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21/12/2006
REVIEW - CINEMA: FLUSHED AWAY - POR ÁGUA ABAIXO
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



Aventura e muitas risadas numa das melhores animações dos últimos tempos.

Já se tornou chavão dizer que os longas de animação têm por obrigação agradar tanto as crianças quanto aos pais que vão acompanhar a gurizada ao cinema. Mas, no caso de Por Água Abaixo (Flushed Away), fica difícil não achar que os produtores tinham exatamente esse conceito na cabeça quando desenvolveram o filme.

A premissa inicial segue a fórmula de vários filmes infantis: Roddy é um rato de estimação que leva uma vida confortável numa mansão inglesa. Como companheiros, apenas os bonecos e bonecas de sua dona, com quem ele interage criando atividades que vão desde jogos de volley até falsas premieres de filmes. Mas, no fundo, ele sabe que não tem amigos de verdade e que sua vida é muito solitária. Até o dia em que Sid, um rato de esgoto, aparece na casa, pondo em desordem a vida de Roddy. Quando o rato de estimação tenta livrar-se do intruso, é ele quem acaba descendo pela descarga da casa e indo parar nos esgotos de Londres, transformada pelos ratos do subterrâneo numa versão em miniatura da cidade, construída com lixo e refugos. Ali, Roddy vai conhecer a rata Rita (sacou? “Rita, a Rata”. Hein? Hein?”), uma caçadora de tesouros com uma enorme família para cuidar e que vive fugindo dos capangas do Sapão, o chefão do crime local, que esconde um plano mais sinistro do que se imagina.

Até aí, nenhuma grande novidade. Sabemos logo de cara que Roddy e Rita, que começam se odiando, vão acabar se apaixonando e impedindo os planos do Sapão, como em qualquer bom exemplar da “Sessão da Tarde”. Mas o que diferencia Por Água Abaixo de várias das outras animações que vêm enchendo as telas nos últimos anos é o humor tresloucado, na escola Monty Phyton. A Aardman, que produziu o filme em associação com a Dreamworks, tem uma história de sucessos com os curtas da série Wallace & Gromit; com o longa-metragem da dupla A Batalha dos Vegetais, que até levou o Oscar no ano passado; e A Fuga das Galinhas, entre outros, sempre abusando do humor inusitado. Aqui, a Aardman trocou sua marca registrada, o stop-motion (conhecido como “animação de massinha”) pela animação digital. Mesmo assim, mantiveram o estilo dos personagens e as brincadeiras.

Há referências pop aos montes, desde a roupa de Wolverine que Rodney considera em vestir no início do filme e brincadeiras com James Bond, até um Han Solo congelado em meio aos inimigos que o Sapão aprisiona numa geladeira. Outro destaque vão para as lesminhas cantoras que aparecem a todo momento interpretando vários sucessos populares com um charme imbatível. As seqüências de ação do filme também são bastante elaboradas e mais emocionantes do que aquelas de alguns filmes em live action atualmente em cartaz. Dirigido por Sam Fell e David Bowers, dois animadores que estréiam aqui como diretores, Por Água Abaixo não é perfeito, mas as piadas constantes e o corre-corre divertido ajudam a esconder as pequenas falhas do roteiro e transformam o filme num produto obrigatório para as férias escolares.

Sem querer desmerecer a dublagem nacional do filme, outro destaque da produção são as vozes originais, já que todos os atores parecem ter se divertido bastante com suas caracterizações. Hugh Jackman, em seu quarto filme este ano, após X-Men 3, O Grande Truque e Fonte da Vida, dá um show como Roddy, tanto quando faz seu ar empolado inglês, quanto quando se solta e imita o cantor Tom Jones (Jackman adora um musical, já tendo sido indicado ao prêmio Tony como Melhor Ator em Musical por sua atuação na peça The Boy from Oz). Ian McKellen, como Sapão, exagera na caricatura de vilão, tipo de papel pelo qual anda se destacando ultimamente em filmes como O Código Da Vinci e a série X-Men. E até mesmo a geralmente contida Kate Winslet (de Titanic e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança) parece estar à vontade como a vivaz Rita. O mesmo vale para as outras participações, como Andy Serkis (o Gollum de O Senhor dos Anéis) e o genial Bill Nighy (o Dave Jones de Piratas do Caribe 2) como dois capangas atrapalhados, e o sempre competente Jean Reno (de A Pantera Cor-de-Rosa) como Le Rã, o assassino francês.

Então, como pode um filme com ótimas e freqüentes piadas, boas cenas de ação, excelentes atores e indicações a prêmios importantes de animação, como o Annie Awards e o Satellite, ir mal de bilheteria e recuperar apenas pouco mais de um terço dos 150 milhões investidos na produção, causando o rompimento da parceria entre a Aardman e a Dreamworks? Uma boa pergunta, já que produções piores e menos originais parecem cair o tempo todo nas boas graças do público. Talvez a resposta esteja realmente no humor inglês, diferente demais para o público médio dos EUA, ou na ambientação inglesa um tanto “alienígena” para os súditos do Rei Bush  (há um casal de turistas americanos no filme, mostrados como ratos rudes e um tanto sem cultura). Uma pena, pois as nossas telas ganhariam muito com novas produções bancadas por Hollywood, mas com a visão anárquica dos animadores ingleses.

No Brasil, onde o nosso humor tem mais a ver com o inglês do que com o americano, o filme deve (e merece) uma boa carreira nas bilheterias. E, com certeza, os pais podem acompanhar a garotada ao cinema sem medo.

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