MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
05/06/2006
MATÉRIA: OMAC - O EXÉRCITO DE UM HOMEM SÓ
 
 
Omac #1
 
 
Omac #8
 
 
Omac, de Jim Starlin
 
 
Kamandi #50
 
 
DC Comics Presents #61: Omac e Superman
 
 
Omac/Superboy em DC 1 Milhão
 
 
Omac, de John Byrne
 
 
Capa de Omac #1, de John Byrne
 



:: OMAC Pré-Crise
Estamos em 1974 e o mundo experimenta uma revolução. Nos quadrinhos, ainda vivemos a Era de Prata, ou, pelo menos, ainda somos influenciados por ela. Nas artes, vivemos o futurismo e imaginamos constantemente como será o futuro se um dia chegarmos a ele. As armas cada vez mais tecnológicas são o medo de uma população mundial dividida e, entre as duas grandes potências, pairam algumas perguntas: como criar o exército perfeito? Quantos homens são necessários? Qual o poderio que ele precisa ter?

Jack Kirby achou a resposta nos quadrinhos de forma inusitada quando criou Buddy Blank, o O.M.A.C., sigla de Exército de Um Homem Só, em inglês One Man Army Corps. A série não fez muito sucesso e foi cancelada após o oitavo número. Vamos contar um pouco dessa história para podermos avançar na saga do personagem que teve atualmente seu conceito mudado numa história que ainda está inédita no Brasil e que está relacionada à Crise Infinita.

Buddy Blank trabalhava em uma indústria chamada Pseudo-People Inc., que construía bonecos que uma vez montados se tornavam os melhores amigos artificiais. A indústria, porém, desenvolve um novo tipo de armamento que faz com que bonecos explodam assim que montados, sendo uma grande arma principalmente para assassinar líderes mundiais. O pacifista Projeto OMAC se desenvolve paralelo a isso, buscando o homem pacífico perfeito para ser abençoado com poderes ativados por um satélite autônomo chamado Brother Eye I (Irmão Olho, no Brasil), que concede ao escolhido força, resistência e recuperação sobre-humanas, além de vários outros recursos e informações.

O escolhido é Buddy Blank e sua primeira missão é destruir a indústria bélica em que trabalha. Após isso, o primeiro grande vilão de OMAC faz sua aparição: Senhor Big, que aluga Electric City para uma festa bem quando Buddy precisa chegar ao professor Myron Forest - que desenvolveu o Projeto OMAC ao lado da Agência Global da Paz -, e que é assassinado por dois capangas do vilão. Mesmo desmaiado após o mesmo ataque que matou Forest, OMAC se recupera e consegue parar Senhor Big, partindo em seguida para sua terceira missão. A Agência Global da Paz desenvolve pais perfeitos para Buddy, que desde que se transformou em herói não se lembra mais de seu passado. Um ditador na Europa Central, Marshall Kafka, é o próximo alvo da força de paz.

OMAC passa por todo o exército do vilão que deseja comandar o mundo de forma ditatorial - os EUA estavam cada vez mais querendo o patriotismo de seus habitantes nessa época. Kafka é preso e levado a julgamento, mas uma criatura chega pelo ar para atacar, em uma estratégia que planeja assassinar o ditador para que ele não seja levado a julgamento, assim como Hitler, que se matou em seu bunker em 1945. Mais uma vez o herói vence. Em seguida, um outro criminoso surge em Electric City, seqüestrando corpos jovens e fazendo transplantes de cérebros de grandes vilões já velhos para eles. OMAC e a Agência Global da Paz salvam o dia.

Como podem perceber aqui, cinco edições se passaram e a história já se torna repetitiva: um vilão, OMAC chega, e o dia é salvo. Era o primeiro passo para o cancelamento da série, que ainda teve mais três números. No sexto número, as ameaças são monstros que se deformaram devido à radiação e hormônios. Essa ameaça é menor porque os transplantes de cérebro ainda acontecem. OMAC consegue deter os verdadeiros vilões a tempo. O Doutor Skuba rouba toda a água do mundo, tentando se tornar o controlador do planeta através da natureza. Enquanto tentava invadir a base do vilão, OMAC é atingido por uma espécie de raio neutralizador que faz com que ele se torne uma vez mais Buddy Blank.

