MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
18/07/2006
MATÉRIA: SUPERMAN - RÁDIO, CINEMA E TV
 
 
Clayton “Bud” Collyer: o Superman do rádio
 
 
O Superman dos Irmãos Fleischer
 
 
Kirk Alyn: o Superman da década de 1940/50
 
 
George Reeves: morto misteriosamente
 
 
Superpup: o supercão
 
 
O Superman da Filmation
 
 
Superman e os Superamigos
 
 
Superman - O Filme
 



Nos dias de hoje, os cinemas e a TV estão sendo inundados de adaptações de quadrinhos. E não só de personagens famosos como Batman e Homem-Aranha, mas também de trabalhos pouco conhecidos do grande público e que não envolvem super-heróis, como foi o caso dos filmes Estrada Para Perdição e Marcas da Violência. Mas a onda das adaptações já foi febre também no passado, com séries de TV e cinema, e até mesmo radionovelas. Neste último item, fizeram sucesso personagem como O Sombra e o Besouro Azul original. E foi este também o primeiro passo do Superman fora dos quadrinhos.

A seguir, vamos conhecer um pouco mais sobre as encarnações do Homem de Aço em suas adaptações para rádio, cinema e TV.

A radionovela do Superman começou a ser transmitida no dia 12 de fevereiro de 1940. O herói foi personificado pelo ator Clayton “Bud” Collyer, grande sucesso nas rádios da época. Pouco lembrada nos dias de hoje, essa série de rádio foi responsável pelo surgimento de personagens e conceitos muito importantes para a mitologia do Último Filho de Krypton. Foi nela que surgiram Jimmy Olsen, Perry White, o Inspetor Henderson e até mesmo a mortal kryptonita. Foi nela também que surge o jornal Planeta Diário, já que nas HQs o repórter Clark Kent trabalhava até então no Estrela Diária. O show continuou até 1951 e, durante estes anos, mostrou Superman lutando com os mais diversos tipos de inimigos, embora os mais comuns fossem os cientistas loucos. O herói ainda contou em diversas ocasiões com a ajuda de Batman e Robin.

Em 1941, foi a vez do Homem de Aço debutar nas animações, através de 17 episódios criados pelos Irmãos Fleischer para a Paramount até o ano de 1943. Cultuada até hoje, essa série de desenhos foi incrivelmente inovadora, utilizando técnicas surpreendentes de animação, que até hoje se mostram eficientes. Serviu de inspiração para Bruce Timm na criação da série animada de Batman nos anos 90 e toda a seqüência de animações dos personagens da DC sob sua supervisão. A voz do Superman nas rádios, Clayton Collyer, novamente se fez presente aqui.

Em 1948, o ator Kirk Alyn se tornou o primeiro ator a personificar o herói no cinema, num seriado produzido pela Columbia chamado simplesmente Superman, cuja vilã era Lady Spider. Alyn disse na época ter baseado sua interpretação no trabalho de Collyer no programa de rádio. Em 1950, o ator voltou ao papel em Atom Man vs. Superman (O Homem Atômico contra Super-Homem). Cada seriado teve 15 episódios e sempre mostravam as cenas de vôo através de animação, decisão tomada depois de alguns acidentes durante as gravações. A destruição de Krypton também foi apresentada em animação.

Em 1951, foi exibido nos cinemas o filme Superman and The Mole Men, com George Reeves no papel do protetor de Metrópolis. O filme na verdade era um piloto para a série de TV As Aventuras do Super-Homem, que só iria estrear no dia 19 de setembro de 1952. Originalmente em preto e branco, a série começou a ser exibida em cores em 1954. Boa parte das tramas tinha início nas investigações jornalísticas de Lois Lane e Clark Kent. O programa durou até o dia 28 de abril de 1958, com cinco temporadas. Houve duas Lois Lane neste seriado: Phillis Coates e a partir da segunda temporada Noel Neill, que apenas voltava ao papel que já havia protagonizado nas produções estreladas por Kirk Alyn. Muitos profissionais que na época trabalhavam nos quadrinhos do herói também foram responsáveis pelos roteiros da série, capitaneados por Mort Weisinger.

