MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
03/04/2006
ENTREVISTA: JOE KUBERT
 
 
Tarzan, pela DC
 
 
Tarzan, republicado pela Dark Horse
 
 
Hawkman (Gavião Negro)
 
 
Sargento Rock
 
 
Graphic novel em parceria com Brian Azzarello
 
 
Sgt. Rock: The Prophecy: novo trabalho
 
 
Tex: Joe Kubert na Itália
 
 
Fax from Sarajevo
 



Conseguimos falar com um dos mais importantes e respeitados artistas de quadrinhos do mundo! Joe Kubert já fez inúmeros trabalhos em sua extensa carreira, como Tarzan, Ás Inimigo e Sargento Rock, e continua na ativa até hoje. Kubert também é dono e fundador de uma das mais cobiçadas escolas de quadrinhos dos Estados Unidos, a Joe Kubert School of Cartoon and Graphic Art, além de ser pai de dois excelentes artistas que recentemente assinaram contrato de exclusividade com a DC Comics, Andy e Adam Kubert. Confira o bate-papo que tivemos com o artista que é considerado uma lenda viva dos quadrinhos de todos os tempos.


HQM: Olá Sr. Kubert! Tudo bem? Somos do HQ Maniacs, site brasileiro sobre quadrinhos. Marcamos uma entrevista com o senhor. Podemos começar?
Joe Kubert:
Como você está, Herbert? Aqui é Joe Kubert. Eu estou pronto.

HQM: Então, vamos lá? Nós sabemos que você veio para o Brasil durante os anos 90, certo?
Joe Kubert:
Sim, Certo.

HQM: Então, nossa primeira pergunta é sobre o Brasil. Quais as suas memórias do Brasil? Qual foi a sua impressão do país?
Joe Kubert:
Eu adorei minha viagem ao Brasil. Já estive aí mais de uma vez. Tenho bons amigos no Brasil. Fui por causa das convenções e achei o povo muito receptivo, muito amigável. Muitos dos jovens, os aspirantes a cartunistas, todos muito talentosos.

HQM: Onde você esteve no Brasil? Nós do HQM estamos em São Paulo…
Joe Kubert:
Fui em São Paulo e também no Rio de Janeiro.

HQM: Então, qual foi a sua impressão particularmente de São Paulo?
Joe Kubert:
São Paulo é um lugar muito agitado. O Rio, eu acho, é mais para férias. São Paulo é uma cidade enorme e agitada.

HQM: O Brasil, de alguma maneira, influenciou ou inspirou os seus desenhos? Referimo-nos à cultura, ao povo...
Joe Kubert:
Bem, não posso dizer que eu fui inspirado por qualquer lugar ou área determinados. As minhas experiências no Brasil foram extremamente boas. Estou certo de que elas me ajudaram com o meu trabalho. Uma das pessoas que conheci e com quem falei por muito tempo foi o Maurício (de Sousa). Ele foi bem receptivo e muito amistoso. Conheci sua esposa e sua família. Eu já o conhecia antes de ir ao Brasil. Fiquei surpreso com a quantidade de trabalho que ele faz e o quão longe ele está indo. As coisas maravilhosas que ele conseguiu em publicações e em filmes. Foi incrível. Também houve várias outras pessoas.

HQM: Que tal falarmos um pouco dos seus trabalhos? Primeiramente, gostaríamos de saber como foi desenhar o Tarzan para a DC?
Joe Kubert:
Fiquei muito satisfeito em fazer o trabalho que fiz. Na verdade, agora a Dark Horse está republicando, aqui nos Estados Unidos, todo o material do Tarzan que fiz para a DC. A única coisa que fez me sentir mal na época é que eu também estava editando outros materiais e não pude passar o tempo que queria com o título. Eu o adorei simplesmente porque quando eu era criança - uma das coisas que você me perguntou foi sobre inspiração -, uma das coisas que me inspirou para que me tornasse um cartunista foi ler Tarzan no jornal. As histórias que saiam no início dos anos 30. Isso, provavelmente, tem mais haver com a minha motivação em me tornar um desenhista do que qualquer outra coisa que consiga me lembrar e, então, quando tiver a oportunidade de revisitar, de voltar àquele tempo e, na verdade, desenhar a história, será muito prazeroso.

