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21/02/2008
COLUNA - FALA ANIMAL!: OS NOVOS VINGADORES
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



Qualquer título que tenha sido escrito, na seqüência, por Kurt Busiek e Geoff Johns, pode ser considerado um título de sorte. Isso seria verdade, se não fosse um problema: os Vingadores tiveram essa sorte, para logo depois caírem nas mãos pra lá de incompetentes de Chuck Austen.

Depois de Austen, a Marvel decidiu chamar um de seus grandes nomes para salvar a publicação: Brian Michael Bendis. A idéia era destruir a equipe no evento A Queda para depois reconstruí-la relançando a revista desde o número 1, agora como Novos Vingadores. O sucesso foi praticamente imediato, as vendas dispararam. Porém, como é fácil aprender através de programas de TV, sucesso não é garantia de qualidade.

A Queda realmente destruiu os Vingadores. Enlouquece a Feiticeira Escarlate com base numa informação falha (a personagem nunca perdeu a memória sobre a existência de seus filhos), mostra todos os heróis como completos imbecis, perdidos no meio da confusão, e finaliza com os Vingadores novamente bancando os idiotas, deixando um dos maiores vilões da Terra levar sua filha, sem nem mesmo protestarem.

Não há sequer um herói retratado corretamente, nenhuma cena de ação progride ou empolga e até heróis fora da equipe são usados de forma estapafúrdia, como o Dr. Estranho. E quase ia esquecendo: os poderes da Feiticeira Escarlate, que envolviam magia caótica, algo muito usado nos anos 80 e 90, foram totalmente mudados, ignorando a história prévia da personagem. Mas as coisas continuaram piorando...

Qualquer fã dos Vingadores sabe muito bem que a equipe sempre foi um misto dos mais poderosos e populares heróis da Marvel (Capitão América, Thor, Homem de Ferro, Hulk) com outros de segundo escalão (Cavaleiro Negro, Capitã Marvel, Tigresa). As ameaças sempre foram gigantescas: a Guerra Kree-Skrull, Thanos, e por aí vai, fora inimigos tradicionais como os Mestres do Terror e Kang.

Bendis rapidamente jogou tudo isso fora. Escalou uma equipe que divide os mais populares heróis com outros que satisfazem seu gosto pessoal. O resultado foi uma equipe ilógica. Tudo bem, o Homem-Aranha já foi vingador e o Sentinela, por ser teoricamente o maior herói da Terra, se encaixa bem no esquema, mas fora isso, só os clássicos Capitão América e Homem de Ferro parecem estar no lugar certo. Mesmo o Sentinela foi uma boa idéia sendo mal utilizada. O personagem quase sempre fica em segundo plano, em vez de assumir o posto de um dos principais membros.

Bendis contradiz a si mesmo. Ao final de A Queda, Tony Stark decide que não pode mais financiar a equipe (vamos fazer de conta que esquecemos que a Fundação Maria Stark, que financia o grupo, há tempos não é comandada por Tony). Em Novos Vingadores é o mais empolgado em iniciar uma nova equipe, tirando da cartola uma Torre Vingadora e os tradicionais jatos do grupo.

Pior: ao invés de escalarem membros entre as dezenas de ex-Vingadores, muitos dos quais seus amigos pessoais, Tony e Capitão América simplesmente convocam heróis que acabaram de lhes ajudar, formando a mais fraca e patética formação dos Vingadores. Alguém consegue imaginar uma invasão alienígena sendo detida pela fabulosa combinação de poderes de Homem-Aranha, Luke Cage, Wolverine e Mulher-Aranha?

Nem mesmo a personalidade e bagagem histórica dos heróis foram respeitadas. Luke Cage, o Herói de Aluguel, perdeu todo o charme, tornando-se apenas “mais um”. A trama em torno da Mulher-Aranha remete aos primórdios da personagem, mas ignora toda sua evolução. Mas o pior é a presença de Wolverine, mais superexposto do que nunca.

Se já é difícil aceitar que o Capitão América concordasse com a presença de alguém tão violento na equipe, pior é ver relacionamentos antigos serem ignorados. Quer dizer que Wolverine não se lembra dos meses de convivência com Jessica Drew em Madripoor? Ou que o Capitão América e Homem-Aranha não lembram das vezes em que se relacionaram como Steve Rogers e Peter Parker?

Em 26 edições (fora um anual e a participação do grupo em Dinastia M), Bendis não conseguiu criar uma equipe, apresentando somente um amontoado de heróis, que raramente enfrentam uma ameaça. Parte do grupo mal participa das missões, como Wolverine e Sentinela.

Nestes pouco mais de dois anos de publicação, houve no máximo 3 ou 4 histórias boas, o restante sendo simplesmente intragável, seja pela enrolação sem fim do autor, pelos disformes e não identificáveis desenhos de David Finch, pela descaracterização completa de todos os personagens envolvidos, pela quase total falta de ação. Simplificando: tudo é dominado por uma incrível falta de competência e lógica.

Mas Bendis, que cada vez deixa mais claro que só leva em conta o que gosta e ignora todo o resto a respeito da Marvel, não para somente nos Vingadores. Durante as aventuras, destrói (nestes casos, literalmente) a nova Viúva Negra e a Tropa Alfa, sem nem mesmo mostrar direito como isso foi feito.

Com a saga Guerra Civil, tudo mudou para o grupo. Agora foragidos da lei, conseguem reunir uma formação ainda mais esdrúxula, com um arco inicial de histórias que demora meses, tendo apenas UMA página com algum significado. Nem mesmo a formação do novo grupo é detalhada de modo satisfatório.

Bendis conseguiu fazer o que parecia impossível, piorar um título que já era horrível. Ao menos o escritor se redimiu (em parte) com o segundo título do grupo, Os Poderosos Vingadores, com uma formação que remete mais aos clássicos da equipe. Mas ainda assim dá (enormes) escorregões.

Com uma nova saga se aproximando nos Estados Unidos, sempre fica a esperança de que depois de vários anos possamos ter a volta dos Vingadores, sem nenhum subtítulo bobo para atrair a atenção e com uma equipe digna do nome. Opa! Espere um pouco! A nova saga será escrita por Bendis...

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