MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
18/01/2008
REVIEW - CINEMA: EU SOU A LENDA E MAIS QUATRO REVIEWS
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



:: Eu Sou a Lenda
Por Leonardo Vicente

O escritor Richard Matheson já trabalhou com livros, TV e cinema, mas será eternamente marcado por sua maior obra: Eu Sou a Lenda.

Escrito em 1954, o livro mistura perfeitamente ficção e terror para apresentar um mundo futurístico desolado, onde praticamente toda a população foi infectada por um vírus, se tornando um tipo de vampiro. Robert Neville é um homem que segue sua vida, imune à doença, atacando os “vampiros”, se tornando uma lenda para eles, assim como eles eram uma lenda para o mundo antes da doença.

A obra foi adaptada para os cinemas pela primeira vez em 1964, num filme estrelado por Vincent Price, intitulado Mortos Que Matam (The Last Man on Earth). Em 1971, mais uma adaptação, desta vez menos fiel ao livro: A Última Esperança Sobre a Terra (The Omega Man), desta vez com Charlton Heston.

Agora Will Smith encarna Robert Neville na mais nova adaptação, Eu Sou a Lenda (I am Legend), com direção de Francis Lawrence. Novamente um tanto diferente da obra literária, o filme se tornou um enorme sucesso mundial. E motivos para isso não faltam.

Will Smith, que costuma por vezes revezar filmes de ação com outros dramáticos onde prova o bom ator que é, consegue desta vez fazer as duas coisas ao mesmo tempo, correndo perigos e lutando, mas também sofrendo, filosofando e sendo até um cientista. O sofrimento do personagem e suas perdas são proporcionais ao desolamento da Nova Iorque após o vírus que transformou o mundo.

Os cenários dão o tom da trama, passam toda a tristeza de um mundo onde o ser humano está perto da extinção. Nos flashbacks, passam também todo o pânico de uma situação terrível que até aquele momento poucos entendiam. As criaturas criadas pelo vírus destoam bastante do livro, sendo um tipo mais “moderno” de monstro, mas mantendo um visual aterrorizante. Uma delas, inclusive, de forma sutil resgata a evolução desenvolvida no livro.

O clima criado pelo silêncio de uma cidade sem população, mais o ambiente de trevas onde as criaturas vivem, conseguem fazer algo que pouquíssimas das manjadas produções de terror atuais conseguem: dar verdadeiros sustos no espectador. A brasileira Alice Braga também está presente no filme, num papel forte e importante para o desenrolar da trama, representando com grande competência num raro momento em que um brasileiro ganha destaque numa produção estrangeira.

Com o sucesso, é claro, já se fala numa continuação, o que desagradou muitos fãs da obra original. Alguns, mesmo gostando do filme, já se desapontaram com o final do atual filme, mas, sem entrar em detalhes, podemos dizer que isso pode mudar, já que um final alternativo foi filmado, mais fiel ao livro, estando praticamente confirmado em uma futura edição especial em DVD.

Elenco: Will Smith, Alice Braga, Salli Richardson, Paradox Pollack, Charlie Tahan. Direção: Francis Lawrence.


:: Aliens vs. Predador 2
Por Leonardo Vicente

Em 2004 os fãs de ficção científica conheceram a decepção na forma do filme Alien vs. Predador, uma produção que veio para atender pedidos de muitos anos, mas que fez alguns se arrependerem por terem pedido por um encontro cinematográfico das duas criaturas.

Agora, Aliens vs. Predador 2 (Aliens vs. Predator: Requiem) está nos cinemas e as coisas melhoraram. Melhoraram muito. Para começar, o fraco diretor Paul W. S. Anderson não retornou, sendo substituído pelos irmãos Colin e Greg Strause, que em poucos minutos já provam serem muito mais competentes do que seu antecessor.

Começando do exato momento de onde o filme anterior parou, ou seja, o nascimento do Predalien, a nova produção rapidamente trilha um caminho de volta a vários elementos das duas franquias. A trilha sonora (com versões remixadas das músicas originais) se faz presente em boa parte da exibição.

O primeiro cenário terrestre é uma floresta, trazendo de volta um pouco do clima do primeiro Predador. Mas logo o suspense toma lugar, agora remetendo aos filmes da franquia Aliens, embora desta vez tenha alguns (felizmente) poucos elementos de terror adolescente.

Mas o novo filme traz também inovações, principalmente com o Predador. Desta vez, vemos brevemente o planeta natal da raça, cuja arquitetura lembra bastante o filme A Batalha de Riddick. Mas isso é o de menos. O Predador que vem à Terra não vem simplesmente para mais uma caçada - sua missão é um tipo de “queima de arquivo”, no intento de eliminar os vestígios da presença dos Aliens e Predadores na cidade que os Aliens começam a infestar. Um Predador com missão parecida já deu as caras nos quadrinhos, no crossover Superman vs. Predador.