O satélite Irmão Olho tenta ajudar, mas é imobilizado enquanto Buddy e toda a ilha do Doutor Skuba explodem. É o fim da série OMAC, com uma continuação que nunca foi publicada em seu título. A revista não fazia sucesso com tantas repetições, mas quando se lê a publicação nos dias atuais, percebe-se onde os governos queriam chegar para dominar o mundo na época da Guerra Fria.

Mas a DC Comics, até então National, decide contar o resto da história de Buddy Blank e chama Jim Starlin, artista que ficou famoso por suas histórias cósmicas na Marvel, para escrever e desenhar o personagem como segunda história do título de Kamandi, em 1978. Kamandi era neto de Buddy Blank em duas linhas temporais diferentes e distintas, como explicaremos mais adiante. Após a edição número 59 de Kamandi, até então, a única onde OMAC foi publicado após o cancelamento de sua revista, o personagem passou para o título Warlord, de Mike Grell, nas edições #37 a 39 e 42 a 47, em 1980. Nessa história, a origem dos poderes de OMAC ficava clara, onde é explicado que ele é uma criação da Agência Global da Paz, na verdade cientistas do planeta Vision. A série tinha se tornado mais adulta, onde Starlin chegou até a trocar o uniforme do personagem.

Durante o tempo em que nosso herói ficou desacordado, uma nova ameaça, Wiley Quixote, destruiu a Agência Global da Paz e matou 1101 agentes de paz. OMAC é persuadido e se alia a Wiley, imaginando que acabaria com a violência se apenas uma corporação dominasse o mundo, se não houvesse mais brigas pelo controle do mercado. É outra crítica ao sistema. Mesmo assim, Starlin encerra muito mal o arco, com OMAC matando 56 mil pessoas e imaginando se estaria errado por apoiar a companhia de Quixote.

Dan Mishkan, Gary Cohn, Greg Larocque e Vince Colletta assumem o título após alguns meses e tentam reverter as péssimas histórias de Starlin. Um novo vilão surge, Vanquisher, enquanto OMAC invade a Verner, a companhia concorrente da IC&C (Internacional Comunicações e Comércio) de Quixote para tentar parar a guerra. Depois de uma briga, a Verner é conquistada, mas OMAC continua sendo manipulado. Ele acaba sendo preso em uma espécie de circo onde serve de atração, mas consegue se livrar. Após isso, ele começa a trabalhar com contrabandistas e descobre que o mercado negro é na verdade algo criado pelas próprias corporações que querem lucrar ainda mais.

Essa acaba sendo a última história da cronologia do OMAC pré-Crise (antes de Crise nas Infinitas Terras – a mega saga produzida por Marv Wolfman e George Pérez que redefiniu o universo DC). Seu arco nunca se concluiu e a revista do Warlord (Guerreiro, no Brasil) preenche as páginas restantes com outro herói, o Garra. Houve ainda outra história, fora da cronologia, na revista DC Comics Presents#61, onde ele se encontra com Superman. A história é escrita por Len Wein e desenhada por George Pérez e Pablo Marcos.

Mas o personagem teria mais importância para dois outros heróis situados ainda mais no futuro. Em duas linhas temporais alternativas e divergentes, OMAC voltou a ser Buddy Blank e teve um neto. Em uma dessas realidades, seu neto se tornaria Kamandi, chamado de o Último Rapaz da Terra. Em outra, ele se tornaria Léo Futuro, um dos Patrulheiros do Espaço. Devido ao fato de ser herdeiro de OMAC, Kamandi chegou até mesmo a se transformar por um breve período numa versão de seu ancestral na edição número 50 de sua revista. Kamandi só consegue voltar ao normal graças ao Irmão Olho, ainda em funcionamento após tantos anos.

Como podem ver, a história de OMAC é muito maior do que primeiramente imaginamos. Mesmo assim, é uma história triste, já que apenas alguns números da primeira série, a de Jack Kirby, eram bem conduzidos, sendo que os outros eram apenas repetições. Infelizmente, quando Starlin assumiu, isso só piorou, pois todo o sentido político ficou esquecido e OMAC não era mais o agente da paz que foi antes. Na verdade, ele negava os comandos do satélite e brigava por uma corporação em vez de lutar pela paz mundial.


