MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
07/08/2007
COLUNA - AS RENEGADAS: AS HQS INÉDITAS NO BRASIL - ESPECIAL FANTASIA
 
 
Artesia
 
 
 
 
Artesia: Afield
 
 
Elric: Stormbringer
 
 
Rose
 
 
The Dark Elf Trilogy: Homeland, Exile e Sojourn
 
 
 
 



Histórias de fantasia dificilmente têm grandes públicos, tanto nos EUA quanto no Brasil. A década de 1970 foi o auge deste gênero, com publicações como Conan, Guerreiro e Red Sonja. Estas, já consolidadas, ainda encontram público quando relançadas, como o sucesso que Red Sonja vem fazendo em sua nova casa, a Dynamite, por exemplo. Por outro lado, o mercado ainda tem espaço para este tipo de gênero e ainda encontra fãs entre os leitores de quadrinhos. Lançadas por editoras independentes, estas séries cresceram novamente nos anos 90, com a explosão dos jogos de RPG por todo o mundo.

Agora, com vocês, quatro trabalhos essenciais da nova safra de fantasia, examinados brevemente por Andréa Pereira nesta edição especial da coluna As Renegadas. Espero que gostem. Que o espírito aventureiro reascenda em vocês.


:: Artesia
Publicada pelo Archaia Studio Press (ASP), Artesia é um épico que mistura elementos de magia, espada e fantasia, escrito e ilustrado por Mark Smylie.

A história segue a jornada de uma mulher em um mundo de guerra e magia. Artesia deixa seu lar nos Middle Kingdoms após sua mãe ser queimada na fogueira como bruxa. Ela encontra abrigo nas terras de Daradja, onde se reinventa como concubina, sacerdotisa, guerreira e chefe militar. Ela agora trilha um caminho perigoso, cercada por lordes invejosos, caçadores de bruxas, exércitos invasores, deuses vingativos, fantasmas dos mortos e maldições ancestrais saídas do mito e da lenda.

Não procure por elfos ou anões, tão comuns no gênero de fantasia, em Artesia. Em vez de anéis mágicos e grupos de aventureiros, há uma figura central, uma mulher forte, por vezes temível. Nada em Artesia é simples. Desde as escolhas da personagem até a intrincada elaboração dos personagens e da mitologia do Middle Kingdom, tudo é feito com um detalhismo admirável. Não admira que os livros tenham dado origem ao jogo de RPG Artesia: Adventures in the Known World (Artesia AKW), ganhador do Origins Awards como RPG do ano em 2006.

Uma das coisas mais notáveis é a arte. As ilustrações, inteiramente pintadas, denotam a dedicação de Smylie à obra. Se nos primeiros volumes a arte é bonita, à medida que continuam se torna verdadeiramente surpreendente. O ponto fraco do artista parecem ser as expressões faciais mais sutis, falha no entanto amplamente compensada pela anatomia realista e cenários de tirar o fôlego. Banquetes opulentos, cenas inimaginavelmente detalhadas de batalhas sangrentas e orgias se sucedem nas páginas de Artesia, razão pela qual não é recomendado para menores.

Artesia conta com três encadernados até agora, Artesia, Artesia – Afield, Artesia – Afire e três volumes especiais anuais. O quarto arco da série, Besieged, está sendo publicado atualmente.


:: Elric: Stormbringer
Houve uma época de grandes mudanças na Terra e acima dela, quando a sina dos homens e deuses era forjada pelo destino, quando guerras monstruosas eram travadas e grandes feitos, delineados. O maior dentre os heróis era um aventureiro atormentado, portador de uma lâmina rúnica que lhe causava repugnância. Sim, se você ainda não adivinhou, estamos falando dele mesmo. Elric, o príncipe albino de Melniboné, rei de ruínas, senhor de uma raça decadente que um dia dominou o mundo.

O grande diferencial de Elric é fugir do estereótipo tradicional de herói fantástico que enfrenta o dragão e salva a mocinha no final, vivendo felizes para sempre. Em lugar disso, temos uma figura frágil e atormentada, que mata a mulher que ama, é um mago poderoso, mas ao mesmo tempo escravo do deus Arioch, além de ser o causador da destruição de Melniboné. Elric é inteligente, dado a crises de depressão, luta contra seu destino, diversas vezes atraindo a desgraça. Sua espada Stormbringer é uma perversão das tradicionais armas mágicas da fantasia épica. Embora forneça a Elric a força que este precisa para sobreviver, ela cobra um preço terrível, alimentando-se das almas daqueles que mata, muitas vezes desobedecendo aos comandos de seu dono a fim de conseguir o que deseja.

Coube a P. Craig Russell adaptar e ilustrar esta adaptação do livro de Michael Moorcock para os quadrinhos, justamente o maior épico de Elric, uma grande história sobre a batalha final entre a Lei e a Ordem. A arte de Russell é limpa, minimalista, quase cartunesca em alguns momentos. Em vez de traços e linhas, se vale das cores para detalhar e dar profundidade a personagens e cenário. O resultado final pode não agradar a todos, mas é bastante direto, simples, bastante consciente e nada óbvio.

