MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
09/01/2008
REVIEW - CINEMA: A BÚSSOLA DE OURO E MAIS TRÊS REVIEWS
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



:: A Bússola de Ouro
Por Leonardo Vicente

Com a crescente onda de adaptações literárias nos cinemas, era de se esperar que o clima para tais adaptações rapidamente mudasse.

Em primeiro lugar foram as adaptações mais fracas, que tentaram seguir o ritmo do mercado, caso de Eragon. Agora, começam a surgir boas adaptações que não agradam ao público do modo esperado. Ou seja, o público já dá sinais de estar se cansando do gênero, independente da qualidade dos filmes.

A Bússola de Ouro (The Golden Compass), adaptação do livro de Philip Pullman, é uma vítima deste aparente esgotamento do público quanto ao gênero. Trata-se de uma produção bem cuidada, com ótimos atores, efeitos ainda melhores e um visual fenomenal, embora peque um pouco pela falta de cenas de ação melhor elaboradas. Ainda assim, a película não atingiu o sucesso esperado pelo estúdio, o que podemos considerar uma injustiça.

O filme nos apresenta uma Terra alternativa, onde as pessoas são acompanhadas de animais (os chamados daemons), manifestações de suas próprias almas. O estudioso Lorde Asriel (vivido por Daniel Craig) acredita ter descoberto um meio para visitar dimensões alternativas. Mas uma organização religiosa quer impedi-lo, e paralelamente busca outros meios de garantir seu controle sobre o mundo, inclusive fazendo experiências com as crianças e seus daemons.

A heroína da trama é a garota Lyra Belacqua (Dakota Blue Richards), sobrinha de Asriel. Ela é a guardiã da Bússola de Ouro, um objeto que aponta a verdade, revela segredos e que é procurado por muitos. Em sua jornada, a menina encontra todo o tipo de aliados, destes garotos de sua idade, passando por ciganos, o urso guerreiro Iorek Byrnison (voz de Ian McKellen), a feiticeira Serafina Pekkala (Eva Green) e o pistoleiro Lee Scoresby (Sam Elliott).

Dakota Blue Richards, mesmo sendo apenas uma menina, já se mostra uma boa atriz, mas a cena é roubada em vários momentos pelos personagens Lee Scoresby e principalmente o urso Iorek. E tal fato não é nenhuma surpresa, já que ambos os personagens são os mais interessantes e diferenciados na trama, além de serem interpretados por ótimos atores.

Sendo uma boa aventura, A Bússola de Ouro tem mais alguns defeitos, todos conseqüência do hábito de se definir “caminhos fáceis” nas tramas de fantasia. Muita gente notará de imediato semelhanças com as sagas Star Wars e O Senhor dos Anéis, principalmente o último, comprovado pelo modo como Lyra vai formando seu grupo de confiança, como vai sendo construído aos poucos o caminho para uma história maior. Mesmo a linda Nicole Kidman está num papel que cai em grandes clichês, vivendo a vilã Marisa Coulter.

Se antes da estréia se temiam problemas pelo ataque à Igreja (um dos pontos principais do livro, mas no filme sendo levemente maquiado para diminuir a possível reação negativa do público), o medo agora é que as continuações não estejam garantidas.

Elenco: Dakota Blue Richards, Sam Elliott, Ian McKellen, Christopher Lee, Nicole Kidman, Kathy Bates, Daniel Craig, Simon McBurney, Ian McShane, Eva Green, Clare Higgins. Direção: Chris Weitz.


:: 30 Dias de Noite
Por Artur Tavares

A cidade estadunidense de Barrow, no Alasca, está em seu último dia de sol antes dos 30 dias de noite que caem sobre ela durante o inverno. É neste período em que, durante um mês, a população cai de pouco mais de 500 habitantes para pouco menos de 150. Ficam na cidade apenas alguns habitantes locais e representantes da autoridade, como o Xerife Eben (Josh Hartnett) e sua ex-mulher, Stella (Melissa George).

A calmaria do inverno na cidade petrolífera é abalada por um elemento incomum, sobrenatural. Antes mesmo de escurecer, alguns eventos abalam a casual tranqüilidade, como celulares queimados, o assassinato de todos os cães que puxam trenós de neve e a visita de um forasteiro que arranja uma briga no restaurante mais tradicional da cidade. Mas tudo é só o prenúncio do pior, uma invasão de vampiros que acabará por destruir completamente Barrow.

30 Dias de Noite (30 Days of Night) , adaptação cinematográfica da HQ homônima de Steve Niles e Ben Templesmith, dirigida pelo britânico David Slade, é um dos filmes de horror mais surpreendentes dos últimos anos. O roteiro, bem adaptado para as telas, com poucas mudanças, é bem amarrado. A trilha sonora envolvente e, em alguns momentos assustadora, cai como uma luva no jogo de câmeras: veloz, nervoso.