:: OMAC Pós-Crise
Se no pré-Crise o personagem criado por Jack Kirby teve três encarnações, após a Crise nas Infinitas Terras isso mudou. OMAC teve apenas pequenas participações e homenagens em alguns títulos da DC, além de uma mini-série escrita e desenhada por John Byrne lançada em preto e branco. A série é, em alguns aspectos, continuação da série original, mas foi indicada apenas para leitores adultos na época de seu lançamento, em 1991.

Nessa história, OMAC já existe há vinte anos e vive no futuro do mundo dos heróis, o mundo de Flashs, Superman e Batman. Sua missão é salvar as pessoas afetadas por uma guerra tecnológica que teve seu início na guerra das corporações e que OMAC fez parte. Ele tem um último confronto com Sr. Big, seu primeiro vilão, que já se encontra velho. Ele quebra seu pescoço sem pensar. É nesse ponto que percebe que mesmo tendo sido criado para ser uma força de paz, ele é um agente criado para matar.

Mesmo assim, OMAC descobre que ainda há uma arma do Sr. Big, uma máquina temporal que fez com que o vilão se transportasse para o passado podendo destruir o mundo. OMAC viaja na mesma máquina para deter seu arquiinimigo. Ele acaba chegando ao passado, mais precisamente durante a Depressão nos EUA, mas é transformado em Buddy Blank e perde a memória por perder o contato com o Irmão Olho. Assim, ele decide ter uma nova vida, casando-se e trabalhando, mas não consegue parar de sonhar com vestígios de sua vida anterior.

As sensações só pioram quando Buddy vai visitar uma nova corporação, que desenvolve novos bonecos chamados de Pseudo People. A história se repete. Ele acaba por se encontrar com o Sr. Bigello, que o reconhece como OMAC. Após ser esfaqueado, Buddy recupera seu poder e o satélite reaparece, sendo que na verdade ele chega ao passado neste momento. O satélite lembra OMAC que Hitler foi um dos passos para a destruição nuclear nos anos seguintes e, com isso, manda seu arauto o destruir. Quando Blank está voltando para os EUA, ele recupera sua memória e lembra que está casado, que vai ter um filho e acaba lembrando onde está Sr. Big - vivendo no passado como o Sr. Bigello. Sua missão vai por fim acabar.

Após a última luta, onde o Sr. Big é novamente morto, cinqüenta anos se passam e OMAC é mais uma vez Buddy Blank. Ele conversa com o Irmão Olho, afirmando que toda sua vida faz parte de um círculo, e que tudo já aconteceu antes. Ele é agora o avô do Buddy Blank que daria origem ao OMAC, e a história se repetiria infinitas vezes para que tudo desse certo. Byrne, que é mais conhecido por seu trabalho na reformulação do Superman, por suas histórias em X-Men com Chris Claremont e as excelentes aventuras com o Quarteto Fantástico, também deveria ser lembrado por seu trabalho em OMAC. Sua mini-série conserta todos os erros do passado, desde que as histórias de Jack Kirby foram canceladas.

Depois disso, o artista usou mais uma vez o personagem em sua terceira mini-série Gerações – que colocam Superman e Batman em uma realidade alternativa contada através dos séculos e repleta de referências. As outras homenagens para OMAC pós-Crise foram em duas sátiras - uma em Piores do Mundo e outra em Bizarro Comics; uma versão futurística do Superboy do século 853 - que voltou a aparecer brevemente quando o Superboy do presente viajou pelo Hipertempo, em DC Um Milhão; outra breve aparição na mini-série LJA: Outro Prego, de Alan Davis; e em uma história recente de Paul Pope, na revista Solo, no número totalmente dedicado ao artista.

Resta agora aguardar pela publicação de Omac Project no Brasil e ver o que o futuro nos reserva. Até lá, esperamos trazer mais algumas matérias relacionadas à Crise Infinita que poderão situar melhor os leitores aos grandes acontecimentos que estão por vir no Universo DC e que poderão surpreender muita gente. A nova Crise está apenas começando!



Agradecimentos especiais ao amigo Cláudio Roberto Basílio (Brodie Bruce) e Leonardo Buddy Baker, que ajudaram a esclarecer algumas dúvidas nesta matéria.

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