MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
20/11/2007
ENTREVISTA: RON MARZ
 
 
Silver Surfer Annual 3: estréia ao lado de Starlin
 
 
Roteiros para o Universo de Star Wars
 
 
Samurai: trabalho favorito
 
 
Witchblade: nova fase com roteiros de Marz
 
 
A Lanterna Verde do Universo Tangente
 
 
Samurai - Volume 2
 
 
Kyle Rayner, co-criado por Ron Marz
 
 
Green Lantern #50: Hal Jordan como Parallax
 



Considerado por muitos fãs e odiado por tantos outros, Ron Marz, roteirista e co-criador do Lanterna Verde Kyle Rayner, concedeu uma entrevista exclusiva para o HQM. Aqui ele conta um pouco de seu início nas HQs, seus trabalhos com Íon e Witchblade, sua passagem pela Crossgen, seus futuros projetos e muito mais.

HQM: Como você se iniciou nos quadrinhos, tanto como leitor quanto como profissional?
Ron Marz:
As primeiras HQs que vi como leitor... Bem, na verdade, mais como um "observador", porque não sei o quanto eu conseguia ler, na ocasião, foram algumas revistas da Marvel que pertenciam a meu irmão. Elas estavam em uma caixa no nosso porão, edições antigas dos Vingadores, Quarteto Fantástico, Homem-Aranha e outros. Lembro que a arte de Kirby me fascinava, mas também me assustava um pouco.

Como profissional, fui trazido à indústria pelo meu amigo Jim Starlin, que me mostrou o básico e me permitiu co-escrever algumas edições com ele. Minha primeira revista foi um Silver Surfer Annual, em 1990. Desde então venho escrevendo quadrinhos.

HQM: Em qual editora gostou mais de trabalhar? E com que desenhista gostou mais?
Ron Marz:
Eu fiquei feliz com a maioria das editoras para que trabalhei. Você consegue coisas diferentes de editoras diferentes. Na Marvel ou DC, você tem uma chance de brincar com todos aqueles personagens com os quais você cresceu. Alguns deles, como Batman ou Superman ou Homem-Aranha, são realmente icônicos neste ponto. A Dark Horse oferece a chance de brincar com o universo de Star Wars, como também nossos projetos independentes. A Top Cow é uma boa combinação de liberdade criativa e personagens conhecidos.

Tive muita sorte de trabalhar com vários artistas impressionantes na minha carreira. Seria difícil escolher um só, então eu incluiria Walter Simonson, Bernie Wrightson, Jim Starlin, Kevin Nowlan, Rick Leonardi, Brian Stelfreeze, Bart Sears, Jim Cheung, Brandon Peterson, Greg Land, e claro, Luke Ross.

HQM: Há ainda algum profissional ou personagem com quem gostaria de trabalhar, mas ainda não teve a chance?
Ron Marz:
Eu ainda tenho alguns nomes da minha “lista de desejos”: Alan Davis, Art Adams, Ivan Reis, Frank Cho, Ryan Sook, Marc Silvestri. Mas irei trabalhar com prazer com Luke até sermos velhinhos.

Qual você considera seu melhor trabalho?
Ron Marz:
Sem sombra de dúvida, Samurai: O Céu e a Terra

HQM: Você acompanha algum título atualmente? Se sim, qual você mais gosta?
Ron Marz:
Eu não leio tanto quanto deveria, ou tanto quanto gostaria. Há pilhas de quadrinhos e coleções na mesa de café no meu escritório. Mas sempre tento ter tempo para Hellboy, Jonah Hex, Os Supremos, The Perhapanauts, Demolidor, Surpreendentes X-Men, Invencível e Os Mortos-Vivos. Alguns mais recentes que gostei incluem Eternos, A Torre Negra, a fase de Johns-Donner-Kubert em Action Comics, e a nova revista do Spirit de Darwyn Cooke. 

HQM: O que poderia comentar sobre seu tempo na Crossgen e o fim da editora?
Ron Marz:
Criativamente, era maravilhosa. Eu realmente gostei de ter toda a equipe criativa junta, e gostei de fazer histórias de gêneros fora dos super-heróis. Eu não era muito fã do aspecto de “universo dividido”. Acho que quase todos lá fizeram alguns dos melhores trabalhos de suas carreiras, graças ao ambiente criativo. Infelizmente, a parte de negócios foi mal planejada. A empresa cresceu muito, muito rápido, por causa da impaciência do dono de competir com a Marvel e DC. Aquilo era loucura. Vejo como um fracasso nobre, realmente. Não me arrependo da minha época lá, só o jeito como tudo terminou.

