MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
29/11/2005
MATÉRIA: SETE SOLDADOS DA VITÓRIA - PARTE 3
 
 
Showcase Presentes: The 7 Soldiers of Victory
 
 
Seven Soldiers of Victory #0: Início da nova saga
 
 
JLA #161: Zatanna entra na Liga
 
 
Seven Soldiers: Zatanna #1
 
 
Star Spangled Comics #7: Estréia do Guardião
 
 
Mal Duncan como o Guardião
 
 
Seven Soldiers: The Guardian #1
 
 
Mister Miracle #15: Estréia de Shiloh
 



O tempo passou e voou rapidinho, e aqueles que leram as duas primeiras partes dessa série de artigos puderam saber um pouco mais sobre a primeira formação dos Sete Soldados da Vitória. Só que as coisas não precisam ficar necessariamente mal-paradas na indústria dos comics americanos, e uma volta deles jamais poderia ser descartada. É justamente sobre uma formação dessa equipe que durou apenas uma edição especial que vamos falar nesse terceiro artigo. E, é claro, vamos começar a falar sobre o triunfal retorno da equipe que ocorreu em 2005. 

Em 2000 a DC Comics resolveu homenagear artistas e histórias dos anos cinqüenta e sessenta através do projeto "Silver Age", onde, em doze edições especiais, os roteiristas e desenhistas dos dias de hoje criaram histórias dentro do estilo ingênuo da época. A trama básica que unia todas essas histórias se passa no início da carreira dos nossos heróis e ela tratava sobre a vinda do conquistador galáctico Agamemno à Terra, onde, para conseguir seus objetivos de dominação universal ele se alia a nove super-vilões terrestres.

Como se não bastasse tal aliança, Agamemno fez esses vilões trocarem de corpos com seus principais adversários e aí a confusão se instalou de vez na Terra, tendo em vista que os principais super-heróis passaram a ser confundidos com seus arqui-inimigos! Um dos títulos dessa saga se chamava justamente "Showcase Presents: The Seven Soldiers of Victory", e na simpática história escrita por Geoff Johns e desenhada por Dick Giordano os vilões resolvem voltar suas atenções para o planeta Rann. Como os principais heróis terrestres estavam um tanto quanto "atrapalhados", a única opção que sobrou para Adam Strange, o protetor de Rann, foi trazer para o planeta, através do Raio Zeta, alguns dos considerados heróis de "segunda linha" para ajudá-lo a combater os vilões.

Os heróis convocados por Adam foram a Batmoça, Falcão Negro, Desafiador, Mento, Metamorfo e Cavaleiro Andante, e juntos eles conseguem expulsar Agamemno e seus aliados de Rann. Ah, um pequeno e importante detalhe: o Cavaleiro Andante usado por Geoff Johns nessa história não é o Sir Justin que conhecemos nos artigos anteriores, e sim Gardner Grayle, membro de uma equipe conhecida como Cavaleiros Atômicos e também dos Renegados que pôde ser visto no último capitulo de “Crise nas Infinitas Terras” junto com outros heróis pedindo ajuda a Darkseid para enfrentar o Anti-Monitor. Mas será que esse simpático “retcon” dos Sete Soldados seria a última vez que ouviríamos falar dos Sete Soldados? Se dependesse de um certo careca escocês com certeza não...

Em 2004, após um período escrevendo os X-Men na Marvel Comics, o roteirista Grant Morrison retornou para a DC Comics. Além de ganhar um cargo editorial, Morrison recebeu de presente da cúpula da DC liberdade quase total para tocar seus projetos. Quem acompanha a carreira do rapaz sabe que seus roteiros sempre foram caracterizados por terem um pé fincado no respeito e admiração por antigos heróis e outro em esquisitices pra-lá-de-bizarras, muitas vezes incompreensíveis para os leitores em um primeiro momento. Sem dúvida alguma, o novo projeto de Morrison agregaria todas essas características. E o tal projeto, batizado com o nome de “Seven Soldiers of Victory” foi anunciado e lançado no inicio de 2005 e fãs e críticos constataram que esse, sem dúvida alguma, era o mais audacioso vôo criativo já alçado por Grant Morrison.