Uma sexta temporada já estava sendo roteirizada quando George Reeves foi encontrado morto no dia 16 de junho de 1959. Até hoje, as circunstâncias de sua morte não foram totalmente esclarecidas. O ator foi encontrado baleado e logo se levantou a suspeita de suicídio para mais tarde ser levada em consideração a hipótese de assassinato motivado por ciúmes. Reeves ainda interpretou o Superman em outro programa, num episódio da série cômica I Love Lucy.

Em 1958, foi a vez do momento mais vergonhoso da carreira do Superman fora dos quadrinhos, com a realização de The Adventures of Superpup, onde, ao invés de seres humanos, todos os atores usavam fantasias de cachorros. A idéia era de fazer uma nova série de TV, mas obviamente o projeto logo encontrou o fracasso, nunca passando do episódio piloto. A única curiosidade era o ator Billy Curtis no papel principal. Ele interpretou um dos Mole Men em Superman and The Mole Men.

Mais um fracasso ocorreu em 1961, com a produção de The Adventures of Superboy, série que só teve o episódio piloto, que nunca foi ao ar, mesmo tendo já prontos os scripts de 12 episódios.

O sucesso só foi novamente alcançado em setembro de 1966 nas animações da Filmation, onde o herói tinha novamente a voz de Bud Collyer. Primeiro foi o programa The New Adventures of Superman, onde enfim Lex Luthor apareceu na TV como um grande vilão e até mesmo o Superboy tinha algumas aventuras ao lado de seu cão Krypto. Em 1967, o herói começou a dividir o programa com Aquaman, com o novo nome The Superman-Aquaman Hour. Mais tarde, o programa seria novamente mudado, desta vez para The Batman/Superman Hour, indo ao ar até 1968.

Entre 1973 e 1985 foram ao ar diversas encarnações da animação Superamigos, equipe onde o Homem de Aço tinha grande destaque ao lado de Batman, Robin e Mulher-Maravilha. Em seus muitos anos de existência, o programa apresentou muitos dos vilões do Superman, como Lex Luthor, Darkseid, Brainiac, Bizarro, Homem dos Brinquedos e Sr. Mxyzptlk. Vale ressaltar o excelente episódio The Return of The Phantoms, onde os criminosos da Zona Fantasma viajam no tempo para atacar o Superboy.

Mas a mais memorável adaptação para qualquer mídia viria somente em 1978, com Superman: o Filme. Com a competente direção de Richard Donner e história de Mario Puzo, o mesmo de O Poderoso Chefão, com colaboração do quadrinista Carmine Infantino - colaboração essa por vezes confirmada, por vezes negada. O filme foi um grande sucesso e é ainda considerado como a melhor adaptação de quadrinhos para o cinema, crédito mais do que merecido. No elenco estão grandes nomes como Marlon Brando (Jor-El), Glenn Ford (Jonathan Kent) e Gene Hackman (Lex Luthor). Margot Kidder dava vida a uma determinada e divertida Lois Lane, enquanto Christopher Reeve foi o Superman definitivo, fazendo com que seu rosto e sua atuação sempre sejam referência ao Homem de Aço. Kirk Alyn e Noel Neil, antigos Clark e Lois, interpretam numa breve cena os pais de Lois Lane.

A continuação, Superman II - A Aventura Continua, estréia em 1980, mantendo o ótimo nível, embora tenha algumas “licenças criativas” quanto aos superpoderes dos personagens. Terence Stamp volta ao papel do General Zod, que aparece brevemente no primeiro filme. Desta vez, junto de seus companheiros criminosos da Zona Fantasma, se alia a Lex Luthor. Uma curiosidade: o ator Richard Griffiths, que interpreta o tio de Harry Potter nos cinemas, aparece aqui rapidamente no papel de um terrorista.

Em 1983, estréia Superman III, já mostrando sinais de enfraquecimento, com um vilão pouco atrativo, mas ainda mantendo a ótima interpretação de Christopher Reeve. Margot Kidder só dá as caras no final do filme, sendo que Lana Lang a substitui como interesse romântico, interpretada por Annette O´Toole. Quem rouba a cena é o comediante Richard Pryor.

