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22/01/2007
REVIEW - CINEMA: UMA NOITE NO MUSEU
 
 
Uma Noite no Museu
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



Bons efeitos especiais, atores simpáticos e uma trama engraçada num filme divertido... que poderia ser melhor.

Larry Daley (Ben Stiller) é um sujeito muito parecido com alguém que você conhece. Criativo e não-conformista, vive se arriscando em oportunidades e negócios que parecem certeiros, mas que vivem indo por água abaixo. Aparentemente, esse foi um dos motivos pelos quais sua esposa se divorciou dele e assumiu a guarda do filho do casal, que só passa alguns dias no mês com o pai.

Prestes a ser despejado pela enésima vez do apartamento onde mora e sentindo a pressão das críticas da ex-mulher, Larry resolve se integrar ao mercado de trabalho e pega o melhor emprego disponível para alguém com sua (falta de) experiência: vigia noturno no Museu de História Natural de Nova York. O problema é que, devido a uma antiga maldição egípcia, o Museu adquire vida à noite. Todas as estátuas, esqueletos, bonecos e relíquias adquirem vida e as características daquilo que representam e saem andando pelo lugar, interagindo e criando uma grande confusão. E se Larry achava que sua vida era complicada antes, imagine agora que, mais do que descobrir como lidar com esses eventos sobrenaturais, precisa decidir se continua no museu ou se desiste do emprego e vai embora, como sempre fez durante toda a vida quando se vê frente a algum problema.

Baseado num livro infantil de Milan Trenc lançado em 1993, Uma Noite no Museu (Night at the Museum, 2006) chegou aos cinemas americanos logo antes do natal e estourou nas bilheterias. Até o momento, o filme já arrecadou 170 milhões de dólares na terra do Tio Sam e quase 80 milhões no resto do mundo. A Fox, animada, já começa a pensar numa continuação. Mas será que esse sucesso é merecido?

Em parte, sim. Como comédia leve e familiar, o filme atinge seu objetivo. Há piadas divertidas e até algumas leves lições históricas ao longo da trama. Por exemplo, muitas crianças (e alguns adultos, provavelmente) vão descobrir quem foi Átila, o huno, o maluco que fica perseguindo Larry toda noite para desmembrá-lo. Vão descobrir como são as estátuas da ilha da Páscoa e que os neanderthais eram malucos pela espuma química que sai dos extintores de incêndio (você vai ter que ver pra entender...). Há também algum humor inteligente, representado pelo ótimo Rick Gervais (dos seriados The Office e Extras) como o diretor inglês do museu que, mesmo falando sempre em frases entrecortadas, imagina estar sendo o mais claro possível em suas broncas a Larry. Divertidos também são os três guardas prestes a se aposentar, feitos pelos veteranos Dick Van Dyke, Mickey Rooney e Bill Cobbs. E, uma vez que o filme lembra o sucesso Jumanji em vários momentos, temos até a presença de Robin Williams, felizmente, mais contido do que o de costume, como o presidente americano Ted Roosevelt, que se torna um dos conselheiros principais de Larry frente às situações inusitadas que o museu apresenta.

Porém, mesmo com vários pontos positivos, o filme deixa um tanto a desejar. Mesmo sendo uma comédia familiar de natal, o que evidentemente obriga a momentos sentimentais, o diretor Shawn Levy (do novo A Pantera Cor-de-Rosa) parece não ser tão hábil nesse tipo de cena e se limita a mostrar várias vezes Nick (Jake Cherry), o filho de Larry, fazendo expressões deslumbradas enquanto a música sobe. As piadas são, em sua maioria, um tanto simplistas, valendo mais pelo carisma de alguns atores (como Owen Wilson, que faz um cowboy em miniatura) do que pela qualidade do texto.

Já em outros momentos, Levy parece ter deixado Stiller livre para fazer improvisações nem sempre bem sucedidas, como na cena do interfone do museu e no diálogo “freudiano” do personagem com Átila. Problema mais grave é a edição do filme. Em vários momentos ela parece apressada, encurtando cenas e tomando atalhos entre uma seqüência e outra. Se, por um lado, esse parece ser um bom recurso para não deixar o ritmo do filme esmorecer e o interesse do público se perder, por outro tira a graça de algumas piadas e o senso de aventura do clímax do filme.

No final das contas, Uma Noite no Museu tem mais qualidades do que defeitos. A direção de arte, por exemplo, merece elogios por ter recriado em detalhes o Museu de História Natural de Nova York num estúdio em Vancouver (motivo pelo qual, aliás, o filme não mostra todas as salas e exposições do lugar). E, se não é genial, o roteiro também não apela para algumas soluções fáceis, deixando apenas insinuado um possível romance entre Larry e a guia do museu feita por Carla Gugino (de Sin City, aqui mal-aproveitada).

Dá a impressão de que, nas mãos de um diretor melhor, o material teria rendido um filme mais memorável. No início do projeto, o diretor contratado era Stephen Sommers, de A Múmia. Se não tivesse saído do projeto por “diferenças criativas”, quem sabe ele poderia ter feito um trabalho mais à altura. Embora, depois de Van Helsing, talvez estejamos melhores com Shaw Levy mesmo...

Assista Uma Noite no Museu e divirta-se. Mas prepare-se para sair do cinema com aquela sensação de que poderia ter sido um filme mais legal.

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