O projeto iria consistir de sete mini-séries, cada uma estrelada por um diferente personagem, e por duas edições especiais que irão iniciar e concluir a saga. O mais bacana é que cada mini pode ser lida separadamente, porém juntas elas compõem uma grandiosa saga, que se passa em diferentes situações e, em um dos casos, em diferentes épocas. E para abrilhantar ainda mais a saga o editor Peter Tomasi montou um autêntico “dream team” com alguns dos melhores desenhistas da indústria. Só que, por mais inovadora que seja uma saga, a primeira coisa que qualquer leitor se pergunta é quais são os personagens envolvidos na história. Morrison, como sempre, escolheu personagens há muito tempo não-lembrados para estrelar as mini-séries e ele promete que outros “esquecidos” também darão o ar da graça na saga.

O que vamos fazer aqui, a partir desse momento, é “relembrar” a biografia de cada um dos principais personagens envolvidos na saga, até para que, caso essas mini-séries sejam publicadas no Brasil, nós possamos aproveitar melhor a leitura. E, é claro, prometemos para as pessoas que estão lendo esse artigo que não haverá “spoiler” nas pequenas biografias que se seguirão! Vamos lá!

― ZATANNA: Vamos falar a verdade: qual foi o fã de quadrinhos que compra regularmente material da DC Comics nos últimos quarenta anos que nunca leu uma historinha que envolvesse essa simpática feiticeira? De um jeito ou de outro, antes de explanar qualquer coisa sobre Zatanna precisamos falar nem que seja um pouquinho de um certo mago da Era de Ouro chamado Giovanni “John” Zatara, que fez sua estréia nos quadrinhos dividindo o gibi Action Comics #1 com um certo “azulão de capa vermelha”. O mágico pertencia a uma longa linhagem de feiticeiros que remontava a Leonardo da Vinci e geralmente usava seus dons em espetáculos teatrais, porém sempre que necessário ele não se fazia de rogado na hora de usar esses mesmos talentos para combater o crime, talentos esses que eram invocados através de encantos recitados com as palavras ditas de trás para frente. A grande verdade é que por mais interessante que fosse que o mágico criado por Gardner Fox e Fred Guardinier ele era apenas mais uma entre as tantas cópias do personagem Mandrake que existiam na época. Tal fato com certeza não o ajudou na hora de consolidar a sua popularidade junto aos fãs e ele praticamente foi “varrido para debaixo do tapete” junto com centenas de outros heróis da Era de Ouro no final dos anos quarenta e início dos cinqüenta. Mas veio a Era de Prata e vários heróis antigos foram relançados com novos poderes, novas identidades secretas e novas caracterizações. Gardner Fox pelo visto estava com saudade de sua antiga criação e no ano de 1964 aproveitou uma aventura do Gavião Negro chamada “The girl who split in two” (A garota que se dividiu em duas), que foi publicada em Hawkman #4 e desenhada por Murphy Anderson para apresentar aos leitores uma jovem feiticeira que andava ao redor do mundo em busca do seu pai desaparecido. Bom, como a mocinha chamada Zatanna também invocava magia através de encantos ditos de trás para frente e ganhava seu dinheirinho fazendo apresentações de mágica não precisamos pensar muito para chegar a conclusão que seu pai era o mago Zatara. Após o encontro com o Gavião Negro, nos anos seguintes Zatanna se envolveu em aventuras com os heróis Batman, Elektron, Lanterna Verde e Homem-Elástico publicadas respectivamente nos gibis Detective Comics #336, The Atom #19, Green Lantern #42 e Detective Comics #335, sempre em busca do seu amado papai. Até que finalmente em 1967, na revista Justice League of America #51, com a ajuda da Liga da Justiça a feiticeira encontrou Zatara, que explicou à sua filha que seu exílio tinha ocorrido devido a busca incessante de instrumentos capazes de derrotar uma ameaça mística chamada Allura. Após os fatos passados em Justice League of America #51, além de diversas participações especiais em outros gibis, Zatanna chegou a ganhar algumas aventuras-solo nos gibis Supergirl e Adventure Comics nos anos setenta, porém não podemos dizer aqui que elas tenham sido lá muito importantes. Talvez o fato mais marcante na vida de Zatanna nesse período tenha sido seu ingresso definitivo na Liga da Justiça no gibi Justice League of America #161, que foi publicado em dezembro de 1978. Alguns meses depois, na edição #165 desse gibi, Zatanna encontrou sua mãe e maiores detalhes sobre a origem da feiticeira vieram à tona: após o final da Segunda Guerra, Zatara resolveu viajar pelo mundo, e quando ele estava na Turquia acabou salvando a vida de uma bela moça chamada Sindella, que pertencia a uma raça chamada Homo Magi, raça essa que tinha uma grande predisposição natural para o uso da magia, já que supostamente eles descendiam dos atlantes. É claro que os dois “pombinhos” se apaixonaram e se casaram e a conseqüência do casório foi o nascimento de uma bela menina batizada com o nome Zatanna. Só que a criação e educação da menina acabou sobrando apenas para o pobre Zatara, já que sua mãe foi obrigada a retornar ao convívio dos Homo Magi, até para evitar que o bebê fosse seqüestrado pelos seus compatriotas. Anos mais tarde o escritor Alan Moore escreveria no gibi Swamp Thing uma saga chamada “Gótico Americano”, onde um antigo mal ancestral ameaça destruir tanto o Inferno quanto o Paraíso. Para combate-lo, o mago inglês John Constantine convoca os maiores feiticeiros da Terra, incluindo Zatanna e seu pai Zatara. Aliás, durante essa convocação descobrimos que John Constantine e Zatanna foram colegas em um curso de “sexo tântrico”, se é que vocês me entendem... Mas voltando à história em si, infelizmente Zatara acabou morrendo quando os feiticeiros uniam suas forças contra o mal ancestral. No final de tudo Zatanna virou uma figura mais do que recorrente no Universo DC e qualquer aventura que envolva grandes ameaças místicas conta sempre com a participação da heroína. Na mini-série criada para o projeto “Seven Soldiers” Grant Morrison e o desenhista Ryan Sook pretendem explorar justamente a herança da feiticeira, fazendo com que ela saia em busca dos antigos diários do seu pai.