E ainda tem mais: este Predador conta com novos apetrechos, como um chicote especial, um líquido supercorrosível e até um revólver improvisado, entre outros. Mas a inovação que todos querem saber de verdade é o Predalien e ele não decepciona, resultando numa criatura poderosa, que cria novas perguntas sobre os Predadores, já que apresenta características não presentes nos Aliens.

Em um único ponto este segundo filme perde para o anterior. Se por um lado o clima escuro e opressor garante a fidelidade aos filmes originais de ambas as franquias, este mesmo clima evita cenas de luta mais detalhas e bem desenvolvidas, o único ponto forte do filme anterior, que investiu muito mais em efeitos especiais do que numa representação correta das mitologias desenvolvidas através dos anos.

Tendo um sucesso merecido em mãos, os irmãos Strause já se animam para um terceiro capítulo, no qual pretendem desenvolver uma trama espacial. Contudo, deixaram também uma importante ponta aqui mesmo na Terra.

Elenco: Gina Holden, John Ortiz, Johnny Lewis, Steven Pasquale, Shareeka Epps, Reiko Aylesworth. Direção: Colin Strause, Greg Strause.


:: Encantada
Por Vinícius Schiavini

Encantada (Enchanted) é um conto de fadas, um desenho animado e um filme live-action. Tudo ao mesmo tempo.

Uma fórmula assim tem uma tendência a dar errado, se não é regida por uma administração e uma direção criativa firmes com experiência neste tipo de produto cultural. Ou seja, algo estilo Disney.

Encantada arrisca e, ao mesmo tempo, se firma em bases já consolidadas de piadas simples, grandes cenas musicais e o final feliz que sempre conquistam o público-alvo, que vai de 8 a 80 anos.

A trama é simples: um desenho animado típico, com músicas, mostra a doce e meiga Gisele, que conhece o Príncipe Edward. Os dois se apaixonam loucamente, e decidem se casar no dia seguinte. Mas existe a rainha-madrasta má que, claro, é contra o casamento e manda Gisele para um mundo onde não existe “felizes para sempre”: o nosso mundo físico.

Aí que a coisa fica interessante. Quando elementos dos contos de fadas são colocados no “mundo real”, se desenrola uma história que envolve um pouco de magia que nós, humanos, colocamos de lado por conta da burocracia. Gisele (Amy Adams) acaba conhecendo o advogado Robert Phillip (Patrick Dempsey), e não entende como podem existir coisas como divórcio (afinal, não existe “felizes para sempre”) e encontro (ela conheceu, se apaixonou e ia se casar).

O Príncipe Edward (James Marsden) decide ir buscar sua amada, acompanhado de seu ajudante Nathaniel (Timothy Spall), sem imaginar os planos da madrasta Narissa (Susan Sarandon).

Daí se pode imaginar os desdobramentos da trama. Não há uma reviravolta surpreendente, mas sim um esforço em fazer algo especial com o que seria óbvio.

A narração, originalmente de Julie Andrews (que tudo que faz fica com um jeito de conto de fadas), acaba só tendo certa importância na parte em desenho animado, já que depois os personagens se expressam muito bem, tanto em falas quanto em reações. Amy Adams, uma atriz iniciante, cumpre bem seu papel, mas Patrick Dempsey coloca em prática anos e anos fazendo galãs nos anos 80.

James Marsden, depois do Ciclope em X-Men e do Richard White de Superman – O Retorno, ganha um papel onde pode se expressar além de duas ou três caras tristes, e até diverte como o típico príncipe encantado. Sua postura e sua forma de falar realmente deixam claro que aquele personagem acabou de sair de um desenho animado cheio de vida.

Elenco: Amy Adams, James Marsden, Susan Sarandon, Patrick Dempsey, Timothy Spall, Idina Menzel, Rachel Covey. Direção: Kevin Lima.


:: Desejo e Reparação
Por Fabrizio Cesarino

No ano de 1935, sob a crescente sombra da Segunda Guerra, a privilegiada família inglesa Tallis se reúne para o fim de semana em sua formosa mansão no dia mais quente do ano, para vivenciar um dia muito alegre e divertido. Aparentemente seria mais um fim de semana pacato, mas o intenso calor e os sentimentos retidos por muitos, deram espaço para as terríveis sucessões de mal entendidos.

