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20/10/2006
COLUNA - EDITORIAL DE J.J.JAMERSON: A MULHER-MARAVILHA DE GREG RUCKA
 
 
Wonder Woman #1: reestréia por George Pérez
 
 
Wonder Woman #93: a Mulher-Maravilha de Deodato
 
 
Wonder Woman #101: início da fase de John Byrne
 
 
Wonder Woman #164: a estréia de Phill Jimenez
 
 
Wonder Woman #190: Simonson muda o visual
 
 
Wonder Woman: Hiketeia
 
 
Wonder Woman #195: a estréia de Rucka nos roteiros
 
 
 



Muita gente deve conhecer a série Wonder Woman (Mulher-Maravilha) pela sua rotina.

Há, em geral, quatro linhas de argumento comuns à série. A primeira é de um deus que está se vingando contra a humanidade ou contra as amazonas – uma variação desta linha é quando o deus está sendo ludibriado. A segunda linha de argumento é quando um deus dá um desafio à Diana, seja um desafio físico ou simplesmente derrotar um oponente (das amazonas ou do deus). A terceira linha é de ameaças mundanas ligadas em geral à inveja de pessoas em relação à Princesa e seus protegidos. Por ameaças mundanas entendo os supervilões existentes no Universo DC que ameaçam a cidade em que a amazona reside ou protege. Existe ainda a quarta linha que é o crossover com o universo ficcional que a personagem vive, as grandes sagas, aventuras com outros personagens e equipes.

Veja bem, em junho de 2006 foi publicado pela Panini o nº 215 da segunda série da Mulher-Maravilha. Destes 215 números, cerca de 110 a 130 números devem ter sido publicados no Brasil, por que há um hiato grande entre mais ou menos os números 50 (final da era Pérez) a 100 (início da era Image... digo, Deodato), e após a fase de John Byrne que não foi publicada na íntegra. Entre a fase de Byrne e Phil Jimenez há também um hiato, e já na Panini houve o hiato da fase de Walt Simonson e Jerry Ordway. Porém nestas mais de 100 edições publicadas por aqui, o parágrafo anterior sintetiza no mínimo 80 a 90% das tramas da personagem.

Ou seja, Mulher-Maravilha é um título que não oferece a mínima chance de surpresa.

Quando recriada por George Pérez, Len Wein e Greg Potter, a personagem era pouco mais que uma adolescente. Assim, com experiência “zero”, Diana não poderia estar na poderosa Liga da Justiça. Até por que era censo comum que Superman e Mulher-Maravilha deveriam ser “corrigidos” para então estarem nas fileiras da maior equipe da DC Comics.

A heroína surgiu para os humanos em 1987, e neste momento achou-se interessante substituir sua colaboração na Liga da Justiça pela Canário Negro II (Dinah Lance, namorada do Arqueiro Verde), o quê foi bom para a cronologia de um modo geral, já que, com isso, houve um elo entre a Liga da Justiça e a primeira equipe, a Sociedade da Justiça, da qual a Canário Negro original, mãe da atual, participou.

Já na Sociedade da Justiça, equipe em que a Mulher-Maravilha participou como secretária (!), a personagem foi substituída, hora por Miss América, hora por Fúria, mesmo que essas não tenham feito parte da equipe ativamente, participando de outros grupos ou sendo apenas aliadas. Miss América já existia na cronologia, e Fúria foi criada para este fim (substituir a Mulher-Maravilha que surgiu para os homens em 1987, não em 1940). As duas, no entanto, tornaram-se obsoletas quando, em sua passagem pelo título Wonder Woman, John Byrne criou uma saga em que Hipólita, mãe de Diana, agiu como Mulher-Maravilha durante a década de 1940 – o detalhe é que esta é a Hipólita da década de 1990, já que viajou no tempo, para o passado, para viver estas aventuras.

David Goyer e James Robinson respeitaram esta premissa quando relançaram a SJA em 1999. Nesta época, quando a Sociedade da Justiça uniu-se novamente, Hipólita participou da equipe até sua morte durante os eventos de Mundos em Guerra (2002).

Neste ínterim, Diana já tinha participado de três formações da Liga. Uma participando da, hoje esquecida, Liga da Justiça Europa, em seguida da Liga da Justiça América sob a direção do escritor Dan Vado, na fase posterior à Dan Jurgens na série, e finalmente da LJA de Grant Morrison, que reunia os sete grandes da DC Comics. Durante um período em que esteve “morta” Diana foi substituída na Liga por sua mãe, mas a Editora Abril entendeu que era muito complicado explicar isto para seus leitores e alterou diálogos para que a informação não aparecesse. Quando a trama foi resolvida no título da Princesa, a própria retornou para a equipe. É fácil localizar estas aventuras na série nacional Os Melhores do Mundo, já que o uniforme da Mulher-Maravilha sofre uma alteração.

