MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
30/08/2006
MATÉRIA: AKIRA - DO JAPÃO PARA O MUNDO
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



Japão, ano de 1988. Estoura a Terceira Guerra Mundial. O Japão é bombardeado mais uma vez e o efeito é devastador. O local da bomba: Tokyo.

Passados 31 anos desse episódio, o mundo está sendo reerguido. Neo-Tokyo é escolhida como sede das Olimpíadas. A sociedade se torna cada vez mais complexa, onde todos querem ter algum poder em cima dos outros: gangues, grupos revolucionários, órgãos governamentais e entidades religiosas. A decadência, o clima de incertezas, caos, um Estado policiado, disputas entre gangues, a luta por liderança e poder se torna comum. O mundo não é mais o mesmo...

É assim que começa Akira, criado por Katsuhiro Otomo. Inicialmente publicado na revista Young Magazine da editora Kodansha de 1982 até 1990 e depois transformado em seis volumes de tankohons (os livros de bolso), totalizando mais de 2000 páginas de quadrinhos. Mesmo na época, Otomo transformou o visual dos mangás com a exploração dos enquadramentos em detalhes muito técnicos (não só em Akira, como também em suas criações anteriores), além de um traço que se aproxima mais da realidade. O autor procura sempre essa visão futurista, passando para o papel todos os temores do mundo depois do final da Segunda Guerra Mundial.

Em Akira, Kaneda é o líder de uma gangue de motoqueiros que sempre disputam com seus maiores rivais, a Gangue do Palhaço, a liderança da região de Neo-Tokyo. São os jovens "filhos" que a Terceira Guerra Mundial criou: crianças abandonadas à própria sorte em meio a um ambiente de caos, violência e destruição do pós-guerra.

Próximo ao marco-zero da bomba que destruiu Tokyo, as gangues de Kaneda e dos Palhaços estão novamente em perseguição. Tetsuo, integrante da gangue e amigo de infância de Kaneda, quase atropela uma estranha criança. A moto fica destruída e Tetsuo ferido. Kaneda vai tomar satisfações e percebe que essa criança, com feições de uma pessoa idosa, sai ilesa. Nesse momento aparecem helicópteros com soldados altamente armados que levam a criança e também Tetsuo para uma base militar onde o governo lidera um setor de pesquisa que desenvolve poderes psíquicos para fins bélicos. O incidente com a criança nº 26 (número tatuado na palma de sua mão) e as intensas experiências dentro da base, faz com que um poder latente de Tetsuo passe a ser de interesse de um projeto secreto liderado pelo governo japonês.

Neste meio tempo, Kaneda descobre o envolvimento de uma força de resistência anti-governamental liderada pela entidade religiosa de Lady Miyako (nº 19, uma das primeiras experiências com crianças superdotadas – ela detém apenas o poder de prever acontecimentos), onde Kay e seu irmão Ryu trabalham para investigar e averiguar o que o governo está fazendo para controlar as armas criadas na Terceira Guerra. No entanto, os poderes de Tetsuo crescem de tal modo que o jovem acaba perdendo o controle, sendo um poder próximo ao de Akira. Para salvar seu amigo de infância, Kaneda acaba se aliando ao grupo de resistência junto com Kay.

No decorrer da história, mais crianças como o nº 26, chamado Takashi, e Lady Miyako, permanecem vivos e escondidos dentro de uma área secreta do governo no Estádio Olímpico de Tokyo: Masaru, nº27 e Kiyoko, nº 25 (Akira é o nº 28). Descobre-se que Akira foi mantido preso dentro de uma câmara criogênica porque seus poderes fugiram do controle. Especula-se que foi essa pequena criança que causou a Terceira Guerra Mundial. Tetsuo descobre que existe alguém tão forte quanto ele e decide enfrentá-lo. Na procura incessante, ele passa a enfrentar o poder do governo, que decide usar o satélite militar SOL (a mesma arma usada na Terceira Guerra para parar Akira) e destruir tanto Tetsuo quanto Akira com seu canhão laser, mas o único ferido acaba sendo Tetsuo. Akira ainda está semiconsciente devido ao longo tempo adormecido e é salvo por Kay e Kaneda.

