MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
23/10/2007
REVIEW - CINEMA: STARDUST, DESBRAVADORES, RESIDENT EVIL 3 E MAIS
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



:: Stardust: O Mistério da Estrela

Por Leonardo Vicente Di Sessa

O Senhor dos Anéis, Harry Potter, As Crônicas de Nárnia. Estes são ótimos exemplos da popularidade que histórias de fantasia voltaram a ter nos últimos anos nos cinemas. Não só popularidade, mas também investimento, já que todos os exemplos acima foram resultado de produções grandiosas, cheias de efeitos especiais, incríveis cenários e um ou outro ator famoso.

Stardust - O Mistério da Estrela (Stardust), adaptação da HQ (embora livro ilustrado seja uma definição mais acertada) escrita por Neil Gaiman e ilustrada por Charles Vess, aproveita essa popularidade, mas não obtém o mesmo êxito.

A produção é bem mais barata do que as dos exemplos supracitados e isso é notado logo de cara. Sim, existem efeitos especiais, grandes cenários e afins, mas é fácil perceber as limitações em diversas cenas. Por outro lado, o filme dirigido por Matthew Vaughn ganha pontos (e muitos) com a escolha do elenco, misturando nomes menores com atores consagrados.

Charlie Cox é Tristan Thorn, jovem apaixonado que vive na cidade chamada Muralha, batizada assim por fazer fronteira com uma muralha que dá para um mundo mágico. E é para lá que Tristan vai, quando promete à sua amada Victoria (a linda Sienna Miller, um dos poucos nomes desperdiçados no elenco) trazer para ela uma estrela cadente que viram cair no local, como prova de seu amor.

O que começa como uma trama de romance um tanto tola, se desenvolve muito além disso, começando pelo fato da estrela adotar forma humana após sua queda, se tornando Yvaine (Claire Danes). Mas a trama envolve ainda uma disputa pelo trono, a busca pela juventude de três bruxas e outras reviravoltas.

Ao contrário de muitos filmes que buscam nomes famosos para atrair atenção e acabam por desperdiçar grande talento em papéis inúteis, Stardust aproveita bem quase todos os atores, mesmo os que têm curta participação. Ian McKellen é o narrador, que garante muito da atmosfera da história com seu sotaque inglês acentuado. O veterano Peter O´Toole faz uma breve, porém divertida e cínica participação como o rei que lança uma disputa para escolher seu sucessor.

A quase cinqüentona, mas ainda linda, Michelle Pfeiffer se mostra a escolha perfeita para o papel da bruxa Lamia, retratando muito bem a obsessão da personagem com a juventude e a beleza. A atriz se mostra bem à vontade no papel, parecendo se divertir ainda mais do que o espectador. Robert De Niro rouba a cena como o pirata do ar Capitão Shakespeare, num de seus mais engraçados papéis, reafirmando sua veia cômica, que vem se destacando cada vez mais nos últimos anos.

Os fãs da obra original de Neil Gaiman ficarão muito decepcionados, pois a adaptação de Stardust apresenta inúmeras mudanças, seja na trama, nos personagens ou no visual, mesmo que mantenha a linha principal do texto. Passagens de destaque no livro e, principalmente, muitas das criaturas, ficaram de fora no filme, algumas pelo fato de simplesmente desacelerarem o andamento da trama, outras por obviamente não se encaixarem no orçamento da produção.

Já fãs da fantasia vão adorar Stardust que, em mais uma mudança em relação ao trabalho original de Gaiman, se prova uma aventura muito bem humorada, tendo neste bom humor sua grande força, pois remete a clássicos da fantasia como O Labirinto, apresentando uma saga com lugares e criaturas fantásticas e uma busca que na verdade é um ritual de amadurecimento do personagem principal.

Elenco: Charlie Cox, Claire Danes, Peter O`Toole, Robert De Niro, Michelle Pfeiffer, Ian McKellen, Rupert Everett, Sienna Miller, Ricky Gervais, Jason Flemyng. Direção: Matthew Vaughn.


:: Desbravadores
Por Anita Imperatore

Espadas, escudos, lanças, armaduras, flechas... Prato cheio para o apreciador de épicos fantásticos repletos de batalhas entre dois povos muito diferentes. De um lado, vikings chifrudos que chegam de repente em embarcações “dragão” sedentos por sangue. Do outro, índios norte-americanos que lutam como podem em defesa de sua tribo. Entre esses dois povos - uma criança: o único sobrevivente de um ataque do clã nórdico contra uma aldeia na costa.