HQM: Como foi recriar o Gavião Negro na Era de Prata? Juntamente com Gardner Fox, caracterizaram Carter e Shayera como dois policiais de Thanagar, e essa visão, de um jeito ou de outro, permanece até hoje. Sente-se feliz por isso?
Joe Kubert:
Bem, sinto-me feliz pela história que fiz. De fato, acho que seria interessante para você saber que um dos meus filhos, Adam, fez várias capas do Gavião nas novas aventuras do personagem que estão saindo. Isso foi extremamente gratificante pra mim. As capas estavam bonitas e foi uma emoção ter meu filho revisitando o trabalho que fiz há tantos anos.

HQM: Dois dos seus melhores quadrinhos são sobre guerra. Alguém já lhe acusou de apoiar a guerra e não passar nenhuma mensagem pacífica nas suas histórias?
Joe Kubert:
Não! Isso nunca aconteceu! De fato, algumas pessoas disseram que isso talvez fosse meu tipo de história favorita porque fiz por muito tempo e porque estou ligado ao personagem do Sgt. Rock. Isso não é verdade! Desenhei as histórias simplesmente porque eu estava trabalhando para um editor que na época tinha criado o personagem e pediu para fazer as primeiras histórias. Elas foram bem sucedidas, provavelmente não tanto pela guerra, mas por causa do texto, das idéias e da história. E continuou... De fato, agora mesmo estou fazendo uma série do Sgt. Rock para a DC Comics que escrevi e desenhei. Ela se chama The Prophecy (A Profecia). A primeira está sendo lançada e a série será um total de seis revistas. Depois vão ser encadernadas em hardcover para uma graphic novel. Não faço isso porque eu sou apaixonado por guerra. Muito pelo contrário! Quando estava nos quadrinhos de guerra da DC, eu acabava cada história com um grande aviso sobre guerra. Fiz um esforço consciente para não glorificar a guerra, pra mostrar que as pessoas que estavam envolvidas no exército, especialmente durante aqueles tempos, não estavam lá porque gostavam, mas sim porque foram chamadas e lá é onde elas deveriam estar. Meu sucesso pelo longo tempo que fiz o Sgt. Rock ou as histórias de guerra, foi porque eu vendi! Nunca fui acusado de fazer histórias sobre guerras pelo motivo de glorificar ou fazer a guerra se tornar tolerável. Nunca pensei assim e não penso assim hoje.

HQM: O Sr. já trabalhou com ótimos personagens nos quadrinhos, mas só recentemente desenhou o Homem-Aranha para a United Forces. Há algum outro personagem que gostaria de trabalhar que nunca desenhou antes?
Joe Kubert:
(risos) Desenhei tantos deles e isso nunca foi estranho pra mim. Quando comecei no ramo, todos tentavam ser desenhistas... Geralmente não havia contratos com nenhum editor, com nenhuma editora. Então, você trabalhava com todo mundo e qualquer um podia lhe mandar um trabalho. Em resposta à sua pergunta ‘Não!’. Eu já fiz o Superman, Batman, Justiceiro, Flash e o Gavião Negro (risos). Há tantos deles... 

HQM: E sobre os desenhos de outras pessoas? Alguns dos quadrinhos que vê e pensa ‘Ah! Eu devia ter desenhado isso…’. Existe alguma coisa que viu e que realmente teve uma boa impressão?
Joe Kubert:
Há uma lista de artistas que eu admiro. Muitos deles fazem um trabalho muito bonito. Eu amo os trabalhos deles pelo que eles fazem e não pela maneira como gostaria de tê-los feito. A única situação que se aproxima com o que você está perguntando seria o Tarzan. Foster fez o Tarzan original de uma maneira que adorei. Fiz um pouco do meu jeito, mas na maior parte, fui influenciado pelo Foster quando eu fazia Tarzan porque queria injetar no trabalho o mesmo tipo de coisas que ele tinha colocado. Quando li, eu quis fazer a mesma coisa para os outros que leriam. Mas isso foi o mais próximo que consegui chegar para responder a sua pergunta.

HQM: De volta ao passado, quando começou, quem eram as suas influências?
Joe Kubert:
Minhas maiores influências foram três e essas três provavelmente influenciaram todo artista, todo desenhista que começou a trabalhar na mesma época que eu. Foram Hal Foster que fez o Tarzan e Príncipe Valente, Alex Raymond que fez Flash Gordon, e Milton Caniff que fez Terry e Os Piratas. Estes três, apesar dos seus estilos um tanto quanto díspares, um tanto quanto diferentes, fizeram um trabalho bonito e todo o artista que conheci, durante o período em que comecei, admira essas pessoas. Eles foram artistas maravilhosos.

