MATÉRIAS/REVIEWS
 
  
 
08/02/2008
REVIEW - CINEMA: SWEENEY TODD E MAIS TRÊS REVIEWS
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


:: Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

Johnny Depp é sem sombra de dúvida um ótimo ator, lembrado sempre pelos tipos estranhos e/ou lunáticos que interpreta. Tim Burton é um ótimo diretor, sempre criando obras que misturam visual gótico, um clima de contos de fada e alguns dos mais pitorescos personagens do cinema.

A parceria entre Depp e Burton sempre rendeu obras diversas e excelentes, como A Fantástica Fábrica de Chocolate, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça e A Noiva Cadáver. Claro, não é diferente agora com Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street).

Se por um lado não é nenhuma surpresa a união destes dois nomes, nem mesmo a qualidade do novo projeto, o gênero é. Embora Burton tenha se embrenhado pelos musicais em algumas de suas obras, Sweeney Todd é seu primeiro filme praticamente 100% cantado ao invés de falado.

Adaptação do famoso musical teatral de mesmo nome, o filme apresenta a história do barbeiro Benjamin Barker (Depp), que retorna a Londres para se vingar do Juiz Turpin (o sempre sinistro Alan Rickman), que anos atrás condenou Barker por um crime que não cometeu, tudo para ficar com sua esposa.

Adotando a alcunha de Sweeney Todd, o barbeiro usa sua profissão como meio para obter sua vingança, logo se tornando um total psicopata, assassinando seus clientes enquanto faz suas barbas. Em sua estranha cruzada, ele é ajudado pela Sra. Lovett (Helena Bonham Carter, não só costumeira atriz dos filmes de Burton, como também sua atual companheira), que usa os restos das vítimas do barbeiro como recheio de suas tortas, que logo se tornam a maior sensação gastronômica de Londres.

Com o humor negro que é marca registrada de Burton, o filme é um espetáculo visual e consegue fugir da armadilha de se tornar enfadonho com suas músicas, já que praticamente todas são bem executadas e se encaixam na trama. As infelizes exceções são as intragáveis canções de amor de Johanna (Jayne Wisener), filha do barbeiro, e do marinheiro Anthony Hope (Jamie Campbell Bower). Vale destaque a breve, porém divertidíssima participação de Sacha Baron Cohen como o barbeiro rival Signor Adolfo Pirelli.

Elenco: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Timothy Spall, Sacha Baron Cohen, Laura Michelle Kelly, Jamie Campbell Bower, Jayne Wisener. Direção: Tim Burton.


:: Cloverfield - Monstro

J.J. Abrams
cada vez mais parece ter o toque de Midas. Na TV, engatilhou diversos sucessos, com destaque para Alias e, principalmente, Lost. Nos cinemas, dirigiu o melhor filme da série Missão: Impossível e agora comanda o retorno da franquia Jornada nas Estrelas.

Sendo assim, não chega a ser uma grande surpresa o sucesso de Cloverfield - Monstro (Cloverfield), ainda que Abrams seja apenas produtor no projeto, que é dirigido por Matt Reeves. Com tantos acertos, fica claro também que não se trata de sorte, mas sim de talento.

Assim que anunciado, Cloverfield foi logo rotulado de “uma mistura de A Bruxa de Blair e Godzilla”. Sim, há um monstro gigante aterrorizando Nova Iorque, assim como em Godzilla. Sim, presenciamos tudo através dos registros de uma câmara amadora, assim como em A Bruxa de Blair. Mas as similaridades param aí.

Enquanto Godzilla se esforçava como um espetáculo visual, com cenas exageradas e elaboradas, Cloverfield mostra não a história do monstro ou da cidade, mas sim o drama de um pequeno grupo de amigos pego desprevenido no meio da loucura. Do mesmo modo, não apresenta o clima opressivo de A Bruxa de Blair, pois os personagens estão na cidade que é seu lar, um amplo cenário.

Ao contrário do que muitos pensam, o monstro aparece bastante durante o filme, com efeitos especiais de primeira, mostrando que a sacada da câmara amadora e um elenco de semi-desconhecidos ainda deixou espaço para um ótimo trabalho no visual da criatura e da cidade devastada. De fato, recursos vistos como simples economia, são na verdade elementos essenciais para a estrutura da obra.

O maior acerto na campanha de marketing foi o sigilo quanto ao visual do monstro, sigilo que surpreendentemente segue mesmo agora que o filme já estreou em vários países. O sucesso foi alcançado quase automaticamente, afinal a campanha foi devastadora no mundo todo e a película teve baixo orçamento, aumentando absurdamente suas chances de lucro.

