MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
30/11/2007
REVIEW - CINEMA: A LENDA DE BEOWULF E MAIS TRÊS OUTROS REVIEWS
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



:: A Lenda de Beowulf


O poema épico Beowulf foi criado há vários séculos e desde então foi adaptado diversas vezes para várias mídias, sejam HQs, cinema ou outras mais. A triste verdade é que boa parte dessas adaptações deixou muito a desejar, sendo um dos maiores exemplos o terrível filme Beowulf – O Guerreiro das Sombras, de 1999, protagonizado por Christopher Lambert, que transformou o poema em uma aventura pós-apocalíptica.

Contudo, a grande adaptação de Beowulf chega agora, e quem diria, na forma de uma animação. A Lenda de Beowulf (Beowulf) usa a tecnologia de captura de movimentos para criar um visual deslumbrante, cheio de rostos famosos do cinema.

A trama continua a mesma: o heróico guerreiro Beowulf (Ray Winstone) enfrenta o monstruoso Grendel (Crispin Glover), para colocar em segurança o reino de Hrothgar (Anthony Hopkins). Mas o verdadeiro perigo está na sedutora forma da mãe de Grendel, vivida por Angelina Jolie, que tenta o guerreiro não só com suas belas formas, mas também com outras ofertas de poder.

Tudo no filme é muito bem trabalhado para criar o clima perfeito para a trama: o visual é extraordinário, a trilha sonora empolgante e as cenas de ação são muito bem conduzidas. Até mesmo as eventuais piadinhas contribuem no geral, não quebrando o ritmo.

Claro, os nomes envolvidos garantem tudo isso. O diretor Robert Zemeckis tem grande experiência em aventuras e vem se especializado cada vez mais em animações elaboradas através da captação de movimentos por computador, como deixa claro O Expresso Polar; além disso teve algumas passagens pelo mundo dos quadrinhos.

A dupla de roteiristas é também um grande trunfo. O ilustre Neil Gaiman se encontra num de seus ambientes preferidos, trabalhando com mitos e lendas antigos. Roger Avary prova novamente sua versatibilidade (já colaborou em filmes diversos, como Pulp Fiction e Terror em Silent Hill).

Uma dica importante: embora não existam muitas salas do tipo no Brasil, tente a todo custo assistir A Lenda de Beowulf em 3-D, o melhor modo de aproveitar ao máximo todas as (muitas) qualidades da produção.

Elenco: John Malkovich, Anthony Hopkins, Crispin Glover, Angelina Jolie, Alison Lohman, Brendan Gleeson, Ray Winstone, Robin Wright Penn, Chris Coppola. Roteiro: Roger Avary e Neil Gaiman. Direção: Robert Zemeckis.



:: No Vale das Sombras


O soldado Mike Deerfield (Jonathan Tucker) está desaparecido, o que leva seu pai, Hank (Tommy Lee Jones) a investigar o que de fato aconteceu, mesmo que tenha de bater de frente com outros soldados. Ele recebe a ajuda da detetive Emily Sanders (Charlize Theron), primeiramente a contra-gosto, mas logo criando um elo com ela.

Essa é a trama de No Vale das Sombras (In the Valley of Elah), que, através da citada investigação, explora o lado negro dos militares estadunidenses, um dos assuntos mais abordados nos últimos anos, mas raramente de uma forma aprofundada.

Embora o filme tenha uma boa história, um clima pesado que faz com que façamos uma reflexão sobre o que assistimos ao fim da exibição, ainda assim o assunto em questão não é explorado adequadamente. Experiências terríveis dos soldados são mostradas, as conseqüências é que ficam em segundo plano, sendo vivenciadas apenas pela família Deerfield.

Outro ponto fraco é a presença de Susan Sarandon como esposa de Hank, um papel que não serve para nada na trama, numa frustrada tentativa de inserir mais sentimento aos acontecimentos. Até mesmo o nome do filme foi mal escolhido. No original é In the Valley of Elah, fazendo menção a um rápido e pouco importante diálogo ocorrido no filme. A tradução/adaptação deixa o título ainda mais fora do contexto.

Elenco: Tommy Lee Jones, Susan Sarandon, James Franco, Jason Patric, Charlize Theron, Jonathan Tucker, Frances Fisher, Tim McGraw, Mehcad Brooks, Wes Chatham. Direção e roteiro: Paul Haggis.



:: O Reino


O Presidente George W. Bush criou um sentimento de antipatia mundial aos Estados Unidos com suas medidas contra o terrorismo. Isso afetou também a indústria cinematográfica, que vem evitando filmes por demais patrióticos, o que atinge principalmente tramas de guerra e sobre terrorismo. Com isso, muitas obras deixam de lado a óptica patriótica, outras criticam a política dos EUA, mas ainda existem as que insistem no patriotismo e acabam sendo duramente criticadas por isso, tanto pelo público quando pelos profissionais do meio.