Aproveitando o sucesso dos filmes do Homem de Aço, é lançado em 1984 Supergirl, o filme da prima do herói, com Helen Slater no papel principal. Superman não aparece no filme e isso é explicado rapidamente, quando é informado que o herói saiu em missão no espaço. Em compensação, Jimmy Olsen está presente com o mesmo ator dos filmes de Superman: Marc McClure. Quem também dá as caras é a irmã de Lois, Lucy Lane.

Em 1987, Christopher Reeve interpreta o Homem de Aço pela última vez em Superman IV - Em Busca da Paz, o mais fraco filme da série, onde o herói decide acabar com a ameaça nuclear em todos os países do planeta, mas acaba enfrentando um tipo de Homem-Nuclear, criação de Lex Luthor.

Uma nova série animada surge em 17 de setembro de 1988, durando somente uma temporada de pouco sucesso. Muitos dos roteiros foram feitos pelo famoso Marv Wolfman e o design do herói ficou a cargo de Gil Kane. Essa animação é mais lembrada pelo fechamento de cada programa mostrando o álbum da família Kent, ou seja, um fato envolvendo o desenvolvimento dos poderes do jovem Clark.

Também em 1988, estreou um seriado do Superboy que durou um pouco mais: quatro temporadas que foram exibidas até 1992. Neste seriado eram mostradas as aventuras do jovem herói, que na sua identidade secreta estudava na Universidade Shuster (em homenagem a Joe Shuster, um dos criadores do personagem) ao lado de Lana Lang e T. J. White, filho de Perry White, editor do Planeta Diário. Na universidade também estava o vilão principal da série, Lex Luthor. Outros vilões deram as caras, como Bizarro, Sr. Mxyzptlk e Metallo. Superboy foi inicialmente interpretado por John Haymes Newton para mais tarde ser substituído por Gerard Christopher, numa estratégia para melhorar a audiência, que andava baixa.

Já em 1993, estreou Lois & Clark - As Novas Aventuras do Superman, que, como o nome já diz, era bastante centrado na relação amorosa dos dois protagonistas. Amada por uns e odiada por outros, principalmente pelo forte tom cômico, a série tinha Dean Cain como Superman e Teri Hatcher como Lois Lane. Lex Luthor dava muito trabalho no programa, tanto cometendo crimes como tentando conquistar Lois. Outros vilões também ganharam versões, bem alteradas é verdade, como Metallo, Galhofeiro e Sr. Mxyzptlk, mas a organização criminosa Intergangue foi quem teve mais destaque, chegando até a ter o ator Bruce Campbell (da trilogia Uma Noite Alucinante) interpretando um de seus líderes.

A atriz Tracy Scoggins vivia Cat Grant, uma verdadeira tarada que tentava de tudo para agarrar Clark, o que era uma visão exagerada do que realmente ocorria nas HQs. A atriz anos mais tarde integrou o elenco da série Babylon 5. Phillis Coates, a primeira Lois do primeiro seriado de TV voltou nesta série como a mãe de Lois. Houve ainda dois atores para Jimmy Olsen, primeiramente Michael Landes (do filme Dungeons & Dragons) e depois Justin Whalen.

A série influiu nos quadrinhos por causa do casamento dos personagens. De início atrasou o matrimônio que já estava planejado nas HQs, para mais tarde apressá-lo, já que com o casamento anunciado na TV, a DC preferiu fazê-lo primeiro nas HQs, mesmo que na época os pombinhos estivessem brigados. Outros destaques do programa foram o vilão viajante do tempo Tempus (que nos quadrinhos é um herói), que rendeu alguns dos melhores episódios, e o arco envolvendo a invasão da Terra por Nova Krypton. A série teve 88 episódios distribuídos em quatro temporadas. O cancelamento ocorreu em 1997.

Antes do fim de Lois & Clark, Superman ganhou uma nova série animada criada pelas mesmas mentes por trás do sucesso que foi a animação de Batman: Bruce Timm e Paul Dini. Estreando em 6 de setembro de 1996, o programa trazia ótimas histórias, cheias de referências aos quadrinhos e foi um grande sucesso. Boa parte da galeria de vilões do herói foi utilizada, com destaque para Lex Luthor, Brainiac e Darkseid. Muitos outros heróis participaram, como Batman, Aquaman e Flash; além dos aliados corriqueiros Aço e Supergirl. O final na série se deu em 2000, totalizando 65 episódios. Uma versão futurista deste Superman chegou a participar de dois episódios de Batman do Futuro.