HQM: Como é participar da reformulação da Witchblade na Top Cow? Pode nos dar detalhes das mudanças que essa reformulação vai trazer?
Ron Marz:
Estou gostando bastante de escrever Witchblade. Estou escrevendo há dois anos, e ainda sinto como se estivesse começando. Uma das coisas que realmente gosto é que não é o tipo de revista tradicional, pelo menos no mercado americano, onde super-heróis são dominantes. Witchblade é, de verdade, um suspense com sobrenatural e crime. Eu amo a personagem Sara Pezzini, e agora estamos adicionando Dani Baptiste à revista. Dani está assumindo como hospedeira da Witchblade, aprendendo muito “o trabalho”. Sara ainda é uma peça importante na revista, mas agora nós temos outra personalidade feminina importante no mix.

Sara desistiu da Witchblade porque ela está grávida, então a história vai se desdobrar nos levando ao nascimento no crossover First Born. Estou bastante empolgado com a direção para este ano e além. E certamente ajudou termos uma grande artista do Brasil, Adriana Melo, desenhando a revista.

HQM: Na Top Cow, os personagens de cunho místico costumam se encontrar com muita freqüência. Você pretender integrar mais a Cyberforce, que foge da proposta mística, ao restante do universo Top Cow?
Ron Marz:
O universo Top Cow é um tanto único nisto tendo um aspecto sobrenatural, mas ainda há o aspecto de super-heróis com a Cyberforce e alguns outros personagens. Eu, definitivamente, quero trazer os dois aspectos juntos um pouco mais, porque acho que são até mais interessantes quando são comparados entre si. Um antigo vilão da Cyberforce aparecere no especial Witchblade/Punisher que fiz com a Adriana.

HQM: Como você vê a “nova” DC Comics?
Ron Marz:
Bem, eu não sei se tem algo verdadeiramente “novo” na DC ou até na Marvel. São os mesmos personagens clássicos. As coisas podem estar mais temíveis, um pouco mais “mundo real” em ambos os universos neste momento, mas eu acho que tudo isso é cíclico. Neste momento é o ciclo dos eventos com grandes crossovers com sérias conseqüências. Quando isso saturar, o ciclo será outro.

HQM: A idéia de resgatar o Universo Tangente partiu de você?
Ron Marz:
Ver a Lanterna Verde do Universo Tangente no final da Crise Infinita me trouxe a idéia. Mas, mais do que qualquer coisa, surgiu de uma conversa com Dan Jurgens quando tomamos café da manhã em Chicago tempos atrás. Dan é o arquiteto do Universo Tangente e ele estava falando sobre a possibilidade de trazê-lo de volta. Então, com a bênção de Dan, o Universo Tangente apareceu em Íon. Espero que possamos fazer mais no futuro.

A seguir, estão algumas perguntas enviadas por nossos leitores:

André Palhais, de Brasília, pergunta: 
Qual sua opinião sobre os grandes eventos da Marvel e da DC?
Ron Marz:
Como eu disse, esses eventos estão em moda agora, e vendendo muitas cópias. Conseqüentemente, os leitores se cansarão e vão parar de comprar, e as editoras caminharão em outra direção. Mas espero que leve mais alguns anos, pelo menos.

Leandro Gugliano, de Santos, pergunta:
Como é desenvolver roteiros em temas tão distintos como Lanterna Verde e Samurai?
Ron Marz:
Quando você trabalha com personagens que pertencem a uma editora como o Lanterna Verde, você sabe que é o brinquedo de outra pessoa e você só está pegando emprestado. Mesmo um personagem como Kyle Rayner, que eu ajudei a criar, pertence à DC, não importa o quão próximo eu me sinta ao personagem. Você tem que jogar sob a regras da editora. Não estou dizendo que seja ruim, mas somente algo que você precisa entender quando faz esse tipo de trabalho: você é parte do processo, e alguma outra pessoa terá a palavra final.

Com Samurai, é muito diferente porque Luke e eu criamos tudo lá, e é tudo nosso. Nós tomamos todas as decisões, nós decidimos como a revista é feita e o que acontece com os personagens. Também temos controle sobre a qualidade, a revista não é impressa até aprovarmos. É realmente maravilhoso ter algo que é seu, e que você tem orgulho. Em geral, fico contente de ter a chance de escrever tipos diferentes de quadrinhos: super-heróis, aventuras históricas, ficção científica, crime. Sei que existem escritores contentes em escrever apenas super-heróis, mas acho que seria incrivelmente chato. Por que alguém iria querer comer apenas um tipo de comida?