Tendo isso em mente, O Reino (The Kingdom), filme que acaba de chegar aos cinemas brasileiros, tenta trilhar um pouco de cada caminho, o que o transforma num exemplar difícil de se comentar do cinema moderno.

Tudo começa na Arábia Saudita, com um ataque militar que causa a morte de diversos estadunidenses, incluindo um agente do FBI, vivido por Kyle Chandler (de King Kong). Quatro de seus colegas (interpretados por Jamie Foxx, Jennifer Garner, Chris Cooper e Jason Bateman) dão um jeito de viajar até a Arábia para investigar o atentado, na esperança de vingar a morte de seu amigo.

Já na Arábia, enfrentam problemas na investigação, já que também são alvos em potencial. Forçados a fazerem tudo acompanhados da polícia, criam amizade com o Coronel Faris Al Ghazi, que os ajuda em sua missão. O personagem é o grande destaque do filme, numa ótima performance do ator israelita Ashraf Barhom.

De forma inteligente, o patriotismo estadunidense é evitado, mesmo que não totalmente. Os problemas enfrentados pelos amigos do falecido agente do FBI para conseguirem autorização para a viagem à Arábia mostram bem os problemas políticos dos EUA. Mas a verdadeira crítica conjunta ao momento atual tanto da Arábia quanto dos EUA vem somente no final, da forma mais simples (e também direta e eficaz) possível.

O Reino tem uma boa trama, cenas de ação bem conduzidas, mas peca por ter personagens pouco cativantes e não se aprofundar em nenhum momento em suas críticas, ficando na maior parte do tempo “em cima do muro”.

Elenco: Jamie Foxx, Jennifer Garner, Jeremy Piven, Chris Cooper, Jason Bateman, Frances Fisher, Andrew Esposito, Minka Kelly, Ashraf Barhom. Roteiro: Matthew Michael Carnahan. Direção: Peter Berg.


:: A Loja Mágica de Brinquedos

A Loja Mágica de Brinquedos (Mr. Magorium´s Wonder Emporium), filme estrelado por Dustin Hoffman e Natalie Portman, vem sido rotulado como “uma cópia descarada de A Fantástica Fábrica de Chocolate”. Tal comparação é por demais injusta.

Embora ambas as obras tenham como cenário um local que povoa o sonho das crianças, cada uma conduz sua história de modo bem diferente. Em A Fantástica Fábrica de Chocolate, o personagem Willy Wonka é o principal foco, sua história individual é a força matriz, porém, tudo é retratado do ponto de vista das crianças.

É justamente aí que A Loja Mágica de Brinquedos mostra sua principal diferença. Mesmo cheio de crianças, o filme se aprofunda (e não muito) em apenas uma, o menino Eric Applebaum, vivido por Zach Mills.

A história de fato enfoca nos adultos. Dustin Hoffman é o dono da loja, o enigmático e divertido Edward Magorium, um alucinado senhor que acabou levantando comparações com Wonka. De fato ambos os personagens são a própria definição da palavra excentricidade, mas ainda assim são deveras diferentes. Natalie Portman é Molly Mahoney, empregada da loja. Jason Bateman vive o contador Henry Weston, recém chegado ao local e apelidado de Mutante.

A partir das vidas destes três personagens tudo se desenrola. O sr. Magorium decide passar a loja para Molly, o que começa a causar problemas. Como se não bastasse Molly não aceitar a proposta e ainda pensar no seu futuro não percorrido como pianista, a loja, que é uma entidade independente, não reage bem às mudanças. A chegada de Henry torna tudo mais difícil, já que ele é extremamente sério, não acreditando na magia da loja.

O enredo explora, principalmente através de Molly, os sonhos que perdemos quando nos tornamos adultos, os caminhos que não trilhamos, a perda da magia e inocência da infância. Não apenas isso, mas também a falta de rumo tão comum a todos que percebem que, já adultos, não estão no lugar que aspiraram por tantos anos. Tal tema faz do filme um ótimo espetáculo para as crianças, mas também toca nos adultos, podendo levar até mesmo a uma reflexão sobre nossas escolhas.

Vale nota o hilário desempenho dos bonecos Lego e a rápida participação do ilustre Caco, o Sapo.

Elenco: Dustin Hoffman, Natalie Portman, Jason Bateman, Zach Mills. Direção e roteiro: Zach Helm.

  facebook


 


 

Seções
HQ Maniacs
Redes Sociais
HQ Maniacs - Todas as marcas e denominações comerciais apresentadas neste site são registradas e/ou de propriedade de seus respectivos titulares e estão sendo usadas somente para divulgação. :: HQ Maniacs - fundado em 19.08.2001 :: Brasil