Neo-Tokyo entra em estado de alerta. Esse pré-anúncio de uma nova onda de destruição gera desespero e tumulto entre as pessoas que não entraram nos abrigos subterrâneos. Kay e Kaneda perdem Akira de vista porque Lady Miyako tenta recuperar a única força capaz de parar Tetsuo. Depois do despertar de Akira, há um contra-ataque à força de resistência de Lady Miyako, liderado pela força psíquica de Tetsuo, deixando mais um rastro de sangue dentro do templo.

Tetsuo se torna muito mais forte quando junta sua sede de vingança e ódio a uma violenta overdose de drogas que usava para diminuir sua dor provocada por seus próprios poderes psíquicos, tornando-se incontrolável. Seu poder extrapola os limites de seu corpo e ele se torna uma massa viva e desordenada. Sua mente, no entanto, se perde entre visões que se relacionam não só a ele, como também ao universo ao seu redor, lembrando de seu próprio nascimento, de como conheceu Kaneda, além do tempo que cresceu e quando formou a gangue com ele. O satélite SOL é novamente usado, mas dá mais forças para a massa grotesca, que passa a engolir tudo o que vê pela frente. Agora a única esperança é usar Akira para derrotar Tetsuo, seria esse o fim do mundo?

Akira ainda é considerada uma das melhores animações de sua época, mesmo com seu tema forte, envolvendo violência, drogas e sexo, ou seja, todos os temas que normalmente nem chegam na nossa tevê. É cultuado até hoje como um excelente trabalho de animação de ação e ficção-científica. Otomo conseguiu aliar uma história fictícia com os fatos que envolvem a sociedade, a política e até o religioso, criticando a alienação dos jovens, o governo corrupto e ineficiente e as conseqüências do mundo moderno, mantendo um tema atual que consegue estar relacionado com a nossa própria realidade.

Akira é tudo isso para quem pôde ler um pouco do mangá ou mesmo assistir a versão para o cinema, que reuniu as principais partes de todo mangá em duas horas de filme e mudou completamente o conceito de animação em 1988, ano que a Disney ainda imperava com suas animações em longa metragem. Ainda pode-se encontrar a versão em VHS do filme que foi lançado pela Europa Home Vídeo em 1990, tanto em versão legendada quanto na dublada.

Akira foi o primeiro mangá japonês a ficar famoso no mundo todo a partir de 1988 também por sua versão em mangá ser publicada nos EUA, sendo também o primeiro a ser colorido por computador, trabalho feito por Steve Oliff para o selo Epic Comics da Marvel. Foi reeditado em 2000 pela Dark Horse.

No Brasil, Akira foi publicado de dezembro de 1990 a setembro de 1993 pela Editora Globo até a edição #33. Os cinco números restantes, as edições #34 a 38, somente foram lançadas entre 1997 e 1998. Segundo a própria Globo, devido ao sucesso da série e a publicação simultânea em várias partes do mundo, inclusive na Europa (que teve o privilégio de receber os fotolitos antes da editora brasileira), a série da Epic/Marvel acabou encostando com o material japonês, que ainda não havia terminado na época. E o material da Marvel ainda tinha que ser colorido por Steve Oliff. Conseqüentemente, o final da série atrasou em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. Mas, felizmente, os leitores brasileiros conseguiram ler a série completa – mesmo que tenham que ter esperado mais quatro anos para que isso acontecesse. Posteriormente, a Globo lançou encadernados compilando toda a série.

Katsuhiro Otomo produziu ainda grandes trabalhos depois de seu sucesso Akira.  Entre eles Domu e Memories, além de trabalhar para produções como Steamboy e Metrópolis, de Osamu Tezuka. Para aqueles que desejam conhecer mais sobre o autor e desenhista, vale uma visita ao site http://www.bandaivisual.co.jp/akira.


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