HQM: E hoje em dia, o Sr. voltou com o Sgt. Rock. É diferente criar histórias para ele hoje? Acha que os leitores de hoje esperam algo de diferente das histórias clássicas?
Joe Kubert:
Não acho que os leitores de hoje são muito diferentes, exceto que são um pouco mais sofisticados que os leitores de 30, 40 ou 50 anos atrás, mas acho que uma boa história é uma boa história. As aventuras dos leitores de 50 anos atrás atingem os leitores de hoje. É o mesmo com os filmes. Se um filme bom sair, todos vão ser capazes de se encaixarem no teste do tempo para sempre. O velho King Kong, por exemplo. Apesar do fato de que a qualidade do antigo está inerente na nova versão. Isso porque o diretor (Peter Jackson), e você pode ver isso no filme, disse que seguiu o máximo possível a história original e talvez tenha desenvolvido um pouco mais. Eles fizeram o filme usando várias habilidades técnicas que não existiam há 50 ou 60 anos atrás, mas uma boa história é uma boa história em qualquer época. Hoje ou 100 anos atrás, o melhor tipo de script de quadrinhos é o perfeito casamento entre história e arte.

HQM: Quais quadrinhos, na sua opinião, foram capazes de fazer esse casamento perfeito?
Joe Kubert:
É muito difícil responder isso. Recebo todas as revistas da DC e da Marvel todo o mês. Literalmente, recebo centenas de revistas. No entanto, na maioria, sinto uma falta em termos de história ou de enredo. Prefiro não citar os que gosto por receio que eu vá deixar alguém de lado ou que magoe alguém. Prefiro não citar nenhum.

HQM: Por causa da sua escola e seus filhos, precisa lidar com quadrinhos todos os dias. O que acha dessa nova geração de quadrinhos? Quem o Sr. acha que vai se tornar um grande sucesso?
Joe Kubert:
Acho que os jovens artistas que estão surgindo hoje são grandes artistas... são ótimos artistas. Sinto que o que falta neles é o enredo. O tipo de prática que nós temos em quadrinhos hoje, aqui nos Estados Unidos, é um milagre muito distante do modo como os quadrinhos pareciam 30 ou 40 anos atrás, quando a editora imprimia uma revista onde as cores combinavam dentro de um quarto de polegada. Isso era um milagre, isso era demais! Hoje, temos impressão que se parece com as da National Geographic, um papel bonito. O trabalho de arte é excelente! O trabalho de arte é bonito! Nem todas as histórias são realmente boas. Sinto, pelo menos a gente tenta ensinar isso aqui na escola, que é extremamente importante contar bem uma história. Algumas vezes os artistas se esquecem porque estão brincando com lindas ferramentas, com cores que são incríveis. Os desenhos são excelentes, mas eles se esquecem que é uma mídia de enredo, que você deve contar a história. E se você complicar o enredo, fica difícil para o leitor entender o que você está dizendo ou o que você está contando a eles. E assim, você não está fazendo o seu trabalho como artista. Também sinto que há muitos editores que não estão fazendo o trabalho deles como editores. Eles estão trabalhando como gerentes de tráfego. Estão dizendo quando o prazo estoura. Bem, pra mim isso é importante é claro, mas o editor tem que fazer mais do que estar ciente que o livro deve sair a tempo. Ele tem que checar os scripts, deve conversar com os artistas, deve conversar com os artistas quando ele sente que a história deve ser feita um pouco melhor, o que acho que não é feito tanto quanto deveria ser feito.

