MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
28/09/2006
MATÉRIA: OS SUPER-HERÓIS E A POLÍTICA
 
 
The Brave and The Bold #85
 
 
Green Lantern #87
 
 
Captain America #250
 
 
Batman: O Cavaleiro das Trevas
 
 
O príncipe Namor e o rei Aquaman
 
 
Pantera Negra versus Quarteto Fantástico
 
 
Thor: sucessor de Odin
 
 
 



As eleições estão aí, e muitos são os leitores de quadrinhos que acreditam que os políticos são da pior espécie de vilões que existem... Aqueles que são apoiados pelo povo por várias edições, e que só são derrotados depois de muito e muito tempo. Afinal, no nosso país é comum descobrirmos escândalos e falcatruas envolvendo os mais diferentes cargos da vida pública. Praticamente não há um mandato presidencial que não envolva um escândalo na história da república brasileira...

Mas, políticos não podem ser heróis? Bom, algumas histórias em quadrinhos acreditam que sim. Não vamos fazer aqui nenhuma longa análise sobre o pensamento político dos heróis ou as mensagens ideológicas presentes nos quadrinhos norte-americanos, até porque pretendemos um artigo curto. Vamos nos concentrar em quando personagens de HQ concorreram a cargos públicos propriamente ditos.

Então, quem seria a primeira figura de relevância? Para nossa surpresa, foi o Batman! Isso mesmo! Justamente um dos símbolos do que é um vigilante “anti-sistema”, que não acredita nas forças da lei propriamente ditas, já ocupou uma grande função política, como Bruce Wayne. Na história “O Senador foi baleado”, publicada em The Brave and The Bold #85, setembro de 1969 (no Brasil, mais recentemente em Batman Saga #1, da Opera Graphica), o playboy milionário é nomeado senador pelo governador, para substituir um amigo em coma. O Senador Wayne só participou de uma única votação, e foi justamente uma “lei anti-crime” (o que seria uma lei anti-crime? Alguém poderia mandar um fax para o Bruce Wayne, pedindo algumas dicas - afinal nosso país está precisando...).

A idéia de Bruce Wayne, percebendo que poderia fazer mais contra o crime como político do que até mesmo como Batman, conseguiu a simpatia de alguns autores durante os anos 70, que mostravam em “histórias imaginárias” o futuro do Batman. Após se aposentar da carreira de vigilante por causa da idade, Wayne se tornava um político, voltando a agir como senador, ou até mesmo como prefeito de Gotham City!

Bruce Wayne não foi o único playboy milionário a ser picado pela mosquinha da política... Outro herói da mesma linha, o Arqueiro Verde, também passou por isso já nos anos 70. Aliás, era inevitável que o liberal Oliver Queen não quisesse se meter com política, afinal ele sempre teve comentários ferinos sobre o sistema político social nos EUA. Na revista Green Lantern #87, de dezembro de 1971, na hoje clássica história “O que um homem pode fazer?”, Oliver Queen recebe o convite para se candidatar a prefeito de Star City.

Infelizmente, o argumento de S! Maggins não seria desenvolvido pelos demais escritores, e pouco tempo depois, Ollie Queen desistiria da campanha eleitoral. Recentemente, após os eventos de Crise Infinita, o atual escritor do Arqueiro Verde, Judd Winick, resolveu retomar a idéia, para a alegria de muitos fãs, uma vez que parece apropriado que um individuo tão politizado quanto o Arqueiro algum dia iria querer tomar as rédeas políticas de Star City para mostrar como é que se faz “do jeito dele”.

Outro que quase chegou a concorrer, mas desistiu em cima da hora, foi o maior símbolo do patriotismo dos comics norte-americanos: Steve Rogers, o Capitão América foi convidado por um certo “Partido Renovador” para ser candidato à presidência dos EUA, em Captain America #250, de outubro de 1980. Porém, para tanto, o herói teria que revelar sua identidade secreta, e decidiu que por enquanto, faria mais pelo país continuando a agir como vigilante. A Marvel chegou a publicar uma edição de What If... (O Que Aconteceria Se?) onde Steve Rogers aceitou a candidatura e ganhou a eleição de lavada, tornando-se o melhor presidente da história dos Estados Unidos. A idéia também foi reaproveitada recentemente na série Marvel Mangaverso, onde o Capitão era tanto presidente dos Estados Unidos, como às vezes agia como herói.

Mas, contrariando a onda dos “heróis que desistem da política na hora H”, coube a Bárbara Gordon, a clássica Batgirl, fazer a diferença, quando decidiu se candidatar como deputada no lugar do seu pai, James Gordon, que preferia continuar sendo comissário de polícia em Gotham City do que se tornar um político. Assim, por um curto período, além de heroína, Bárbara Gordon também era uma congressista, em histórias curtas publicadas como “back-ups” na revista Detective Comics.

Outro herói que também se tornou Congressista foi o Raio Negro, um super-herói que quando surgiu representava muito bem a geração “black power” nos Estados Unidos. Ele abandonou o uniforme de super-herói para se tornar político e chegou a ser Secretário da Educação durante o governo Luthor nas histórias do Superman. Para proteger a imagem do governo, Jefferson Pierce assumiu as conseqüências de um escândalo, e assim deu fim a sua carreira política, voltando a vestir novamente seu traje colante.

