MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
09/11/2007
REVIEW - CINEMA: PLANETA TERROR E MAIS DOIS OUTROS REVIEWS
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



:: Planeta Terror
Por Ricardo Chacur

No ano de 1992, o filme mexicano El Mariachi consagrou o cineasta Robert Rodriguez. Muita criatividade e baixo-orçamento chamaram a atenção dos estúdios norte-americanos. O longa-metragem de apenas sete mil dólares acabou virando uma obra cult. Pouco tempo depois, Rodriguez foi trabalhar nos Estados Unidos, e com Antonio Bandeiras e Salma Hayek no elenco, completou sua trilogia com A Balada do Pistoleiro e Era uma Vez no México.

Sua linha exitosa e os dólares de Hollywood deram um impulso para a carreira do vanguardista diretor. A maior virtude de Rodriguez é a ousadia diante do pragmatismo de uma indústria que não perdoa erros, mas o diretor, roteirista, compositor e fotógrafo não tem medo de errar, porque é o maestro desse playground pessoal. Seus trabalhos acabam sendo diversificados diante da industrialização e fórmulas fantasiosas de sucesso do cinema, como pode ser conferido na adaptação de Sin City, a obra de Frank Miller.

Planeta Terror
(Planet Terror) é uma divertida obra megalomaníaca e incontrolável da criatividade sem limites. Na trama, homens e mulheres com feridas estão tendo estranhos comportamentos. Horas depois, os doentes acabam se transformando em zumbis. Piadas grosseiras sobre o consumismo de carne, sátiras de militares e das guerras do Oriente Médio, e o excesso de sangue contribuem para um filme que quebra regras.

O intenso humor negro e o roteiro repleto de furos propositais divertem e provocam risos de nervoso. Tudo isso ajudado pela nostalgia dos filmes baratos dos anos 60 e 70. As falhas propositais nas imagens criadas da pós-produção são ingredientes trashs do filme, que não tem pretensões de se tornar um clássico, mas divertir em cada cena com zumbis sedentos por carne humana no futuro apocalíptico.

Planeta Terror é uma grande homenagem aos clichês dos filmes de terror, ação, obras de baixo orçamento, até mesmo as caóticas e sem estrutura das matinês dos cinemas das cidades pequenas. É uma obra compressível para multidões, no entanto, Rodriguez e Tarantino fazem uma inesquecível viagem pessoal, e uma enorme piada sem limites. Só que Quentin Tarantino não é apenas produtor, pois interpreta um militar tarado e estuprador. Sua aparição é uma piada.

O foco principal é o desenvolvimento das idéias num ritmo alucinógeno e interessante. Planeta Terror foi um fracasso nos Estados Unidos, mas promete divertir um público que busca novidades no restante do planeta Terra.

Nota do HQM: Vale lembrar que Planeta Terror faz parte do projeto Grindhouse, que inclui Planeta Terror, dirigido por Robert Rodriguez, e À Prova de Morte (Death Proof), dirigido pelo amigo e cineasta Quentin Tarantino. A idéia foi projetada para que os dois filmes fossem exibidos nos cinemas em sessão dupla, como foram lançados inicialmente nos Estados Unidos, divididos por trailers falsos produzidos por Eli Roth, Edgar Wright e Rob Zombie, em homenagem às antigas salas de cinema norte-americanas que exibiam filmes de terror de baixo orçamento. Mas, devido à má performance nas bilheterias, a estratégia foi de relançar ambos de forma isolada e independente. Assim, À Prova de Morte, com Kurt Russel no papel principal, encarnando um motorista psicopata e assassino, tem estréia prevista no Brasil para março de 2008.

Elenco: Bruce Willis, Quentin Tarantino, Marley Shelton, Rose McGowan, Freddy Rodriguez, Naveen Andrews, Tom Savini, Michael Parks, Josh Brolin, Carlos Gallardo, Stacy Ferguson. Roteiro e direção: Robert Rodriguez.


:: Antes Só do que Mal Casado
Por Leonardo Vicente Di Sessa

Todo solteirão já ouvi dos pais o velho sermão: “Você precisa se casar, se estabelecer, conhecer alguém para viver junto, não pode ser solteiro para sempre”. Em Antes Só do que Mal Casado (The Heartbreak Kid), o comediante Ben Stiller (Uma Noite no Museu) vive Eddie Cantrow, um quarentão ainda solteiro, que ouve esse conselho e outros similares não só de seu pai, mas de todos os que conhece.

