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16/02/2007
MATÉRIA: AS TARTARUGAS NINJA - PARTE 2
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



Estamos de volta aos esgotos de Nova York, revendo toda a trajetória das Tartarugas Ninja nas HQs e fora delas. Se você ainda não leu a primeira parte desta matéria, confira clicando aqui.


A Era Image e a quinta Tartaruga
Muitos outros heróis dos quadrinhos passaram, e outros ainda passam, por quedas de popularidade. Dificilmente, num mercado hiper-competitivo como o das HQs, com centenas de títulos e personagens surgindo a todo o momento em diversos meios de comunicação, um grupo de heróis como as Tartarugas Ninja conseguiria evitar a sua eventual queda.

O ano é 1996. A série animada das Tartarugas havia sido cancelada após 10 anos no ar, bem como a sua série no cinema, apesar de alguns boatos de um quarto filme terem surgido. No novo longa-metragem, as Tartarugas Ninja estariam com 18 anos e enfrentariam os problemas da pós-adolescência. Infelizmente (ou felizmente...) o projeto nunca saiu do papel.

Nessa mesma época, uma nova editora de quadrinhos estava iniciando suas atividades, com profissionais vindos de outras editoras, como a Marvel e a DC, e cada um com criações próprias como: Glory, Youngblood e Brigada. Tinha início a Era Image Comics. Foi na Image, que possuía um conceito próprio, que as Tartarugas Ninja iniciaram a sua caminhada de volta ao topo da lista dos mais vendidos. Os responsáveis pela editora compraram os direitos de publicação dos personagens para produzir novas histórias em quadrinhos. Dessa vez, as Tartarugas retornariam às suas origens nas HQs underground com uma temática voltada mais para os adultos.

Assim, por volta de agosto de 1996, as Tartarugas Ninja estrelavam o seu próprio título capitaneado por Erik Larsen, o criador do Savage Dragon (título que teve participações especiais das personagens, fora crossovers em edições especiais, inclusive uma publicada pela Mirage), como editor. A proposta dessa nova série seria dar continuidade às aventuras das Tartarugas já iniciadas anos antes nas HQs pelas mãos dos seus criadores, com o mesmo tom nas aventuras e a arte em preto-e-branco.

Novamente algumas mudanças tiveram que ser feitas para dar um tom mais atual às Tartarugas e, sobretudo, adaptá-las às aventuras de outros heróis da editora. E realmente aventura e ação não faltaram aos primeiros números da revista: Splinter é raptado e sofre uma nova mutação se transformando em um novo mutante; Raphael se fere gravemente, perde um dos olhos e passa a usar uma máscara semelhante a de Casey Jones; Donatello também se fere, quebra a coluna (dejávu!), o casco e se torna um ciborgue meio máquina, meio tartaruga e nós ficamos conhecendo a filha do Destruidor. Ufa!!

Isso tudo nos cinco primeiros números. Em outras aventuras, as Tartarugas Ninja se mudam novamente para o apartamento de April, que está casada com Casey Jones, enquanto procuram por Splinter. A filha de Casey é seqüestrada, Donatello enlouquece por causa da sua mudança, Leonardo perde uma mão (que é substituída por uma prótese) e Raphael veste a armadura do Destruidor e se torna o líder do Clã do Pé. Tudo isso em meio à boa e velha pancadaria que marcou a série original. 

Apesar de essa série não agradar a todos os fãs das Tartarugas e de não durar muitas edições, não há como negar o excelente trabalho feito por Erik Larsen e companhia. As Tartarugas Ninja ganharam uma nova remodelagem, histórias movimentadas que honraram os quadrinhos originais de Laird e Eastman, voltando às lojas de revistas em quadrinhos e garantindo a diversão de muitos fãs que haviam ficado órfãos da série animada e do cinema. Além disso, foi lançada pela Mirage uma mini-série especial desenhada e escrita por Kevin Eastman e arte-finalizada pelo mestre Simon Bisley, Bodycount”. Nessa nova aventura, foi feito tudo o que não havia sido feito na nova série das Tartarugas em matéria de violência, bem ao gosto de outros trabalhos de Simon Bisley, com vísceras lindamente ilustradas.