Gustavo Levin, de Porto Alegre, pergunta:
Como é voltar para Kyle Rayner depois de tantos anos e por que o transformar novamente em Íon, ao invés de mantê-lo como Lanterna Verde, já que ele sempre foi marcado por essa identidade?
Ron Marz:
Houve uma época em que pensei ter contado todas as histórias de Kyle que eu podia, mas percebi agora que não é o caso. Transformar Kyle em Íon foi uma decisão editorial tomada pela DC, mas acho que realmente não importa se ele é chamado “Íon” ou “Lanterna Verde” ou outra coisa. Ele ainda é o mesmo cara, e eu adoro escrever sua evolução como personagem. 

Você recebeu muitas criticas pela transformação de Hal Jordan em Parallax, uma trama que seria mais tarde modificada por Geoff Johns. O que tem a dizer sobre tais críticas? Arrepende-se por ter feito tal mudança em Hal Jordan?
Ron Marz:
 O que posso dizer é que lamento não termos mais edições para contar a história. Três edições eram muito pouco. Precisávamos do dobro para fazer uma história emocionalmente crível sobra a queda de Hal. Mas nos deram três edições, então fizemos nosso melhor. Entendo a angústia dos leitores, isso era esperado. E eu certamente esperava a reação, embora foi surpreendente que alguns fãs realmente fanáticos foram tão longe ao exigir que eu fosse demitido, ou que o editor fosse demitido, como se tivéssemos tomado a decisão por nossa própria conta. É triste que algumas pessoas ainda não esqueceram, e ainda temos aquela rixa “Hal vs. Kyle”. Ambos os personagens têm seus espaços.

HQM: Há algum novo projeto que você possa nos adiantar algo?
Ron Marz:
Bem, Luke e eu acabamos o volume 2 de Samurai: O Céu e a Terra, esperamos que mais venham a seguir. Terei outro projeto independente no final do ano pela Dark Horse, uma série de ficção científica chamada Pantheon City com Clement Sauve, e daí outra minissérie independente, Russian Sunset, um suspense de espionagem e crime sobre a máfia russa desenhada por Mirko Colak. Continuo em Witchblade, e o objetivo é lançar uma nova série de Tomb Raider com Mike Choi ainda este ano. Há mais trabalhos na DC à vista, como também outros projetos, mas eles ainda são segredos por enquanto.

HQM: Muito obrigado pela entrevista. Algum recado para seus fãs no Brasil?
Ron Marz:
Gostaria de agradecer a todos que estão lendo minhas revistas. Sei que existem muitas opções, então eu agradeço o apoio. E também gostaria de dizer que os fãs brasileiros devem ficar extremamente orgulhosos do impacto que tantos artistas brasileiros estão causando no mercado. É incrível como tanto talento está vindo aos EUA do Brasil, e tenho muita sorte de estar trabalhando com pessoas como Luke Ross, Adriana Melo e Greg Tocchini.


A Equipe HQM agradece aos leitores que enviaram suas perguntas por e-mail ou através do Fórum HQM, deixando a entrevista mais completa. Nosso muito obrigado.

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Tags : Ron Marz, Kyle Rayner, Íon, Witchblade, Crossgen, HQM: Como você se iniciou nos quadrinhos, tanto como leitor quanto como profissional?Ron Marz:, Jim Starlin, HQM: Em qual editora gostou mais de trabalhar? E com que desenhista gostou mais?Ron Marz:, HQM: Há ainda algum profissional ou personagem com quem gostaria de trabalhar, mas ainda não teve a chance?Ron Marz:, Qual você considera seu melhor trabalho?Ron Marz:, Samurai: O Céu e a Terra, HQM: Você acompanha algum título atualmente? Se sim, qual você mais gosta?Ron Marz:, HQM: O que poderia comentar sobre seu tempo na Crossgen e o fim da editora?Ron Marz:, Adriana Melo, HQM: Como você vê a “nova” DC Comics? Ron Marz:, HQM: A idéia de resgatar o Universo Tangente partiu de você?Ron Marz:, André Palhais,, Qual sua opinião sobre os grandes eventos da Marvel e da DC?Ron Marz:, Leandro Gugliano, Como é desenvolver roteiros em temas tão distintos como Lanterna Verde e Samurai?Ron Marz:, Gustavo Levin




 

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