Em sua série mensal, Diana teve um conjunto de boas sagas. A Saga de Ares (recém reeditada pela Panini), Desafio dos Deuses, e em geral as histórias que se seguem são boas (mas quais mesmo são os nomes?), mas nenhuma marca realmente os leitores. A fase de Deodato é uma sucessão de imagens fortes e conteúdo paupérrimo. A fase de Byrne é uma homenagem a conceitos de Jack Kirby como Etrigan, o Demônio e Darkseid, mas erra quando altera a cronologia que os antecessores suaram para criar. A fase de Phil Jimenez é boa, mas novamente é indicada para quem gosta de mitologia com muito requinte. Jimenez ficou dois anos na série e o certo é que seu primeiro ano é muito bom, mas o segundo fica aquém do esperado.

Então onde está a força da personagem? Em histórias fracas, algumas inclusive não publicadas no Brasil? Em histórias feitas por dois, talvez três criadores, diante da amplidão de autores que trabalharam na personagem?

A Mulher-Maravilha, assim como Superman e Batman na DC Comics, Homem-Aranha, Wolverine e X-Men na Marvel, está em um grupo seleto de personagens que não necessitam de histórias boas para continuar no inconsciente coletivo. É verdade que, destes que falei, ela é a mais fraca e apagada, e chegou a ter um título cancelado por falta de vendas (Wonder Woman volume 1, que na época vendia menos que American Flagg!, badalada série de Howard Chaykin então publicada pela iniciante First Comics).

Estes personagens precisam de histórias boas para vender as edições do mês, mas mesmo que não tenham, estarão sempre no imaginário popular e todos lembrarão das melhores fases.

Aí entra Greg Rucka, de quem não sou fã. Seu material para Batman é bom, e só. Seu “A Morte e as Donzelas” mata o personagem Ra´s Al Ghul, que no meu entender pobre de leitor não deveria ter seu status alterado pela DC Comics. Ra´s vencendo Batman pela sua imortalidade, é de longe o único resultado real para a pendenga entre os dois.

Já em Adventures of Superman ainda não me conectei. Tenho comprado as traduções da Panini, mas realmente não li, quando muito “passei os olhos” por algumas partes como a história com o duende da Quinta Dimensão.

Daí minha surpresa com sua Mulher-Maravilha, já que também não gostei da graphic novel Hiketeia, já publicada pela Panini Comics em 2003. Não esperava nada, não tinha uma ansiedade, eu “sabia” que poderia não ser bom ou relevante.

Primeiro Rucka pegou o requinte das artes de George Pérez e Phil Jimenez, ambos superdetalhistas e trocou para uma roupagem moderna. Os deuses vestem roupas que traduzem suas personalidades, mas roupas modernas. Observe atentamente que não há novidades no âmbito geral: a) há a inveja para a posição da Mulher-Maravilha; b) há o uso de amigos como armas para ferir Diana; c) continua o uso de vilões antigos da personagem como Medusa ou Mulher-Leopardo; d) os deuses continuam usando Diana para tudo, sem dar descanso e sem dar um resultado palpável (as sagas “A Saga de Ares” e “Desafio dos Deuses” não foram isto?).

Mas minto, a Diana de Rucka tem algo novo. Ela é política, tem opiniões e um quinto das histórias recentes tratam de ressaltar esta opinião e o resultado disto no restante da humanidade, que é comandada por homens e cuja religião é judaico-cristã, diferente então, da religião da Princesa.

Por sinal, a Princesa perde um quê de “moça” bastante presente na fase de Pérez e vira uma “guerreira” realmente; matando Medusa em rede nacional e em breve cometendo ato de igual impacto. Quando fizer isto, a foto do ato sairá estampada no Planeta Diário e nos maiores jornais do globo.

As conseqüências destas mortes nós iremos ver durante os preparativos para a saga Crise Infinita que encerra a atual série da Mulher-Maravilha – não se preocupe, já estreou nos EUA Wonder Woman volume 3.

Pela primeira vez em sua curta carreira, Wonder Woman volume 2 (1987-2006) teve uma personagem de opiniões firmes, que sabia que nada mais era do que um pião nas mãos de deuses que criam problemas e não querem resolvê-los e que mesmo adorados não se sensibilizam com as necessidades dos adoradores. Tinha opiniões políticas e estratégicas, e sua ilha-nação deixou o grau de “ilha de paz e sabedoria” para virar mais um país que os americanos devem pressionar para obterem o controle territorial.

Rucka, neste caso, veio e marcou, tornando sua fase mais importante do que as de todos os outros que vieram após Pérez. Curiosamente isto deixa a personagem em uma situação desengonçada: tem um início e um fim brilhantes, mas um meio que necessita de muita peneirada para encontrar algo que realmente deva ser lido.



Post scriptum: A fase de Greg Rucka na Mulher-Maravilha pode ser encontrada na revista mensal Superman/Batman e em Mulher-Maravilha Especial (2006), ambas publicadas pela Panini Comics.

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