Quase que paralelamente à nova incursão das Tartarugas Ninja nos quadrinhos, uma nova série estreava na televisão, mas dessa vez em live action, bem ao estilo da série no cinema. Novamente, mudanças tiveram que ser realizadas para atrair um novo público e de quebra os velhos fãs. Nessa nova série, os nossos heróis já estariam com 18 anos e além de enfrentar os problemas da maioridade e os seus velhos inimigos, eles também teriam que se adaptar a uma nova integrante do grupo, uma nova Tartaruga Ninja, Vênus de Milo.

Acredito que o objetivo tenha sido realmente atrair tanto os fãs antigos quanto os novos, mas as coisas não saíram conforme o planejado. A série desagradou muitos fãs. Péssimos atores, péssimos roteiros e tudo o mais para ser usado numa aula de “como não fazer uma série de tevê”. Acredito que as crianças bem pequenas possam ter gostado de algumas histórias, que incluíram até um gorila-gângster (?!?), mas no geral o saldo foi bem abaixo do potencial dos quatro cascudos. Foram produzidos apenas 26 episódios, que incluíram até um crossover com os Power Rangers.

Com o término da série dos quadrinhos da Image e dessa nova série que nos apresentou a quinta tartaruga, os nossos heróis tiraram “umas férias forçadas” e, por alguns anos, não se teve mais nenhuma notícia verde. Bem...só por alguns...


O retorno triunfal
Por volta de 2001, diversos meios de entretenimento foram tomados de assalto por uma retomada a muitos dos ícones oitentistas que povoaram a imaginação das pessoas, sejam no cinema, games, quadrinhos ou desenhos animados. Personagens como He-Man e os Thundercats foram tirados da aposentadoria e apresentados às novas gerações de fãs pelo mundo todo. O mesmo ocorreu com o quarteto de cascudos mais irados do mundo!

As Tartarugas Ninja fizeram seu retorno à televisão em 2003 num desenho animado que em nada lembrava a sua série dos anos 80. Em se tratando da animação, da produção e dos roteiros, era óbvio que um upgrade iria ocorrer, mas as surpresas não pararam por aí. A série antiga readaptou as Tartarugas dos quadrinhos, tornando-as mais leves e mais humorísticas das que se aventuravam nos gibis em preto-e-branco. Nessa nova série, com consultoria direta de seu criador Peter Laird, as novas aventuras das Tartarugas Ninja se enraizaram exatamente nos quadrinhos originais. Aqui, as Tartarugas não se exporiam à luz do dia, agindo sempre nas sombras, como ninjas normais agem, e um pique maior de ação e aventura seria dado às histórias.

As Tartarugas Ninja permaneceriam intocadas. Nada tão drástico como na série de quadrinhos da Image seria adotado no novo desenho. Leonardo permaneceria como líder do grupo; Michelangelo permaneceria como o crianção; Donatello ainda seria o inventor; e Raphael, o esquentado. Aqui vai uma opinião pessoal: elas voltaram melhores!!!! Leonardo retornou mais sábio e agora sim merecedor do título de líder; Michelangelo, mais divertido ainda, a tartaruga responsável por alguns dos melhores momentos cômicos da série; Donatello, agora mais calmo, mas elevando a sua condição de inventor ao máximo, construindo equipamentos para as Tartarugas; e Raphael, mais esquentado e brigão do que nunca, segundo alguns fãs, marcando sua presença na série como um grande guerreiro.

Fora o quadrado mágico, Splinter, April, Casey Jones, Baxter Stockmann e o Destruidor também fizeram seu retorno. Splinter, como o rato de estimação de Hamato Yoshi, April como a assistente do Dr. Stockmann, e este agora, sendo apresentado como um grande cientista. Todos com suas origens bem enraizadas nos quadrinhos, o que contribuiu muito para o surgimento de boas histórias nessa série.

A surpresa maior é sobre a origem do Destruidor. Não mais como um bufão desastrado e trapalhão, mas sim como um dos piores vilões que já surgiram nos quadrinhos. Agora ele está mais violento, cruel e impiedoso do que nunca. A sua organização, o Clã do Pé, é mostrada na série como a maior organização criminosa de Nova York e os seus planos são os piores possíveis. Sempre frustrados pelos nossos heróis. 