― GUARDIÃO e LEGIÃO JOVEM (Guardian and Newsboy Legion): Nos bons e velhos anos quarenta a dupla Joe Simon e Jack Kirby fez de tudo um pouco. Um dos trabalhos mais bacanas da dupla foi lançado pela National Comics no gibi Star Spangled Comics #7, e nele são narradas as aventuras da Legião Jovem, um grupo de quatro meninos pobres que sobreviviam vendendo jornais no violento bairro chamado Beco do Suicídio. Os quatro meninos, que se chamavam Tommy Tompkins, Anthony "Gênio" Rodriguez, Johnny "Gabby" Gabrielli e Patrick "Faísca" MacGuire acabavam sempre se metendo em confusão com os criminosos locais e nessas horas o policial Jim Harper, que era muito amigo deles, assumia a identidade super-heroística de Guardião e resolvia os problemas da molecada. Com o tempo as aventuras do Guardião e da Legião Jovem foram canceladas, Jack Kirby desfez sua parceria com Joe Simon e foi fazer História junto com Stan Lee na Marvel Comics nos anos sessenta. Só que no início dos anos setenta Jack decidiu sair da Marvel e lançou na National uma série de revistas e histórias que mais tarde seriam conhecidas como o “Quarto Mundo de Kirby”. No “Quarto Mundo” Jack explorou desde uma guerra galáctica entre deuses até um tema muito em voga nos dias de hoje, que é a clonagem. Esse tema foi abordado em especial no gibi Superman´s Pal Jimmy Olsen, onde o Super-Homem e seu amigo Jimmy Olsen descobrem um laboratório secreto nos subterrâneos de Metrópolis chamado de “Projeto”, que realiza diversos experimentos genéticos. Jack aproveitou essa “deixa” para trazer de volta a ativa suas velhas criações, fazendo com que os moleques que aprontavam todas no Beco do Suicídio, já adultos, virassem os cientistas-chefes do laboratório. Mas esse retorno só estaria completo se o Guardião estivesse lá, e tal volta foi possível graças aos moleques, que transplantaram a mente de Jim Harper para um corpo clonado (no Brasil nas revistas Super-Homem #11 a #13, de 1985). Feito isso, coube ao Guardião defender o “Projeto” e proteger a nova Legião Jovem, que era composta pelos filhos dos antigos membros e acrescida por um menino negro chamado Walter "Scuba" Johnson Jr. No Pós-Crise o roteirista Roger Stern e o desenhista Ron Frenz reintroduziram a Legião Jovem e o Guardião na revista Superman Annual #2 – Segunda Série (no Brasil em Super-Homem #62 e 63, de 1989), mas fizeram pequenas mudanças, a começar pela nova Legião Jovem, que nessa versão deixou de ser composta por filhos da antiga formação para ser constituída por clones dos mesmos. Para o projeto “Seven Soldiers” Grant Morrison e o artista Cameron Stewart criaram um novo Guardião, um policial negro chamado Jake Jordan, que cai em desgraça após acidentalmente matar uma criança. Jake encontra uma chance de redenção quando é contratado pelo jornal “O Guardião de Manhattan” para ser o novo super-herói da cidade de Nova Iorque. Mas, esperem um pouquinho: que história é essa do Guardião ser negro? Morrison muito provavelmente (para não dizer com certeza) se inspirou em Mal Duncan, um antigo membro da Turma Titã que nos anos setenta assumiu a identidade do Guardião no gibi Teen Titans #44, de 1976. Mal foi o Guardião apenas nessa edição e no pós-Crise tal fato foi solenemente ignorado.

