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27/10/2006
MATÉRIA: SLINGERS - OS ARACNÍDEOS
 
 
Vespa
 
 
Prodígio
 
 
Ricochete
 
 
Sombra
 
 
 
 
 
 
 
 
 



Certa vez, durante os anos 90, o Homem-Aranha foi acusado de crimes publicamente pelo reaparecido Norman Osborn (depois de uma ausência de anos – na verdade, uma desculpa que os autores bolaram para trazerem Osborn de volta à vida – ele aparentemente havia morrido como Duende Verde numa luta contra o Homem-Aranha anos atrás, com seu jato-morcego atravessado no peito). O vilão havia comprado o Clarim Diário e lançou uma campanha difamatória contra o aracnídeo. O herói foi tirar satisfações e acabou espancando o milionário. O que o Aranha não contava é que a surra havia sido gravada em vídeo e transmitida pela tevê.

A situação do aracnídeo piora quando um bandido mequetrefe chamado Joe Z é encontrado morto, enrolado em um material que se parecia muito com sua teia. Na verdade, isso foi uma armação de Osborn, que, para acabar de vez com a vida do Homem-Aranha, coloca sua cabeça a prêmio oferecendo uma recompensa de cinco milhões de dólares. Para complicar um pouco mais, um novo Duende Verde rapta o neto de Norman, Normie Osborn, filho do finado Harry e Liz Allen. Mais uma vez, o Aranha é acusado e sua imagem é ainda mais prejudicada na mídia. Essas histórias foram mostradas na saga Temporada de Caça, publicada no Brasil em Homem-Aranha #198 e A Teia do Aranha #120, pela Editora Abril. 

Depois de encontrar o garoto e não levar os créditos, o amigão da vizinhança ainda precisa buscar provas de sua inocência no assassinato de Joe Z, mas, sem ter que se preocupar com a polícia, os mercenários que estão em seu encalço e que inocentes morram no fogo cruzado. A solução então seria se disfarçar... Mas como? Numa emergência, ele chega a usar um blusão verde, escondendo seu rosto com um capuz, ficando parecido com o Arqueiro Verde (mas sem as flechas, claro). A solução radical foi deixar de ser o Homem-Aranha por um tempo e conceber novas identidades. Assim, Peter Parker criou quatro novos heróis totalmente distintos, na saga conhecida como Crise de Identidade (sim, bem antes da DC).

Vespa (Hornet) surgiu graças a uma ajudinha de Hobie Brown, o Gatuno, que dizia estar em débito com o aracnídeo. Com isso, deu uma armadura altamente avançada, com novas armas, além de um jato, permitindo que o herói também voasse.

Prodígio (Prodigy) e Ricochete (Ricochet) tiveram a ajuda de Mary Jane, que, com truques de teatro, maquiagem, músculos falsos (Prodígio) e idéias com roupas de brechós (Ricochete), ajudou o marido a desenvolver as novas personas.

Sombra (Dusk) foi a única das identidades que o Homem-Aranha não criou. Graças a Shoc, um novo herói que estava começando a atuar em Nova York, o herói aracnídeo foi parar na Zona Negativa, onde enfrenta Blastaar. Com isso, aparece o movimento rebelde que luta contra o vilão, liderado pelo enigmático Sombra. O mesmo se fere mortalmente e acaba passando o manto para o Homem-Aranha, dizendo que vários homens já foram o Sombra, mas em segredo, para que as forças rebeldes sempre seguissem um líder. Na verdade, neste sentido, a idéia lembra muito a criação de Lee Falk, o Fantasma, que passou seu manto de geração para geração, dando a idéia de imortalidade para quem visse ou ouvisse falar sobre o lendário Espírito-que-Anda.