Ouve tanto que decide segui-lo, se casando depois de apenas dois meses de namoro com Lila (Malin Akerman, a Espectral do vindouro filme de Watchmen). Com tantos conselhos, alguém esqueceu de avisar o rapaz que sempre é bom conhecer melhor uma pessoa antes de decidir passar sua vida com ela.

Logo na lua-de-mel as coisas começam a ir muito mal, ainda mais quando Eddie conhece a simpática e linda Miranda (Michelle Monathan, de Missão: Impossível III), por quem se apaixona. Confuso como nunca, Eddie não sabe o que fazer numa situação complicada, que se torna ainda mais complexa depois de uma série de mal entendidos.

O filme é uma comédia um tanto atípica dos irmãos Farrelly (que já realizaram Quem Vai Ficar com Mary?, entre muitas outras comédias). Claro, tem inúmeros elementos dos filmes anteriores da dupla: Stiller, uma história de amor como fio condutor, desentendidos que levam a enormes confusões etc. Mas, diferente da grande maioria dos filmes dos irmãos, Antes Só do que Mal Casado é um tanto mais leve, não sendo só risadas e situações inusitadas o tempo todo, dando mais espaço para o romance, mesmo que se trate de romances pra lá de problemáticos.

Vale nota a participação de Jerry Stiller (mais lembrado pelo grande público por sua participação na série Seinfield), pai de Ben, fazendo o papel justamente de... seu pai.

Elenco: Ben Stiller, Jerry Stiller, Michelle Monaghan, Rob Corddry, Malin Akerman, Stephanie Courtney. Direção: Peter e Bobby Farrelly.


:: Sem Controle
Por Anita Imperatore

Loucura, loucura!

Como transformar um fato histórico numa atualíssima e intrigante história? Assista Sem Controle, que une a extinção da pena de morte no Brasil com uma oficina de teatro numa clínica psiquiátrica. O ótimo roteiro e a estréia de Cris D’Amato na direção de um longa metragem tornam esse filme bem interessante.

Danilo Porto (Eduardo Moscovis) vive um diretor de teatro fracassado e inconformado com a injustiça cometida contra o fazendeiro Manoel da Motta Coqueiro, personagem da vida real, que no século 19, fez com que a pena de morte fosse abolida no Brasil.
Orientado pela amiga Márcia (Vanessa Gerbelli), passa uns dias na clínica psiquiátrica em que ela trabalha. Aí começa a trama que envolve obsessão, amor e loucura.

Danilo Porto é fisgado pela beleza de Aline/Úrsula (Milena Toscano), uma das pacientes da clínica, que dentro de seu próprio mundo, passa a enxergar apenas ele.

Sexo, obsessão e fantasia.

Influenciado por Marta, Danilo resolve montar uma oficina de teatro na clínica. E ensaia sua falida peça sobre Motta Coqueiro, com ele mesmo interpretando o fazendeiro e os demais papéis vividos pelos pacientes psiquiátricos.

Boas atuações, diversão e comoção.

Mas como bem sabemos, violência + parafusos a menos não combinam! Os pacientes levam a história a sério. Ultrapassam todos os limites entre o real e o imaginário e nos mostram uma situação que jamais imaginaríamos em sã consciência.

Inesperado, medo e final surpreendente.

 
Curiosidades: A cena do julgamento de Danilo Porto/Motta Coqueiro foi gravada numa usina de açúcar, num ambiente totalmente vertical, onde Cris D´Amato, a diretora, teve que mudar os planos de câmera que havia previsto para filmar esta cena.

Only for girls: Sim, sim, Edú Moscovis está puro charme! Mostra em cenas picantes que está muito bem e que tem a tal pegada! A maluquinha da Aline/Úrsula (Milena Toscano) que o diga...

Elenco: Eduardo Moscovis, Milena Toscano, Vanessa Gerbelli, Dirce Migliaccio, Marcelo Valle e Cadu Fávero. Roteiro: Sylvio Gonçalves. Direção: Cris D’Amato.

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