MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
22/06/2006
COLUNA - AS RENEGADAS: AS HQS INÉDITAS NO BRASIL
 
 
Four Horsemen #1 - Famine (Fome)
 
 
Four Horsemen #2 - War (Guerra)
 
 
Four Horsemen #3 - Pestilence (Praga)
 
 
Four Horsemen #4 - Death (Morte)
 
 
Pulp Fantastic
 
 
 
 
 
 



As Renegadas é a coluna do HQ Maniacs onde Artur Billy Batson mostra aos leitores quadrinhos ainda inéditos no Brasil.


Olá pessoal! Vamos ao nosso segundo especial temático de As Renegadas. Primeiro, falamos de Kyle Baker, que é para mim um dos grandes gênios dos quadrinhos undergrounds. Agora, vamos ao evento que a Vertigo fez em comemoração à virada do milênio: o V2K, uma brincadeira com Y2K (abreviação em inglês do ano 2000).

V2K foi formado por cinco títulos, incluindo I Die at Midnight, de Kyle Baker, já falada na coluna especial do artista. Portanto, creio que é desnecessário repetir a crítica. O especial Kyle Baker pode ser conferido clicando aqui. Vamos ao V2K! 


:: Four Horsemen
O milênio acabou, e na virada, os Quatro Cavaleiros do Apocalipse voltaram para espalhar suas pragas pelo mundo. Quando chegam aqui, porém, encontram o mundo um pouco diferente do que era quando o deixaram.

Eles desembarcam na Times Square, onde uma cantora de rock faz um show para milhares de pessoas. Ela canta uma música em exaltação ao fim do mundo, mas isso se tornou algo normal nos dias de hoje, não é?

Entrando em um bar, os quatro cavaleiros se deparam com uma garota. Fome, o primeiro a ser abordado na minissérie, vai conversar com Meg, que conta seus problemas enquanto bebe. Ela é uma enfermeira e está desacreditada com a fome no mundo.

Guerra, por sua vez, depara-se com um estrategista econômico, que lhe conta como hoje em dia se ganha territórios e influências. Não é preciso mais posicionar e matar milhões de homens - tudo o que se precisa agora é gastar alguns milhões de dólares na conta de uma ou duas pessoas para que a nação inteira se perca em comando alheio.

Praga descobre que nenhuma doença agora é pior do que a falta de privacidade. A individualidade foi tomada por um jogo hierárquico de interesses que vigia por horas a fio as vidas das pessoas alheias afim de controlá-las em sua totalidade do tempo. Esse tipo de filosofia é inclusive estudada por um filósofo moderno chamado Michael Focault em sua obra Vigiar e Punir (o HQM também é cultura).

Morte, por fim, encontra os assassinos, excluídos do sistema, e percebe que não detém mais o controle pela vida, que não é mais o regulador do mundo – a entidade que fecha o ciclo que começa com a fome, que gera a guerra, e também gera pragas que assolam milhões. Com isso, os Quatro Cavaleiros do Apocalipse também se adaptam ao novo milênio, transformando-se em Informação, Corporação, Fecundidade e Incoerência.

Robert Rodi e Essad Ribic, a dupla criativa da aclamada minissérie Loki, trabalham muito bem, e com muita ironia, o mundo atual. Sua visão apocalíptica é única, nunca vista antes. A minissérie com certeza é divertida, mas espero que assim como eu, quem leia perceba que o mundo anda muito errado.


:: Pulp Fantastic
Um detetive em um milênio diferente do nosso, mais parecido com a Los Angeles de Blade Runner. Um detetive particular é contratado para achar a esposa de um cara que está preocupado com a chegada de sua sogra na Terra. Vector Pope tem quatro dias para completar a missão.

Uma igreja domina essa nova população - a Primeira Igreja do Milênio -, e um coroinha de doze anos trabalha para o detetive. Ele é, nesse mundo, o melhor informante que alguém pode ter. Como eu já disse antes aqui na coluna, toda boa história de detetives envolve uma mulher, e essa não é diferente.

Pulp Fantastic é uma história nos moldes de Howard Chaykin, que a cada trabalho que passa está melhor, com certeza. Os desenhos de Rick Burchett completam o visual Pulp, e dão realmente ao detetive Pope um ar de Deckard, que para mim, é o melhor papel que Harrison Ford já interpretou.


:: Totems
Uma festa de ano novo um pouco diferente. Imagine se você fosse garçom na virada do milênio e servisse champagne para a Orquídea Negra, o Homem Animal, Zatanna, John Constantine, o Monstro do Pântano, Shade, e Cliff, o Homem-Robô da Patrulha do Destino. Pois é, estamos falando de Totems.

Lembrando que Constantine é o anfitrião da festa, o que temos? Muita bebida e, posso garantir, a diversão toda está no anti-herói inglês correndo atrás delas a revista inteira e brigando com os convidados.

Constantine desmaia e, em uma tentativa da Orquídea Negra ajudá-lo, os personagens são transportados para algum outro lugar, onde pirâmides alienígenas e selvas ocupam a Times Square.

A psicose por conspirações toma lugar nessa comemoração estranha do ano 2000, muito divertida, como todas as outras séries do V2K. O impressionante são nomes como Tom Peyer, Alex Sinclair e Duncan Fegredo trabalhando juntos. Mas, um bom time só pode fazer uma boa história, ainda mais com esses grandes personagens.

Então, aproveite e procure Totems para ler.


:: Brave Old World
O Bug do Milênio aconteceu. A catástrofe foi maior do que computadores desligando. Imagine só se tivesse acontecido de verdade.

Agora imagine se o bug do milênio fosse um evento cósmico, que fizesse com que o tempo voltasse ao ano 1900, e não só os computadores. Uma equipe de cientistas descobriu isso e, parecem que são os únicos que se lembram do acontecimento. Eles estão parados e agora em 27 de Janeiro de 1900, um deles constrói uma máquina do tempo para tentar voltar para casa.

Voltar para casa não por vontade, e sim porque um ser do mesmo ano 2000 volta e diz que, se eles tentarem alterar o futuro pelo passado e construir uma tecnologia invulnerável ao bug, o mundo se tornará uma catástrofe.

O dilema está jogado. Mudar o passado não é viável, voltar com a tecnologia existente também não. Como os cientistas irão se adaptar nessa vida no bom e velho mundo antigo? O roteiro é de William Messner-Loebs, com arte de Guy Davis e Phil Hester.


É isso aí pessoal, agora vocês já conhecem um pouco mais de V2K, um mega-evento que não alterou nada nos quadrinhos, como muitos hoje em dia vêm fazendo, mas que com certeza, divertiu muitos que viveram a paranóia constante do ano 2000. Será que daqui a mil anos nossos sucessores terão com o que se preocupar também? Não sei.

Na próxima edição da coluna voltamos à nossa programação normal, mas para os que gostam dos especiais, tenho um do Warren Ellis programado, mas isso é outra história. Mais uma vez gostaria de lembrá-los: mandem suas sugestões e opiniões para essa coluna no e-mail billybatson@hqmaniacs.com. Este especial, por exemplo, foi sugestão de um companheiro do fórum HQ Maniacs, que queria saber mais sobre a série. Aguardo seu e-mail. Até a próxima!

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