Boas histórias e novos personagens não faltaram nessa nova série. Nós ficamos conhecendo os Utrons, alienígenas vindos de outra galáxia e presos aqui na Terra em busca de um meio de voltar para casa; e os Triceratons, também alienígenas e que deram muitos problemas para as Tartarugas. Como sempre, uma franquia milionária não ataca apenas de um lado, mas sim de vários. E as Tartarugas retornaram em uma avalanche de produtos, como lancheiras, mochilas, cadernos e outras coisas mais. Uma nova série de quadrinhos, produzida pela Dreamwave e escrita por Peter David, também surgiu graças a essa volta triunfal, mas infelizmente teve vida curta. Novos brinquedos também voltaram a encher as prateleiras das lojas e o imaginário dos velhos e novos fãs.

As Tartarugas Ninja haviam retornado com força total e não pretendiam parar por aí.


O futuro
Com o retorno triunfal à televisão e graças às vendas de milhares de bonecos e produtos licenciados, as Tartarugas Ninja se preparam para alçar novos vôos. Dois novos projetos ambiciosos estão prestes a surgir envolvendo o quarteto verde mais famoso do planeta.

Após quatro temporadas com ótimas histórias onde as Tartarugas foram tratadas com o respeito que mereciam há décadas, a sua série animada prepara-se para mudar radicalmente. No mesmo estilo de Liga da Justiça Sem Limites, as Tartarugas voltam para sua quinta temporada, com a sua série rebatizada de Fast Forward, jogando os nossos heróis décadas à frente para enfrentar novas ameaças e encontrar descendentes de personagens atuais. Tudo isso num desenho que promete muito mais ação, com direito a novos equipamentos e veículos condizentes com o novo tempo em que encaram as suas novas aventuras. Prepare-se para ver as Tartarugas Ninja num cenário hiper-tecnológico e ameaças muito mais sombrias.

A par de toda essa diversão da telinha, os nossos heróis se preparam para seu retorno também no cinema. Entretanto, nada de atores reais vestidos em trajes de tartaruga e “astros” do momento. Em tempos da Pixar, com suas obras-primas em computação gráfica, as Tartarugas Ninja agora estrelam seu primeiro filme em CGI. Boatos de um filme das Tartarugas em animação computadorizada já rolavam há tempos, mas agora é tudo real. Com direção de Kevin Munroe, um grande nome da animação e efeitos especiais, e desconsiderando as suas duas continuações em live action, as Tartarugas voltam em uma nova aventura partindo do ponto onde enfrentaram o Destruidor no seu primeiro filme para o cinema.

Nessa nova versão, as Tartarugas Ninja iniciam separadas: Leonardo partiu para aprimorar suas habilidades marciais, Michelangelo e Donatello montaram um negócio juntos e Raphael se tornou um novo vigilante com a alcunha de Night Watcher. Agora, com o Destruidor aparentemente morto, um novo vilão descrito como uma espécie de Donald Trump se prepara para surgir e dar muito trabalho para as Tartarugas. Com estréia marcada para final de março de 2007, o filme é imensamente aguardado pelos fãs do mundo todo. Com mais esse fôlego dos nossos heróis, uma nova onda de brinquedos e produtos se preparam para invadir as lojas de todo mundo, fazendo a alegria (mais uma vez!!) dos velhos e novos fãs.

Fora todas essas encarnações, as Tartarugas tiveram, no passar dos anos, até mangás de curta duração, novas publicações pela Mirage e dois animes em longa metragem, sem falar no retorno dos quadrinhos ao Brasil em sua versão original, através da Devir Livraria, pegando carona com a estréia do novo filme. E aqui fica a pergunta: será que algum dia essa diversão toda vai chegar ao fim? Tomara que não!!!!


Agradecimentos
Como sempre, agradeço mais uma vez ao pessoal do HQ Maniacs por essa chance de contribuir com o site escrevendo sobre um assunto que eu gosto muito. Agradeço também aos dois amigos que fiz no orkut, Lucas Veloso e Marisa Jinkings, também fãs das Tartarugas Ninja e que me ajudaram muito na construção desse artigo. E por fim, mas não menos importante, a Peter Laird e a Kevin Eastman, por nos proporcionarem toda essa diversão e entretenimento.

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