Com as quatro histórias seguindo paralelamente, o Homem-Aranha enfim consegue se inocentar e abandona as quatro identidades. No Brasil, a saga Crise de Identidade, escrita e ilustrada por J. M. de Matteis, Howard Mackie, Todd DeZago, Todd Nauck, Glenn Greenberg, Tom Lyle, Scott Hanna, Dan Green, Mike Wieringo, Tom DeFalco, John Romita Jr., Rick Case, Bud LaRosa, Al Milgrom, e os brasileiros Luke Ross e Joe Bennett, foi publicada em 1999, nas revistas Homem-Aranha #197, A Teia do Aranha #121, Homem-Aranha #198 e A Teia do Aranha #122, pela Editora Abril.

Algum tempo depois, surgiram os Slingers. Assim que a Marvel anunciou a revista mensal Slingers, estrelada pelas quatro identidades usadas e aposentadas pelo Homem-Aranha, houve certo estranhamento por parte dos leitores. Afinal, quem estaria nos uniformes? A resposta veio no número zero, escrito por Joseph Harris (escritor de toda a série), com desenhos de Adam Polina: alguém (que de imediato, não foi revelado) deu as roupas a quatro jovens: Cassandra St. Commons (Sombra), Eddie McDonough (Vespa), Ritchie Gilmore (Prodígio) e Johnny Gallo (Ricochete).

Os quatro jovens decidem então marcar um encontro para selar o início da equipe. Porém, algo dá errado quando decidem lançar um teste, em que teriam que pular de um telhado para outro. Sombra hesita, e Prodígio diz que, se ela não pulasse, estaria fora da equipe. Sombra pulou e caiu, morrendo na queda.

Depois deste início surpreendente, a Marvel elaborou uma estratégia arriscada para o número 1 do novo título: lançar quatro capas diferentes, cada uma com um integrante em destaque (sim, Sombra ainda consta). A revista, ainda escrita por Joseph Harris, contou com Chris Cross nos desenhos, que foi substituído em algumas edições. Cada uma das versões dessa primeira edição não só ganhou uma capa diferente, como também as histórias, que foram escritas sob a visão de cada personagem destacado nas capas. Ou seja, para entender tudo que se passa com os quatro heróis (e as cenas se completam), era necessário comprar as quatro versões. A estratégia não foi tão bem e as vendas ficaram muito abaixo do esperado. Porém, a revista seguiu em frente.

Logo é revelado que os quatro personagens foram selecionados pelo Marvel Negro, personagem da Era de Ouro da Casa das Idéias. O Marvel Negro decidiu reunir quatro jovens que estudam juntos na faculdade, porém que mal se conhecem.

Cassie St. Commons é filha de um grande empresário, porém se utilizava de piercings e visual gótico para expressar sua falta de esperança no mundo. Eddie McDonough queria ser reconhecido por aqueles que o maltratavam por ser um dos mais inteligentes da sua sala. Ritchie Gilmore é apenas um rapaz que busca a aceitação do Marvel Negro, achando que deve sempre algo ao antigo herói que o transformou em Prodígio. Johnny Gallo é o mais simples: quer se tornar famoso como Ricochete, talvez para compensar a tristeza interior que sente em si próprio e em seu pai após a morte de sua mãe.

Desta primeira edição em diante, vemos como a essência de Cassie (que deixou seu corpo) se torna uma espécie de espectro único com o manto de Sombra, permitindo que tome diversas formas, viaje rapidamente e transite pelas sombras. Enquanto isso, Prodígio se afasta cada vez mais de Vespa e Ricochete, pois os dois mais novos querem apenas fazer o bem. Com isso, Prodígio fica mais e mais ligado ao Marvel Negro. Enquanto isso, os heróis tentam escapar do Homem-Aranha, que quer uma explicação sobre como uma moça apareceu morta com os trajes de uma identidade que era dele.