Em 2001, Superman estava de volta ao mundo das animações, desta vez como membro da Liga da Justiça. O personagem por si só já tinha grande destaque na série, que deu continuidade a muitas tramas e conceitos do desenho solo do Último Filho de Krypton. O sempre presente Lex Luthor e Darkseid foram alguns dos vilões mais importantes do programa, que em 2004 se tornou Liga da Justiça Sem Limites, ampliando o leque de heróis na equipe, incluindo Supergirl e Aço. O desenho foi cancelado em 2006.

Também em 2001, se deu a estréia de Smallville, outra série televisiva centrada na juventude do herói, só que desta vez mostrando somente um jovem Clark Kent ao invés da persona Superboy. A caminho de sua sexta temporada, a série é um grande sucesso e traz Tom Welling como Clark, Michael Rosenbaum (a voz do Flash do desenho da Liga da Justiça) como Lex Luthor, Kristin Kreuk como Lana Lang, Annette O´Toole (a Lana Lang de Superman III) como Martha Kent, John Schneider (da série Os Gatões) como Jonathan Kent, Allison Mack como Chloe Sullivan, Erica Durance como Lois Lane, John Glover (de Batman & Robin) como Lionel Luthor e James Marsters (o Spike de Buffy e Angel) como Brainiac. Jeph Loeb, que já escreveu diversas histórias do personagem nas HQs, serviu como consultor do programa, além de ter escrito alguns episódios.

A série chegou a contar com as participações de Christopher Reeve e Margot Kidder nos papéis de, respectivamente, Dr. Virgil Swann e Bridgette Crosby. Terence Stamp, o General Zod do cinema, é presença constante na série, revertendo totalmente seu papel anterior, fazendo aqui a voz de Jor-El. Muitos outros personagens dos quadrinhos já deram as caras: Perry White, Bart Allen, Cyborg, Morgan Edge, Maggie Swayer, Sam Lane, Professor Hamilton, Mxyzptlk e Aquaman.

Em 2005, quem ganhou série animada foi Krypto, o Supercão. Ainda indo ao ar, o programa é voltado ao público infantil apresentando, além de Krypto, o cão de Batman, as hienas do Coringa, a iguana de Lex Luthor, entre outros superanimais. Superman vez por outra faz breves aparições.

E enfim chegamos ao nosso ano de 2006, com o excelente Superman - O Retorno. Mas não vamos nos aprofundar no mais novo filme do Homem de Aço, já que temos um review só para isso. Só vamos destacar a presença do falecido Marlon Brando novamente como Jor-El e as participações de Jack Larson (o Jimmy Olsen do seriado dos anos 50) como um barman que serve Jimmy e Clark; e Noel Neill, a antiga Lois Lane, como Gertrude Vanderworth, senhora vítima das trapaças de Lex Luthor.

Mas 2006 também foi o ano do longa metragem animado Brainiac Attacks!, que embora inspirado visualmente na série dos anos 90 e com algumas vozes de volta, está recebendo muitas críticas negativas. Ainda neste ano estréia outra série animada, Legião dos Super-Heróis, apresentando a equipe futurista ao lado de um jovem Superman. Inicialmente a idéia era mostrar Superboy, mas disputas judiciais forçaram a mudança.

No dia 2 de fevereiro de 2007 estréia mais um filme: Hollywoodland, que não é sobre o Superman, mas sim sobre o ator George Reeves, explorando o mistério de sua morte. O maior de todos os Supermen depois de Christopher Reeve é vivido pelo ator Ben Affleck.

A carreira do Superman fora dos quadrinhos está longe de acabar. Uma continuação para Superman - O Retorno deve ocorrer e o diretor do filme, Bryan Singer, já declarou gostar da idéia de dirigir um encontro entre o Homem de Aço e Batman. Não é de surpreender a renovação do interesse sobre o personagem, afinal depois de anos de espera fomos agraciados com um ótimo filme, acompanhado de uma melhora substancial nas HQs.

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Lois & Clark: Anos 1990
O Superman de Smallville
 
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