Já houve dois títulos publicados sobre Elric aqui no Brasil, A Cidade dos Sonhos e Navegante dos Mares do Destino. Na verdade, Stormbringer é o último (e mais importante) capítulo da saga, que conta com um total de seis livros. Fica aqui como lembrete para os fãs ou para qualquer um que queira ler uma fantasia excelente e incomum.


:: Rose
Escrita por Jeff Smith e magistralmente ilustrada por Charles Vess, Rose saiu originalmente em uma minissérie em três edições, mais tarde transformada em uma graphic novel. Na verdade, a história de Rose é um prequel, situado 50 anos antes de Bone, outro título de Smith. Entretanto pode tranqüilamente ser lida separadamente, sendo por si só, uma história encantadora com uma trama detalhada que prende a atenção do leitor até o fim.

A história se passa em um mundo fictício e medieval, na cidade de Atheia. Duas irmãs adolescentes, Briar e a mais jovem, Rose, se preparam para que uma delas eventualmente assuma o cargo de rainha. O treinamento inclui artes ocultas e magia dos sonhos. As duas se apaixonam pela mesma pessoa, o charmoso capitão da guarda, Lucius Down. Enquanto treina para entender os sonhos, Rose acidentalmente liberta Balsaad, um temível dragão, que na verdade é um servidor do Lord of Locusts, um ser que deseja escravizar todos os seres vivos do reino. Rose sai então em busca da ajuda de um benevolente dragão vermelho, que a aconselha sobre o método necessário para destruir o inimigo. O problema tem solução... mas há um preço terrível a ser pago.

A trama foge dos estereótipos comuns ao gênero. Há bastante humor, mas há tragédia também. Os vilões nem sempre são óbvios, e nem sempre há solução para os dilemas morais. Jeff Smith é um escritor talentoso, seus personagens são vívidos e o enredo, inteligente. Some-se a isso a belíssima arte de Vess - ninguém desenha fantasia como Charles Vess, incontestavelmente. O resultado agradará tanto a fãs de Bone quanto a qualquer um que goste de fantasia.


:: Forgotten Realms – Dark Elf Trilogy
Quem costuma jogar qualquer RPG baseado em Forgotten Realms com certeza conhece Drizzt Do´Urden, o elfo negro exímio com duas cimitarras, um dos personagens mais famosos da ficção fantástica. Originalmente, o personagem surgiu nos livros de R. A. Salvatore, em The Dark Elf Trilogy, composta por três livros: Homeland, Exile e Sojourn. A Devil’s Due Publishing lançou ano passado a adaptação para os quadrinhos, com três edições para cada livro, totalizando nove revistas.

O povo Drow são elfos negros, uma raça que vive no Underdark, um labirinto de cavernas e túneis sob a superfície dos Reinos Esquecidos. Diferentemente dos elfos que conhecemos, os drows são perversos, vivendo em uma sociedade matriarcal e possuindo um conceito distorcido de bem e mal. Qualquer ato ou traição é admissível, na tentativa de se adquirir um status mais elevado na sociedade, desde que não se deixem testemunhas.

É nesse cenário, na cidade de Menzoberranzan, que nasce Drizzt, um drow incomum, com notáveis olhos cor de lavanda. Desde o começo ele não se encaixa na sociedade em que vive, onde conceitos como honra e moral inexistem. Em vez de se acomodar e sufocar esse sentimento, decide romper com o mundo que conhece e partir em busca de algum lugar que o aceite. Ao partir para viver no Underdark, contando apenas com a companhia de sua amiga Guenhwyvar, uma pantera mística, Drizzt passa por alguns momentos difíceis, quando a solidão ameaça enlouquecê-lo. Acaba por encontrar dois companheiros, porém a recém adquirida amizade é ameaçada pelo passado, pois os drows não perdoaram a deserção de Drizzt e buscam vingança. Sem alternativa, o elfo vai para a superfície. Assim, escapa da perseguição por seus semelhantes, entretanto sua jornada por aceitação ainda não terminou, pois elfos negros são odiados na superfície.

A adaptação dos livros originais foi feita por Andrew Dabb, que consegue se manter bastante fiel ao original. Nem tudo é perfeito, entretanto. Alguns personagens secundários são por vezes mal detalhados, carecendo de profundidade. O mundo criado por Salvatore é cheio de nuances, e inevitavelmente alguma coisa se perde na adaptação. Para compensar, a arte de Tim Seeley é fenomenal. Temos belíssimas imagens da cidade subterrânea em Homeland, passando pela escuridão angustiante das imagens de Exile, até por fim explodir em luz e cor em Sojourn. Os fãs mais exigentes podem dizer que os livros ainda são superiores, mas é uma grata experiência poder ver o maior de todos os heróis dos Reinos Esquecidos ganhando vida.

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