HQM: Seus filhos, Adam e Andy, começaram na DC e ficaram anos na Marvel. Recentemente eles voltaram para a DC. Nos conte sobre o que você acha dessa mudança. É uma nova era para ambos ou só uma mudança natural?
Joe Kubert:
Agora você tocou no meu assunto preferido: meus dois artistas prediletos (risos). Eu sou mais orgulhoso deles do que poderia descrever pra você. Além de serem artistas maravilhosos, são dois ótimos homens. Como você disse, eles começaram na DC. Foram para a Marvel e tiveram uma ótima passagem por lá. Depois, eles se separaram da Marvel. Nos melhores dos termos, eles são bons homens de negócios, são pessoas boas. Tanto o Adam quanto o Andy agem como devem, que é agir como profissionais. A separação da Marvel foi amigável, boa. Boa sorte foi atribuída a ambos, aos garotos e à Marvel. A razão pela qual foram pra DC é que eles queriam tentar coisas novas. Queriam mudar um pouco, e o que a DC oferecia era mais atraente em termos de histórias que eles poderiam fazer, a liberdade que teriam, que era parecida com a Marvel, mas só um pouco diferente. Então, foram para a DC. E a DC está feliz por tê-los. Paul Levitz ficou muito feliz por eles terem assinado um contrato com a DC. Eles vão fazer os quadrinhos mais renomados. Andy vai fazer o Batman. Ele já começou. Eu vi o trabalho. Eles estavam bem aqui no prédio. E Adam está fazendo o Superman. Então, eles estão fazendo os dois quadrinhos mais renomados para a DC e os que sempre quiseram fazer. Esses foram os que eles selecionaram. Acho que vão fazer coisas maravilhosas lá, coisas incríveis. Eles são dois homens muito talentosos e boas pessoas.

HQM: Depois do Sgt. Rock e do Jew Gangster, o Sr. tem um novo projeto. Qual será?
Joe Kubert:
O projeto novo ainda é algo que eu estou tentando formular. Sou muito sortudo porque qualquer coisa que eu invento parece ter pessoas querendo publicar. Há algumas diferentes direções que eu posso estar indo. Eu só acho que é muito cedo para discuti-las agora.

HQM: Como vê esses crossovers, como House of M e Infinite Crisis? Acha que eles realmente são necessários? A indústria precisa de upgrades de tempos em tempos?
Joe Kubert:
Eu prefiro não criticar outros trabalhos. Eu não gostaria de comentar especificamente sobre esses.

HQM: Há algum quadrinho que o Sr. não perde nenhum mês?
Joe Kubert:
Brian Azzarello, que escreveu o último Sgt. Rock que fiz, em 100 Balas. Amo o que ele faz. Acho que ele é um artista maravilhoso, faz um trabalho bonito e acho que Eduardo Risso é incrível. Este é um título que gosto muito.

HQM: Há algum escritor ou desenhista que gostaria de ter trabalhado junto, mas que nunca teve oportunidade?
Joe Kubert:
Gostei de trabalhar com Brian Azzarello. Não trabalhei com muitos escritores desde algum tempo. Gostei de ter trabalhado com Bob Kanigher. Ele era um escritor maravilhoso e um bom amigo. Gostei de fazer o Sgt. Rock que Brian Azzarello escreveu pra mim. Ele sabia o que nós queríamos. Conversamos antes de ele escrever. E foi um grande prazer pra mim. Mas meu único sentimento sobre o que queria fazer no futuro, é que prefiro, por bem ou por mal, escrever meus próprios materiais. Simplesmente porque quero fazer mais e mais, nesta altura do campeonato... que eu faça todo o serviço. Até mesmo agora, com o trabalho que estou fazendo para o Sgt. Rock. Eu escrevi, desenhei, editei, encapei. Fiz tudo nele, com ajuda de algumas pessoas. No entanto, eu dirigi tudo que envolvia o trabalho. Cada vez mais é isso o que quero fazer. Sinto que qualquer coisa que faça agora deve refletir o que tenho em mente e isso engloba a escrita também. Isso se torna muito importante pra mim.

HQM: Os quadrinhos já viram a Era de Ouro, a Era de Prata, a Era Sombria. Qual será a próxima?
Joe Kubert:
Eu não sei (risos). Provavelmente, a Era da Madeira e depois a Era da Lata... Quem sabe? Quando estava trabalhando regularmente na área, todos os anos em que trabalhava nisto, nunca soube que estava trabalhando na Era de Ouro ou na Era de Prata ou que quer que seja. As pessoas dão esses nomes, mas para mim eles não fazem o menor sentido... são absolutamente sem sentido.

