MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
08/09/2006
MATÉRIA: 50 ANOS DE BARRY ALLEN
 
 
A estréia em Showcase #4
 
 
O surgimento do sidekick em Flash #110
 
 
Flash #123: encontro de gerações
 
 
Flash e os Novos Deuses, pela Ebal
 
 
 
 
 
 
 



Para muitos, o melhor Flash de todos os tempos. O mais heróico, o mais inteligente! Membro fundador da Liga da Justiça da América... o homem mais rápido do universo! O primeiro super-herói da Era de Prata...

Por Roberto Guedes


O editor da DC Comics, Julius Schwartz, estava iniciando um processo de revitalização de antigos heróis da Era de Ouro. Após conferenciar com o escritor Robert Kanigher as premissas básicas para uma nova versão do Flash (um dos maiores sucessos dos anos 40), escalou Carmine Infantino e Joe Kubert, desenhista e arte-finalista, respectivamente, para a concepção visual do personagem.

Assim, a gloriosa estréia de Barry Allen se deu em Showcase nº 4 (setembro de 1956). Em sua identidade civil, esse novo Flash era um cientista da polícia de Central City que tinha como principais características o cabelo escovinha e uma lerdeza incrível, o que sempre irritava Iris West, sua noiva. Mas por uma ironia do destino, ao ser banhado por produtos químicos atingidos por um raio, Barry transformou-se no “homem mais veloz do mundo”!

O sucesso perante os leitores fez com que o herói ganhasse título próprio, continuando a numeração do antigo, ou seja, a partir do nº 105 (março de 1959). Flash passaria a enfrentar os vilões mais pirados dos quadrinhos, caso do Capitão Frio, do Mestre dos Espelhos e do Gorila Grodd (na época, a DC tinha fixação por macacos e, vez ou outra, um deles aparecia em suas revistas). Na edição nº 110 foi introduzido Kid Flash. Na realidade, Wally West, o sobrinho de Iris.

No nº 123, de setembro de 1961, Barry encontrou o Flash original, (aquele da Era de Ouro) Jay Garrick – conhecido no Brasil como Joel Ciclone – vivendo numa Terra que ocupava o mesmo lugar no tempo e no espaço que a de Barry, só que vibrando numa velocidade diferente, o que as impediam de se chocar.

Como em Showcase nº 4 ficou estabelecido que Garrick era, na verdade, um personagem em quadrinhos que inspirou Barry, este concluiu que o escritor Gardner Fox bolava as aventuras de Garrick baseado em sonhos que ele tinha. Ao dormir, a mente de Fox “sintonizava” a vibração da outra Terra. Doravante, ficou estabelecido que o mundo de Barry – e de todos os outros heróis da Liga da Justiça – era a “Terra-1” e que o planeta de Jay e demais membros da Sociedade da Justiça, era a “Terra-2”.

De forma curiosa, na primeira vez que a Liga da Justiça foi publicada no Brasil na revista Homem no Espaço nº 12, em 15 de dezembro de 1962, da editora O Cruzeiro, Barry Allen é chamado de Joel Ciclone.

A revista do Flash Barry Allen teve grandes momentos, sendo um dos títulos preferidos dos leitores da DC Comics no decorrer dos anos 60. Aqui no Brasil ele começou a sair nas páginas de Dimensão K, em 1967, pela EBAL. A mesma editora, na década seguinte, lançou uma revista em formatinho e colorida, chamada Invictus. O barato dessa publicação é que, ao colocá-la de cabeça para baixo e vira-la, tínhamos “outra revista”, a do Lanterna Verde Hal Jordan – outro ícone da Era de Prata.

Mas no início da década seguinte, as tramas do corredor escarlate entraram em franca decadência, tanto em argumento, quanto em arte. Barry e Iris (já casados), estavam num futuro distante, mas ninguém parecia mais se interessar. Desse modo, o título findou no nº 350, em outubro de 1985. Ou seja, por mais um mísero ano, completaria 30 anos de publicação ininterrupta.

Ao que parece, em 1985 ninguém com menos de 20 anos se importava mais com Barry Allen e, provavelmente, por causa disso, os autores da maxi-série Crise nas Infinitas Terras, Marv Wolfman e George Pérez, foram obrigados pela cúpula da editora a eliminar o velocista de vez na 8ª edição – num combate solitário com o destruidor de realidades chamado Antimonitor.

Não que Wolfman não gostasse do herói. Muito pelo contrário (!) O roteirista construiu uma seqüência de ação para a morte do herói das mais dignas – e ainda deixou pistas no enredo para que, futuramente, outros autores pudessem trazer Barry de volta. Infelizmente, entretanto, não o fizeram.

Na nova realidade do pós-Crise, ficou definido que só haveria uma Terra e que, portanto, Garrick e Barry sempre viveram no mesmo mundo. Kid Flash tomou o lugar do tio e, logo depois, descobriu que tanto ele, quanto seus antecessores, adquiriram seus poderes de um campo extra-dimensional conhecido como Speed Force (ou “Força de Aceleração”, pela Editora Abril).

Outros autores como Mark Waid, criaram toda uma “Dinastia Flash” – como no caso de uma antiga história da Legião do Super-Heróis (no século 30) da fase pré-Crise, em que surgiram os descendentes de Barry: Don e Dawn (os Gêmeos Tornado). Anos depois, ficaria definido que Don e Dawn eram, respectivamente, pai e tia de Bart Allen, o Impulso, que é neto de Barry e atualmente atende pelo codinome Kid Flash.

É bem provável que hoje em dia, as criativas histórias de ficção científica de Barry Allen não tivessem o mesmo impacto de outrora, mas com certeza, o charme delas continuaria inabalável, propiciando diversão garantida a todos que – antes de qualquer outra coisa – querem ler um bom gibi. Herói de uma geração. Inaugurador da Era de Prata. Sujeito simples, simpático e honesto. Barry era o “boa praça”... o “gente fina”. Um dos maiores, sem dúvida alguma...


Roberto Guedes é escritor, editor e roteirista de quadrinhos. Se você gostou desta matéria e quiser saber mais sobre as Eras de Ouro & Prata dos super-heróis, compre já o seu livro Quando Surgem os Super-Heróis. E aguarde para breve seu novo trabalho: A Era de Bronze dos Super-Heróis.

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Crise nas Infinitas Terras: morte anunciada
 


 

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