Apesar do cabelo loiro e da fala estranha, o garoto de dez anos é adotado pelos índios Wampanoag e criado para se tornar um caçador e guerreiro hábil. Quinze anos depois, o jovem homem branco conhecido como Ghost (Karl Urban) vê sua tribo ser massacrada brutalmente pelos vikings, e agora terá que lutar contra suas próprias origens. A sua ira e a sede de vingança aumentam com a tristeza de ver sua família morta. Como único sobrevivente de sua tribo, ele terá que proteger todas as outras, inclusive a de sua amada (Moon BloodGood).

Sob a orientação do Desbravador (Russell Means), um poderoso xamã que prevê o destino do enfurecido jovem, Ghost irá travar uma guerra de um homem só contra os vikings e se tornar o salvador de seu verdadeiro povo.

Dirigido por Marcus Nispel (O Massacre da Serra Elétrica), Desbravadores (Pathfinder) foi inspirado por descobertas históricas, porém com a magia e o estilo de um romance gráfico moderno. É uma saga de ação e aventura que recria uma das mais fascinantes eras da história da humanidade.

- Curiosidades: Desbravadores é uma refilmagem do filme norueguês de 1987 – Ofelas (Pathfinder), que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. A adaptação do filme em quadrinhos já foi lançada no Brasil meses atrás pela Devir.

- Only for girls: Karl Urban, para dar aquele ar indígena, usa trajes minúsculos e mostra o corpão sarado. Deixando o filme assim... digamos... mais gostoso!

Elenco: Karl Urban, Moon BlooGood, Russel Means, Clancy Brown, Jay Tavare, Ralph Moeller. Direção: Marcus Nispel.


:: Resident Evil 3: A Extinção
Por Leonardo Vicente Di Sessa

Mesmo quando uma franquia cinematográfica não é planejada como uma trilogia fechada, tendo mais filmes, a terceira parte costuma apresentar algo de especial, seja o melhor roteiro de todos, as melhores cenas de ação ou um novo rumo para a trama. Resident Evil 3: A Extinção, com direção de Russell Mulcahy (Highlander, O Sombra), se encaixa no último grupo, ainda tendo como destaque bons efeitos especiais.

Tempos depois do final do segundo filme, Alice (novamente vivida por Milla Jovovich) está sozinha atravessando os desertos dos Estados Unidos, num mundo agora quase totalmente tomado pelos zumbis. Paralelamente, um grupo de sobreviventes também atravessa o deserto, liderados por Claire Redfield (interpretada por Ali Larter, a Niki do seriado Heroes). A Umbrella Corporation, responsável pela infestação mundial, ainda está na ativa, efetuando pesquisas para criar uma nova Alice e também para controlar a situação, para poderem viver fora de suas bases subterrâneas.

O que se segue é um corre-corre na busca por um suposto local livre dos zumbis, enquanto Alice se prepara para o confronto final com o Dr. Isaacs (Iain Glen), principal responsável pelos zumbis e pelos poderes de Alice. Bons efeitos especiais estão presentes em quase todas as lutas, embora elas sejam poucas. Os poderes de Alice são muito bem explorados, rendendo ótimas cenas. O item mais repetitivo é a luta de Alice com os cachorros zumbis, algo presente nos três filmes e o que é pior, sempre apresentada do mesmo modo.

Carlos (Oded Fehr) e L.J. (Mike Epps), sobreviventes do filme anterior, estão de volta, mas como todos os demais coadjuvantes, não brilham em nenhum momento, estando apenas no caminho de Alice. O que com certeza desagrada quem viu os filmes anteriores é a ausência dos outros sobreviventes, que nem ao menos são citados. A presença de Claire, personagem vinda diretamente dos games, não tem a importância que poderia ter, mas deixa em aberto uma ponta para uma continuação que já vem sendo comentada, embora ainda não confirmada, estrelada por Ali Larter, deixando a personagem Alice de lado.

A trama recupera mais elementos do primeiro do que do segundo filme, principalmente visualmente, logo de cara. O visual pega emprestado muitos elementos da série Mad Max, mas não chega a ser algo comprometedor. Ao final do filme, ficam claros dois caminhos bem distintos para a franquia, ambos com potencial de diversificar bastante a trama e o cenário em que tudo ocorre.