HQM: Qual é o primeiro conselho para os novos alunos na Joe Kubert School of Cartoon and Graphic Art?
Joe Kubert:
Eles têm que estar bem certos sobre o que querem fazer, mas para trabalhar apropriadamente, há muito esforço, muitas horas, muitas semanas, meses, anos para aprender o que deve ser aprendido para trabalhar. Então, eles devem ser dedicados e sua motivação tem que ser uma das maiores. O estudante médio que freqüenta a escola aqui, já está desenhando. Ele vem cinco dias por semana, chega aqui às 8:30 da manhã e faz desenhos das 8:30 da manhã até às 2:45 da tarde. Então, eles estão desenhando o dia inteiro enquanto estão aqui. Eles têm duas aulas por dia, tem dever de casa em cada uma das suas aulas. Então, numa semana, eles têm dez aulas e tem dever de casa em cada uma de suas aulas. O dever de casa significa que eles estão desenhando na escola e para o dever de casa, em qualquer lugar, de 8 a 10 horas por dia, 6 a 7 dias por semana. Isso porque você não está forçando-os. Porque isso é algo que eles têm que querer. Se eles acham que é muito, se eles acham que estão desenhando muito para aprender como desenhar apropriadamente, então, isso é algo que eles não conseguem fazer. Isso é o que digo no dia em que chegam à escola. Se eles sentem que não conseguem fazer, se eles sentem que é muito difícil, então não façam! Porque tem muita gente que desenha bem, mas eles só desenham aquilo que gostam de desenhar. E não conseguem se tornar profissionais sob essas circunstâncias. Porque para desenhar profissionalmente, você tem que querer desenhar o tempo todo. Enquanto estou falando com você agora, por exemplo, estou sentado na minha mesa de desenhar. Tenho meu trabalho na minha frente. Este é o meu lugar predileto, onde mais me divirto. Pra mim, isto não é trabalho, é o meu prazer. As pessoas sempre me perguntam. Acham que é porque estou na ativa há anos que vou me aposentar. Acho que vou me aposentar no primeiro dia que eu disser que não vou trabalhar. Mas isto não é trabalho.

HQM: Foi o Sr. quem criou os quadrinhos 3D, uma grande novidade para época. Qual o conceito e a razão dessa inovação naquela época?
Joe Kubert:
Os quadrinhos em 3D foram uma inovação nos quadrinhos na qual trabalhei com algumas outras pessoas: minha esposa e meus amigos. Nós o criamos. Foi feito em 1952. Tudo começou quando eu estava no exército nos anos 50 numa estação na Alemanha. Enquanto estive lá, vi revistas que eram impressas em 3D com vermelho e verde, e elas continham óculos dentro. Quando vi, não prestei muita atenção. No entanto, quando voltei pra casa - fui dispensado em 1952 - voltei ao trabalho e consegui o apoio do meu amigo Norman. Nós decidimos nos unir e publicar juntos, revistas pela editora St. John. Eu tinha trabalhado no mesmo emprego antes. Fui para o exército e estava contente por ter saído. Naquela época, havia centenas de diferentes quadrinhos competindo nas bancas. Era muito acirrado. Então, estávamos sentados conversando e dissemos que precisávamos de algo diferente de qualquer outra revista em quadrinhos. Tínhamos que nos distanciar dos outros ou não teríamos chance de vender. Mas sentamos e tentamos superar o problema. E eventualmente, conseguimos. Criamos a primeira revista em quadrinhos 3D, que foi baseada no Mighty Mouse. Mighty Mouse foi a primeira revista simplesmente porque era o melhor personagem para a St. John, que sempre teve a revista inteira, o trabalho de arte e papel óptico todo preparado. E nos perguntaram se nós poderíamos convertê-lo em 3D. Meu amigo Norman e eu e, na verdade, nossas esposas, nos ajudaram porque o trabalho envolvia acetatos para obter alguns campos de profundidade e daí por diante. Para trabalhar com acetatos, você tem que pegar o verso da folha. Então, nós não conseguíamos ver os desenhos. Por isso, minha esposa e a de Norman fizeram o opaco no verso e nós a revista inteira. Elas deveriam fazer isso para os quadrinhos em 3D. Nós sabíamos! E fizemos. A mesma coisa foi como pudemos produzir por um preço que as pessoas pudessem comprar. Sabíamos que os quadrinhos eram vendidos por 10 centavos na época e que não podíamos ir além disso... Talvez, revistas em quadrinhos especiais fossem vendidas por 25 centavos. Então, o que tentamos foi sermos capazes de fazer isso em 3D e incluir os óculos nos livros. Isso era uma proposta cara. Finalmente, superamos o problema; e então fomos capazes de formular o livro inteiro com os óculos e vender por 25 centavos. A primeira edição de Mighty Mouse vendeu mais de um milhão de cópias... mais de um milhão e duzentas e cinqüenta mil cópias. Foi muito bem sucedido. E depois disso, todo mundo começou a lançar em 3D. Achavam que essa tendência venderia todas as revistas em quadrinhos. E nós, na St. John, tentamos evitar isso, tentamos dizer para que eles não fizessem isso. Mas eles disseram: “Não! Nós vamos lançar mais e mais”. Todo o negócio foi afogado em quadrinhos em 3D. Então, apesar do fato de o primeiro livro ter vendido tão bem, o sexto, o sétimo, o oitavo, venderam tão pouco que muitas das editoras de quadrinhos faliram porque venderam muito pouco.