Felizmente, os vampiros não roubam a cena do ator principal da película, o muitas vezes apagado Josh Harnett. Mesmo com excesso de maquiagem e sangue (o filme é muito violento), os atores que protagonizam os vilões foram bem definidos. São máquinas de matar inteligentes, que só tendem a alcançar um propósito: se deleitar em um banquete humano durante um mês, apenas para destruir a cidade inteira logo em seguida.

Se 30 Dias de Noite é uma sessão de cinema que garante satisfação a qualquer espectador, resta torcer para que as outras minisséries da saga sejam transformadas em tão bem sucedidas adaptações cinematográficas.

Elenco: Josh Hartnett, Melissa George, Danny Huston, Mark Rendall, Manu Bennett. Direção: David Slade.


:: Bee Movie: A História de uma Abelha
Por Leonardo Vicente

Grandes estúdios, grandes atores e grandes diretores costumam ter estilos próprios. Por exemplo, quando vamos ao cinema assistir a um filme de Tim Burton, esperamos a cota de bizarrices tão comum ao diretor. Quando vemos um filme de Steven Spielberg, é muito provável que testemunhemos toda ou boa parte da trama pelos olhos de uma criança. Mas o que acontece quando dois estilos de dois nomes famosos se misturam?

A resposta está em Bee Movie - A História de uma Abelha (Bee Movie), animação da DreamWorks que apresenta Barry B. Benson (voz de Jerry Seinfeld), uma abelha que não aceita bem o fato de que todas as abelhas trabalham apenas produzindo mel para o resto de suas vidas.

Indo para um passeio fora de sua colméia, acaba quebrando a lei de sua raça, e conversa com uma humana, a florista Vanessa Bloome (Renée Zellweger). A partir daí, Barry descobre que os humanos consomem mel produzido por abelhas e decide processar a raça humana por isso.

E é aí que se misturam os estilos. Todo o visual e parte do desenvolvimento dos personagens segue a tradição da DreamWorks, a boa trilha sonora também segue a tradição, criando clima para algumas piadas. Contudo, Seinfeld é também co-roteirista do filme e seu toque é sentido rapidamente na produção. As piadas são mais críticas e ácidas do que o habitual em animações, os diálogos são rápidos e têm aquela cara de improviso que é a marca registrada do comediante, e personalidades famosas (que inclusve participam do filme) são “combustível” para as sátiras, como o cantor Sting, o ator Ray Liotta e o apresentador Larry King.

O importante é que o mix destes estilos funcionou muito bem, conseguindo atingir todos os públicos. Crianças se divertirão, adultos também e ainda pegarão as referências e críticas espalhadas, e todos concordarão que a DreamWorks se redimiu do fraquíssimo Shrek Terceiro.

Elenco: Jerry Seinfeld, Renée Zellweger, Matthew Broderick, Alan Arkin, Barry Levinson, John Goodman, Kathy Bates, Eddie Izzard, Chris Rock, Rip Torn, Larry Miller, Oprah Winfrey. Direção: Steve Hickner e Simon J. Smith.


:: Alvin e os Esquilos
Por Leonardo Vicente

Alvin e os Esquilos (Alvin and the Chipmunks) ficaram conhecidos no Brasil pela série animada de mesmo nome, produzida na década de 80. Contudo, os personagens foram criados em 1958 por Ross Bagdasarian Sr. em uma mídia bem diferente: a música. Isso mesmo, os personagens tiveram vários sucessos musicais antes de fazerem sucesso na TV.

Em seu primeiro filme com atores (embora os esquilos sejam feitos através de computação), os personagens mantém seus visuais e sua trama básica. O humano Dave (Jason Lee) conhece e acaba se tornando a figura paterna para o trio de esquilos formado por Alvin, Theodore e Simon. Logo, os três se tornam a mais nova sensação musical do mundo, e Dave tenta protegê-los do produtor Ian (David Cross).

O filme funciona muito bem para as crianças, sem se tornar maçante para adultos, sendo no final das contas bem divertido. Jason Lee está um tanto apagado, provavelmente pelo fato de viver um personagem bem diferente do seu habitual, menos anárquico e mais pé no chão.

O risco ficou por conta da falta de reconhecimento do grande público, já que os personagens são quase desconhecidos no Brasil e mesmo nos EUA estão há anos sem destaque. Mas tal risco já foi superado, visto que o filme se tornou um grande sucesso nos cinemas dos Estados Unidos.

Elenco: Jason Lee, Justin Long, David Cross, Jane Lynch, Cameron Richardson. Direção: Tim Hill.




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