Por mais que a estrutura e a divulgação tenham ajudado, o filme foi um sucesso, sobretudo pela sua qualidade. O espectador se surpreende junto aos personagens, os ângulos da câmara amadora são perfeitamente naturais, sem forçar a barra para mostrar um ângulo mais “comercial” das cenas de ação.

Elenco: Mike Vogel, Greg Grunberg, Lizzy Caplan, Michael Stahl-David, Odet Jasmin. Direção: Matt Reeves.  


:: O Gângster

Filmes sobre o crime organizado costumam abranger as antigas famílias mafiosas italianas, a máfia japonesa ou organizações mais atuais. Indo contra a maré, O Gângster (American Gangster) conquista, em suas quase três horas de duração, o mérito de provar que é possível fazer um ótimo filme sem ter de seguir regras auto-impostas pela indústria.

Dirigido pelo versátil e mais do que competente Ridley Scott, a produção adapta o livro Gângster Americano e outras histórias de Nova York, do jornalista Mark Jacobson. A trama apresenta uma mesma história, baseada em fatos reais, vista de dois pontos de vista, o do “vilão” e do “mocinho”.

Denzel Washington é Frank Lucas, criminoso que inicia sua carreira como um grande nada, para com o tempo se tornar o primeiro grande gângster negro dos EUA, chefão absoluto do narcotráfico no Harlem. A história é bem conduzida de forma, que, mesmo Lucas sendo um criminoso, não há como não admirarmos o planejamento feito por ele tão minuciosamente, evitando levantar suspeita por vários anos.

Russell Crowe é Richie Roberts, agente da Unidade Especial de Investigação de Narcóticos, um dos poucos homens na unidade a não ser nem corrupto, nem drogado. Desacreditado por todos e com uma vida pessoal em ruínas, é o único que tenta desvendar o mistério que é Frank Lucas.

Com um elenco impecável, uma ambientação bem trabalhada e um ótimo diretor, o filme acerta ainda mais em não se concentrar somente na caçada a Lucas ou em seus negócios. Explora muito bem a vida íntima dos dois personagens principais, mostrando que nenhum é completamente bom ou ruim.

O grande elenco conta ainda com nomes de peso como Armand Assante, Cuba Gooding Jr. e Carla Gugino, que, mesmo em papéis menores, se destacam.

Elenco: Denzel Washington, Russell Crowe, Carla Gugino, Ted Levine, RZA, Josh Brolin, Chiwetel Ejiofor, Cuba Gooding Jr. Direção: Ridley Scott.


:: Onde os Fracos Não Têm Vez

Tendo sido indicado em diversas premiações, Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country for Old Men) faz por merecer.

Uma negociação entre criminosos sai errado e, a partir daí, se desenrola uma trama que envolve os lados interessados na negociação, seus agentes, um policial e um homem que acha acidentalmente o dinheiro do caso.

Joss Brolin é Llewelyn Moss, homem que acha o dinheiro e decide lutar por ele. É talvez a primeira vez em que o ator tem um papel de destaque, e não decepciona. Tommy Lee Jones é Ed Tom Bell, o xerife que tenta resolver as coisas, mesmo que sempre observe o quão difícil isso será. Considerado o personagem principal da trama, aparece de fato quase no meio do filme, o que nos leva a pensar se deveria mesmo ser considerado o principal, mesmo sendo o narrador da história.

Quem rouba mesmo a cena é Javier Bardem no papel (já premiado) de Anton Chigurh, o imbatível e inventivo assassino que é contratado para reaver o dinheiro, mas leva o trabalho para outro caminho, afinal sua motivação são as mortes, não o contrato. Numa primorosa atuação, deixa óbvio quem deveria ser realmente o protagonista da trama.

Os diretores Joel e Ethan Coen formulam um clima perfeito no filme, que se passa no início dos anos 80. Na verdade, a impressão que passa é que tudo se passa neste período de verdade. Até mesmo a presença de um assassino obstinado e impossível de se deter remete aos filmes típicos dos anos 80, só que com muita mais classe, sem precisar apelar.

O filme é quase perfeito até perto do final, onde passa a dividir opiniões. A escolha em deixar alguns trechos obscuros, criando um mistério que não será resolvido, é identificada por alguns como a marca dos diretores, o toque que define a produção. Já outros, consideram apenas um recurso para chamar atenção, criar a discussão que atrairia muitos espectadores, mas que na verdade quebra todo o ritmo do filme.

Seja como for, trata-se de um ótimo filme, que merece ser conferido, mesmo que seja para formar uma opinião própria sobre o desfecho da trama.

Elenco: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Woody Harrelson, Stephen Root, Josh Brolin, Garret Dillahunt. Direção: Irmãos Cohen.

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