duende Verde, foi o pivô dos maiores clássicos do personagem em seus anos dourados, afinal não há como duvidar que a morte de Gwen Stacy é o momento máximo do Aranha. Com sua morte, parecia que o personagem estava salvo das garras de argumentistas inescrupulosos e seus editores que lhes dão liberdade demais, mas o pior momento da vida do aracnídeo não poderia deixar de estragar mais um vilão. E assim Norman voltou dos mortos ao final da Saga do Clone, com uma explicação para lá de forçada e perdendo seu principal atrativo: sua dualidade, pois agora era 100% vilão, levando inclusive toda a culpa pelas barberagens clônicas.

Em pouco tempo a coisa piorou, com o mais proeminente Osborn se tornando uma versão Marvel de Lex Luthor, comandando um culto e enlouquecendo de vez. Achou pouco? Bem, o mesmo Straczynski que soube usar o Dr. Octopus preferiu afundar ainda mais Norman, levando a pobre Gwen Stacy junto.

Outro que não conseguiu fugir da desgraça mesmo morto foi Kraven, o Caçador. Sempre um páreo duro para o aracnídeo e também para o selvagem Kazar, o vilão seguiu até a sua morte marcante como um bom personagem. Eis que hoje em dia temos os filhos dele: o Caçador Sinistro (também já falecido) e um novo Kraven, um pior que o outro, maculando o legado da família.

Até mesmo o Lagarto, que nem chega a ser tão utilizado nas histórias, sofreu nas mãos dos criadores aracnídeos. Nos últimos tempos, cada vez que aparece está totalmente diferente. Por vezes parece um iguana, enquanto em outras ocasiões lembra mais um dinossauro.

E não pára por aí. O Escorpião, que mesmo não sendo o mais inteligente dos inimigos do Aranha, nunca foi um completo ignorante, foi transformado no estereótipo do caipira burrão por Paul Jenkins. O Chacal foi totalmente devastado na Saga do Clone, se tornando um maluco que a cada 10 palavras 20 eram mentira, tudo para confundir ainda mais o leitor, que não agüentava mais tanta enrolação.

O Abutre foi rejuvenescido e se transformou em apenas “mais um”, pelo menos seu estado físico voltou ao normal. Mysterio teve uma morte digna no Demolidor de Kevin Smith, só para ser retomado quase que imediatamente nas histórias do X-Man (isso não saiu no Brasil) e mais tarde nas do próprio Aranha, de forma confusa e até hoje não explicada detalhadamente.

Mesmo o último bom vilão do personagem, o Duende Macabro, não saiu ileso. No seu caso, houve as confusões com sua origem, os sofríveis sucessores, mas pelo menos teve seu moral levantado pela mini-série que enfim relevou sua origem, consertando boa parte dos erros anteriores cometidos com o vilão.

Não é que em seus primeiros anos o aracnídeo não tenha tido vilões mais fracos, mas nessa época, mesmo estes mantinham suas personalidades. Camaleão, Tarântula, Fogo-Fátuo e outros podem não ser vilões marcantes, mas nunca fugiram de sua premissa nos anos áureos. O Camaleão ainda teve muitos anos depois uma fase interessante como chefão do crime, mas logo caiu vítima das histórias recentes do personagem e enlouqueceu, achando que era o próprio Kraven.

A esperança parece estar vindo na forma de Mark Millar, ao menos em parte. O escritor, em seu título do herói pela linha Marvel Knights, conseguiu recuperar a personalidade original de alguns personagens, embora tenha, na contrapartida, criado risíveis novos uniformes para alguns deles e transformado o Lagarto em algo mais parecido com um dinossauro. Mas só um argumentista resgatando alguns elementos não basta. Faz-se necessária a velha unidade do Universo Marvel antigo, quando ainda era um universo coeso, sem que personagens aparecessem com uma atitude e uniforme diferentes em cada revista.

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