Briony, uma menina de 13 anos que sabe usufruir muito bem a sua fértil criatividade para escrever, acaba acusando Robbie, filho da governanta e amante de sua irmã, de um crime que não cometeu por causa de uma série de mal entendidos. A terrível denúncia arrasa o recém-descoberto amor de Robbie e Cecília e transforma de maneira dramática todo o percurso da vida de todos.

Apesar da terrível acusação e da injusta punição, Robbie jura a Cecília, mesmo sofrendo pela sua ausência, se reencontrar para viver o belo e intenso amor. Após recuperar toda a honra e obter a benção da família de Cecília, irão se casar para poderem viver felizes. Através da arte de escrever Briony, prestes a abandonar a carreira de escritora, acredita que pode se redimir do sacrifício dando a solução feliz e eterna idealizada por Robbie e Cecília.

Baseado no best-seller do escritor inglês Ian Mcewan, Desejo e Reparação (Atonement), finalista do Book Prize 2001, o mais bem-conceituado prêmio literário britânico, foi também o campeão de indicações ao Globo de Ouro (sete) e pode repetir o mesmo desempenho no Oscar. No Globo de Ouro, foi o vitorioso nas categorias Melhor Filme Dramático e Melhor Trilha Sonora Original.

O longa narra o sacrifício do amor da aristocrata inglesa Cecília Tallis e do jovem Robbie, separados após a acusação da jovem Briony, que arrependida busca reparar o seu incrível erro através da arte de escrever. A solução para o seu terrível mal entendido e para a amarga separação do casal está em seu último livro, que demorara seis décadas para concluir.

Os belos elementos clássicos da literatura britânica, utilizados de forma magistral no livro, deram intensidade à narrativa dramática. O diretor Joe Wright e o roteirista Christopher Hampton buscaram dar o mesmo teor à adaptação.

A história dirigida por Wright expõe de forma dolorosa a busca da reparação. Mostra de maneira poética que jamais devemos deixar de obter o êxito por causa do medo e muito menos mentir, esperando até seis décadas para obter a solução de um mal entendido.

O orçamento do filme foi de US$ 30 milhões. Não é um grande blockbuster, mas é uma valiosa obra artística, que merece atenção pelo seu conteúdo narrativo, pela direção e adaptação.

Elenco: James McAvoy, Keira Knightley, Vanessa Redgrave, Brenda Blethyn, Romola Garai, Michelle Duncan, Saoirse Ronan, Juno Temple. Direção: Joe Wright.


:: Os Seis Signos da Luz
Por Leonardo Vicente

Baseado no livro escrito por Susan Cooper, Os Seis Signos da Luz (The Seeker: The Dark Is Rising) agradou com seus trailers empolgantes, apresentando um ótimo visual.

Parabéns para quem editou o trailer, pois conseguiu empolgar com um material ruim. Dirigido por David L. Cunningham, o filme tenta criar uma estrutura típica dos maravilhosos filmes de aventura juvenil que fizeram nossa infância e adolescência quando exibidos na Sessão da Tarde. O problema é que falha miseravelmente neste intento.

Com personagens e atores que não criam um pingo de interesse, uma história por demais simplista e previsível, além da falta da sensação de perigo nas cenas de ação, o filme se constituiu num completo fiasco.

O garoto Will Stanton (Alexander Ludwig) repentinamente se descobre no meio de uma batalha milenar entre a Luz e as Trevas, tendo papel de extrema importância: ele é o único que pode encontrar os Seis Signos da Luz, que juntos podem sobrepujar o poder das Trevas.

Para isso ele recebe a ajuda e os conselhos de um grupo de defensores da luz, que inclui Merriman Lyon, vivido por Ian McShane, o único ator com bom desempenho na aventura, criando assim o do mesmo modo único personagem com carisma na trama.

O vilão é o Cavaleiro, um misterioso ser que manipula as trevas e que acompanha de perto o desempenho de Will, de uma maneira que chega a ser ridícula, dado seu pouco esforço em deter o garoto, ainda mais considerando quão facilmente poderia conseguir isso.

A maneira como Will encontra cada um dos signos, como a família reage às suas habilidades e como ele derrota cada obstáculo que surge são de uma ingenuidade tão grande que até uma criança de 10 anos de idade pode se sentir subestimada.

Elenco: Christopher Eccleston, Ian McShane, Amelia Warner, Jonathan Jackson, Wendy Crewson, Gregory Smith, James Cosmo, Frances Conroy. Direção: David L. Cunningham.


  facebook


 


 

Seções
HQ Maniacs
Redes Sociais
HQ Maniacs - Todas as marcas e denominações comerciais apresentadas neste site são registradas e/ou de propriedade de seus respectivos titulares e estão sendo usadas somente para divulgação. :: HQ Maniacs - fundado em 19.08.2001 :: Brasil