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26/04/2007
COLUNA - AS RENEGADAS: AS HQS INÉDITAS NO BRASIL
 
 
 
 
 
 
The Boys
 
 
 
 
Bomb Queen
 
 
Mouse Guard
 
 
 
 
 



E aí, pessoal, como estão? Está começando mais uma edição de As Renegadas, hoje com alguns títulos da linha Shadowline, da Image, o novo trabalho de Garth Ennis e ratos, um exército deles.


:: Emissary
A grande onda dos quadrinhos hoje em dia é tratar de temas atuais. Sejam eles tratados por meio de super-heróis, como é o caso de Os Supremos, ou em quadrinhos independentes, falando de racismo, religião, violência, terrorismo (e quem é o real culpado) e das pequenas coisas da vida, como os sentimentos e o psicológico de cada um. É falar a língua dos leitores.

Como toda grande editora, a Image também tem um selo próprio para criações mais autorais e menos voltadas para o grande público, como a linha Shadowline, editada por Jim Valentino, ex-editor-chefe da casa. Valentino abre espaço para criações com os mais diversos temas, não se atendo só ao conteúdo violento que ao longo dos anos caracteriza a linha Marvel MAX ou temas mais voltados à fantasia, como o selo Vertigo se caracterizou no seu surgimento na DC Comics. E uma das grandes promessas da Shadowline é com certeza Emissary, escrita por Jason Rand e desenhada por Juan Ferreyra, a mesma equipe da série policial Small Gods, que ainda vamos falar aqui nessa coluna.

Emissary começa quando um negro sai voando no meio de Manhattan se intitulando o guia para a iluminação dos seres humanos. Ele se dá o nome de Emissário, e não é ligado a nenhuma religião. A partir daí, governos, religiosos, serviços secretos e a imprensa ficam em polvorosa, cada um tentando se aproveitar em um ponto do provável salvador, que apenas deseja entender a raça humana antes de começar qualquer ação. O Emissário se parece muito em suas atitudes em relação à raça humana com o Surfista Prateado da fase Stan Lee/Jack Kirby, sem todo aquele grau melancólico e textualmente maçante que caracterizou o personagem em seu surgimento.

Cabe o tempo dizer como essa série, ainda no começo, vai andar. As primeiras expectativas foram boas, mas, infelizmente, o mercado americano não absorveu muito bem a série, que foi “encaixotada” por tempo indeterminado.


:: The Boys
Os grupos de super-heróis têm que encarar uma nova ameaça. Nenhuma Liga da Justiça, nenhuma Sociedade, nenhum vingador, titã, renegado, supremo, mutante, fantástico ou qualquer integrante de um grande time de heróis, sozinho ou trabalhando em grupo, é páreo para um novo grupo de anti-heróis: The Boys.

Nunca foi mistério para ninguém que Garth Ennis não gosta de super-heróis, mas desta vez ele foi longe demais. Chamou seu companheiro de Justiceiro: Nascido Para Matar, o competente Darick Robertson, e fundou o grupo de anti-heróis mais casca-grossa dos quadrinhos, em uma história digna de Garth Ennis. Ou talvez até melhor.

The Boys conta a história do inglês Butcher, ou em bom português, Açougueiro, e seu grupo, que está em missão secreta para o governo americano: vigiar e exterminar os super-heróis, a maior ameaça à segurança nacional. Ennis não tem medo de deixar claras referências na história, situando o grupo de super-heróis principal, os Sete, em uma base voadora que faria inveja ao Porta-Aviões Aéreo da SHIELD.

Os membros dos Sete são uma mistura clara de Vingadores e Justiceiros, e um grupo de adolescentes já apareceu. Mas a grande sacada não é mostrar as paródias de heróis, e sim tudo o que Ennis pode fazer quando tem liberdade editorial. Ele pega pesado, mais do que o normal. A revista é violenta do começo ao fim e, por muitas vezes, apela para o caráter sexual.