― SENHOR MILAGRE (Mister Miracle): Um dos títulos que compunham o “Quarto Mundo de Kirby” se chamava Mister Miracle, e nele eram narradas as aventuras de Scott Free, um sujeito que foge do maligno mundo de Apokolips para se transformar em um artista de fugas e super-herói aqui na Terra. Um fato curioso é que, quando criou o Senhor Milagre, Kirby se inspirou em uma figura da vida real, no caso seu colega Jim Steranko, que na juventude havia sido artista de fugas em parques de diversão. Mas não vamos falar aqui sobre Scott Free, e sim sobre um sujeito chamado Shiloh Norman. Mas, poxa vida, por que vamos falar desse cara? Bom, vamos falar dele porque esse foi o Senhor Milagre escolhido por Grant Morrison para a sua mega-saga! O nosso herói em questão deu o ar da graça pela primeira vez em Mister Miracle #15, em setembro de 1973, pelas mãos do próprio Jack Kirby, que contou nesse gibi a história de um adolescente negro chamado Shiloh Norman que, após testemunhar o assassinato do seu irmão fez de tudo para levar os criminosos á Justiça. Obviamente ele teve uma ajudinha do Senhor Milagre, que ficou tão impressionado com a destreza do menino que decidiu treiná-lo e acabou assumindo o papel de pai adotivo e professor de Shiloh. Infelizmente os leitores não tiveram muito tempo para formar uma opinião sobre o rapazinho, já que Mister Miracle foi cancelado após a edição #18. Porém, quando o Senhor Milagre ganhou uma nova série mensal no início dos anos noventa o escritor Doug Moench aproveitou a oportunidade para trazer Shiloh de volta, fazendo com que ele, já adulto, substituísse aqui na Terra o seu mestre, já que Scott Free estava em uma turnê intergaláctica. Tal substituição ocorreu entre os números #21 e #28 de Mister Miracle – 2ª Série e os leitores brasileiros tiveram a oportunidade de conhecer Shiloh em uma aventura da Liga da Justiça publicada no gibi Liga da Justiça #51, de 1991. De lá pra cá Shiloh praticamente sumiu de novo, porém Grant Morrison e o artista Pascual Ferry prometem dar ao personagem um brilho que ele nunca teve, fazendo, segundo suas palavras, com que Shiloh seja “um cruzamento entre David Blaine (consagrado artista de fugas) e Puffy Daddy (rapper)”.

Infelizmente o nosso espaço aqui é curto, e não queremos cansar demais as pessoas que estão lendo essa série de matérias. Dito isso, na quarta e última parte vamos discorrer sobre os quatro últimos e mais obscuros soldados da nova formação de Morrison. Até lá!


Brodie Bruce, também conhecido como Claudio Roberto Basilio

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Mister Miracle #22: Shiloh vira o Sr. Milagre
Seven Soldiers: Mister Miracle #1
 


 

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