Em paralelo, sempre é citada a história de quando um hotel fica em chamas e o Marvel Negro salvou as pessoas. Posteriormente, é revelado que Marvel Negro não conseguiu salvar todos e, com isso, o outrora herói decide bombardear um novo hotel que é inaugurado no mesmo local do antigo, somente para salvar as pessoas e voltar ao estrelato. As coisas dão errado e quem salva o dia são Vespa, Ricochete e Sombra. Prodígio é dado como morto, e só retorna mais adiante. Enquanto isso, na edição número 6, Vespa e Ricochete são obrigados a encarar ratos gigantes, que já haviam enfrentado na segunda edição (sim, ratos gigantes).

Ligando as histórias, Vespa é seqüestrado por Griz, um homem que virou uma espécie de monstro depois de ter sido vítima de um vazamento nuclear no hotel que o Marvel Negro sabotou. Graças à ajuda de Ricochete e Sombra, Vespa impede Griz de colocar material atômico no sistema de água da cidade.

Então, ainda na edição 6, a revista dá uma pausa para revelar o que aconteceu com a mãe de Ricochete: ela foi morta pela Babá e pelo Fazedor de Órfãos, que agora voltam para “terminar o serviço” com Johnny. Claro que, com a ajuda de seus amigos, Johnny escapa da dupla. Com essa história, é confirmado que Ricochete é mutante, algo que as aventuras já vinham dando pistas pelo fato de ele possuir algo semelhante ao sentido de aranha do Homem-Aranha (seus olhos da máscara brilham quando há perigo).

Na décima edição acontece a morte do Marvel Negro. Mefisto aparece no hospital para cobrar sua parte de um pacto feito: ele recriaria as roupas dos Slingers, para que Marvel Negro se tornasse mais uma vez um herói. Com a edição 12 da revista, a Marvel decidiu cancelar o título pelas baixas vendas, fato que já vinha acontecendo desde sua estréia. A equipe, pela primeira vez totalmente reunida em batalha, vai até uma dimensão repleta de demônios e vence os bichos. Depois disso, desafiam Mefisto, dizendo abandonar o que ele lhes deu, e perdoando os atos do Marvel Negro, o que salvou sua alma. Então, os Slingers decidem que devem continuar juntos, mas Sombra opta por tentar descobrir o que se tornou, e desaparece.

Depois do cancelamento da série, a equipe só apareceu reunida em mais duas ocasiões. Na primeira edição da segunda série mensal dos Novos Guerreiros, onde Speedball os procura perguntando se eles não gostariam de se juntar à equipe, e recebe como resposta um monte de gargalhadas.

Em Contest of Champions II #3 (roteiros de Chris Claremont e arte de Oscar Jimenez), os Slingers e os Novos Guerreiros se enfrentam em um jogo de basquete, onde a equipe de Speedball vence. Essa história foi publicada no Brasil em Homem-Aranha Premium #7, com a equipe sendo chamada por aqui de Aracnídeos.

Depois disso, o que se viu no Brasil foi o começo do fim da equipe: durante a saga Inimigo do Estado, criada por Mark Millar, Wolverine acaba matando o Vespa enquanto é controlado pela Hidra. Nick Fury é chamado com um alerta de que Wolverine teria matado o Homem-Aranha. Chegando no local, Fury reconhece o Vespa e ainda lamenta que um herói morto em ação nem seja identificado devidamente pelo público.

Ricochete voltou a dar as caras na equipe Excelsiors nas páginas da mini-série Fugitivos, publicada pela Panini no Brasil. É um grupo formado por antigos heróis adolescentes considerados de segunda categoria. A equipe ainda dará o que falar no futuro.

A série dos Slingers, tão renegada pela própria editora, dá sensação de que algo interessante era produzido nos anos 1990, mas que passou muito rapidamente nas histórias do Homem-Aranha e que foi mal aproveitado neste título que durou somente doze edições. Poderia até se tornar uma idéia mais interessante na mão de algum bom escritor. Por enquanto, o que se sabe é que, em um futuro próximo, a Marvel poderá integrar Prodígio às suas séries. É esperar para ver.

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