Aliás, Ennis não tem tanta liberdade editorial assim. Na terceira edição do título, a Wildstorm teve que vetar uma cena da revista por conteúdo sexual extremamente explícito, muito mais do que o normal, até mesmo para o escritor. Parece que a editora não teve apenas este problema com a série, que foi cancelada pela DC e reassumida pela Dynamite, a mesma que publica Red Sonja.

The Boys é o melhor trabalho de Garth Ennis em anos, com ou sem censura.


:: Bomb Queen
Se por um lado temos um prefeito herói na série da Wildstorm Ex-Machina, a Image tentou investir no começo de 2006 em algo oposto: uma vilã que manda em uma cidade, mais até que seu prefeito.

Bomb Queen foi lançada em fevereiro em uma mini-série em quatro edições, que mostraram a vida de uma super-vilã no melhor estilo Don Corleone com poderes, que há dez anos comanda Newport City, depois de ter derrotado todos os heróis e os outros vilões do lugar. Mas, tudo muda quando um herói chega à cidade. A série foi escrita e desenhada por seu criador, Jimmie Robinson (que não deve ter nenhum parentesco com James Robinson, de Starman), e, por mais que conte a história de uma super-vilã, apresenta alguns problemas.

A personagem principal acaba agindo como heroína, protegendo seu território do suposto herói. Outro paradoxo é que Bomb Queen, por mais ditadora que seja, não instala na cidade um regime caótico, e sim um regime no qual as pessoas devem manter a cidade limpa e devem ser bons cidadãos. Outro grande problema da série são os desenhos. Eles são bons, mas apelam desnecessariamente para o caráter sexual. Um olhar um pouco mais atento do leitor pode mostrar esse fato com certeza.

Bomb Queen tinha tudo para ser uma boa série, mas infelizmente, tudo que conseguiu foi uma mini-série em quatro edições e um segundo volume, um one-shot e agora um terceiro volume. Nada melhorou.


:: Mouse Guard
Archaia Studios é um pequeno estúdio americano conhecido por lançar quadrinhos com temáticas de fantasia, como Artesia, que vai ganhar espaço aqui nessa coluna em um futuro próximo. É nesse contexto que o iniciante David Petersen embala sua mini-série em seis edições Mouse Guard, que mostra um povo oprimido em forma de rato vivendo contra todas as dificuldades encontradas em um tempo que poderia ser caracterizado como o começo da Alta Idade Média, quando as cidades passam a crescer novamente e se desvincular dos feudos.

Os corajosos Lieam, Saxon e Kenzie são três ratos que fazem parte da Mouse Guard, um tipo de guarda imperial que defende os ratos camponeses em suas jornadas comerciais e viagens entre uma cidade rato e outra, os protegendo de ameaças, principalmente de animais carnívoros. Enquanto os três heróis procuram um mercante desaparecido, eles descobrem que há um traidor entre os ratos, que pode ameaçar toda a Mouse Guard e o reino dos pequenos animaizinhos. E agora, quem é o traidor?

Mouse Guard é um conto de fantasia que podia muito bem ser contado com personagens humanos, mas com certeza seria um conto já contado outras vezes. A grande jogada da série é colocar dramas e cenários humanos em animais. É muito interessante imaginar que tipo de armas os ratos usariam, como construiriam suas casas e seus barcos, e quais são seus predadores naturais, que os ameaçam fora das fronteiras de suas cidades.

A história é conduzida de maneira leve, pausada, mostrando com calma todos os eventos complexos de uma forma simples e digestível para leitores de qualquer idade, assim como os desenhos. Os ratos são muito bem desenhados, podendo até arrancar suspiros de alguns, que diriam “que fofos!”. Mesmo para os mais adultos, esses simpáticos animaizinhos não perdem a magia, que é o diferencial em toda história bem contada de fantasia.

A Archaia programou para o segundo semestre deste ano, uma nova série com a simpática guarda imperial. Mouse Guard. Não tem a maestria de Maus, do jornalista Art Spiegelman, mas tem tudo para ser a segunda melhor história sobre ratos dos quadrinhos!


Na próxima edição: um especial de HQs de fantasia assinado por Andréa Pereira. Até lá.

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