Boa diversão, Resident Evil 3: A Extinção consegue ser o segundo melhor filme da franquia, perdendo o posto de “campeão” para Resident Evil 2: Apocalypse.

Elenco: Milla Jovovich, Oded Fehr, Mike Epps, Iain Glen, Ashanti, Ali Larter, Spencer Locke, Gary Hudson. Direção: Russell Mulcahy.


:: O Vidente
Por Leonardo Vicente Di Sessa

Nicolas Cage ainda é um nome respeitado em Hollywood, mas já há alguns anos vem escolhendo muito mal seus papéis resultando em fracassos de bilheteria ou, em outros casos, muitas e merecidas críticas negativas. Um bom exemplo desta má fase do ator é Motoqueiro Fantasma, onde, ao que parece, Cage só pensou em realizar seu sonho de interpretar um personagem dos quadrinhos.

Já era tempo de Cage estrelar um bom filme e isso aconteceu agora com O Vidente (Next), onde ele vive um mágico que faz shows em Las Vegas. Chris “Frank Cadillac” Johnson não usa magia de verdade, mas está longe de ser uma pessoa normal, pois tem a habilidade ver dois minutos no futuro e somente tem vislumbres de acontecimentos que o envolvem. Isso logo atrai a atenção de dois distintos grupos: uma organização terrorista prestes a perpetrar um ataque aos EUA; e o FBI, que pretende recrutá-lo para ajudar na busca pela bomba nuclear a ser usada no ataque.

A partir daí, o mágico divide seu tempo entre se manter vivo, evitar ser usado como cobaia e ser obrigado a trabalhar para o governo e, por fim, conquistar a mulher que ama, interpretada por Jessica Biel, mais linda do que nunca, mas num papel um tanto diferente de seu normal, fazendo as vezes da mocinha em perigo, algo raro em sua carreira.

No filme também estão Peter Falk (o Columbo) e Julianne Moore. Falk aparece em apenas uma cena, não servindo para nada, infelizmente. Moore é bastante presente, pois interpreta a agente do FBI que comanda a operação para recrutar o personagem de Cage, mas está totalmente apagada no papel, não lembrando nem por um momento a boa atriz que é.

À primeira vista, as limitações dos poderes de Chris podem ser interpretadas como limitações também no roteiro, engessando a trama. A primeira metade do filme prova que isso não é limitação nenhuma para a história, usando muito bem tal habilidade. Já a segunda metade trapaceia para criar cenas mais elaboradas e um desenvolvimento mais intrincado.

Mesmo com essa trapaça, o filme é bem criativo no uso dos poderes de Chris, se tornando uma ótima diversão que, dependendo do sucesso, pode render uma continuação.

Elenco: Julianne Moore, Nicolas Cage, Jessica Biel, Peter Falk. Direção: Lee Tamahori.


:: O Homem Que Desafiou o Diabo
Por Leonardo Vicente Di Sessa

Embora o cinema brasileiro insista em produzir, quase que exclusivamente, dramas ou tramas policiais enfocando a pobreza, as favelas e o crime organizado, é na comédia que se encontram os melhores exemplares de nossa produção nacional.

Um dos melhores exemplos é O Auto da Compadecida, originalmente exibido na Rede Globo como uma minissérie e mais tarde reformatado, se transformando num filme para os cinemas. Sucesso de público e crítica, é uma diversão garantida.

Ambientado de forma similar, está O Homem Que Desafiou o Diabo, usando boa parte das ferramentas apresentadas em O Auto da Compadecida, incluindo aí o humor, o tema nordestino, o misticismo e as participações de vários ilustres atores da TV. E também é uma adaptação de um romance, no caso o livro As Pelejas de Ojuara, escrito por Nei Leandro de Castro.

O personagem principal é Zé Araújo, um mulherengo que, depois de entrar numa roubada, passa a ser ridicularizado por todos. Cansado e revoltado, ele decide “matar” sua identidade e “renascer” como o destemido Ajuara (Araújo ao contrário), que nada teme e tudo conquista. O personagem é interpretado por Marcos Palmeira, que nunca foi lá um grande ator, mas vem melhorando desde o início do seriado Mandrake, tendo aqui seu melhor desempenho até hoje.

Quem de fato rouba a cena é o Diabo do título, ou melhor, o Cão Miúdo, vivido pelo ator Helder Vasconcelos. Com certeza a mais divertida encarnação do Diabo nos cinemas, com um visual simples, mas competente.