HQM: Falando sobre Tex, como foi trabalhar com o personagem? O modo italiano de se fazer as coisas é diferente do americano?
Joe Kubert:
Deixe-me contar sobre o Tex. Foi muito interessante! Tenho um amigo, Erwin Rustemagic, que era o sujeito do Fax from Sarajevo que fiz anos atrás. Erwin tinha trabalhado com Sergio Bonelli na Itália. Sei que Sergio Bonelli também adorava a América do Sul e o Brasil. Ele ama a América do Sul e passou a maior parte do tempo dele lá. Sergio tinha me contatado algumas vezes para fazer Tex antes de me reunir com Erwin Rustamagic. Eu disse a ele: “Não! Eu tenho tanto trabalho! Eu tenho muito trabalho que eu não posso fazer um livro de 200 páginas! (risos) Eu não sei se vou ser capaz de encarar”. Bem, meu amigo Erwin ficou preso em Sarajevo de 1992 a 1994. Bonelli foi de grande ajuda a ele, mas ele saiu. Bonelli foi uma das primeiras pessoas que o ajudou com trabalho e o trouxe de volta para casa. Erwin tinha me dito que Bonelli estava perguntando se eu poderia fazer o trabalho. E eu disse: “Sim! Adoraria! Ele é um cara bacana, mas não tenho tempo”. E se eu continuasse, eu levaria três anos para terminar! No mínimo três anos para fazer a revista. Bonelli disse: “Tudo bem, você pode fazer, nós esperaremos esses três anos”. Comecei com a história e me levou seis anos pra acabar. Não que eu não estivesse trabalhando nela constantemente. Graças a Deus que sou sortudo e tive tanto trabalho para fazer que só pude fazê-la no meu tempo livre. Tanto que algumas vezes eu falei para o Sergio: “Você está esperando tanto por esse trabalho. Deixa eu te devolver o dinheiro. Deixe me esquecer de tudo isso porque é impossível!”. E Sergio me disse: “Não importa quanto tempo vai levar, faça”. E eu fiz!

HQM: Gostaríamos de sanar uma dúvida sobre a edição de Sgt. Rock - Entre o Céu e o Inferno, que saiu no Brasil em preto e branco. As cores são suas?
Joe Kubert:
Não sabia que havia sido lançado em lugar algum em preto e branco. Fui eu mesmo quem fez as cores. Mas algumas vezes, prefiro o trabalho em preto e branco. Até mesmo alguns trabalhos que estou fazendo recentemente, estou fazendo em preto e branco. Alguns trabalhos realmente ficam muito bons sem cores.

HQ Manics: Se não se importar, gostaríamos de saber com que idade o Sr. está hoje.
Joe Kubert:
(risos) Não é uma pergunta ruim. Estou com 79 anos!

HQM: Poderia dar uma mensagem para os seus fãs no Brasil?
Joe Kubert:
Minha mensagem é que estou ansioso pela próxima vez que possa voltar para o Brasil. Eu me diverti muito quando fui aí. Tenho bons amigos, muitos bons amigos. Das últimas vezes que fui, foi com minha esposa. Ambos nos divertimos muito. Estou ansioso pela próxima vez em que eu puder descer para a outra América.

HQM: Nós do HQM agradecemos muito a oportunidade de falar com o Sr. e pela bela entrevista que nos foi dada.
Joe Kubert:
Imagine. O prazer foi meu!

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Enemy Ace (Ás Inimigo)
Weird War Tales: Histórias de Guerra
 
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