Nos anos 80, a preocupação política dos heróis com a situação dos EUA e do mundo aumentou muito, quase sempre com posições polêmicas. Na série Miracleman, Alan Moore mostra seu herói dominando o mundo para transformá-lo numa utopia, quando decide que os seres humanos não tinham condições de governar a si próprios. Já na série Batman - O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, Batman se torna um revolucionário tentando derrubar o regime nos Estados Unidos.

Com a reformulação da Mulher-Maravilha, depois de Crise nas Infinitas Terras, a heroína se torna embaixadora da Ilha de Themyscira, função de alto teor político, que somente foi aproveitada em toda sua extensão na recente e muito elogiada fase escrita por Greg Rucka.

Falando em “estrangeiros”, o número de heróis que na verdade são “chefes de estado” é considerável. Via de regra, são sempre mandatários por questões de realeza, vindos de nações onde o conceito de “democracia” é diferente do mundo ocidental... É o caso de Namor, o príncipe submarino, da Marvel Comics, e Aquaman, o rei dos sete mares, da DC Comics. Ambos, em seus respectivos universos, são soberanos da lendária, e hoje aquática, Atlântida, onde uma raça de seres humanos aquáticos ergueu sua própria civilização.

Outros reis dignos de nota são Tchalla, o Pantera Negra, governante da nação africana de Wakanda; Raio Negro (da Marvel), o silencioso rei dos Inumanos; Geoforça, que já foi líder dos Renegados, e príncipe da Markóvia; Thor, deus do trovão, que assumiu o trono de Asgard no lugar do falecido pai, Odin; Illyana Raspuntin, a Magia dos Novos Mutantes, que era ditadora de seu próprio Limbo Infernal; e Kevin Plunder, o Ka-Zar, auto-denominado, “senhor da Terra Selvagem”, uma idílica região na Antártida, onde o tempo parou, e os dinossauros convivem com os humanos.

Um “momento político” interessante nas HQs de super-heróis foi quando o Dr. Destino deu um golpe de estado, e assumiu a presidência dos Estados Unidos, no universo conhecido como Marvel 2099, que se passava 100 anos no futuro. Victor Von Doom finalmente conseguiu seu objetivo ao dominar o que ele considerava uma das maiores ameaças mundiais: a Casa Branca. Mas interessante ainda foi a nomeação do Justiceiro do ano de 2099 como Ministro da Justiça. Imaginem Frank Castle nesse tipo de cargo e você terá uma noção do pandemônio que se tornaram as coisas...

No entanto, a política só voltou a chamar a atenção dos escritores de quadrinhos a partir do inicio do século XXI, talvez em decorrência do atentado de 11 de setembro. Contribuiu em muito para isso a eleição de Lex Luthor para presidente, no exato momento em que, na vida real, George W. Bush chegava à Casa Branca. O fato marcou o “divórcio” do universo DC com o mundo real, pois afinal, nos quadrinhos, sempre se respeitaram certas convenções, como o fato dos governantes serem os mesmos e as histórias dos heróis realmente se passarem no nosso mundo.

Com Luthor como presidente, diversos personagens fictícios começaram a exercer cargos públicos: Pete Ross, o melhor amigo de Clark Kent, como vice-presidente e mais tarde presidente no lugar de Luthor(ele já havia sido senador); o general Sam Lane, pai de Lois Lane, e sogro de Clark, como Chefe do Estado Maior; Amanda Waller, conhecida dos leitores do Esquadrão Suicida, como Secretária da Defesa; e o já citado Jefferson Pierce, o Raio Negro, como Secretário da Educação.

O autor Brian K. Vaughan teve então a idéia genial de criar uma série sobre o dia a dia de um prefeito de Nova York que havia sido um super-herói antes de assumir o cargo. Na verdade, ele havia sido eleito justamente por suas atividades como vigilante, uma vez que conseguira salvar pelo menos uma das torres do World Trade Center, no ataque terrorista de 11 de setembro. Ex-Machina, como a série se chama, já conquistou diversos prêmios e leitores, e atualmente há grandes negociações para que seja adaptada para o cinema.

Indo pelo mesmo caminho, a Marvel Comics decidiu tornar Tony Stark, o Homem de Ferro, o Secretário da Defesa de George Bush. Embora tenha sido por um curto período, essa fase marcou um ponto positivo no longo inverno de histórias ruins que têm sido as histórias do vingador dourado.

Em Civil War, a mais recente saga da Marvel e por enquanto inédita no Brasil, o lado republicano do Homem de Ferro volta a aflorar, quando ele decide apoiar o governo no seu ato para cadastrar poderes super-humanos como se fossem armas. E o Capitão América prova a teoria construída ao longo dos anos de que ele seria um democrata, e estaria num oposto ideológico ao seu amigo Tony Stark, liderando assim um grupo de heróis rebeldes que não aceitam se registrar de forma alguma, por acreditar que isso vai contra seus direitos individuais.

Posições políticas à parte, cada vez mais os heróis têm tomado consciência que ajudar as pessoas também é algo que pode ser feito num “plano maior” e que tudo que o mal precisa para vencer é que os homens de bem não façam nada, como diz o provérbio. Então, por que deixar somente os vilões ocuparem cargos políticos? Afinal, parte de ser herói é também colocar a reputação em risco...



Adriano “Nano” Souza
é jornalista, escritor e gostaria que na vida real também houvesse “super-heróis” em quem votar nas próximas eleições...


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Presidente Luthor
Ex-Machina: político e herói
 
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