As viagens de Ajuara garantem uma trama consistente, mas o filme se perde em vários momentos, se salvando somente quando o humor impera. Entre as várias falhas estão as participações relâmpagos de vários atores famosos, sendo que poucos têm destaque ou importância, como Flávia Alessandra no papel de Mãe de Pantanha. A única atriz que ganha espaço durante a exibição é Fernanda Paes Leme, no papel da prostituta Genifer.

Outro ponto fraco são os momentos mais sérios de romance, nos quais tudo se torna piegas em excesso, descaracterizando personagens e destoando do restante do filme. Um item muito criticado por alguns, prova que no Brasil ainda há muitos puritanos: os palavrões. De fato, produções nacionais costumam abusar do recurso, mas neste caso em especial, os palavrões são usados dentro do contexto e de forma muito natural, não se tornando algo apelativo. Por outro lado, o nu das atrizes (embora bem vindo tendo em vista as belezas selecionadas) é claramente apelativo, por vezes sendo usado em momentos totalmente desnecessários.

Por essas e outras, O Homem Que Desafiou o Diabo é um bom filme, provando que ainda há esperança para o repetitivo, apelativo e amargo cinema nacional. Mas, devido a tantas falhas, mesmo balanceadas pelo ótimo humor, pode ser uma boa pedida conferir a obra no conforto de casa, já que ainda não foi desta vez que um filme brasileiro “saiu do forno” com a receita certa.

Elenco: Marcos Palmeira, Helder Vasconcelos, Flávia Alessandra, Fernanda Paes Leme, Lívia Falcão, Sérgio Mamberti, Renato Consorte. Direção: Moacyr Góes.


:: Tropa de Elite

Por Leonardo Vicente Di Sessa

A violência nas favelas e ruas do Rio de Janeiro (ou mesmo São Paulo) é tema recorrente no cinema brasileiro. Com isso em mente a pergunta é: se Tropa de Elite fala exatamente sobre isso, então porque se tornou tão polêmico e o que o torna diferente?

A diferença é o ângulo pelo qual os fatos são apresentados ao espectador. Em vez de cair no de sempre, mostrando traficantes, assaltantes e demais criminosos como coitados que se viram obrigados a ingressar no crime por falta de opção, Tropa de Elite os retrata como realmente são: criminosos que merecem ser punidos e que apresentam uma grande ameaça a todos. Claro, a pobreza é explorada, mas o filme é bem realista quanto a isso, afinal, pobre ou não, todos podem optar por ser ou não criminosos ou viciados, o que é bem explorado na trama. Ou seja, pobreza não é desculpa e, sejamos francos, esse é o conceito que falta entrar na cabeça de boa parte do mundo. O diretor José Padilha acertou em cheio explorando a trama por esse prisma.

Wagner Moura é o Capitão Nascimento do BOPE. Querendo largar seu emprego para cuidar de seu filho que está para nascer, ele tem um problema em mãos, já que não pretende largar o trabalho sem achar um substituto a sua altura. É aí que entram os novatos Matias (André Ramiro) e Neto (Caio Junqueira), as duas melhores opções para substituir Nascimento, embora ainda não tenham aprendido como o sistema dentro da polícia funciona. Seu aprendizado abre espaço para o filme apresentar outra face do crime, a corrupção policial.

O elenco é bem afinado com os personagens e o destaque fica por conta de Moura que, a despeito de seu péssimo desempenho na recentemente finalizada novela das oito, em Tropa de Elite tem uma atuação firme, segura e competente.

A fotografia, as cenas de tiroteio e a ação em geral foram bem cuidadas, atingindo um nível muito superior ao tradicional em produções nacionais. Se por um lado o filme escancara uma realidade corrupta sem arranjar desculpas para os culpados, peca ao mostrar um BOPE onde não existem corruptos, o que foge da própria alma da história. Se a idéia é deixar claro quem é o mocinho, seria muito mais realista deixar que tal mocinho tivesse problemas com um corrupto comandado seu.

Além de um dos melhores filmes brasileiros já feitos, Tropa de Elite é o tipo de produção a qual não conseguimos resistir ao impulso de fazer uma reflexão ao seu final, medindo o que está correto ou não nas ações dos policiais do Rio.

Elenco: Wagner Moura, Milhem Cortaz, Fernanda de Freitas, Caio Junqueira, André Ramiro, Maria Ribeiro, Fernanda Machado, Marcelo Escorel, Bruno Delia, Thelmo Fernandes. Direção: José Padilha.

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